Funcionário Padrão.

Publicado: 28/07/2010 por Sirlan Pedrosa em Artigos

O funcionário padrão não é Felipe Massa, que pela equipe deixou Fernando Alonso passar e ganhar o GP da Alemanha domingo passado.

Vamos falar de outro piloto: Michael Schumacher.

O jovem alemão estreou na F1 na Jordan e na corrida seguinte defendia as cores unidas da Benneton. Tinha 22 anos e a equipe tinha a competitividade de uma Renault na temporada atual. Saiu da equipe aos 27 anos bicampeão do mundo.

Chegou à Ferrari em 1996 trazendo o número 1 de campeão e encarando a obrigação de vencer numa equipe que tinha ganhado até então oito corridas na década! Saiu da Ferrari 10 anos depois heptacampeão do mundo e recordista absoluto em quase todos os quesitos da F1.

Apesar do seu enorme e inegável talento para dirigir, acredito que Michael Shumacher sempre fez mais diferença fora das pistas que dentro delas. Jamais vimos o alemão criticar as equipes que defendeu ou procurar culpados pelas falhas que aconteciam.

Sempre o vimos treinar muitas vezes mais que os pilotos de testes. Conta-se que em Fiorano havia um apartamento especialmente montado para ele de tanto tempo que passava lá. Luciano Burti conta sempre a história de um capacete com dedicatória que recebeu de Shumacher no Natal agradecendo o trabalho dele como piloto de testes.

Nas vitórias era contagiante ver a forma como ele comemorava com a equipe e tantas vezes “regia” o hino da Itália para os mecânicos que o observavam extasiados.

Shumacher era um homem capaz de influenciar toda uma estrutura para que todos trabalhassem melhor. Com seu carisma e liderança canalizou equipes a enfrentar grandes desafios e a ponto de se tornarem dominantes em suas épocas.

Mesmo agora na Mercedes quando experimenta o gosto amargo de não ter um carro vencedor e andar atrás do companheiro de equipe, vemos Shumacher empenhado em fazer o carro melhorar sem criticar o time ou buscar culpados pelo “fracasso”.

Na Alemanha onde a equipe alemã correu sob extrema pressão por resultados, foi o grande líder a anunciar que permaneceria para a temporada 2011 trabalhando duro para serem campões do mundo. Declarações que vindo do grande campeão certamente ajudou a abrandar as cobranças da cúpula da montadora e dos fãs da equipe prateada.

Ontem no Tázio, perdida entre notícias sobre a Ferrari, encontramos estas declarações de Shumacher:

Como disse na última corrida, precisamos ficar calmos, olharmos os detalhes e analisarmos nossa performance para aprendermos o máximo possível. Esse é o jeito com que devemos agir para melhorarmos nossa situação.

Palavras tranqüilizadoras e no plural. Ele se coloca no barco com todos, ganha com a equipe e perde com a equipe.

Em minha opinião o melhor funcionário para uma equipe não é aquele que se anula pelo bem do conjunto, mas aquele que usa seu talento e sua energia para o bem do conjunto.

Meu funcionário padrão é Michel Shumacher.

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comentários
  1. Allan Wiese disse:

    Junte isso, as declarações de Button de que o WGP001 foi feito para ele e Ross Brawn em um ano de mudança de regulamento e poderemos esperar uma Mercedes forte em 2011.

  2. Teo disse:

    Sirlan, esse post retrata essa outra grande qualidade que tem Shumacher, ser um grande lider em todas as fases da equipe e ser amado por todos dela, inclusive muitas vezes pelo seu próprio companheiro de equipe tb.
    Não me surpreenderia nada se ano que vem já no Bahein ele estar entre os ponteiros, pois como o Allan mencionou acima, Ross Brawn vai fazer tudo e mais um pouco para entregar um carro competitivo e a seu gosto, ao contrário do WGP01 que foi feito sob medida para o Button!

    abço

  3. Anselmo Coyote disse:

    Clap, clap, clap… That’s all, folk!

  4. pablo disse:

    muito bom texto, é a pura realidade, apesar dele ser odiado por muitos ainda é um cara que consegue ser muito cativante.

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Odiado aqui no Brasil, muito por influência da Globo, pois acabou com Rubinho, e atropelou os números de Senna.

      Não entro nem na questão de que ele não tinha uma geração competitiva contra ele, é só os numéros frios.

  5. Mari Espada disse:

    O Schummy é o piloto mais carismático ever! Claro que, quando se é heptacampeão, algumas pessoas vão acabar te odiando pelo caminho… mas no geral, todos o amam!
    Isso porque ele tem sentimento de equipe, ele pensa no plural!!!
    Trabalhar COM a equipe, não para a equipe ou a equipe para o piloto. É isso que todos os pilotos deveriam ter em mente!
    Com certeza o funcionário modelo do mês, do ano, do século!

    OBS. Mas olha que Hamilton e sua equipe também possuem a mesma sintonia e respeito… cuidado com esse menino! Um dia ele alcança o Schummy, hein! =)

  6. Vitor, o de Recife disse:

    E a Ferrari ainda teve a coragem de abrir mão dele…

    Com um carro mas ao seu gosto deve melhorar muito, mas tenho minhas dúvidas se ele consegue voltar a ser competitivo. Mas os sete títulos não vieram à toa, então….

  7. Fernando Kesnault disse:

    Gostei muito deste comentário, parabens. Fantastico e que sirva de lição para todos nós como profissionais e seres humanos e membro de família.

  8. Lucas Túlio disse:

    O “queixudo” tem suas virtudes, claro e inegavel!

    “Mesmo agora na Mercedes quando experimenta o gosto amargo de não ter um carro vencedor e andar atrás do companheiro de equipe, vemos Shumacher empenhado em fazer o carro melhorar sem criticar o time ou buscar culpados pelo “fracasso”.”

  9. Rodrigo Pedrosa disse:

    Uma vez conversando com Sirlan, ele me disse de uma história com um mecânico eu acho…
    Que a esposa estava gravida e messes após o nascimento Schumacher não só lembrou de perguntar pela criança, como ainda lembrava do nome dela.

    Um lider nato, e ainda por cima esforçado em buscar melhoras para todo o time, treinando mais que os outros, por isso tem os numeros que tem, pena ser alemão, hehehe…

  10. Dorfão disse:

    Belo texto, Sirlan, mas fiquei com uma dúvida, só o Schumacher que sofre com um carro desenvolvido para o Button, e o Rosberg?

    Abraços

    • Sirlan Pedrosa disse:

      Caro Dorfão,

      O texto não entra nesse mérito. Óbvio que o carro que não é competitivo na mão de Shumacher também não é vencedor nas mãos de Rosberg.

      Eu procuro no texto mostrar como Shumacher se comportou no passado e se comporta hoje mesmo diante das adversidades, sempre pensando em ajudar o time a crescer e sem colocar pressão nem culpa pelos resultados negativos.

      Isso para mim é trabalhar para o time, não o gesto de Felipe Massa.

      Um abraço,

      Sirlan Pedrosa

      • Dorfão disse:

        Tem total razão Sirlan, o seu otimo texto não entra nesse mérito, e expõe muito bem a lealdade do Schumacher para com todos na equipe.

        Obrigado por responder.

        Abração

  11. tomasf1 disse:

    Caríssimos amigos do Ultrapassagem;
    “está a solta” no Blog Fórmula 1 o bolão para a etapa Húngara. Desta vez, com prêmio:
    O excelente DVD “Kimi Made it at Last!”.

    Dêem uma passada aqui http://theformula1.wordpress.com/2010/07/28/bolao-f1-2010-gp-da-hungria/ e quem gostar, aposte!

    Obrigado à todos.

  12. Will disse:

    Achei fantástico o contraponto do Sirlan.

    Fundamentalmente por que me incomodou muito o fato do Massa ter se justificado falando em ‘profissionalismo’.

    Nem sempre seguir simplesmente as ordens é o melhor caminho, se você tem valores você deve expô-los e tentar melhorar a cultura da empresa.

    E qualquer coisa melhora os valores de uma empresa ‘podre’ como a Ferrari.

  13. Alex-Ctba disse:

    Muito Bom Sirlan. Acompanhei toda a carreira do Schumacher e logo no seu GP de estréia, já dava pra notar q ele seria um fora de série. Senti muita raiva do queixada, em parte pela lavagem cerebral q a Globo tentou fazer em mim, nos tempos de sua rivalidade com o Senna, outra pelas suas atitudes Dickvigaristianas no título de 94, que eu torci muito pro Hill e novamente na tentativa contra o Villeneuve em 97 onde ele se deu mal. Mas a partir de 99, eu comecei a mudar meu conceito em relação ao queixada, já q, ao notar a nítida evolução da Ferrari, no projeto a Longo Prazo q ele assumiu lá em 96 e q certamente lhe daria o título em 99, não fosse a quebra da perna, comparei sua atitude contra a do meu “ídolo” Senna e me rendi ao Alemão. Senna sempre quis o melhor carro, ao contrário do Schumi q fez a Ferrari ser o melhor carro e totalmente ao seu gosto. Trabalhou muito para isso, e contou com um Dream Team q dificilmente se repetirá na história da F1: Brawn, Todt, Byrne, ele e o fiel escudeiro Barrichello, q substitui o Irlandês Irvine, q teve a chance de ouro de ser o responsável pela quebra do hiato de títulos de Maranello e contou até com a ajuda do Schumi após o retorno as pistas, mas realmente não era pra ser. Quem estava destinado a essa glória, só poderia ser ele mesmo, q ralou muito pra tornar a Ferrari o time dominante q foi no início dos 2000’s

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