Genio? Louco? Combativo? Um pouco de tudo e uma grande pessoa!

Publicado: 19/08/2010 por Claudemir Freire em Artigos, História da F1
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Por: Fernando Kesnault

Uma das cenas que ficou marcada para milhões de espectadores e principalmente aos “tifosi” é o canadense Gilles Villeneuve dando uma volta praticamente em 3 rodas no GP Dos Países Baixos em Zandvoort em 1979.

Durante um bom tempo ele e Alan Jones vinham disputando a ponta da corrida praticamente palmo a palmo quando lá pelas tantas na descida da reta dos boxes ao frear na curva do Tarzan o pneu traseiro esquerdo de sua Ferrari estourou e ele foi reto para fora da pista ficando sobre os pedregulhos e na terra.

Qualquer piloto normal bateria nos cintos e sairia rapidamente do carro e do local, mas com o Gilles a coisa era diferente. Não contente, dá uma ré no carro e volta para a pista e faz toda a volta praticamente em 3 rodas já que durante este tempo o pneu vai se soltando, depois fica só no aro e finalmente se solta todo o bloco da suspensão traseira esquerda e ele continua o seu caminho sem atrapalhar ninguém e sempre com a mão levantada para mostrar aos companheiros de pista e chega ao seu destino, os boxes.

Naquele dia, Gilles despertou a admiração e mostrou um espírito de combate e persuadiu a todos os mecânicos da Scuderia a respeitá-lo e mesmo a amá-lo mais ainda. Ao fazer uma ação desta nos dias de hoje com certeza ele sofreria uma grande penalidade, pois não só a f-1 anda chata, o mundo está muito chato, com muitas regras e só mesmo o pensador Michel Foucault para expressar o que sentimos hoje em dia ao dizer que “o sistema social e produtivo dominante ordena nossas vidas furtivamente, convencendo-nos de que não há opressão, mas apenas necessidades racionais”.

comentários
  1. celso gomes disse:

    O pior é que ele após ter destroçado a suspensão traseira de seu carro, com essa manobra totalmente desnecessária e inútil de levar o carro até os boxes, ainda supôs que os mecânicos da Ferrari poderiam colocar novos pneus e que ele pudesse, belo e faceiro, continuar na corrida. Por essas e por outras manobras malucas durante a sua relativamente curta carreira, que eu, particularmente, o considero um piloto muito mais inconsequente do que um gênio.

    sds

    • Fernando Kesnault disse:

      Celso, respeito a sua opinião mas o Gilles era um show, quando vamos a um autodromo é isso que queremos ver: show, chegar no seu limite, ser combativo, criar uma legião de admiradores como eu sou até hoje deste incrível piloto; que importe quebrar uma peça ou várias de um carro, é para isto que eles servem lá na corrida e ele seria o campeão em 1982 mas o destino quis que fosse diferente, mas este é um assunto prá outra vez. E eu particularmente, fui um privilegiado por ver um Gilles, um Piquet, um Arnoux, um Lafitte, um Jones, um Jarrier, um Depallier e tantos outros loucos sim, mas éticos na pista e não sujos como o Senna e Schumacher que estão a fazer escolas atualmente e é tudo normal…

    • Cavallino Rampante disse:

      Caro Celso Gomes,

      Todos aqueles que tiveram o PRAZER de ver corridas com o Gilles Villeneuve, sabem que este piloto era simplesmente FANTÁSTICO!!!

      Aconselho a visionar este vídeo:

      Aconselho a ver acorrida de Jarama:

      etc… etc…

      • celso gomes disse:

        Cavallino Rampante caríssimo,

        Ví todas as corridas da carreira dele porque na época eu tinha meus 20 e poucos anos e acompanhava a F1 desde o final da década de sessenta e o estilo inconstante e estabanado dele nunca me impressionou. Sempre gostei de pilotos mais técnicos e cerebrais que faziam corridas e ultrapassagens mais bonitas do que as dele. O Giles, de vez em quando, baixava algum “santo” nele e saia como um alucinado para disputar posições e só. O fato dele ter morrido de uma forma estúpida, só fez confirmar a minha suspeita de que ele era um sério candidato a morrer nas pistas, já que àquela época, estávamos a acostumados a ver mortes em qualquer categoria do automobilismo. Então vamos colocar a coisa assim, o que lhe parece FANTÁSTICO sobre o piloto, para mim sempre pareceu MALUQUICE INCONSEQUENTE.

        Mas gosto é gosto, não tem jeito. O que seria do Ronnie Peterson, do James Hunt e até do Vitorio Brambilla se todos gostassem do Villeneuve? ;-)

        1 gde. abç

  2. Marco disse:

    Olá Fernando , eu por aqui de novo .
    Sei de uma história muito interessante desse piloto que muito embora tenha sofrido seu acidente fatal há muitos anos , ainda é um piloto que continua marcado na memória dos fãs da velocidade .

    Conta-se que , certa vez ele andava numa estrada italiana junto com Piero Lardi Ferrari , herdeiro do Enzo Ferrari . Num certo momento da viagem , Lardi percebeu que o carro estava praticamente sem combustível . Pior , não havia nenhum posto de gasolina à vista , e o último ficara pra trás há varios minutos .

    Sem hesitar o canadense resolveu o problema . Depois de reconhecer que realmente não havia prestado atenção nenhuma no ponteiro da gasolina , deu um cavalo de pau e segui pela estrada na contra-mão , sem a menor cerimônia . Chegaram ao posto de gasolina que ficara para trás , encheram o tanque e seguiram viagem . Para Lardi Ferrari , uma história que nunca mais esqueceria . Para o canadense , apenas mais um dia de estrada .

    Tenho outra do médico da F1 Dr. Sid Watkiins , que descreve Villeneuve em seu livro ” Vivendo nos limites ” como o mais temerário de todos os pilotos ao volante de um carro de passeio , mas como o meu comentário com essa história ficaria muito longo , encerro por aqui .

    Grande abraço .

  3. celso gomes disse:

    Discordo e com muito respeito de você meu, caro Fernando K.

    Show para mim não é tentar passar, atabalhoadamente, um outro competidor e por consequência ter o carro lançado em cima de espectadores, tendo provocado a morte de dois deles, logo na terceira corrida da carreira (estavam no lugar errado, estavam, mas todos ficavam antigamente e não morriam como moscas). Show para mim não é o cara correr com partes do carro, totalmente soltas, após barbeiragens por ele cometidas e querer continuar na competição com a mesma velocidade com que estava antes do incidente, pondo em risco os demais participantes. E isso mais de uma vez.

    Show para mim é um Nelson Piquet, derrapando nas quatro, ao ultrapassar um Ayrton Senna, outro de igual calibre, num local impossível, usando a cabeça e o talento, ou esse mesmo Senna fazendo uma pole em Mônaco absolutamente onde outro gênio, Alain Prost, tomou 1.5 segundo e meio. Sem falar das carreiras muito mais consistentes desses dois.

    Villeneuve, nas quatro temporadas completas que correu na F1, de 1978 a 1981 + as 3 corridas em 1977 e das quatro até a sua morte em 1982, obteve seis vitórias num total de 67 GPs disputados, sendo que 50% delas foram, 1 no Canadá e 2 nos Estados Unidos, em circuitos onde tinha muita experiência por causa da Formula Atlantic, da qual foi campeão, nos primordios de sua carreira. Não foi um piloto que impressionou por ser veloz e ter um talento acima da média, tanto que desses 67 GPs, só fez 2 pole positions e 8 voltas mais rápidas. Por ser querido e preferido por Enzo Ferrari, sempre foi supervalorizado pelos tifosi. O grande valor que que eu lhe atribuo e sem pestanejar, é que ele era leal nos embates com os demais competidores e isso é incontestável.

    Morreu pilotando de uma forma inconsequente, do jeito que eu sabia e via que ele iria morrer, e acabou virando mito.

    Fernando K. tudo isso que eu falei acima é fruto apenas e tão somente da minha visão pessoal do piloto Giles Villeneuve. Não me leve a mal meu caro, mas acho que esse é um assunto que demandaria muitas agradáveis e calorosas horas de discussão na mesa de um botequim, já que somos comtemporâneos e vivenciamos todos esses anos de F1.

    abç

    • Fernando Kesnault disse:

      Com certeza, com certeza mon ami Celso, sobre a morte em Zolder irei falar mais adiante com adendos da vida pessoal dele do Pironi, da esposa do Pironi e dos dois filhos do Pironi (gemeos) que se chamam…..Gilles e Didier….e mais uma vez reitero o que eu disse o Gilles para mim foi um grande piloto e deixava as corridas emocionantes junto com uma turma que era fantastica: Pironi, Jarrier, Arnoux, Lafitte, Piquet, Jones, Reutemann, Andretti, Peterson e tantos outros.
      Realmente um assuntão prá botequim, bar, jantares, jogo de carts até amanhecer e…começar de novo….hahahah…..um grande abraço.

      • Vitor, o de Recife disse:

        “Pironi, Jarrier, Arnoux, Lafitte”, Tambay, , Olivier Grouillard, Paul Belmondo, Eric Bernard, Erik Comas, Alesi, Olivier Panis e o mais bem sucedido de todos: Alain Prost. Que triste fim da França na F1, nem um mísero representante atualmente e poucas perspectivas de surgir um de novo! Só lembrando que o Grosjean, de curta passagem na categoria, era suíço. O último representante foi o subestimado Bourdais, que é um baita piloto no lugar errado, na hora errada.

        Desculpe o off-topic, tava acompanhando a discussão sobre o Gilles e o post do Fernando me fez lembrar isso. O pior é que o Brasil segue o mesmo caminho…

        Abraços.

      • celso gomes disse:

        Caríssimo Vitor de REC,

        Continuando no seu off-topic, tem um francês de 20 anos, Jean-Eric Vergne (que vai ser fácil, fácil chamado de Verme, aqui pelos brazucas), que já é o campeão antecipado da Fórmula 3 Inglesa 2010 (o primeiro Francês a vencer tal campeonato) faltando ainda 6 provas para o seu término. O cara venceu 12 das 24 corridas disputadas até agora e quer vencer as outras seis e tem plenas condições para isso. Veja a carreira pregressa dele: 2009 Vice-Campeão Europeu de Formula Renault, 2008 Campeão Francês de Fórmula Renault e 2007 Campeão Francês de Formula Campus (o equivalente à Formula Future no Brasil). Tem pleno potencial para brilhar na F1 no futuro, sem dúvida.

        Detalhe. É “queridinho” da Red Bull e já foi recentemente nomeado piloto reserva do time dos touros de F1! É isso aí, reserva do Pasttel e do Canguru.

        Olho no Verme!!!

        abç

      • Vitor, o de Recife disse:

        Boa notícia, Celso. Vamos ver se ele sobrevive à F1.

  4. Sirlan Pedrosa disse:

    Fernando,

    Eu sempre achei Villeneuve um dos pilotos mais supervalorizados da história da F1.

    Era rápido ? Sim. Mas errava demais e na minha opinião era um grande destruidor de carros. Basta ver como ele maltrata a Ferrari nesse vídeo. Que até tentasse voltar aos boxes, mas precisava ser daquela forma ?

    Aos 30s do tem uma tomada por trás, onde vemos ele jogando o carro na zebra e em seguida a Williams e a Renault fazendo a curva de uma forma muito mais redonda. Não surpreende que seu pneu tenha furado.

    Jaques Villeneuve era muito melhor que o pai, mas terminou a carreira de forma melancólica e não tem nem uma fração da admiração que o pai passou a ter depois que morreu.

    Como telespectador até gostava de ver Gilles correr, mas se fosse dono de equipe ele jamais pilotaria para mim….

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

    • Vitor, o de Recife disse:

      Há três fatos que catapultaram Gilles Vielleneuve para a condição de ídolo: o estilo louco de dirigir, pouco eficiente, verdade, mas plasticamente bonito; o fato de ter pilotado praticamente a carreira inteira pela Ferrari; por fim, a morte.

      Eu gosto de pilotos espetáculo. Nenhuma categoria teria graça sem eles. Muita gente odeia o Mansell aqui no Brasil, pelo fato de ter sido rival dos pilotos que polarizam a torcida local; mas o cara era diversão pura em assistir, seja pela sua condução alucinada como pelas trapalhadas.

      Gilles Villeneuve é um dos maiores, se não o maior expoente desta categoria de pilotos. Possivelmente, como o Sirlan ressaltou, superestimado, mas certamente um “entertainer” pela sua combatividade.

      Uma das corridas fora do continente americano que ele ganhou foi em Mônaco, 1981. Piquet dominou a maior parte da prova, mas no quarto final da corrida, guiando um carro com rendimento comprometido, bateu após . Alan Jones, que ameaçava o brasileiro antes, tomou a liderança mas depois também sofreu com os pneus já gastos da Williams. Sobrou pra quem? Pro “destruidor de carros”, que se aproximava rapidamente. Promessa de briga intensa, afinal é Mônaco, passar é difícil e…

      (vejam aos 1:45)

      Passou sem a menor cerimônia. Imagino o susto que o Jones levou…

      Pilotos assim dão um “molho” especial aos campeonatos.

  5. Mari Espada disse:

    Realmente o mundo anda muito chato! A sociedade anda muito chata! As regras são muito chatas! Quero mais paixão e emoção nessa terra de ninguém!!! Quero viver como Gilles neste GP ao menos uma vez!!!

  6. Allan Wiese disse:

    Eu não conheço muito da carreira de Gilles. Sei que foi um grande piloto que dava shows, como já citado acima.

    Mas eu prefiro ficar com a frase final de Geremy Clarkson no programa Top Gear em que eles homenagearam Senna: “Villeneuve foi fantástico em diversas ocasiões. Senna foi fantástico em todas as vezes que sentava em um cockpit” (apenas o principal, do modo como me lembro).

    Pilotos assim são raros. Por isso fica fácil admirar um Alonso, um Hamilton ou um Kobaiashi.

  7. Só vi coisas do Gilles por videos, e só os grandes momentos então fica dificil, falar algo quando a unica referencia que tenho são os melhores momentos.

    Mas lembro de Sirlan ter me mostrado ou comentado sobre uma foto que mostra Piquet e depois Villeneuve na mesma curva a foto tirado do mesmo local, o carro de Villeneuve tinha 3 rodas fora do asfalto vinha todo de lado, uma foto linda, já na de Piquet apenas uma roda estava poucos centimetros ou milimetros do asfalto, muito mais conservador, digamos assim, mas em compensação muito mais veloz que Gilles, talvez por isso Piquet tenha 3 titulos e Villeneuve tenha 6 vitórias.

    Li em algum livro que dizia que Villeneuve pilotava como se estevesse navegando em um barril de polvora, num rio de nitroglicerina com um charuto nos dentes, um Show Man.

    Agora falando como um fã de automobilismo, é logico que prefiro o show man, pois é muito mais interessante ver uma corrida com um piloto como Villeneuve, pode se esperar qualquer coisa, tanto um erro que fure o pneu e mesmo assim ele leve para os boxes e apesar da suspensão destruída queira voltar para corrida como o duelo com Arnoux em 1979.

    E ainda tem fatores que aumentam a história de idolo, pois ele tinha carisma, era guerreiro, morreu pilotando e era o favorito de Enzo Ferrari, uma pessoa que normalmente o que se escuta dele que é fechada e de poucas amizades, então se o cara conquistou Enzo, provavelmente ele tinha qualidades.

    Fechando eu sou fã de Villeneuve, tanto que torcia pelo Jacques, mas como falei não posso dar uma opinião analisando apenas os melhores momentos, assim até Carlinhos Bala tem vaga na seleção.

    • Vitor, o de Recife disse:

      “Fechando eu sou fã de Villeneuve, tanto que torcia pelo Jacques, mas como falei não posso dar uma opinião analisando apenas os melhores momentos, assim até Carlinhos Bala tem vaga na seleção.”

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, essa foi ótima!!!

    • Eduardo De Campos disse:

      O próprio Nélson Piquet não achava o Villeneuve tão maluco assim…
      Dizia que a culpa era do capacete dele que era um n° menor que a cabeça dele, comprimindo assim seu cérebro.Por isso fazia tantas barbaridades!

  8. Mari Espada disse:

    Sabe o que eu estava pensando…
    Hoje se o carro quebra uma mísera asinha, já precisa ir pro box porque fica tão incontrolável quanto o andar de um bêbado!
    Só nessa época mesmo, onde a mecânica falava mais alto que a aerodinâmica, que se conseguiria feitos assim. Não acham?

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