Balanço de meia temporada: Pilotos.

Publicado: 17/08/2010 por Allan Wiese em Artigos
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Mark Webber: está em seu ano mais consistente. Diferente de temporadas anteriores é mais comum vê-lo guiando com constância do que com erros diversos, mesmo que esses ainda estejam presentes. Tem feito valer o carro voador que tem em mãos, principalmente nas corridas.

Lewis Hamilton: cada vez mais maduro e constante, sem perder suas principais características: velocidade, habilidade e instinto assassino. Está aprendendo a poupar equipamento para poder usá-lo nos momentos em que mais precisa dele .

Sebastian Vettel: ao contrário de seu companheiro de equipe, tem aproveitado o potencial de seu carro voador aos sábados, mas não consegue converter poles em vitórias (as duas que ganhou não largou na frente) já que tem largado mal em diversas oportunidades. Pode-se dizer que é um piloto com a cara pro vento e outro quando precisa buscar o resultado.

Jenson Button: sempre perto, mas quase sempre sem chamar a atenção. Ganhou duas provas em um misto de sorte e estratégia com uma leitura de prova incrível. Sem gastar demais o equipamento, não se deixa ficar longe demais para poder se aproveitar de situações diversas durante a corrida.

Fernando Alonso: tem feito valer sua contratação pela Ferrari já que tem plenas chances de título. Algumas atitudes polêmicas durante a temporada que mostram a sede por vitórias que ele tem. Alguns erros que não são comuns a ele, mas que podem ser explicados por querer tirar mais do que o carro é capaz de dar.

Felipe Massa: tem enfrentado problemas de aquecimento de pneus, principalmente os compostos mais duros, e isso o deixou praticamente fora da disputa pelo título. Protagonizou uma das grandes polêmicas da temporada e alguns questionam se ele voltou sendo o mesmo piloto que era antes do acidente.

Nico Rosberg: daquele de quem era dito que não conseguiria fazer frente ao seu companheiro àquele que foi o responsável pelo início de temporada consistente, ao que o carro permitia, da Mercedes. Tem ficado constantemente à frente de seu companheiro, tanto em classificação quanto em corrida e pode incomodar se a Mercedes der um carro melhor para ele ano que vem.

Robert Kubica: extremamente talentoso, soube extrair ao máximo o potencial de seu R30, principalmente nas pistas que eram favoráveis às características do carro. Fez frente às Ferraris fracas do início da temporada e conquistou pódiums valiosos nas primeiras provas do ano.

Michael Schumacher: divide opiniões quanto à assertividade de sua decisão em voltar a correr. Sofre com o acerto de seu Mercedes feito para um piloto com características totalmente opostas ao seu estilo de pilotagem e mostra que o Michael que não vende fácil qualquer posição na pista continua sendo o mesmo. Só não foi possível saber se ainda é o Michael que faz parecer ser fácil qualquer ultrapassagem.

Adrian Sutil: em um misto de atender às expectativas colocadas sobre ele e cometer alguns erros, tem mostrado que sua equipe vem evoluindo ao longo de sua curta história. Chegou ao Q3 em algumas ocasiões e incomodou muito no setor intermediário do grid.

Rubens Barrichello: um veterano com ânimo e vontade de mostrar serviço de iniciante na categoria, tem feito bem o trabalho de tentar levar a Williams às vitórias. Recebe diversos elogios da cúpula de seu time e, com a evolução do seu carro, conquistou resultados muito bons.

Vitaly Petrov: iniciou a temporada mostrando que poderia ser o estreante do ano, mas teve a queda de rendimento normal à maioria dos estreantes e agora procura voltar a andar consistentemente para tentar garantir seu cockpit, que é um dos mais cobiçados, para o ano que vem.

Kamui Kobayashi: tem mostrado que as duas ótimas provas que fez no fim da temporada passada podem ser uma constante se tiver um bom equipamento em mãos. Fala-se que pode se tornar o melhor japonês da categoria e, pelas suas atuações até aqui, com muitas ultrapassagens, caminha para tornar o falatório em fato.

Vitantonio Liuzzi: semelhante ao seu companheiro mostra um misto de boas atuações e erros, com maior tendência aos erros. Mas tem andado bem no meio do pelotão.

Nico Hulkenberg: difícil tirar de Kobayashi o “título” de melhor estreante, mas tem mostrado uma evolução ao longo da temporada que o coloca como um nome a ser observado no futuro da categoria.

Sebastian Buemi: com a fraca Toro Rosso tem feito um bom trabalho e já tem seu cockpit garantido para o próximo ano. Destaque para o desmentir a essa notícia quando a equipe já havia declarado a renovação de seu contrato para depois confirmar o fato. Será que ele achava que merecia um lugar melhor?

Pedro de la Rosa: o veterano tem sido um piloto mediano e perde em diversas ocasiões para seu companheiro estreante. Da última vez que ele tinha competido em um F1 até agora as coisas mudaram muito, mas a experiência que ele disse ser um diferencial no início da temporada não tem sido convertida em resultados.

Jaime Algersuari: um produto e uma aposta do marketing da empresa dos energéticos, ainda é muito inconstante e, se não mostrar serviço ano que vem, deve ter seu futuro na categoria bastante dificultado.

Heikki Kovalainen: o melhor dos que não tem pontos mostra que seus anos de Williams, Renault e McLaren valeram como experiência e pode conduzir a Lotus a voos um pouco mais altos, se ela de fato vier de motores Renault para o próximo ano.

Karun Chandhok: o indiano sofre com seu carro que mais quebra do que anda, mas completava algumas provas quando ainda guiava uma das Hispânias. Não sabe se volta a guiar o carro nesta temporada.

Lucas di Grassi: consegue estar à frente de seu companheiro de equipe mesmo tendo equipamentos mais defasados do que ele. Tem feito um trabalho razoável em seu carro teórico.

Timo Glock: enfrentando diversos problemas de confiabilidade, pelo menos ainda guia um carro na categoria.

Bruno Senna: com um carro fraco em mãos, não mostra nem de longe o talento do tio, mas faz o possível para se manter competitivo.

Jarno Trulli: o mais azarado do grid, o italiano tem errado e não tem feito valer sua experiência na categoria.

Sakon Yamamoto: claramente paga para pilotar, tirando a vaga de Bruno Senna em um GP e de Karun Chandhok em dois, conseguiu uma boa evolução em 3 GPs.

comentários
  1. Alex-Ctba disse:

    Muito Bom Allan. Só discordo de suas observações em relação a dois pilotos:

    Pedro de La Rosa: Tem conseguido andar bem próximo ao Kobayashi em classificação e até o superou em algumas, mas não tem tido sorte com sua Sauber, q é um carro q quebra muito.

    Bruno Senna: Não tem como mostrar o talento do tio com uma HRT, mas a parte dele tem feito q é se classificar a frente dos companheiros de equipe. Em corrida, o carro quebra muito.

    No mais, justas as colocações.

    Abs

    • Allan Wiese disse:

      Sim Alex, tanto Sauber quanto Hispânia quebram muito. Gostaria de ver o Senna em um carro melhor para colocar sua capacidade na pista.
      E quanto ao Pedro, falei o que falei por ele ter tanta experiência e ainda assim perder para o Kobayashi.

      E obrigado.

      • Alex-Ctba disse:

        Valeu, é pq o Koba é realmente um talento, e a expectativa era q o DLR tomasse um caminhão de tempo do japa, mas na prática ele tem conseguido ficar próximo. Tomara q a Sauber feche com a mexicana Telmex de Carlos Slim, para q o Koba tenha sequencia na carreira. O espanhol com 39 anos vai ser um pouco mais difícil, já q se Peter Sauber fechar com os mexicanos realmente, provavelmente virá algum piloto de lá tb no pacote.

      • Allan Wiese disse:

        Sim, pra DLR vai ficar difícil.
        Mas também torço pelo Kobayashi. Pilotos assim fazem um bem danado à categoria.

      • Mari Espada disse:

        Para a Sauber e HRT a F1 é uma prova de resistência, não de velocidade…

      • Allan Wiese disse:

        Se os carros não fossem tão baixos, poderiam tentar usar o Sertões pra aumentar a confiabilidade, hahaha…

  2. Mari Espada disse:

    Allan, parabéns pela síntese da situação de cada piloto neste ano!
    Eu já disse que adoro esses “resumões” para refrescar a minha memória de peixe, né?

    Concordo em todas as suas observações, exceto uma: quando você cita o Timo Glock dizendo que “pelo menos ainda guia um carro na categoria”. Ainda acho que é melhor estar bem em outra categoria doque estar ruim na F1… como o Kimi no Rally, por exemplo.
    Um piloto de verdade não se contenta em ser o melhor dos piores!!! Aliás, tadinho do Kova: “o melhor dos que não tem pontos’. Hehehe.

    E espero que o Lewis fique cada vez mais maduro, mas com a mesma sede de vitória de um estreante!
    Adorei a sua definição das principais características dele: “velocidade, habilidade e instinto assassino”… Sempre com sangue nos olhos, né!? A-DO-RO!!!

    • Allan Wiese disse:

      Obrigado Mari!

      É, é um ponto de vista. Mas penso que muitos pilotos que chegam à Formula 1 relutam em sair dela. Não querem dar o braço a torcer para serem rebaixados de nível.
      E existem aqueles que são pilotos apaixonados, como Kimi, que quando vêm que não dá mais pra eles em uma categoria vão para outra pelo simples prazer de pilotar.

      E, sim, Lewis sempre tenta e muitas vezes consegue!

    • Alex-Ctba disse:

      Mari e Allan. De qualquer forma, em relação ao “melhor dos piores”, vale muito essa luta entre Lotus, Virgin e HRT para ser a 10ª equipe. O Livio publicou as cifras no blog dele, quem quiser dar uma conferida: http://blogs.estadao.com.br/livio-oricchio/decimo-lugar-mas-vale-ouro/

      São 12 milhões de Euros q a FOM repassa à 10ª colocada. Já é uma baita ajuda. Eu tinha solicitado ao Presidente umas duas semanas atrás um post sobre o lado financeiro e político da F1, por achar o Claudemir mais capaz de fazer um artigo dessa natureza. Engraçado q o Lívio publicou esse agora no Domingo passado. Mas ainda assim tenho curiosidade do valor repassado a todas as outras equipes e do montante arrecadado pela CVC e pela FOM, e tb do orçamento das equipes. São informações difíceis de se obter, mas vamos ver se conseguimos fazer.

  3. Tomás Motta disse:

    Allan, parabéns pelo artigo.
    Não tenho nada a ressaltar, a Mari e o Alex preencheram essas lacunas. Muito boas estão sendo suas participações no Ultrapassagem.

  4. celso gomes disse:

    Ei, Allan

    Desculpe-me estar pegando carona, mas é novidade e não tem como postar em outro lugar.

    As primeiras fotos do teste de pneus para F1 da Pirelli realizado hoje em Mugello e com Nick Heidfeld no cockpit.

    Desculpe-me novamente. 1 abção.



    • Allan Wiese disse:

      Opa, muito bom Celso!

      Os pneus são redondos e pretos. Impressionante, hahaha.

      Vamos ver como se comportarão os sapatos ano que vem…

      • celso gomes disse:

        E tem cara de serem made in China! ;-)

      • Vitor, o de Recife disse:

        É o tal carro da Toyota que nunca estreou, não é? Que aerofólio traseiro estranho…

      • Não, é o TF109 de 2009.

        O desse ano tinha a nomenclatura de TF110, e de acordo com algumas revistas especializadas tinha como o grande trunfo o difusor.

      • Vitor, o de Recife disse:

        Valeu Caludemir, o aerofólio traseiro esquisitão é que confunde. E a Hispania, vai de TF110 mesmo? Pelo menos o assoalho vai ter que reformar…

  5. Andy disse:

    Alguém aí sabe se já houve uma virada de mesa sensacional de um piloto de time grande que estava perdendo para o companheiro de time no meio da temporada e reverteu no final do ano, ainda que não tenha sido campeão (não vale o Irvine sobre o Schumacher!)? Tô na torcida aqui pro Massa estar em alguma montanha do Tibet e meditando algo sobre como superar um adversário melhor que ele…

  6. Anselmo Coyote disse:

    “Bruno Senna: com um carro fraco em mãos, não mostra nem de longe o talento do tio, mas faz o possível para se manter competitivo.”

    Allan,
    Conheci vc esse ano e gostei da frase acima.
    Mas, rapaz, quando o Piquetzinho corria com aquele tijolo da Renault a imprensa, os blogueiros e comentaristas jamais se referiam à situação dele com essa compreensão. Ao contrário, ele era bração, só estava na F1 porque era filhinho de papai… sem contar que ficavam fazendo roleta russa, dizendo que ele só correria mais um ou dois GPs etc etc etc.

    Agora com o Bruno Senna a imprensa age corretamente.

    Uma pena, mas agora Inês é morta.

    Abs.

    • Allan Wiese disse:

      Muito obrigado Coyote.

      É realmente uma pena a forma como a imprensa trata nossos pilotos. Refletindo sobre o que você disse aqui sobre o Nelsinho, fica uma impressão de injustiça tremenda. São poucos os estreantes que começam dessa forma, ainda mais em uma equipe que trabalhava exclusivamente para o companheiro de equipe.
      E quanto ao Senna, torço pra que ele consiga uma vaguinha um pouco melhor. Imagina se ele entra em uma Lotus (de Renault) no ano que vem? Muitas memórias poderiam ser resgatadas…
      Pena que isso é muito difícil acontecer.

  7. Muito boa a analise, sobre Senna, acho que ele está bem, assim como acho que nelsinho foi bem em sua curta passagem na F-1, considerando que ele tomava meio segundo de Alonso, com um carro que não tinha as mesmas atualizações do de Alonso, ele foi bem sim, só errou feio em Cingapura.

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