Mortes na F1.

Publicado: 13/08/2010 por Alex-Ctba em Artigos
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Aproveitando o clima sinistro da sexta-feira 13, ainda por cima de agosto, vamos abordar um tema espinhoso, mas que também faz parte do esporte a motor. Vamos falar sobre morte de pilotos.

Esse ano estamos acompanhando a 16º temporada sem acidentes fatais de pilotos de F1 na pista. Desde o falecimento de Ayrton Senna, em 01/05/1994 no circuito de Ímola na Itália e que foi tema de um brilhante post recente da Mari, editora do Ultrapassagem, não tivemos mais óbitos de pilotos da categoria máxima do automobilismo, em pistas.

Sempre gostamos de citar a F1 como categoria máxima, e uma das coisas que a faz carregar este rótulo, entre tantas outras, é a segurança que passou a ser um tema obsessivo, após aquele trágico final de semana, que vitimou além do Senna, também o austríaco Ratzemberg.

Vamos fazer uma breve retrospectiva macabra, relembrando algumas tragédias com pilotos de F1, para entendermos como a mesma chegou ao atual estágio de excelência em segurança.

Anos 50

A F1, que teve início em 1950 com um “campeonato mundial” que compreendia apenas seis GPs na Europa: Inglaterra, Mônaco, Suíça, Bélgica França e Itália mais as 500 milhas de Indianápolis, eram disputados por carros com cores que representavam seus países, como o verde para as equipes inglesas, o vermelho para as italianas, o azul para as francesas e o branco alemão.

E é em relação à equipe alemã, que vamos relatar a primeira grande tragédia da F1. A Mercedes-Benz que dominava a categoria e entregava a Juan Manuel Fangio um carro perfeito e que fazia o argentino dominar o circuito, abandonou as competições ao término da temporada de 1955 em respeito aos mortos da tragédia de Lê Mans ocorrida em 11/06/55, quando a Mercedes de Pierre Levegh projetou-se sobre a multidão, vitimando 84 espectadores.

Pierre Levegh, o mais trágico acidente da F1.

A Mercedes só retornou ao esporte em 1989 e a Suíça proibiu competições automobilísticas até 2006, apesar de o acidente ter ocorrido na França. Fangio que era tri-campeão pela equipe alemã, ainda conquistou mais dois títulos pela Ferrari, permanecendo como o maior campeão da categoria até o surgimento do alemão Michael Schumacher.

Anos 60

Os anos 60 trouxeram muitas mortes para as pistas. Os carros estavam mais velozes, e as pistas e equipamentos de segurança eram os mesmos da década anterior. A maior tragédia da década aconteceu com o piloto alemão Wolfgang Von Trips da Ferrari. Em 1961, durante o GP de Monza a Lótus de Jim Clarke, tocou na Ferrari de Von Trips, arremessando o carro sobre a multidão, vitimando além do piloto, mais catorze espectadores.

Wolfgan Von Trips.

Von Trips foi vice-campeão em 61, e ajudou a Ferrari a conquistar o título de construtores. Phill Hill foi o campeão com cinco pontos de vantagem.

Em 66 os carros passaram a contar com motores de 3.0 litros e o aumento de potência dos mesmos, preocupava alguns pilotos no quesito segurança. Jackie Stewart, depois de sofrer um grave acidente em Spa, quando caiu numa vala e ficou preso com o macacão encharcado de gasolina, enquanto Graham Hill e Bob Bondurant tentavam desparafusar o volante para retirar o escocês de dentro do monocoque, passou a comandar as exigências por segurança.

Stewart foi ridicularizado por suas atitudes e até recebeu o apelido de “homem vacilante”, mas conseguiu que se introduzissem na F1 o capacete que cobria toda a cabeça dos pilotos e o macacão anti-chamas.

Em 1968, um dos maiores pilotos de F1 de todos os tempos, Jim Clark, morreu ironicamente em um acidente de F2 no circuito de Hockeinhein.

Anos 70

Nos anos 70, uma das épocas mais revolucionárias da F1, com motores mais potentes, como o V6 turbo da Renault que produzia mais de 1.000 HPs, a adoção dos pneus Slicks mais largos, o efeito-solo de Colin Chapman e outras tantas mudanças, fizeram da década uma das que mais mataram pilotos. Era uma média de duas mortes por temporada. Foram 11 mortes no total e a F1 ficou com a fama de “o esporte que mais mata”.

Acidentes como o do americano Peter Revson, que morreu queimado em 1974 depois de capotar varias vezes sua Shadow no circuito de Kyalami na África do Sul, eram a regra. Os pilotos fritavam diante dos espectadores e bombeiros impotentes. A F1 tornava-se um Circo de Horrores.

Mas, a morte mais marcante foi a de Jochen Rindt, que até hoje é o único campeão póstumo da categoria. Na temporada de 1970, Rindt que vencera cinco corridas, em uma sessão de treinos em Monza, entrou muito forte na Parabólica e perdeu o controle de sua Lotus, o que causou sua morte instantânea. Rindt tinha 45 pontos nesta altura da temporada, e com o resultado da prova de Monza Clay Regazzoni (31 pontos), Jack Brabham (25 pontos), Stewart (25 pontos), Hulme (23 pontos) e  Jacky Ickx (19 pontos) entraram na briga pelo título com 3 provas a disputar e 18 pontos em jogo. Na corrida seguinte no Canadá, Brabham, Stewart e Hulme abandonaram e se despediram da disputa pelo título.

Jochen Rindt, Monza.

A próxima corrida seria disputada em Watkins Glen e Ickx, que havia vencido no Canadá, precisava vencer esta e a última corrida, no México, e Regazzoni, 2°colocado no Canadá, precisava de 1 vitória e um segundo lugar. Emerson Fittipaldi, companheiro de equipe de Rindt venceu a prova, selando a disputa em favor do companheiro morto. Esta foi a primeira vitória do Emmo na F1.

Ronnie Peterson, o “sueco-voador” foi outro que morreu naquela década. Em 1978,  um acidente depois da largada do GP de Monza envolvendo vários carros,  causou múltiplos ferimentos em suas pernas e ele foi internado. Os primeiros procedimentos médicos no atendimento incluíram a amputação do pé esquerdo do piloto. No dia seguinte, Ronnie Peterson faleceu, vítima de embolia causada pelas fraturas.

Ronie Peterson, largada do GP de Monza.

Quem passou a fazer coro por segurança foi Emerson Fittipaldi, que exigia que os guard-rails não fosse meras peças decorativas e sim ítens de segurança. Surgiu também nessa década a balaclava, após o acidente de Niki Lauda em 1976, que deixou profundas cicatrizes na face do piloto, decorrentes de queimadura. Atualmente ela é confeccionada em Kevlar.

Anos 80

Esta foi a década em que a F1 começou realmente a sua corrida em prol da segurança. Surgiram a célula de segurança, a cápsula de fibra de carbono que envolve e protege o piloto, além das partes deformáveis que absorvem o impacto e se desmancham. O número de mortes diminuiu para quatro. O pior ano foi o de 1982, que registrou duas tragédias envolvendo Gilles Villeneuve e Riccardo Paletti.

Paletti foi o que teve a carreira mais curta na F1. Na largada da sua 2ª corrida, no GP do Canadá, Didier Pironi o pole, deixou sua Ferrari morrer na largada, Raul Boesel, Eliseo Salazar e Jochem Mass desviaram, Paletti não conseguiu desviar e bateu forte e ficou aprisionado inconsciente dentro de sua Osela.  Pironi e o Dr. Sid Watkins chegaram rapidamente ao local e quando iam começar o atendimento o carro incendiou-se.

A morte de Gilles Villeneuve, durante a classificação para o GP da Bélgica no autódromo de Zolder, foi uma das tragédias que mais marcaram a categoria. Sua Ferrari colidiu contra a March do alemão Jochem Mass, arremessando o piloto para fora do veículo.

Villenueve, Zolder 1982.

Em 1985 a morte de dois alemães chocou o automobilismo. Manfred Winkelhock, que morreu em uma prova de esporte protótipos em Mosport Park, perto de Toronto no Canadá a bordo de um Porsche 956 e Stefan Bellof, que assinaria com a Ferrari em 86 e era uma grande promessa alemã, morreu também em uma prova de esporte protótipos em Spa. Seu Porsche 962 tocou em Jacky Ickx na Eau Rouge e bateu violentamente na mureta de proteção e incendiou-se. Bellof não resistiu e morreu no centro cirúrgico local.

Markus Winkelhock, filho de Manfred, tentou sem sucesso uma carreira na F1. Seu grande momento foi no caótico GP de Nurburgring em 2007, no qual ele chegou a liderar por seis voltas a bordo de sua Spyker.

Em 1986 a última morte antes da tragédia de Ímola. O italiano Elio de Angelis, durante um teste no circuito de Lê Castellet em Paul Ricard, perdeu o controle de sua Brabham a 270 km/h, decolando e batendo violentamente em um guard-rail. A morte do piloto deflagrou uma nova rebelião exigindo mais segurança. A equipe de segurança ficou perdida para resgatar De Angelis e chegou 10 minutos depois enquanto o piloto ardia em chamas e fôra retirado pelos companheiros Prost, Mansell, Jones e Laffite.  A partir dessa data a FIA tomou as devidas precauções para que os testes também fossem mais seguros.

Elio de Angelis, Paul Ricard, fatalidade no teste.

Da tragédia de Ímola até os dias Atuais

Depois que a Simtek de Roland Ratzenberger estatelou-se contra o muro de proteção na curva Villeneuve a 314 km/h, e evidenciou a fragilidade do carro, a FIA passou a exigir testes mais rigorosos, os chamados “crash test” para liberarem os veículos para a disputa.

Ratzenberger, Imola 1994 dias trágicos para o esporte.

Muitas mudanças surgiram depois daquele trágico fim de semana, e foram principalmente nos autódromos, as maiores exigências. Áreas de escapes imensas, não somente com brita, mas também em asfalto, diminuição da velocidade na área do pit lane, a adoção do Safety Car, retirada de pessoas que não sejam fiscais da pista etc, além  de novas exigências para os carros, como cintos de seguranças mais eficazes, um cockpit mais alto, com maior proteção para o piloto, que antes ficava com o pescoço exposto e a adoção do HANS (Head and Neck Support) em 2003 também para proteger o pescoço e a coluna dos pilotos.

Kubica, acidente no Canadá.

Acidentes como o de Robert Kubica no Canadá em 2007, que fatalmente vitimaria o piloto se fosse em outra época, hoje em dia só causam susto e o piloto sai andando sem nenhum arranhão do carro. Mas o sinal de alerta foi novamente aceso, com o acidente de Felipe Massa na Hungria em 2009, lembrando a todos que este ainda é um esporte perigoso, apesar de todos os avanços na área de segurança alcançados ao longo desses 60 anos de história.

comentários
  1. Allan Wiese disse:

    Para os pilotos do início da história da categoria, chegar vivo ao fim de um GP era a maior vitória, com certeza. Mas correr de carro sempre teve o seu risco e os apaixonados por velocidade sempre souberam disso ao assumir esses riscos sentando-se nos cockpits dos carros. E que bom que a categoria evoluiu, deixando de usar as banheiras assassinas dos 50’s (que eu li em algum lugar e achei propício) para passar a usar carros extremamente seguros e quase à prova de tragédias dos dias atuais.
    Infelizmente perderam-se muitas vidas até que as coisas chegassem a esse nível. Mas a vida é assim. Só se toma medidas depois que algo acontece. É difícil prever situações que não se imagina e nem se deseja que aconteçam.

    Ps.: belo texto Alex.

    • Alex-Ctba disse:

      Obrigado parceiro. Realmente as banheiras assassinas eram terríveis. E os capacetes então? Era só um pedacinho de couro. Aqueles caras sim, eram uns loucos, pq os carros eram bem velozes já naquela época.

      Preciso só editar o post logo mais, com as informações que o Vítor e o Fernando trouxeram.

      Abs

  2. Vitor, o de Recife disse:

    Alex, excelente post! Curiosamente estou assistindo à temporada de 1981, para matar a abstinência de corrridas. Eis que no GP da Bélgica, em Zolder, um acidente bizarro acontece: o motor da Arrows de Riccardo Patrese apaga, e o piloto italiano acena incessantemente. Imprudentemente, o mecânico pula para a pista para tentar religar o motor.

    Estupidamente, ninguém da direção de prova foi capaz de tomar uma atitude, numa demonstração absurda de falha de comunicação e a largada é autorizada. Os carros imediatamente atrás de Patrese desviam da Arrows, menos um, que largara à esquerda: o próprio companheiro de Arrows, Sthor. A cena é assustadora: o mecânico é esmagado entre os dois carros; o bólido de Patrese é impulsionado para frente com a força do impacto, dando para ver o corpo do mecânico imóvel na pista. Stohr, desesperado, pula do carro e leva as mãos à cabeça.

    Quem vê as imagens tem a certeza de que o infeliz do mecânico morreu mas, milagrosamente, apenas quebrou as pernas…

    Mais aburda foram as providências da FIA, ou melhor, a falta de providências após o acidente. A corrida simplesmente prosseguiria, se não fosse a atitude tomada pelos próprios pilotos. Na largada, Piquet conseguiu pular à frente das Williams e abria uma larga vantagem. Coube aos pilotos logo atrás, Pironi, Reutemann e Jones paralisarem por iniciativa própria a corrida, sob os aplausos das equipes no paddock pela atitude.

    Mesma sorte não teve um mecânico antes do treino. O circuito de Zolder,a exemplo dos demais da epoca, era muito precário em segurança, principalmente a entrada de boxes. Ao ver corridas daquela época, é chocante notar a quantidade de pessoas que inundavam os boxes e os carros não possuíam limite de velocidade (e foi assim até 1994). Deste jeito, Carlos Reutemann acertou com sua Williams um mecânico, que morreu. Ainda assim, o argentino venceu a prova.

    Quando vi essa corrida, lembrei-me da minha “indignação” das bandeiras amarelas com safety car aparentemente sem sentido que temos visto nessa temporada, como na China e em Hungaroring. Percebi que cautela nunca é demais com a segurança. Antes ver o espetáculo ser interferido do que a carnificina que era a F1 dos “bons tempos”.

    • Alex-Ctba disse:

      Valeu Vítor. Esse teu relato ajuda a nos dar uma noção de quão amadores eram os dirigentes em relação a segurança. Era uma época romântica até a década de 80. Aquelas imagens do Piquet esbofeteando o Salazar enquanto os carros passavam velozmente próximos a eles, é impensável hoje em dia. Fotógrafos a beira da pista, para poder tirar fotos mais precisas. Precisou esse nº de tragédias, que relatamos no post, para tomarem providências mais eficazes.

    • Mari Espada disse:

      Vitor, estou chocada com essas duas histórias!
      A partir de agora vou pensar duas vezes antes de questionar a entrada do safety car…

      • Vitor, o de Recife disse:

        Pois é Mari…

        Só uma retificação: o acidente do Reutemann na entrada dos boxes foi nos treinos classificatórios. Do jeito que escrevi, dá a entender que foi na corrida, que “só” teve o acidente do mecânico da Arrows, felizmente não mortal.

  3. Vitor, o de Recife disse:

    E só para complementar o excelente texto: a corrida de Watkins Glen que definiu o título póstumo de Jochen Rindt foi vencida por Emmerson Fittipaldi, da mesma Lotus. Foi a primeira vitória do “Rato” na categoria.

  4. Fernando Kesnault disse:

    Alex, muito oportuna e interessante o assunto abordado por ti e espero que não aches ruim, mas irei retificar alguns detalhes quais sejam:

    1 – Os acidentes de Winkelhock e de Bellof foram na categoria esporte prototipo com um Porsche 962 cada um. O acidente do primeiro foi em Mosport Park , mais precisamente na curva 2 e até hoje não se tem uma resposta precisa do que aconteceu; sobre o acidente do Bellof até hoje alegam que o Ickx teve uma certa culpa no acidente pois não admitia ter sido ultrapassado naquele ponto por um “novato”;

    2 – O Peterson não morreu em pista e sim no hospital 2 ou 3 dias após o acidente em consequencia de infecções no hospital onde estava;

    Realmente naqueles anos de 60 e 70 se perdia muitos pilotos não só na f-1 como em outras categorias importantes com o Mundial de Marcas, Interserie e f-2, já que os pilotos corriam em todas as categorias possíveis.

    Espero que não ache ruim pelo preciosismo com relação aos detalhes pois são justamente eles que se guarda na mente das pessoas e podem falar ou culpar alguem pelo fato ocorrido sem saber o que aconteceu na realidade.

    Um grande abraço a ti e a todos os amigos blogueiros.

    • Alex-Ctba disse:

      Valeu Fernando, ainda bem que temos gente atenta como vc nos acompanhando. Gente que acompanham outras categorias além de F1. Eu tinha prometido esse post para hj para aproveitar a data, e tive que fazer um pouco as pressas. De noite eu conserto em casa, baseado nas tuas informações, pq aqui na empresa eu não consigo editar. Tem uns errinhos de portugues tb para arrumar :D

      Valeu Gente, esses relatos teu, do Vítor e do Allan, só acrescentam.

  5. Nick Mason disse:

    O interessante na foto do acidente do Kubica são os pés expostos no cockpit destroçado. Sorte de não ter quebrado os pés.

    • Alex-Ctba disse:

      Foi muito impressionante o acidente. Esse eu pensei que o Polonês já era. Depois q tivemos notícia q não tinha acontecido absolutamente nada ao Kubica, tive a noção de como estão seguros os carros de F1. Mas para 2011 já vão melhorar, com mais cabos para segurar as rodas após colisões.

  6. Mari Espada disse:

    Alex, obrigada pela citação ao meu texto!
    Agora fiquei “me achando” por você me chamar de “editora do Ultrapassagem”.
    Que chique! =)

    Bom, mas vamos baixar o tom de alegria… porque o tema hoje está mais down.
    Cada acidente abordado neste post, hein! Digno de sexta-feira 13 mesmo!
    Mas por sorte fazem 16 anos que a F1 vem provando estar cada vez mais preocupada com a segurança dos pilotos. Só é uma pena que sejam necessárias tantas fatalidades antes de se tomar uma providência, né!?

    Ah, mas vou confessar uma coisa…
    Quando eu vejo aqueles pilotos de moto, caindo feio durante a corrida, eu penso: já era!
    Mas aí eles levantam e saem andando… como assim???
    Meu, sério… alguém tinha que dar um tiro num cara desses… porque é contra as leis da física cair daquele jeito e ficar inteiro! Tá errado! Tem que morrer! Hehehehe.

    Aliás, os ossos do Kubica são de adamantium, né? Porque é assustadora essa foto com os pés expostos! Como ele não quebrou nada?
    Tinha que ter tomado um tiro também! Hehehe. Sorry, é que na sexta-feira a tarde, tudo vira piada!

    • Alex-Ctba disse:

      Realmente, aqueles caras da moto são incríveis, mas eles são treinados para isso. Sabem exatamente como cair quando perdem o controle da moto, fora q aquela proteção que eles usam para coluna e fazem eles andarem feito macacos, é muito eficiente.

      Quem tomou o equivalente a um tiro foi o Massa, o que prova que esses capacetes são muito resistentes, mas pode ser aperfeiçoado na viseira um pouco mais.

    • Vitor, o de Recife disse:

      Mari, você tem razão em estar chocada, mas olhe que o Alex só fez “uma geral” nas tragédias… se formos esmiuçar, tem coisa pra não dormir…

      Uma vez estava vendo um forum, acho que do GPTotal, que abordavam este tema. Alguém foi falar qual foi o pior acidente e citaram o do Tom Price… minha curiosidade mórbida foi procurar o infeliz evento no Youtube… para que?????

      Horrível, não há outra palavra. Outra demonstração do amadorismo reinante na F1 daqueles tempos. Para quem não viu não ficar na curiosiosidade de procurar o video e se arrepender depois, narro o fato. Pryce era um piloto galês, que diziam ter bastante futuro na categoria, e morreu em um acidente estúpido no GP da África do Sul, em Kyalami; um carro estava abandonando a prova, quando comissários atravessavam a pista (sim, você leu certo, atravessavam) para socorrer o piloto, um deles levando um extintor de incêndio. O local era um ponto cego para os pilotos que vinham, e o carro de Pryce literalmente fatiou o comissário e o extintor atingiu a cabeça do piloto.

      O GP de Le Mans/1955 deve ter sido o mais trágico, como o Alex citou, mas esse do Pryce foi o mais horrível. E se quer um conselho, NÃO veja o vídeo.

      • Fernando Kesnault disse:

        O carro em questão, que parou com problemas de incendio e no qual os comissãrios foram ajudar(?) era do …companheiro de equipe do Pryce, o italiano Renzo Zorzi. Um detalhe, só viram ou melhor, identificaram o fiscal de pista após o termino da prova qdo. sentiram falta do rapaz que na época tinha uns 24 anos. Apesar de um certo amadorismo vcs. podem ter certeza que o mundo era bem melhor qque hoje, voce. viajava para onde quisesse e não tinha problemas de indagações de qto. tempo vai ficar, se tem reservas de hotel, e se tem a passagem de volta. Eu era um garoto, que vivia a vida assim, mochila nas costas e viajando e trabalhando para pagar tudo, até o sanduba….

  7. Mari Espada disse:

    ( OFF TOPIC )
    Alex, meu texto do Miltinho tá comprido demais, tô abordando só as partes principais da carreira dele, mas ainda tô achando grande. O meu consolo é quando olho pros seus textos, porque eles são muito maiores doque os meus… aí fico aliviada! =)
    Amanhã te passo o texto para análise. E acho que vou querer escrever sobre outros pilotos também, porque estou gostando de pesquisar sobre o início da carreira do Hamilton, e fico curiosa para saber dos demais. Será que dá ibope? =)

    • Alex-Ctba disse:

      Valeu Mari, passe no email do ultrapassagem para o presidente tb avaliar. Qto a abordar outros pilotos, acho q sim, vc pode preparar o texto e a gente fica esperando uma boa hora pra postar. Qto mais material melhor. O email equipeultrapassagem@gmail.com é o canal de contato para todos que quiserem enviar textos.

    • Não se preocupe com o tamanho dos textos, eles sempre são grandes porque sempre tem muito o que falar, e veja que todos aqui leêm o que nós escrevemos.

      Mas antes de você escrever sobre outros pilotos nos avise para não embolar o meio de campo.

      • Mari Espada disse:

        Pode deixar Boss, vocês serão avisados por e-mail com muuuuita antecedência! Até mesmo porque eu demoro um pouco pra concluir o texto, afinal as horas vagas não são muitas…
        Mas só falei disso porque senti vontade de pesquisar mais! Mas é claro que poderei escrever sobre o que for melhor para o blog!

        E não é relamente estranho esse monte de gente que lê esses textos enormes aqui no blog? Um bando de maluco! Hehehe. =)

      • Vitor, o de Recife disse:

        Qualquer coisa, divide em duas ou mais partes. É bom que a gente lê a primeira e fica com aquele gostinho de quero mais….

        ;)

    • Fernando Kesnault disse:

      Se quiserem posso falar sobre alguns pilotos…afinal sei até hoje o nome de todos os pilotos da década de 70 e 80 na memória, assistir um tanto bom de f-2 europeia que tinha cada piloto cobra e bom de braço que os de hoje parecem menininhos….hahah

  8. Ron Groo disse:

    Não temos mortes na F1 desde aquele maio de 94, porém o filho do Surtees foi vitima há pouco mais de um ano…

    O automobilismo é um esporte em que o risco é inerente, talvez por isto gostamos tanto, por ver gente se arriscando onde nós não teríamos a mínima coragem de estar.
    É lógico, não é por isto que vamos querer ver uma carnificina a cada quinze dias.

    A segurança, ao menos nos f1 é algo que mudou demais, e o acidente de Kubica mostra isto com louvor.
    E como a tendencia é crescer, penso que dificilmente vermos outra, ao menos tão cedo… Tomara.

    • Alex-Ctba disse:

      Tomara mesmo Groo. Qdo eu idealizei o post, pensei em falar das mortes em todas as categorias. Mas não teria tempo pq combinamos de colocar hj no ar. Imagine fazer uma pesquisa para falar das mortes na Indy? Morreu muita gente no automobilismo americano Indy / Nascar. Fora as categorias de turismo, e outras fórmulas. Preferi então concentrar somente na F1, que é o foco principal do blog, mas pretendemos falar de outras categorias tb, falta tempo e colaboradores mais capazes, como o Fernando Kesnault por exemplo, que manja muito das outras categorias, pq acompanha.

      • Fernando Kesnault disse:

        Pode contar comigo se quiserem falar de Mundial de Marcas, LeMans Series, ALMS, GrandAm, IndyCar (USAC, ChampCar, Cart, IRL), Super GT, FIA GT, WTCC, TC2000, BTCC, F-2 Europeia, F-5000, F-Aurora, Super V8 Australian, Nascar Sprint Cup,, World Series Renault 3.5, F-3000, GP2 e mais algumas pois nas horas de folga estou a fazer arquivos contendo fotos dos piltos e carros de todas estas categorias por temporadas. Da f-1 já tenho dos anos de 1969 à 2004. Só fico pensando qdo. vou acabar, mas tudo bem é legal e fascinante…..

      • Alex-Ctba disse:

        Fernando, vamos precisar de muitas contribuições para a pré temporada de quatro meses e todo texto será bem vindo. Temos doze dias até 25/08 que é o fim da silly season. Tem que ver se o Claudemir já programou todos esses dias, mas seria ótimo receber crônicas sobre essas lendas do passado e até relatos curiosos sobre outras categorias. É só enviar para o email do ultrapassagem q o Claudemir dá um retorno. E tb durante a temporada dessas outras competições, podemos estudar a possibilidade de posts sobre o assunto, paralelos aos de F1. Seria ótimo abranger essas categorias.

    • A segurança só aumentou dessa forma por causa da tragédia de 94, concordo, mas isso apenas na F1, as demais séries e formulas estão largadas ao destino.

      Semanas atrás teve um acidente na Super League que feriu gravimente o piloto na pista de Brands Hatch, aliás a meses teve um de carros de turismo que também foi grave, e foi nesse circuito que morreu o Surtees.

      Então a FIA se precupa com a categoria TOP e esquece das menores, isso sem falar nas norte-americanas que são uma lástima quando o assunto é segurança de pilotos, vide o acidente acho que dá Simona de Silvestro que quase virou tocha humana.

      • Mari Espada disse:

        Tadinho do Surtees, né?
        Realmente a FIA deveria se preocupar com as categorias de base também! É hipocrisia se preocupar somente com a categoria que tem mais visibilidade!

    • Vitor, o de Recife disse:

      Verdade Groo, e nesse mesmo período em que a F1 aprimorava a segurança, sob o trauma dos acidentes de 1994 e posteriores (teve o do Hakkinen, em 1995), a Indy (Cart) assistiu à morte de Greg Moore, Jeff Krosnoff, Gonzalo Rodriguez e outros acidente bem feios, que deixaram sequelas.

      Mas mesmo eles, que costumavam adotar o discurso de “é automobilismo, acontece”, passaram a investir mais em segurança. Lembro de uma etapa da Cart no Texas, quando a categoria ainda tinha prestígio (e a Penske), que os pilotos se recusaram a correr no circuito, devido à altíssima velocidade dos carros que submetia os pilotos à uma força G que fazia com que eles não suportassem mais de 20 voltas! Notem como é importante a decisão dos pilotos para fazerem valer a razão frente aos negócios. Questiono se a geração atual da F1 tem essa maturidade.

    • Anselmo Coyote disse:

      Pois é, meu caro Groo.

      De 1994 pra cá, mais especialmente nos últimos 4 ou 5 anos, falar em acidente com ferimentos na F1 é letra morta. Isso não existe mais. Aí me vem à mente essas pessoas, como o Ico, por exemplo, de quem eu gosto, muito e que dizem que o Piquetzinho expôs os outros pilotos a risco etc etc etc.

      Sou adepto da segurança, mas não concordo com esse argumento de jeito nenhum. Foi uma batida programada quanto ao momento, ao local, à velocidade, ao modo de bater… jamais aquilo daria algum problema, nem se fosse por acaso, involuntário. Tanto é assim que no ano seguinte o Grosjean bateu no mesmíssimo lugar, com o mesmo carro e ainda falou a mesma coisa “sorry guys”… kkkkkkk (hilário), e nada aconteceu.

      Abs.

      • Vitor, o de Recife disse:

        “De 1994 pra cá, mais especialmente nos últimos 4 ou 5 anos, falar em acidente com ferimentos na F1 é letra morta. Isso não existe mais. ”

        Nem tanto Coyote, nem tanto. O acidente do Massa no ano passado está aí para provar que o risco existe. Um tequinho mais pra baixo e a mola teria consequências fatais. O automobilismo sempre será um esporte de risco, mas paliativos para reduzir ao máximo os riscos sempre são bem vindos.

      • Anselmo Coyote disse:

        Vitor,

        O acidente com o Massa e com o Surtees é um tipo de segurança diferente. O primeiro decorreu de má execução na montagem do carro (mola que soltou). O segundo decorreu de outro acidente – um carro bateu, soltou a roda e esta veio quicando e acertou a cabeça do menino.

        Em nenhum deles o carro do piloto-vítima estava danificado ou não oferecia a proteção adequada. Em ambos o problema não teria acontecido se no projeto do carro houvesse uma bolha de plexiglass como nos aviões de caça.

        Os cockpits do Massa e do Surtees não sofreram qualquer dano. E, não sei se vc recorda, mas o pino de fixação da viseira do capacete do Massa foi o responsável, pois não absorveu o impacto e rompeu. A viseira dele, se não me engano, ficou intacta – é a prova de bala.

        Em 2011 (ou 2012?) serão dobrados os cabos de aço de fixação para que as rodas não se soltem em caso de acidente.

        Mas é isso mesmo. Risco sempre vai haver. Se vc for se submeter a uma cirurgia para remover uma unha encravada o médico responsável não lhe garantirá 100% de isenção de riscos.

        É por isso que eu reitero que constitui má-vontade ou coisa muito pior dizer que o Little Piquet expôs alguém a risco além daqueles a que eles já estavam expostos independentemente daquela batida.

        Abs.

        Abs.

  9. Marco disse:

    Quero aqui amigo Alex , destacar a morte do meu piloto da qual fui grande torcedor , que pilotou por uma única equipe , a minha e única eterna Lotus .

    Alex , uma ironia cruel fez com que a vida de um dos mais , senão o mais sólido mito do automobilismo , Jim Clark , tenha chegado ao fim num acidente de Fórmula 2 , um ” circo ” de menor importância . Esse talentoso campeão do mundo em 63 e 65 , se não me engano ainda é o recordista de poles , de forma lamentável espatifou-se no circuito de Hockeinhein , na Alemanha em 1968 , correndo como eu disse na Fórmula 2 . Clark só participava da corrida por insistência do seu grande amigo e dono da escuderia Lotus , Colin Chapman . De qualquer forma estava ocioso , pois no mesmo dia da prova da Alemanha , 7 de abril , estava sendo disputado o GP da Inglaterra de Fórmula 1 , país em que Jim Clark não podia por os pés devido a problemas com o fisco . Foi então , por causa desta lastimável ironia , que esse grande mito do automobilismo nos deixou !

    Mais um adendo : Nos anos 50 e 60 Alex , a bruxa realmente estava solta por motivos muito simples . O equipamento de segurança era muito primitivo , os circuitos , verdadeiras corridas de obstáculos , e a organização da prova deixava tudo a desejar . Nesse período foram dezesseis mortes somente em competições oficias .

    Valeu amigo , muito obrigado pela atenção , e um forte abraço .

    • Alex-Ctba disse:

      Valeu Marco, obrigado pelo complemento. Atualmente o recordista em poles é Michael Schumacher com 68 poles. Schumacher superou o recordista anterior, nosso eterno Senna em 3 poles. Senna, detém a segunda marca com 65 poles.

      • Fernando Kesnault disse:

        Talvez ele queira dizer pela media de provas participadas, salvo engano o Jim Clark tem 72 largadas e 25 vitórias….

      • Marco disse:

        Exato Fernando .
        De certo modo , Jim Clark foi imbatível , inigualável : 33 poles positions em somente 73 GPs . Com tudo respeito , nem Senna ( 65 poles em 161 GPs ) pôde fazer melhor .

        E uma breve carreira de somente oito temporadas completas na F1 .

      • Marco disse:

        Quero dizer : 72 GPs .

    • Speeder_76 disse:

      Quanto a isso, o Graham Hill disse, certo dia, que se queriam saber como era correr num Formula 1 daqueles, que imaginassem uma banheira cheia de gasolina, mergulhassem dentro dela e acender um cigarro…

  10. Guilherme disse:

    Sugestão de novo tópico: David Purley.

  11. Teo disse:

    Bom dia pessoal, coincidencia eu entrar no blog e ver esse post, ontem mesmo acabei de ler o livro do Senna que ganhei aqui premiado. Ainda estou um pouco pensativo em relação ao livro, a história é sobre toda a vida dele, e através dela foram tomadas decisões de segurança que chegariam até aqui, engraçado e ironico como até morto ele trouxe grandes resultados para sua incomparável Formula 1!

    Abços

  12. Speeder_76 disse:

    Gostei do tópico, acho que é excelente num fim de semana sem muito para fazer, e ainda por cima numa sexta-feira 13…

    Contudo, quero acrescentar uma coisa que ninguém falou: o post fala sobre mortes na Formula 1, mas o primeiro exemplo dado não é de um Grande Prémio, mas sim das 24 Horas de Le Mans, que primeiro que tudo, eram (e são) uma prova de Endurance, e segundo, não é um Grande Prémio. Contudo, o facto de nessa altura os pilotos de Formula 1 e as suas marcas praticamente participarem em todas as provas de automobilismo, é fácilmente confundível.

    Mas mesmo não sendo uma prova de Formula 1, teve impacto na própria Formula 1. OS Grandes Prémios da França, Alemanha, Espanha e Suiça foram cancelados, na própria Suiça, o Parlamento local proibiu as corridas no seu território, que se manteêm até aos dias de hoje, apesar das tentativas de a banir, e a Mercedes saiu de cena no final de 1955, só para voltar em 1988, associado à Sauber.

    Se formos a ver, o pior acidente da história da Formula 1 é o de VonTrips e Clark, na primeira volta do GP de Itália de 1961, em que von Trips, que lutava pelo título, foi vice-campeão a título póstumo (ironicamente, o mesmo aconteceria a Peterson em 1978) e levou consigo mais 14 pessoas.

  13. Speeder_76 disse:

    Mais algumas coisas interessantes sobre alguns dos tópicos que trouxeram:

    1 – Tom Pryce, Africa do Sul 1977.

    De facto, era o carro do Renzo Zorzi que os dois “track marshals” acorreram do outro lado da pista. O chato é que ele ficou parado na recta da meta, no ponto onde o circuito descia. Chamavam-lhe o “The Dip”, e ali a visibilidade era zero para os pilotos. Um dos “track marshals” chamava-se Jensen Van Vuuren, tinha 18 anos e era bagageiro no Jan Smuts, o aeroporto da cidade (agora Oliver Tambo) e Pryce estava no cone de ar do March de Hans-Joachim Stuck. Ele viu os dois e desviou-se, mas Pryce não conseguiu ver e bateu em cheio nele, desfazendo-o e o extintor desfez a cabeça do galês. O que não sabem é que depois ele foi descontrolado até à curva Carwthorne e ainda atingiu o Ligier de Jacques Laffite! O francês safou-se sem um arranhão.

    2 – Ronnie Peterson, Monza 1978

    Peterson tinha tido um acidente com o chassis 79 e o unico sobressalente era um chassis 78, que era mais frágil em termos estruturais, devido ao local onde o chassis se encontrava com os braços da suspensão frontal. A partida foi um caos, devido ao desentendimento com as luzes electrónicas, que se estreavam ali mesmo. Os carros de trás vinham mais rápidos do que os da frente (aliás, nunca pararam) e Peterson, sexto na grelha, foi atingido pelo McLaren de Hunt, que por sua vez se tentava desviar do Arrows de Patrese, numa parte da entrada da oval, com rails e mais estreita. Peterson foi tocado e guinou para a direita, batendo em cheio e explodindo o carro cheio de gasolina.

    Só para terem uma ideia: foi um caos. O Vittorio Brambilla, no seu Surtees, tinha sido atingido por um pneu (tal como o Henry Surtees… ironia) e era o que apresentava maior risco de vida, pois estava em coma. Peterson tinha partido a perna direita em seis pedaços, crio eu, e o risco de amputação era grande. Sempre esteve consciente até que o operaram para reduzir as fraturas. Só que depois, durante a noite, foi detetada uma embolia gorda, pois a medula tinha entrado na corrente sanguinea, e ele foi declarado morto na manhã seguinte, 11 de Setembro de 1978…

  14. Speeder_76 disse:

    3 – Riccardo Palleti, Canadá 1982

    Quem viu o acidente do Pedro Lamy na largada no GP de San Marino de 1994, pode ficar com uma ideia do que foi o do Palleti, só que ele atingiu em cheio na traseira do Ferrari de Didier Pironi, que era… o “poleman”, mas que ficara parado na grelha. Palleti teve um grave trauma no torax devido ao volante, que com o impacto foi comprimido contra o peito. De facto, o carro pegou fogo, mas ele nunca foi atingido pelas chamas.

    Demorou 40 minutos para ser retirado, e foi pronunciado morto pouco depois de chegar ao hospital de Montreal. Existe uma tripla ironia neste caso: era a sua primeira corrida após cinco não qualificações e uma não partida (qualificara-se em Detroit, mas bateu o carro no warm up e não ficou pronto a tempo), a sua mãe assistiu a tudo da boxe, e ela estava lá porque dali a dois dias iam a nova Iorque… para comemorar o seu 24ª aniversário.

    4 – Roger Williamson, Holanda 1973

    Sei que alguém falou sobre David Purley. Pois bem, ele é conhecido por duas coisas: por ter tentado salvar Roger Williamson de morrer sufocado no circuito de Zandvoort, e não conseguiu, e de quatro anos depois ter sobrevivido à pior desaceleração de sempre: 145 G’s! Está no Livro do Guiness, amigos.

    Williamson despistou-se na volta 14, creio eu, e o carro pegou fogo devido à fricção no solo (o carro ficou de lado e arrastou-se cerca de 200 metros) O carro ficou de pernas para o ar, impedido Williamson de sair (ele estava vivo nessa altura, acreditem!) e Purley viu-o e tentou ajudar. Os comissários bem o tentaram, mas nem todos agiram da mesma forma, por vários equivocos. Uns pensaram porque ele queria virar o seu carro, outros porque pensavam que Williamson já estava morto. Na realidade, o relatório da autópsia confirmou que ele morrera sufocado. O próprio director de corrida nem sequer colocou a hipótese de interromper a corrida com bandeira vermelha porque pensava que ele era o condutor do carro acidentado (ambos corriam de March)

    No final, Purley foi condecorado com a George Medal, a mais alta condecoração civil britânica por bravura. E as imagens dessa tentativa correram mundo…

    Dois anos antes, o Jo Siffert morria da mesma maneira em Brands Hatch, num acidente semelhante ao de Williamson. E a corrida foi parada, acreditem!

  15. Speeder_76 disse:

    Desculpem lá por estes posts incrivelmente longos e cheios de pormenores macabros, mas acho que para um tema tão sensível e muito interessante, acreditem, tem de se contar todos os pormenores e ser preciso, para que não se caiam em equivocos.

    De facto, foi por causa destas mortes horriveis, destas pessoas que fizeram o derradeiro sacrifico pelo amor ao automobilismo, que ela avançou muito em termos de segurança. A mudança de mentalidades, a começar por Jackie Stewart, fez com que se passase a encarar as mortes no automobilismo de uma coisa lamentável até a algo que é impossivel de tolerar, para além de ser mau para o negócio. E isso, claro, reflete-se no dia a dia, com os carros cada vez mais seguros e as mortes na estrada cada fez mais a diminuir nas estatisticas. Falta ainda controlar e educar o “bicho homem”, mas com o tempo, chegaremos lá.

  16. Alex-Ctba disse:

    UAU Speeder, não tem q se desculpar em nada, nós é que agradecemos pelos detalhes macabros. E a sessão de comentários tem essa função. Fazer com que as pessoas que saibam mais sobre o assunto, ajudem a enriquecer o artigo.

    Por mais que eu tentasse resumir, o post continuava enorme, então foi proposital omitir os detalhes, e dar apenas os principais nomes e anos das mortes, porque dividimos essa história em décadas, para que as pessoas soubessem que através do sacrifício desses heróis, temos a segurança atual.

    Sobre Le Mans, sabíamos claro, o próprio nome da prova já fala por si só, mas sem dúvida, podemos considerar a maior tragédia para a F1, porque Le Mans era disputada pelos pilotos da F1 naquela época e pelas equipes, tanto que o maior campeão da época, Juan Manuel Fangio junto com Stirling Moss, venciam a corrida até o fatídico episódio e a Mercedes se retirou da prova e posteriormente das competições, em respeito aos mortos.A corrida foi vencida por Mike Hawthorn e Ivor Bueb, pilotando um Jaguar D-Type.

    Muito Obrigado a você e a todos os outros que colaboraram com esses adendos.

  17. Marcelo Arraes disse:

    tds os posts mt bem feitos e elaborados com mt precisão … parabens a tds…

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