A vitória sobre a indiferença.

Publicado: 22/07/2010 por Sirlan Pedrosa em História da F1

Sempre achei que a indiferença é o pior dos sentimentos humanos. Amor e ódio são no fundo as duas faces da mesma moeda. É muito mais fácil sair do amor direto para o ódio e vice-versa, que se tornar indiferente.

Pois bem, de ser tratado com esse sentimento tão vil, a indiferença, o piloto brasileiro Rubens Barrichello não pode reclamar.

Certamente além de mais longevo piloto da categoria, Barrichello é aquele que mais divide a torcida brasileira. Muitos o amam e ressaltam suas qualidades de acertador, de cometer poucos erros ou ser um homem “do bem”. Outros o odeiam pela sua “submissão” na Ferrari, por sempre “dar desculpas” ou pelas suas declarações desastradas.

Jamais foi uma unanimidade para o bem ou para o mal.

A verdade é que Barrichello sempre foi uma grande promessa, e como toda grande promessa que não se concretiza gerou muita frustração. Isso numa torcida acostumada a vencedores e promessas que se realizavam em grande escala.

Campeão no kart brasileiro e sul americano, vencedor da Fórmula Opel européia e campeão da tradicional F3 Britânica, o jovem Rubinho estreou bem na F1 em 93 e parecia ser a continuação natural de nossa dinastia nas pistas.

Mas algo falhou nessa história que seria tão óbvia aos olhos da torcida brasileira e o festejado sucesso dos pilotos brasileiro desandou exatamente na “vez dele”.

Longe de ser um perdedor, nunca chegou sequer perto daquilo que a torcida esperava dele.

Temporadas irregulares na Jordan, três anos para renascer na estreante Stewart, frustração na Ferrari com Schumacher, pesadelo na Honda, sonho na Brawn e calmaria na Williams são um retrato bem sincero e realista desses quase 19 anos na categoria, próximo da marca de 300 corridas.

Mas para confirmar a regra que “toda regra tem uma exceção”, teve um dia que Barrichello talvez tenha se transformado numa unanimidade nacional e certamente quase tão amado quanto Senna.

Há exatos 10 anos Rubinho largava em 18º lugar na pista de Hockenheim e após uma apresentação soberba, inclusive andando com pneus de seco na pista molhada, venceu seu primeiro GP.

Ao menos naquele dia a torcida esqueceu a frustração que havia passado e não pensou em tantas outras que viriam, e o venerou como um grande campeão.

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comentários
  1. Alexandre Pires disse:

    Muito apropriado este post. Gostei muito!
    Barrichello fez opções muito acertadas do ponto de vista da carreira, haja vista sua longevidade, e da segurança financeira, haja vista sua notória afluência.
    Contudo, falhou em buscar os assentos mais competitivos e teimou muito na procura por bons contratos. Escolhas!
    Quanto a sua passagem pela Ferrari, só saberemos mesmo o que se passou quando, e se, Barrichello lançar sua tão auto-anunciada auto-biografia!
    Que vá bem novamente em Hockenheim!!!

    • Lucas Túlio disse:

      “Quanto a sua passagem pela Ferrari, só saberemos mesmo o que se passou quando, e se, Barrichello lançar sua tão auto-anunciada auto-biografia!”

      Não é desculpa de torcedor, muito menos defensor…, mas o que fizeam com ele na Ferrari foi uma palhaçada sem tamanho!

      Espero que ele não omita informaçoes fortes de bastidores, estando na ativa, talvez nao seja correto “botar a boca no mundo”, mas depois de se aposentar…, que ele detone aquele queixudo e conte detalhes de todo o favorecimento ao mesmo.

      Eu respeito muito o Piloto Rubens Barrichello!

      “Que vá bem novamente em Hockenheim!!!”

    • Allan Wiese disse:

      Alexandre e Lucas:
      o mais interessante nisso é que Rubens, na entravista ao Top Gear da semana passada, disse que não havia dessas coisas quando assinou o contrato. Mas que depois essas coisas aconteceram não há como negar.

  2. tomasf1 disse:

    Sirlan;

    Se você quiser colocar o vídeo no tamanho grande, cole no post assim:

    [embed width="600"]http://www.youtube.com/watch?v=g2HzkjoEhgw&feature=player_embedded[/embed]

    No mais, ótima análise. Já sou fã do Ultrapassagem!

  3. Allan Wiese disse:

    Grande texto Sirlan.

    Li esses tempos uma discussão que teve ano passado no Around sobre Rubinho, a partir de um post que o Flavio Gomes tinha feito e que o Becken reportou e abriu para discussão, e lá várias opiniões foram colocadas sobre a mesa. Como o Sirlan disse, ele é o tipo de cara que divide o brasileiro.
    Rubinho foi um cara que fez algumas escolhas erradas durante a carreira, como o Alexandre já falou acima. Não ganhou em algumas situações por um misto de azar e incompetência. Não teve a Ferrari toda à seu favor por que abriu a boca antes do tempo. Não ganhou ano passado por que foi menos constante do que Button.
    Mas o seu talento não pode ser negado. Viveu a F1 em diversas épocas e com diversos regulamentos. Se adaptou à todos eles. Sempre foi muito rápido e muito bom de chuva. Carismático quando quer e muito cativante. Não deixa de ser algo que impressiona o fato de Rubens, depois de ‘tcents’ temporadas, ainda ter ânimo para tentar ajudar uma equipe a se reerguer.
    O problema é que, infelizmente, não vai dar mais pro Rubinho. Ano passado foi sua última chance. A não ser que algo revolucionário aconteça lá pelas bandas de Grove, Rubens vai se aposentar no fim de 2011 ou 2012 ficando conhecido como o cara que não conseguiu ser campeão da F1 depois de 20 anos na categoria…
    Uma pena. Eu gosto dele. Querendo ou não, é um cara autêntico. Isso o atrapalhou ao longo de sua carreira, mas ele mostrou ter caráter.

  4. Sari disse:

    Belo texto.

    A motivação (alguns podem chamar de insistência ou teimosia) do Rubens é realmente incrível.

    A capacidade do cara em acreditar nele mesmo, como nos tempos de Ferrari, em que pensava poder vencer Schumacher, é tão… ingênua, que não consigo deixar de achar admirável.

    Vencedor ele pode não ser, agora, ninguém lhe tira o título de um dos pilotos mais peculiares dos últimos tempos (dancinhas malucas, choros, declarações tolas, vitórias épicas). Pra mim, como simples entusiasta da F1, já é o bastante.

  5. tomasf1 disse:

    Good news:

    já temos 11 seguidores no twitter!
    http://twitter.com/ultrapassagem

  6. Lucas Túlio disse:

    Grande texto Silan,

    Apesar dos prós e contras, não se pode negar o seu talento, ele é um bom piloto com certeza! Na minha opinião, ele foi muito azarado na carreia, não incopetente, como muitos se esforçam pra tentar provar essa “incopetencia”, apenas por não ter sido campeão mundial!

    Pova das suas qualidades como piloto, é o respeito que ele tem por boa parte do circo! Este ano, não fosse o Rubens pra levar informaçoes para o desenvolvimento da Willians, alguém ai acha que a equipe estaria onde se econtra atualmente?

  7. Anselmo Coyote disse:

    Salve, salve!!!
    Novo blog na área.
    Voltarei em breve.
    Abs.

    • Allan Wiese disse:

      E traga a sua outra personalidade junto: o Regazzoni, hahaha.

      Brincadeira Coyote. Aguardávamos você por aqui…

  8. Lucas Túlio disse:

    Pessoal, sobre livros sobre F-1, Pìlotos….

    Eu ja li a biografia do Senna – O Heroi Revelado
    Estou lendo a do Piquet no momento – A trajetoria de um grande Campeão

    Alguém indica algum livo?

    abaços!

    • Sirlan Pedrosa disse:

      Lucas,

      Eu li esse livro nos anos 80, emprestado de um amigo meu. Foi o primeiro de corridas que li e lembro muito dele.

      Cobre a vida de Piquet até a Brabham e é uma obra independente acho do autor é Luiz Carlos Lima, que também escreveu “O campeão mundial sem título”, que é a história de José Carlos Pace, o Moco. É uma boa leitura. Nunca consegui achar esse livro para comprar.

      Acho a oferta de bons livros sobre automobilismo em lingua portuguesa muito pequena.

      Eu tenho alguns e indico a você “Fórmula 1 – Pela Glória e pela Pátria” de Eduardo Correa e “Na Linha de Chegada” do Gerard Berger.

      O primeiro é de um jornalista de O GLOBO que faz uma retrospectiva dos pilotos brasileiros de Emerson a Barrichello e Cristian Fittipaldi. É meio ufanista, mas dá uma visão boa da história dos brasileiros na F1 e o autor faz um bom trabalho de pesquisa.

      O segundo é a biografia de Gerard Berger, que eu acho que li umas três ou quatro vezes. Não precisa recomendar mais né ?

      Um abraço,

      Sirlan Pedrosa

  9. pablo disse:

    Esta corrida foi sensacional, foi no primeiro ano que comecei a assistir F1, e até hoje não me esqueço deste feito do grande rubens, foi incrível.

  10. Alex-Ctba disse:

    Grande Sirlan e muito apropriado trazer esse “clássico” do automobilismo tupiniquim – q completa 10 anos nesse mês de Julho – do “nosso” Rubens amem/odeiem Barrichello. Foi uma das mais emocionantes vitórias de um piloto de F1, q contou com a bravura do piloto e com a aquiescência de Ross Brawn, q deixou a decisão nas mãos do Rubinho. Vejam o relato do piloto:

    “O ano de 2000 chegou com grandes esperanças de mais pódiuns e de finalmente poder chegar a minha primeira vitória. No dia 31 de julho de 2000, depois de largar em 18º devido a problemas elétricos durante a classificação, consegui atingir meu terceiro objetivo: vencer uma corrida de Fórmula 1. Aquelas últimas voltas debaixo de chuva na metade do circuito e eu andando de pneu de pista seca foram momentos muito emocionantes e inesquecíveis!!! Não conseguia parar de pensar em todas os sacrifícios que minha família fez para que eu chegasse até ali. Foi um flash back de tudo que havia acontecido até aquele momento” Rubens Barrichello

    O GP da Alemanha começou com chuva esse fds e a Williams está andando forte nessas condições. Talvez mais um bom resultado a vista, para o interminável Barrica.

  11. celso gomes disse:

    Sirlan,

    “A verdade é que Barrichello sempre foi uma grande promessa, e como toda grande promessa que não se concretiza gerou muita frustração. Isso numa torcida acostumada a vencedores e promessas que se realizavam em grande escala.”

    Isto aconteceu exatamente comigo por ter vivido as três gerações de vencedores ao vivo e em cores.

    Nunca tiro os méritos dele como profissional, mas… O que me fez estar do lado dos que não gostam, foram as atitudes dele ao embalar, anualmente, essas promessas que sabidamente ele não poderia cumprir, e a fraqueza por deixar se levar como um “bobo da corte” pelos brasileiros. Virar motivo de piada, e compactuar com isso, nunca me agradou.

    abçs

  12. F1-Fan disse:

    Rubinho na verdade é um grande piloto mas nessa nova fase da F1 onde a maioria dos pilotos são jovens, não há muito espaço para pilotos muito antigos como Schumacher, Rubinho…veja o caso de Schumacher, que se aposentou como herói, mas nesse ano quis voltar e deu no que deu… o reflexo não é mais o mesmo, a habilidade no volante não é mais a mesma. para mim nenhum dos dois deviam estar correndo atualmente, já deviam ser aposentados do automobílismo deveriam ser lendas da F1… e não mais um dos pilotos que estão aguardando uma vitória no campeonato.

    • Allan Wiese disse:

      F1-Fan (ou pedro, mas vou te chamar pelo nick):
      O caso do Schumacher não é assim tão simples. Ele foi um cara acostumado a treinos e mais treinos em Fiorano pra pegar cada detalhe de carros feitos para ele. Agora ele tem que andar em um carro que não foi feito para o estilo dele em tempos em que testes são proibidos.
      Rubens não sente isso da mesma forma que Michael por que não parou e pode se adaptar em tempo real.
      Mas não duvide da capacidade do Alemão. Se ele cumprir o seu contrato até o fim (o que já disse que vai fazer), pode incomodar muito ano que vem e em 2012.

  13. Dorfão disse:

    Que bélissimo texto Sirlan!

    Olha, eu assisti aquela corrida e gritei muito no final, fiquei feliz demais, como vibro hoje com as vitórias de Hamilton e como sempre vibrei com cada vitória que assisti de Ayrton Senna. Garanto que em emoção não perdeu em nada, foi lindo!
    Nesse tida Rubens foi capaz de unir os fãs e corneteiros á seu favor, todos unidos vibraram.

    Abraço

    • Não me emocionei tanto com a morte do Senna como me emocionei nesse dia…

      Acho o Barrichello um dos caras mais carismáticos da F1 de todos os tempos, é só lembrar de Valência 2009, ele foi ovacionado em fila indiana por todos os membros de todas as equipes.

      Há quem ache isso muito pouco, que o cara só pode ser um vencedor se ostenta vitórias e títulos, mas na minha concepção você pode ser um vencedor angariando amigos e prazer de fazer o que gosta.

      Por isso estamos aqui reunidos no Ultrapassagem, por amizade, para não perder esse vínculo criado a alguns anos…

      • Dorfão disse:

        Extato Claudemir, eu não conseguiria definir melhor.

        Longa vida ao blog Ultrapassagem !

        Abraço

  14. rodrigovicking disse:

    Foi uma grande vitória, e mostrou o talento de Rubinho, fora isso o Brasil estava carente de vitórias na F-1 o que ajudou na força desta vitória.

  15. Mari Espada disse:

    Nossa, que emocionante! Me lembrei agora dessa corrida, foi realmente espetacular, inédito e (infelizmente) jamais repetido por ele!
    Essa mesma emoção eu encontro hoje nas corridas de recuperação do Hamilton, como citou o Dofão nos comentários acima. E é dessa emoçaõ que eu gosto!

    E sabe, eu confesso que hora eu amo, hora eu odeio o Barrica… mas realmente nunca fui indiferente, e não dá para ser!
    Eu simplesmente adoro quando ele fala as verdades sem papas na língua, mas depois odeio por dar tantas desculpas.

    Acho que eu sofro de transforno bipolar quando se trata de Barrichello.

  16. Leoilson Roza disse:

    Sempre vi no Rubens a imagem de uma pessoa “verdadeira”. Talvez esta deveria ser uma característica brasileira e, exceto pela falta de vitórias, confesso que não vejo isto em se tratando de outros pilotos.
    Sou VERDADEIRO fã do BRASIL nas pistas, mas duas pessoas que são muito importantes para mim neste esporte são Rubens e Ayrton, e dados os comentários acima, penso que a maioria concorda com isto.

    Acelera Rubinho!!!

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