GP dos EUA: Traçado de Austin Revelado

Publicado: 01/09/2010 por Alexandre Pires em Notícias
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Hoje foi revelado o traçado da pista a ser construída em Austin (ilustração abaixo), a qual deve abrigar o grande prêmio estadunidense em 2012. O desenho é de Hermann Tilke.

Tavo Hellmund, responsável pelo GP, divulgou o traçado com muita empolgação, dizendo que seria divertido para os espectadores e para os pilotos. Eu tenho minhas dúvidas.

A minha impressão é que teremos mais um circuito de procissão (ou Mickey Mouse como bem me lembrou Claudemir) para a temporada de 2012 da Fórmula Um. Esta combinação de reta longa ou média seguida por uma curva de baixa ou baixíssima velocidade é um convite para o piloto continuar onde está. E Austin só será isto, pelo visto.

Quem acompanha automobilismo, já deve ter percebido que a ultrapassagem é uma manobra preparada com antecedência e que se faz melhor em seqüências de curvas após uma reta do que simplesmente ao final de uma grande reta fechada por uma curva de baixa. Situação que obriga o piloto a se preocupar  muito mais em fazer a curva do que fazer a ultrapassagem.

Futuro traçado da pista que abrigará o GP dos EUA em Austin em 2012: Desenho de Hermann Tilke.

Hellmund contou que algumas das curvas foram inspiradas em outros circuitos. A seqüência Maggots—Becketts de Silverstone podem ser vistas entre as curvas 3 e 6 de Austin. As curvas do Stadium de Hockenheim são esboçadas entre a curva 12 e 15 estadunidenses. E a desafiadora curva 8 de Istambul está emulada entre as curvas 16 e 18 do futuro circuito dos Estados Unidos.

Para mim, isto não muda nada. Basta notar que nos circuitos originais (Ilustração abaixo, com destaque aos empréstimos tilkeanos), essas curvas são precedidas e sucedidas por curvas e retas muito mais bem boladas. Quero dizer com isto que é necessário ter um conceito geral. Pôr o Stadium alemão antes da curva 8 turca é anular ambas. Não serve para nada. Comparem vocês mesmos.

Curvas de Silverstone, Hockenheim e Istambul emprestadas por Tilke para Austin.

Acho bastante sacal tentar enobrecer um circuito por meio da cópia de setores de circuitos tradicionais ou consagrados. Especialmente, quando vemos copiado um trecho ao invés da concepção dos traçados tradicionais, os quais têm se mostrado infinitamente mais instigantes que os traçados concebidos por Tilke. Quando o arquiteto alemão vai perceber que reta longa seguida de curva travada é algo enfadonho?

Enfim, a construção em Austin ainda não tem data para começar. Mas corre a boca pequena que as obras podem ser iniciadas ainda em 2010. Tudo indica que os ianques estão comprometidos com a Fórmula Um. Embora, tenham começado mal onde não deviam, justamente no traçado. Que horror!

ATUALIZAÇÃO

Conversando com o Claudemir, ele me apontou a semelhança entre o traçado de Austin após o grampo e o traçado de Montrel após a curva Épingle. Um hairpin seguido por uma longa reta. Para meu desespero, o doutor Frankstein-Tilke maculou também o circuito Gilles-Villeneuve. E comparando mais um pouco os dois, é nítido que as curvas que antecedem o hairpin também são inspiradas no traçado canadense. A única diferença é que ao chegar no grampo a curva estadunidense é para esquerda enquanto que a canadense é para direita (ilustração abaixo).

Circuito Gilles-Villeneuve, Montreal, Canadá: outro empréstimo de Tilke.

comentários
  1. Mari Espada disse:

    Realmente, tirar as coisas do contexto pode destruir a sua beleza! Dar Ctrl+C Ctrl+V nas curvas e uni-las na tentativa de sucesso é ridículo!
    Esse Tilke envergonha os arquitetos pela falta de criatividade, originalidade e análise crítica do monstro que está criando.
    Porque se ele parasse para analisar, apenas 2 minutinhos, como funciona uma corrida de Fórmula 1, não projetaria essas retas com final travado!
    Isso nós chamamos de análise do cliente, que serve para gerar um programa de necessidades, que nos guia em um projeto de arquitetura!
    E a nossa necessidade como fãs do esporte (cliente) é emoção! Coisa que esses Tilkódromos não nos fornecem…

  2. Post Atualizado.

    Mari, além dos 3 circuitos copiados, agora, atualizei o post com as cópias do canadense.
    O Tilke tá perdidinho. Acho que sempre teve…

  3. Marco disse:

    Realmente então estou mais do que redondamente enganado . Eu pensava ( mas acho que continuo pensando… tudo bem ) que era justamente para criar mais ultrapassagem longas retas e final travado . Então é isso mesmo Mari ? Isso é ruim mesmo é ?

    • Mari Espada disse:

      Marco, eu falei sobre retas longas com curvas travadas em seu término, assim como o Alexandre retratou nesse trecho do texto:

      “Quem acompanha automobilismo, já deve ter percebido que a ultrapassagem é uma manobra preparada com antecedência e que se faz melhor em seqüências de curvas após uma reta do que simplesmente ao final de uma grande reta fechada por uma curva de baixa. Situação que obriga o piloto a se preocupar muito mais em fazer a curva do que fazer a ultrapassagem.”

      Pois eu realmente acho que nas sequências de curvas existe mais chances de ultrapassagem. Como as fantásticas ultrapassagens em chicanes, por exemplo…

      Você não acha??? Não entendi seu ponto de vista…

      • Marco disse:

        Mari não tem dúvida que , para você fazer uma ultrapassagem têm que estudar , preparar e tudo mais ( Vettel que nos diga ) para fazer a mesma com segurança . Claro que também concordo .

        Quanto ao meu ponto de vista esquece , deleta … rsrs … é totalmente equivocado , até nem sei porque entrei num assunto da qual não entendo ” bulhufas ” .

        Valeu Mari , muito obrigado pela sua generosa atenção .

  4. Fernando M. disse:

    Eu discordo da idéia de que não gera ultrapassagem… o problema não está em uma longa reta com final travado (que ajuda em muito a ultrapassar), o problema está no antes da reta… Antes da reta precisa de uma sucessão de curvas mais “suaves” de média velocidade para que os pilotos com mais braço se aproximem do carro da frente, dimiuindo o fator potência do motor para que então entrem na reta próximo, aproveitando o vácuo para chegar no final da reta e travar disputando posição.
    O problema dessa pista e das outras do Tilke está justamente nisso, sempre antes da reta é uma curva muito travada em que os dois carros reaceleram de baixíssima velocidade dando ampla vantagem para o carro com motor mais potente e menor arrasto.
    Tudo bem que há uma enorme contribuição dos difusores que geram muita turbulência, tornando uma missão impossível se manter no vácuo do carro à frente… mas isso vai mudar ano que vem o que será uma bênção.

    • Marco disse:

      Mas aí e que tá Fernando . Tudo o piloto ( pelo que sei ) tem seu objetivo de ultrapassar seu adversário na freada . Como vão disputar uma freada , a saída nesse caso não importa tanto . Mas confesso que édedução de um leigo tá ?

    • Mari Espada disse:

      Hum… abordagem interessante, Fernando.
      Eu sempre culpei o fim da reta, devido ao foco do piloto para fazer a manobra. Já você culpa o início, pois o carro entra lento na reta e dá vantagens a quem tem mais motor.
      Seu ponto de vista é válido, porém só se aplica ao caso de um carro mais lento tentar superar um mais rápido. Enquanto a brusca redução de velocidade e dificuldade da manobra de uma curva travada ao final de uma reta é mais abrangente, não acha?
      No fim das contas ambos os casos trazem impactos negativos. Bom mesmo é uma sequência de curvas fluídas, dando chance às lindas ultrapassagens em x.

  5. Fernando Kesnault disse:

    Deve ser mais uma “merda” tilketiana com certeza. Andou plagiando o circuit Gilles Villeneuve da Ile du Notre Dame en Montreal.

    Se eu fosse da cúpula da Prefeitura da cidade entraria com um processo difamando e descaracterizando uma bela pista em face de mais um projeto ridículo de Mr. Tilke.

    Tirar dinheiro desta gangue que vem controlando a f-1 deve ser divertido já que são estelionatários e tantas outras coisas….vou ficar só por aqui…..aquele antro de Srs. me enoja bastante…

  6. Fernando Kesnault disse:

    Engraçado …falta criatividade para este Sr. Tilke, todos os projetos tem uma mesma caracteristica.

  7. Will disse:

    Ah senhores…pelo menos em Austin as pistas não serão planas (eu vi, em algum lugar um mapa topográfico do circuito – melhora a perspectiva de entretenimento).

    Mas concordo que já temos muitos Mickey Mouses por aí…prefiro a simplicidade de Monza a qualquer Tilkódromo.

    Chama a Mari para arquiteta da F1 Bernie!

    • Mari Espada disse:

      Eu me candidato! =)
      Pelo menos eu iria pesquisar mais sobre a opinião dos clientes (torcedores) antes de iniciar qualquer projeto… pois me parece que isso nunca passou pela cabeça do Tilke!

    • Allan Wiese disse:

      Essa é também a minha esperança Will. Acho que esse é o primeiro Tilke em terreno acidentado. É só pensar que algumas pistas tradicionais tem terrenos em subida e decida e talvez isso acrescente algo mais.

      Aqui tem um mapa topográfico:
      http://tazio.uol.com.br/f-1/textos/20809/

      Mas se for mais um Mickey, vai ser decepcionante.

  8. Marco disse:

    Será porque os pilotos , chefes de equipes não reclamam do HT para os dirigentes da F1 ? Se esse cara só faz coisa ruim , porque manter esse sujeito para ficar projetando e ninguém diz nada ?!

    E o mais estranho disso tudo , que o HT faz em todos os lugares . Estanho , muito estranho .

    • Fernando Kesnault disse:

      Porque ele é da gangue meu chapa, entendeu?? Do mesmo esquema monopolizador do grupo dominante. Todos ganham o “seu” e ficam felizes e calados…

  9. Joao disse:

    ate gostei do traçado mais peloamorde deus esse tilke não sabe fazer uma curva de alta? de preferencia entre 250~300kph

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