Gap Chart: As 12 Equipes e suas Diferenças até Spa.

Publicado: 01/09/2010 por Alexandre Pires em Artigos, Formula1
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Largada do grande prêmio alemão: vitória da Ferrari

Não é a constância que tem marcado a temporada 2010 da Fórmula Um.

Nem a RedBull, com um carro bem afinado, tem conseguido evitar os percalços. Embora, siga irrefreável nas classificações.

Tenho acompanhado a evolução das equipes a partir de um critério bastante simples: a diferença entre os tempos de volta das doze equipes concorrentes, aquilo que costumamos chamar por ‘gap’.

Tenho pegado os gaps de todos os eventos que precedem a corrida e tirado uma média simples. Mapeando assim as diferenças entre os carros, ou seja, um ‘gap chart’.

Largada do grande prêmio húngaro: vitória da Red Bull

O mais interessante é que os carros com menor média têm sido os vencedores de grandes prêmios. A única excessão ocorreu no grande prêmio turco, onde houve o pega entre Vettel e Webber pelo topo do pódio.

A vitória caiu no colo de Hamilton. Naquele fim de semana turco, as McLarens eram a segunda força, bem próximas das RedBull.

Esta ‘regra’ funcionou até mesmo no molhado e confuso grande prêmio malaio. Deu RedBull.

Agora , estavamos na expectativa do grande prêmio belga. A desconfiança com as McLaren e a confiança nas RedBull e Ferrari arrefeceram.

A McLaren, pela quarta vez, tem o melhor carro, de acordo com o meu critério, os gaps médios. Será que a regra iria se confirmar?

Largada do grande prêmio belga: vitória da McLaren

A primeira exceção foi em favor da Mclaren. Se ocorrer uma nova exceção, terá de ser necessariamente contra as McLaren.

[Deu McLaren. Permanece a regra. A única constância da temporada é que carros que vão melhor nos eventos pré-corrida vencem as corridas.]

Como vemos, no gráfico abaixo, a trinca formada por RedBull, Ferrari e McLaren segue alternando a liderança nos fins de semana. Com uma ampla vantagem das RedBull, que foi soberana em sete grandes prêmios. Seguidas pelas McLaren, soberanas em quatro ocasiões. Logo depois, vemos as Ferrari, dominando em duas ocasiões.

Diferença média entre os tempos de volta das RedBull, das Ferrari e das McLaren, em 2010.

Conforme a temporada avança e o desenvolvimento estanca, o pelotão intermediário de seis carros está se dividindo em dois pelotões de três carros cada.

As Renault e as Williams estão ficando à frente das Mercedes de modo consistente. As três formam os medianos remediados da temporada.

A Mercedes tende a piorar cada vez mais, já que o desenvolvimento já deve ter sido completamente abortado. Sem dúvida, os carros de Brackley são a grande decepção do ano.

A Renault tem sido uma grata surpresa desde o início do ano. Andou meio em baixa, mas voltou à carga nos últimos grandes prêmios.

A Williams acertou a mão a partir do grande prêmio europeu, onde conseguiu enfim ficar à frente da ForceIndia, pondo ordem na casa.

Desde então, a ForceIndia tem amargado uma decadência assustadora, um pouco amenizada pelos arroubos de velocidade logrados por Adrian Sutil. Mas o carro ficou para trás, irremediavelmente.

Agora, os carros de Silverstone estão próximos e sempre ameaçados pelas Sauber e pelas ToroRosso. As três formam o pelotão mediano inferior. São as incógnitas de todo o final de semana, e mais ainda para a próxima temporada.

No gráfico abaixo, a divisão entre os carros intermediários é nítida.

Diferença média entre os tempos de volta das Renault, Williams, Mercedes, ForceIndia, ToroRosso e Sauber.

Os retardatários da temporada seguem sendo as Lotus, as Hispania e as Virgin.

A Lotus segue como a menos tenebrosa do trio tenebroso. Só no grande prêmio britânico é que não teve o melhor carro, a Virgin estava melhor lá.

Mas a expectativa da Virgin conseguir fazer frente à Lotus está cada vez mais distante com o avanço da temporada.

Neste grande prêmio belga, até a Hispania, que sempre foi o pior carro, conseguiu ficar à frente da Virgin.

A verdade é que a entrada das três segue sendo a piada de mau gosto do ano. Não adianta ter tempo de pista se não há dinheiro para o carro.

Diferença média entre os tempos de volta das Lotus, Hispania e Virgin.

Nos encaminhamos para o fim da temporada vendo quatro divisões disputando uma mesma categoria.

[A temporada tem sido apimentada com os ascensos e os descensos entre as quatros divisões de desempenho, no mais das vezes imprevisíveis. Contudo, o tempero vem mesmo é dos 4 C’s: carro, condutor, circuito e corrida. A combinação destes fatores é que tem tornado 2010 quase imprevisível. Ainda que o ‘gap médio’ tenha indicado o carro vencedor em 12 de 13 provas. Mas do segundo colocado em diante tudo tem ficado embaralhado.]

O melhor de tudo isto é que temos na verdade quatro corridas em uma, e cada uma podendo atrapalhar as outras corridas. É uma verdadeira corrida maluca. Com direito a Dick Vigarista e tudo.

[Fim de corrida: agora sabemos quem é o Muttley e qual é o carro-à-prova-de-balas.]

Vettel com o resistente RB6 após uma de suas trombadas belgas.

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comentários
  1. Mari Espada disse:

    Também sabemos que é a Penélope Charmosa… hahaha, tadinho do Rosberg!

    Adorei seus gráficos, Alexandre. Parabéns!!!
    Deixa os dados claros e escancarados frente aos nossos olhos!

    E tudo isso prova que o meu “faro” não falha…
    Lotus, Hispania e Virgin são mesmo a “segunda divisão” da Fórmula 1!
    (ou quarta divisão – conforme você classifica no texto)

    • Que maldade! Mas eu também pensei que o Rosberg podia ser a Penélope Charmosa. Por coincidência, ela sempre se dava bem, especialmente, contra o Dick!

      Realmente, segunda divisão já virou bondade mesmo! O pessoal reclamou que as entrantes não tinham tempo pra treinar. Mas do que adiantaria? Só iam ficar frustrados, veriam deficiências e não saberiam ou não teriam como consertar.

      Veja o caso da ToroRosso. Bastou ser apartada do programa de desenvolvimento da equipe principal que voltou a ser o que sempre foi, a Minardi. Não há milagre. Pro carro andar, a equipe tem de ter grana e sair comprando tudo do bom e do melhor: especialmente, o seu pessoal. Tá aí o Newey que não nos deixa mentir.

      Claro que alguém vai dizer: e a Honda? e a Toyota? Nestes casos penso que tem a ver com timing. Uma saiu deixando o melhor carro da temporada seguinte engatilhado, só não sabemos como andaria com o motor Honda. A outra saiu deixando um carro que a boataria tem dito que poderia surpreender. Vai saber.

      Outra coisa, é muita prepotência achar que vai chegar com um planejamento de cinco anos pra ser campeão e isto vai dar certo. Fazer carroça de rua é uma coisa, fazer fórmula é outra.

      Já me alonguei bastante, mas pra encerrar, a melhor combinação é garagistas com montadoras. Se as coisas dão errado você destaca o nome do “garagista”, se as coisas dão certo, a montadora destaca seu nome. A BMW teria tido muito menos dor de cabeça se tivesse seguido com a Williams ou com a Sauber, sem pretender aquisições. Tudo bem que a Sauber segurou o nome, só que tinha sido adquirida.

  2. Will disse:

    Alexandre, meu grande interesse nesses dados (mais do que a comprovação de que os carros mais rápidos em FP1, 2 e 3 e em Q1, 2 e 3, venceram os GP’s) é tirar correlações entre os gaps e determinadas características das pistas.

    Por exemplo, % da volta em 7ª marcha, pista com asfalto ondulado, % de desnível na volta, % da pista com curvas de alta, % da pista com curvas de baixa.

    Eu não tenho os dados que precisaria ter para supor quem dominará as provas restantes. Segundo C. Horner, a Red Bull dominará Cingapura, Japão e Coréia do Sul, ficando a McLaren com Itália. Pelo que entendi, Brasil é uma incógnita (e Emirados Árabes também – onde, a Red Bull dominará certamente).

    Eu fico na expectativa do que pesa mais para o domínio no FDS e torcendo para as pistas serem todas retas infinitas…rsrsrs

    • Allan Wiese disse:

      Poderiam ser duas retas e dois hairpins!

      • Will disse:

        Seria ótimo…afinal, para completar eu simpatizo com a Force India (que tem um pezinho em Woking, claro…).

      • Allan Wiese disse:

        E pra não dizerem que é favorecimento, no meio de uma das duas retas poderia ter uma chicane…

        Alguma notícia nova quanto aos processos jurídicos em que a Force India estava envolvida?

    • Will,
      Saiu um texto interessante do Mark Hughes lá no BBCSPORT. Segundo ele, a expectativa é que a RedBull seja favorecida pelos cinco traçados finais da temporada. Claro, isto graças ao pacote de aderência aerodinâmica dos RB6, imbatível.

      So around Singapore, Suzuka, Interlagos and Abu Dhabi (and maybe South Korea), we should still expect Red Bull to have a significant performance advantage.

      Mas você tem razão, seriam necessários mais dados pra prevermos o comportamento dos carros em cada circuito.
      Mas já dá pra ter uma idéia a respeito do RB6. Basta ver que na Espanha, na Inglaterra e na Hungria o domínio foi avassaldor. A quantidade de curvas e a velocidade de cada uma define a vantagem dos RedBull. Ou melhor, pistas que dois dos três setores são de curvas dão vantagem pra RedBull. Se for de curva média pra alta, melhor ainda.
      Circuitos com dois setores de retas, aí a vantagem vai mais pra McLaren. Ainda que não seja nada gritante.

      Mas a idéia do post é provocar um pouco discussão mesmo sobre a imbatividade das RedBull e também em dizer que seus carros nem sempre são os melhores. E o mais importante, que isto já aparece antes das corridas. Ou seja, não é só o azar que faz a RedBull perder.

  3. Allan Wiese disse:

    É interessante todo esse seu estudo sobre o tema Alenxandre.

    E isso pode ser mais uma prova de que para a classificação a Red Bull tem algum dispositivo que aumenta o seu desempenho. Se não fosse isso, o carro dominante do final de semana faria, além de ganhar a prova, a pole position.
    Seus dados me convenceram quanto à vitória, mas a classificação ainda me intriga.

    Agora uma dúvida: o gap médio é em relação à que? Se fosse em relação ao carro mais rápido, uma equipe teria um gap de zero, certo?

    • é isto mesmo, allan, você tem razão. há fins de semana que o gap da RedBull esteve próximo a zero. veja lá o gráfico.

    • Allan Wiese disse:

      Mas ainda não entendi. Em relação à que é o GAP médio? Pra se ter um gap precisa ter um ponto de comparação comum à todas as equipes. Por que se for comparado apenas o melhor e pior tempo de cada equipe, até a Hispânia pode andar bem, hahaha…

      • FP1, FP2, FP3, Q1, Q2 e Q3 dão a base de cálculo. Os melhores tempos de cada um dos eventos.
        Se Alonso é o melhor do FP1 belga, seu “gap” é 0,000s (na verdade, não há gap de melhor volta). No FP2, vai melhor Webber, seu “gap” é 0,000s. E assim por diante. Até fechar os seis eventos. Os outros pilotos mais lentos definem o seu “gap” em relação à melhor volta de cada um dos eventos. Tiro a média dos dois carros de cada equipe em cima destes dados.
        Os três gráficos são baseados na melhor volta dos eventos (no caso, treinos livres e treino classificatórios. Repare que a escala de cada um muda. A primeira começa em 0,000. A segunda começa em 0,500. E a terceira em 3,000 segundos.

      • Allan Wiese disse:

        Agora esclareceu.

  4. Will disse:

    Silverstone e Hungaroring, onde eles “destruíram” a concorrência.

    • Allan Wiese disse:

      Hungaroring foi desumano, impressionante. No total Webber tirou quase 50 segundos.

    • Exatamente. E detalhe, esta média de gap é dos dois carros. Não tinha pra ninguém.

      • Teo disse:

        “Tiro a média dos dois carros de cada equipe em cima destes dados.”

        Parabéns Alexandre, muito bom esse post, gosto desse tipo de informação.

        Nesse caso não pude deixar de notar que, o gap médio da Renault não está mais satisfatório, como a equipe já tem dado indicios, por causa do Petkovit, ou Petrov,rsrs…

        Abçs

      • em algum momento, dá pra sair um post com o gap por piloto, pegando as duplas com maior disparidade…
        na verdade, um só da renault já seria legal. valeu, teo!
        abraços

  5. Allan Wiese disse:

    Off topic: gostei do layout da pista de Austin:
    http://tazio.uol.com.br/f-1/textos/20809/
    O simples fato de ter relevo já acrescenta um pouco mais de emoção…

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