As quatro Lotus.

Publicado: 16/08/2010 por Sirlan Pedrosa em Artigos
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A Lotus é uma das equipes mais tradicionais da F1, e junto com a Ferrari, Mclarem e Williams formam o grupo de elite da história da categoria.

Com a volta do time agora nas mãos de Tony Fernandes a equipe com nome de flor voltou a ser um tema do momento.

Muito se fala das Lotus de Collin Chapmam e de suas inovações, mas será que não há um exagero nostálgico nessas colocações sobre o passado da equipe? Não, não há. O time britânico foi o mais inovador da história da F1 e em quatro carros mudou a face da categoria.

Você que é mais jovem e nascido a partir dos anos 80 vai fazer agora uma viagem ao passado e entender o porque de tanta reverência ao passado desta equipe.

As quatro Lotus que mudaram a F1 :

Lotus 25

Clique aqui e veja mais fotos desse modelo.

Até este carro surgir todos os F1 eram estruturas tubulares onde o motor e as suspensões eram fixados, e depois revestidas pela carenagem. A Lotus 25 inovou por abandonar esse sistema e ser o primeiro F1 construído com um chassi monocoque, que de uma forma bem simples podemos definir como uma estrutura de chapas de que substitui a “gaiola de tubos”.

Qual a vantagem ? Maior rigidez e leveza. Porque um carro precisa ser rígido ? Porque ao fazer curvas, frear e acelerar os esforços resultantes desses movimentos tem uma tendência a “torcer” o carro. Ao ser “torcido” as suspensões mudam completamente sua geometria projetada, perdem eficiência e o carro fica instável.

O Lotus 25 deu o primeiro título a Jim Clarck em 63.

Lotus 49

Clique aqui e veja mais fotos desse modelo.

Foi o primeiro a ter o conjunto motor/cambio como parte integrante da estrutura do carro. Nesse projeto Collin Chapmam trabalhou em sintonia com a Cosworth e a Hewland e conseguiu que o motor e o cambio fossem acoplados diretamente ao monocoque imediatamente nas costas do piloto, e servissem de ancoragem para toda a suspensão traseira.

É como se o carro “terminasse” após o cockpit e em seguida só houvesse motor, cambio e suspensão.

A vantagem desse sistema ? Leveza e rigidez.

Foi o carro campeão do mundo em 68 com Granhan Hill e também foi o modelo com o qual estreou Emerson Fittipaldi em 70.

Lotus 72

Clique aqui e veja mais fotos desse modelo.

O Lotus do primeiro título brasileiro na F1 com Emerson Fittipaldi em 1972.

Foi um carro inovador porque foi o primeiro F1 a ter uma preocupação real com a aerodinâmica.

Nesse carro Collin Chapman se preocupou em desenhar um perfil que gerasse o menor arrasto possível. Numa época que os carros eram “charutinhos” inovou ao colocar os radiadores nas laterais e um bico em forma de cunha para penetrar com menor esforço o ar em altas velocidades.

Foi tão revolucionário no seu conceito que permaneceu competitivo por seis (!) temporadas, vencendo corridas entre 1970 e 1975.

Campeão do mundo com Jocken Rindt em 1970 e Emerson Fittipaldi em 1972.

Lotus 79

Chegamos então ao carro asa.

Clique aqui e veja mais fotos desse modelo.

Aqui a preocupação com a aerodinâmica tem outro vetor. O cerne da questão é acelerar o ar sob o carro para criar uma zona de baixa pressão que o “grude” na pista.

Nunca ninguém tinha se preocupado com o fluxo de ar embaixo do carro. Tomando a idéia da asa de um avião invertida, Collin Chapman revolucionou novamente a forma de se projetar um carro de corridas.

Podemos dizer que o conceito do Lotus 79 é a origem da preocupação atual com assoalhos e difusores.

Foi campeão do mundo em 1978 com Mário Andretti.

Até hoje os F1 são uma estrutura monocoque (Lotus 25), tendo motor e chassi como parte estrutural (Lotus 49), tem uma carroceria aerodinâmica com frente em cunha e radiadores laterais (Lotus 72) e procuram usar a parte debaixo do carro para gerar downforce (Lotus 79).

Todo F1 moderno tem um pouco das magistrais Lotus…

comentários
  1. Entre os anos 60 e 70, Collin criou tudo que se usa hoje em F-1, o cara estava bem a frente do seu tempo, sorte de quem presenciou essas criações, viveu a história do automobilismo esportivo.

  2. Alex-Ctba disse:

    Belo artigo Sirlan. Esses revolucionários carros da Lótus, redirecionaram os rumos da F1. O gênio Chapman teve que utilizar a sua criatividade para combater os poderosos motores turbo que a Renault introduziu em 1977. O carro asa deu uma sobrevida de seis anos aos Corworth na era turbo iniciada pela Renault. Os V8 Ford-Cosworth DFV, eram os motores de maior sucesso na F1 desde 1967, quando seu baixo custo, 7.500 libras, permitiam a qualquer equipe utilizá-los e os esforços ficavam concentrados no chassi. Apenas a Ferrari e a BRM não utilizavam os Cosworth. Com os turbos, que obtiveram a primeira vitória em 1979 e iriam dominar a F1 até 88, com os Renaults, Porshes, Ferraris e principalmente os Hondas, o fantástico carro asa de Chapman, deu uma sobrevida aos fraquinhos Cosworth.

  3. Teo disse:

    Parabéns Sirlan, vc é a pura enciclopédia da história da F1, nosso blog é muito completo!:D

    Abraço amigo!

  4. Vitor, o de Recife disse:

    Excelente post!

    Sem falar que esse Lotus 79 está certamente entre os carros mais bonitos de todos os tempos (a minha humilde opinião é O carro mais bonito).

    • Alex-Ctba disse:

      Tb acho. Essa pintura Britsh Green é maravilhosa. Por isso q a Lotus esse ano, conquistou bastante gente apesar da fraca performance. Só por resgatar a cor original, já foi uma grande homenagem. Vamos ver se vai rolar mesmo o casamento com a Renault para 2011. Torço pelo sucesso dessa equipe.

      • Vitor, o de Recife disse:

        Alex, na verdade o 79 é o preto com a pintura da John Player. Mas o “Britsh Green” também é belíssimo e, concordo, ponto para a nova Lotus ao resgatar a pintura.

      • Alex-Ctba disse:

        Ah sim. Eu me referia as mais antigas. Essa preta tb era linda. E tivemos o privilégio de ver as performances do Senna em 85/86 tb numa Lotus preta.

  5. Claudio CArdoso disse:

    Muito boa a coletanea Sirlan.

    Melhor ainda o fechamento do post, onde resume a f1 aos conceitos criados na Lotus.

  6. Mari Espada disse:

    A cada post fico mais embasbacada com o conhecimento de vocês!
    Sou mega fã de cada um aqui, sabia!?

    Sirlan, que linda essa coletânea de informações da Lotus! Estou amando aprender mais sobre a história da F1!

  7. Fernando Kesnault disse:

    Sirlan, creio que a Lotus trouxe outra inovação à f-1: patrocinador, com ela (a equipe trouxe os cigarros Gold & Leaf) estes começaram a estampar as suas marcas em todas as equipes a partir de 1968, e olha…era proibido pela FIA, imagina….só podia propagandas de marcas de gasolina e pneus (Shell, BP, Motul, ELF, Fina, Good & Year, Firestone, Continental, Dunlop), como sempre as hipocrisias de sempre da Sra. FIA.

    • celso gomes disse:

      Caro Fernando,

      Apesar do Chapman apregoar que ele havia sido o introdutor do patrocínio extra- automotivo na F1, na verdade quem o fez, no GP da África do Sul de 1968 foi uma equipe rodesiana (hoje Zimbabue) que disputou a prova com dois carros, ambos patrocinados pelos cigarros rodesianos Gunston (cores e logo). A Lotus só estrearia o patrocínio da Gold Leaf, no GP da Espanha do mesmo ano.

      abç

  8. Fernando Kesnault disse:

    Ah sim esta foto inicial com todos os modelos é daquelas para usar na tela do PC ou NB.

  9. Felipinho disse:

    Belíssima estória,
    triste mesmo foi só relembrar aqueles “Camelos” amarelos, e olha que iam de Honda…

  10. Marco disse:

    Sirlan , por favor , tira-me uma dúvida , por favor .

    Emerson Fittipaldi alinhou sua Lotus 49 ou 49C no GP da Grã-Bretanha de 1970 em Brands Hatch ?

    Porque se for o 49C , não seria exatamente este apresentado aí na foto com o número 17 . A impressão que tenho é que carro de estréia do Emerson era bem diferente deste .

    Desde já o meu muito obrigado .
    Atenciosamente , Marco .

    • Fernando Kesnault disse:

      Sendo um “entrão” o Emerson estreou em Brands Hatch …com uma 49C de nº 28 envio a foto pro Claudemir postar…

      • Marco disse:

        Ôh … ” entrão ” entRão é isso mesmo ? Lotus 49C ? dúvida sanada entRão ?

  11. celso gomes disse:

    Parabéns por mais uma resenha superlativa, Mestre!

    Se você me permitir, gostaria de ilustrar um “bocadinho” mais essa sua pérola, com umas informações interessantes, que dizem respeito à Lotus 72.

    O formato wedge (cunha) foi adotado pelo mago Chapman, pela primeira vez, em monopostos equipados com motores convencionais, no carro de Fórmula Ford da Lotus, modelo 61 de 1969 (sim, ela era, naquela época, construtora de FF, F2, F3, F5000, Indy e outras também). A foto abaixo ilustra o carrinho:

    abç

  12. cariocadorio disse:

    Um ótimo histórico sobre a Lotus que encontrei ao procurar posts com tag “Lotus”. Ao mostrar uma foto do Chapman no Rio ( http://cariocadorio.wordpress.com/2010/08/23/colin-chapman-rio-1978/ ) eu me lembrei de algumas invenções do mago que, certamente não por acaso, são as que vc realça no fim do seu excelente post.

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