O duro recomeço de Peter Sauber.

Publicado: 06/09/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Pedro de La Rosa, Peter Sauber e Kamui Kobayashi apresentam o C29: um bom desempenho nesta temporada deve colorir o carro no ano que vem

2010 tem sido um ano marcante para Peter Sauber. Além de marcar os 40 anos de atividades automobilísticas, com passagens de sucesso em esporte protótipos, o competente suíço tem encarado o desafio de reerguer a sua equipe após a saída da BMW.

Disputando a temporada ainda sob o nome “BMW Sauber F1 Team”, a equipe apostou nos motores Ferrari, com os quais correu de 1997 até 2005. A Sauber foi uma das últimas a serem confirmadas, entrando no lugar da Toyota, que surpreendera a categoria um mês antes ao anunciar sua saída, mesmo tendo assinado a lista de participantes para 2010.

Kobayashi mostrando a que veio em Interlagos, 2009

Peter Sauber apostou na combinação experiência e juventude para preencher os cockpits de seus carros: o espanhol Pedro de la Rosa, que durante anos atuou como piloto de testes da McLaren e Kamui Kobayashi, o promissor japonês que encatou os  espectadores da F1 com sua ousadia e agressividade em apenas duas corridas, ao substituir o lesionado Timo Glock no final da temporada de 2009 na falida Toyota.

O começo do campeonato não trouxe resultado muito animadores. Os motores Ferrari mostraram pouca confiabilidade; só no GP da Malásia, os propulsores dos dois carros estoraram. A equipe, destaque nos testes da pré-temporada, passou em branco nas seis primeiras provas do ano.

As coisas só melhorariam a partir da corrida da Turquia, com o décimo lugar lugar de Kobayashi. Depois do primeiro ponto, mais 26 seriam somados, o que faz a equipe ocupar atualmente a oitava colocação no Mundial de Construtores.  Uma colocação importante, já que ao integrar o “top 10” a Sauber está apta a receber as verbas da FOM.

Um dinheiro muito importante para o momento atual da escuderia. Não que falte estrutura à equipe de Hinwil; a fábrica da Sauber faz jus às instalações das integrantes mais bem estabelecidas na F1. Conta com modernos computadores e o túnel de vento, adquiridos em 2004.

Imagens da fábrica da Sauber em Hinwill, Suíça.

A invejável estrutura foi construída com muito trabalho. Após o sucesso com protótipos, vencendo as 24h de Le Mans em 1984 e levantando o título do World Sports Car Championship em 1989 e 1990 com o apoio dos motores Mercedes, a Sauber entra na F1 em 1993, com o modelo C-12 (“C” de Christine, esposa de Peter Sauber) empurrado pelos motores Ilmor e tendo como pilotos o filandês J.J. Lehto e o austríaco Karl Wendlinger.  No ano seguinte, receberia os motores Mercedes e o ex-piloto a equipe nos protótipos, Heinz Harald Frentzen substituia Lehto.

1993: estreia da Sauber na F1, com J.J. Lehto

A Mercedes sairia da equipe no ano seguinte para iniciar sua vitoriosa parceria com a McLaren. Restou a Sauber equipar o seu carro com os motores Ford. Por outro lado, neste mesmo ano ganharia um importante apoio financeiro: o patrocínio da Red Bull, que duraria nove anos. Em 1997, iniciava a parceria com a Ferrari que somente encerraria com  aquisição da equipe suíça pela BMW em 2005.

Ao logo de sua trajetória como equipe independente, a Sauber se notabilizou por promover jovens talentos. Nesta lista, integram pilotos como o já citado Frentzen, com passagens na Williams e Jordan, onde brilhou com uma surpreendente 3ª colocação. Nick Heidfeld, campeão da F-3000, se reabilitou de uma sofrível temporada de estreia na decadente Prost atingindo a melhor colocação na história da Sauber independente: o quarto lugar no mundial de construtores. O segundo cockpit era ocupado por um até então desconhecido finlandês: Kimi Räikkönen, campeão em 2007 pela Ferrari.

2001: um surpreendente 4º lugar nos construtores, com Heidfeld e Räikkönen. Notem os fortes patrocínios: Red Bull, Petronas e Credit Suisse

No ano seguinte estreava Felipe Massa, que não correria no ano seguinte para ocupar o posto de piloto de testes na Ferrari, mas voltaria em 2004, ano em que a equipe marcaria a maior pontuação até então na história da Sauber: 34 pontos, 6º lugar nos construtores. O ano de 2004 também foi marcado pelo trabalho fora das pistas, a equipe investia pesado na fábrica de Hinwill, adquirindo o moderno túnel de vento e o supercomputador de alta performance. Em 2005, a equipe mostra sua pretensão de ir mais longe; então apontada como uma equipe “satélite” da Ferrari, optou por correr com os pneus da Michelin, deixando a Scuderia integrar a lista de equipes que, junto de Minardi e Jordan, seriam as únicas a utilizarem a borracha fornecida pela Bridgestone. No ano seguinte, Peter Sauber vende a maior parte de suas ações para a BMW, que abandonava a parceria com a Williams para ser mais uma equipe oficial de fábrica, a exemplo de Renault, Toyota e Honda.

2008 foi o melhor ano da nova escuderia, com o terceiro lugar nos construtores e uma vitória, com Robert Kubica. Mas no ano seguinte, contrariando todas as espectativas, os resultados foram decepcionantes e a crise financeira mundial determinou a saída da BMW da F1. O anúncio, feito em meados do ano, não deixou de ser surpreendente, pois as montadoras mais cotadas para saírem da categoria eram a Toyota e a Renault.

Kubica, 2008, ameaçando brigar pelo título. A BMW não demorou para seguir o caminho das montadoras nipônicas.

Restava saber quem iria assumir a equipe. Peter Sauber não possuía capital suficiente para readquirir o restante das ações vendidas à BMW, que por sua vez desejava entregar a equipe para algum grupo que possuísse recursos suficientes para tocar o projeto. Mas a indecisão se prolongou tanto que a Sauber perdeu a incrição da FIA para integrar o mundial de 2010. Com a saída tardia da Toyota, abriu-se mais uma vaga e com o fracasso nas negociações com o obscuro grupo de investimentos Qadbak, em dezembro a BMW vende a equipe para Peter Sauber.

O carro branco e preto, sem patrocínios, apresentado no fim de janeiro deste ano era o reflexo de todas as dificuldades enfrentadas pela Sauber para conseguir disputar a temporada de 2010. O resultado conseguido até aqui, portanto, não deixa de ser positivo.  Mas para atingir os patamares de 2001 e 2004, de nada adiantará ter uma grande estrutura se não houver dinheiro para mover a fábrica, como o aporte financeiro que era fornecido pela Red Bull e Credit Suisse. Portanto, a grande batalha de Peter Sauber no momento é conseguir grandes patrocinadores que dêem à Sauber condições de bancar o desenvolvimento de seus bólidos.

Adrián Fernández, correndo com equipe própria na Cart, 2001.

Os rumores mais fortes dão conta de possível uma parceria da equipe suíça com o magnata das telecomunicações Carlos Slim. O bilionário mexicano é o “mecenas” de pilotos compatriotas como Esteban Gutierrez (piloto de testes da BMW Sauber) e Sergio Pérez, atual vice-líder da GP2. A aproximação de Slim com o automobilismo não é recente; o empresário apoiava o compatriota Adrián Fernández, piloto de longa carreira na Cart, onde chegou a montar sua própria equipe em 2001. Em 2009, fechou sua equipe na American Le Mans Series, mudou-se para a Suíça com sua família e corre pela Aston Martin. É o tutor da carreira de Sergio Perez na GP2.

Joe Saward observa alguns detalhes sobre a proximidade de Carlos Slim com o automobilismo que são bastante reveladoras sobre o suposto interesse do empresário em investir na F1.

Seu filho Carlos Slim Domit (37 anos), agora está à frente da Telmex e é também o patrono da Asociación Mexicana Automovilística, um dos clubes automobilísticos do México, afiliado à Federação Internacional de Automobilismo. Nesta função, ele é agora um membro do Senado da FIA. Eles (os Slins) são fãs de corridas. Deve ser lembrado que Slim teria demonstrado interesse na compra da equipe Honda F1 no final de 2008.

Em uma entrevista ao site oficial da categoria, Formula1.com, ao ser perguntado sobre a possível associação com o grupo de Slim, Peter Sauber mostrou que as portas estão abertas:

Eu poderia dizer que não fazemos comentários sobre rumores. Isso poderia ser uma resposta possível. Mas como os rumores começaram? (O piloto de GP3 mexicano) Esteban Gutiérrez já fora contratado pela equipe BMW Sauber F1. Ele testou o carro no ano passado em um dia destinado aos jovens pilotos de teste, pois isso foi acordado contratualmente e ele realmente nos impressionou. Esta foi a razão pela qual o contratamos. Gutiérrez possui contrato conosco agora e ele tem contatos muito estreitos com o México e, em especial, com o Carlos Slim. Esta é a razão pela qual você vai encontrar Carlos Slim desfrutando de forma mais frequente da nossa hospitalidade que a das outras equipes, mas também não é segredo que Carlos Slim é um convidado muito bem vindo em todas as outras equipes também.

Esteban Gutiérrez, testando com a BMW em 2009.

(…)

A equipe é atraente e tem potencial, porque dipõe de uma excelente infraestrutura, absolutamente comparável à das melhores equipes. O fato de que não podermos rivalizar com os times de ponta tem a ver com nossa situação financeira e a nossa força de trabalho. Mas as condições estão lá.

Ligando os pontos, a parceria Sauber/Slim parece estar próxima de ser concretizada. Obviamente, surpresas podem ocorrer, mas as declarações de Peter Sauber somadas ao óbvio interesse da família Slim pelo automobilismo fornecem interessantes indícios sobre uma união que pode resultar em um futuro promissor.

comentários
  1. fernando-ric disse:

    Korea?

    • Mari Espada disse:

      Ontem eu vi uma foto da Red Bull passando na pista, mas ao lado dela estava cheio de material de construção e uns 3 peões trabalhando… tá tudo tão inacabado… o Chandhok praticamente correu em um canteiro de obras! Coitado! =P

  2. Leandro Magno disse:

    Alguém sabe se a punição do de La Rosa se restringiu a Spa ou será aplicada em todos os fds em q ele estiver usando o seu 9º motor?

  3. Anselmo Coyote disse:

    Duas coisas podiam acontecer.
    1. A Sauber aproveitar o momento e rasgar o contrato firmado com o Kobayashi dias atrás e aceitar qualquer piloto que o Slim impuser.
    2. A Red Bull dar um pé na b.nda da loira fake e contratar o japinha-voador para ajudar a equipe e o Webber no que puder em 2010 e a partir de 2011 disputar pau-a-pau com ele ou com quem o substituir.
    Abs.

    • Teo disse:

      Na minha modesta opnião, se o japa voador sentasse no cockpit de uma Red Bull, poderia fazer fila, que ele ia riscar todos os cascos do grid, acho que ele só iria travar no do Hamilton, ou então ia voar caco de fibra de vidro e carbono pra tudo que e lado, rsrsrrs…

    • Vitor, o de Recife disse:

      Boa, Coyote.

      O piloto “Slim” deve ocupar o posto de companheiro do Koba. A Sauber no momento não é uma equipe ruim para um jovem piloto em afirmação. Mas creio que para 2012 Kobayashi deve ascender de cockipit.Webber já vai ter se aposentado até lá, então…

  4. celso gomes disse:

    El Coyote,

    A opção 2 seria realmente a mais coerente para dar uma verdadeira oportunidade a esse talento do país do sol nascente, apesar que duvido que os Taurinos abririam mão do Pasttel. Mas que ele ia levar um couro do Kobayote, ia, com certeza. ;-)

    abç

  5. Lucas Túlio disse:

    A segunda opção do Coyote é excelente einh!

    Vettel precisa “aprender” muito ainda.

    Esse Japa quando tiver um carro…..

  6. Mari Espada disse:

    Espero que essa possível parceria com a Slim traga à Sauber toda a estrutura financeira que ela precisa para se manter na F1. Afinal, precisamos garantir vida longa aos clássicos! Pois cada vez menos vemos as equipes formadas por pessoas apaixonadas (como a Sauber do sr. Peter, ou a McLaren do sr. Bruce) e cada vez mais vemos equipes formadas por empresas (como a Red Bull, por exemplo). Não que isso seja ruim, afinal é uma forma ótima de conseguir dinheiro para desenvolver um excelente projeto. Mas é que esse lado romântico da F1 antiga ainda me cativa! E eu torço para que essa essência se conserve por muito tempo! =)

    • Fernando Kesnault disse:

      Mari vai me desculpar mas a atual McLaren não tem nada a haver com a antiga McLaaren dos tempos do Bruce e de Teddy Mayer (até 1979). Ela hoje é sisuda tanto qto. o Ron Dennis que tem o seu lado de dedicação mas….

      Qto. à Red Bull devemos dar palmatórias a uma empresa que destila patrocinios em várias categorias do automobilismo, bem como em competiçõees esportivas de outras modalidades, além de ter projetos de revatilização de aviões, dirigíveis e outros tantos “bagulhos” que reformados ficam bastante lindos…imagine um empresa como a Coca-Cola fizesse o que a Red Bull faz??? Com apenas um pequeno percentual dos lucros bilionarios diários???

      • Vitor, o de Recife disse:

        “Qto. à Red Bull devemos dar palmatórias a uma empresa que destila patrocinios em várias categorias do automobilismo”

        Verdade. E diga-se de passagem, de forma mais segura do que as montadoras.

      • celso gomes disse:

        Concordo inteiramente contigo Fernando K, quanto ao patrocinio da Red Bull à diversas modalidades esportivas, além de financiar projetos que fazem o homem desafiar seus limites, como a tentativa de quebra de recorde da maior altitude de um salto de paraquedas e além da restauração de verdadeiros ícones da aviação como o DC-6 abaixo, que foi praticamente refabricado. O Mr. Shitz pode ganhar muita grana, mas ajuda muitos também a alcançarem sucesso e na preservação de um grande número da máquinas maravilhosas.

      • Mari Espada disse:

        No fundo do meu coração eu sei que você está certo, Kesnault… mas não quero admitir que restou apenas o nome, entende? Algo deve ter ficado no âmago dos que fazem o nome McLaren continuar existindo, por mais que o dinheiro fale sempre mais alto… será que não? É muito romantismo da minha parte?

        E sem dúvida, a Red Bull tem história nos esportes de alto risco! Apesar de não ser uma “equipe tradicional”, vem trilhando o seu caminho e fazendo história. Eu não quis desmerecer o trabalho deles, apenas sinto uma impessoalidade muito grande em ter uma “equipe com nome de empresa”… sei lá, acho que vou passar a chama-la de Newey Racing… quem sabe assim eu não resolvo o meu problema, hehehe!

      • Vitor, o de Recife disse:

        Bem Mari, a Benetton também era uma equipe com nome de empresa. E eu acho que tinha muita identidade (lembram dos pneus coloridos?).

        Sempre achei a Red Bull uma equipe simpática, com um bom humor muito bem vindo ao ambiente sisudo da F1. Até eles começarem a fazer m… com o trato com seus pilotos…

  7. Alex-Ctba disse:

    A Sauber merece um salto de qualidade e alcançar sua primeira vitória na categoria. Torço pelo sucesso dessa simpática equipe.

  8. Aviso aos navegantes, post novo com data velha no blog:
    https://ultrapassagem.wordpress.com/2010/09/05/a-morte-de-uma-estrela-da-formula-um/
    Para quem gosta das lendas da Fórmula Um: Jochen Rindt!

  9. A. Coyote disse:

    Teo,
    É o que aconteceria. Dois pilotos de verdade duelando. É disso que gosto… se fossem 3 ou mais seria melhor ainda. Ponho a maior fé nesse japinha.
    Abs.

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