Perigo à vista para a Force India.

Publicado: 08/09/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Lotus T127 no túnel de vento.

Enquanto todas as atenções estão voltadas para o julgamento da marmelada de Hockenheim e todos estão fazendo suas apostas sobre qual condenação a FIA imporá à Ferrari  (se é que vai ter alguma), um outro imbróglio judicial envolvendo uma equipe sem os mesmos holofotes tem ficado à sombra nesta véspera do GP de Monza. Trata-se da pendência jurídica entre a Force India e a Aerolab.

Gascoyne, ainda na Force India, conversa com Mallya

A confusão vem de longe, mais precisamente no final da última temporada, quando Vijay Mallya acusou a Aerolab, uma empresa italiana que foi responsável pelos trabalhos de túnel de vento da equipe, de partilhar os dados do carro da Force India de 2009 com a Lotus. Observadores mais atentos não deixaram de notar que o carro da escuderia estreante carregava muitas semelhanças com o Force India, tema inclusive discutido no saudoso F1 Around. Pelo menos um ponto, ou melhor, uma pessoa ligava as duas equipes: o eficiente e polêmico ex-diretor técnico da Force India e atual Lotus, Mike Gascoyne.

A Aerolab trabalhou com a Force India durante três anos, sendo o primeiro ainda sob o nome de Spyker; a parceira foi rompida em setembro de 2009. Já em novembro, Mallya começou a reclamar em público sobre um suposto vazamento de informações sobre o carro da equipe “indiana” por meio do ex-diretor técnico da equipe, Gascoyne. Pouco mais tarde, no mesmo mês, foi anunciada uma parceira a Lotus e a Aerolab para auxiliar no desenvolvimento aerodinâmico dos carros da nova equipe. A Aerolab rebateu as acusações, alegando que a Force India estava em débito com a empresa italiana.

O assunto esfriou na imprensa ao longo da temporada, mas voltou à tona em junho, quando a equipe de Vijay Mallya anunciou, em 2 de junho, ter entrado com uma ação acusando Mike Gascoyne, Lotus e Aerolab de roubo de propriedade intelectual. No comunicado oficial, a Force India alegou que:

(…) acredita que a Lotus Racing, através da utilização das instalações e dados da Aerolab e Fondtech, utilizou e se beneficiou de propriedade intelectual da Force India F1 Team, incluindo componentes e pneus licenciados exclusivamente pela Bridgestone para a Force India utilizados em um modelo em escala para túnel de vento do chassi do atual Lotus T127, sem permissão da Force India F1 Team.

Para os membros da Force India, estas são afirmações muito graves e, portanto, não agiríamos se não pudessemos apresentar evidências de apoio.

Além disso, a Force India gostaria de esclarecer que qualquer ação entre Aerolab e Force India para a rescisão injustificada do contrato está sendo abordada pelos tribunais. A Force India confirma que pagou cerca de um milhão de euros, no Outono de 2009, para garantir o pagamento reclamado pela Aerolab e agora os tribunais competentes irão decidir se, de fato, esse saldo deve ser pago a Aerolab, dada a gravidade das alegações atuais.

Kovalainen com a Lotus.

Para apimentar ainda mais a questão, a Lotus anunciou quase no mesmo momento do comunicado a contratação de mais três membros da Force India: Mark Smith (diretor técnico), Lewis Butler(chefe de desing) e Marianne Hinson (chefe de aerodinâmica). Mas a virada do jogo só estava começando…

Em agosto, era anunciada a derrota da Force India em dois processos em Londres; um acionado pela Aerolab, que reclamava a dívida que a equipe possuía com a empresa; o segundo, o processo movido pela Force India sobre roubo intelectual. O montante a pagar chegaria a 1.074.730 euros, fora taxas e custas judiciais.

E a coisa pode piorar: a Aerolab avisou que pretende aproveitar o Grande Prêmio da Itália para adquirir o dinheiro que a equipe de Mallya deve. Aproveitando que a Force India estará em solo italiano, a Aerolab afirmou que

No próximo Grande Prêmio, em Monza, durante o qual os bens da Force India vão estar presentes sob jurisdição italiana, poderão desencadear novas trocas de ação entre as duas partes.

Mallya no lançamento do carro de 2008

A Force India surgiu com a compra da Spyker por Vijay Mallya, em fins de 2007. A equipe foi primeiramente vista com olhares céticos, afinal, a velha Jordan seria passada de mãos pela terceira vez em três anos. Antes, o obscuro canadense de ascendência russa Alex Schneider comprou a equipe de Eddie Jordan no final de 2005, formando a Midland, que duraria apenas um ano, sendo repassada no ano seguinte para a Spyker, que duraria o mesmo período até ser adquirida por Mallya. Só que o milionário indiano surpreendeu ao assinar uma cooperação técnica com a McLaren, vislumbrando um futuro mais promissor para a equipe. E deixou o mundo da F1 mais incrédulo ainda com a brilhante atuação de Giancarlo Fisichella em Spa, no ano passado.

Em 2010, a equipe vem tendo excelentes resultados, principalmente com Adrian Sutil. O carro deste ano é uma clara evolução do modelo anterior, mas os bons momentos podem ser gravemente comprometidos pelos eventos extra pista. Por sinal, o processo da Aerolab não foi o único: a equipe também perdeu uma ação imposta pelo ex-piloto de testes da equipe Roldán Rodríguez. O espanhol, piloto pagante, teria direito a ser titular em 2008, o que acabou não ocorrendo. A ação custou 3 milhões de euros para a Force India.

Depois do excelente Grande Prêmio da Itália de 2009, quando Sutil chegou em 4º e marcou a melhor volta da prova, a Force India pode ter um sabor bem amargo neste retorno a Monza. Resta saber de Vijay Mallya terá forças para manter sua equipe em 2011.

comentários
  1. Mari Espada disse:

    Uau que notícia! A Force India está em um beco sem saída, hein… Uma pena…
    Se continuar assim o Bernie vai ter 11 equipes, invés das desejadas 13, para o ano que vem.

  2. Allan Wiese disse:

    Seria uma pena se a Force India não conseguisse se manter no campeonato para 2011. A equipe vem evoluindo e fazendo um bom trabalho. E esse ano, depois de as relações com a McLaren não serem mais tão estreitas, ela conseguiu, ao contrário da maior parte das expectativas, continuar fazendo um bom trabalho.
    Mas se as coisas estiverem meio mal pro lado deles, Bernie dá uma forcinha. Ele quer esse atrativo para o primeiro GP indiano…

  3. […] aos imbróglios com a Aerolab/Lotus e o piloto mexicano Roldán Rodríguez. Comentamos este assunto aqui no Ultrapassagem. E a esquadra de Vijay Mallya, que se pronunciava uma equipe com sólido futuro na categoria, vai […]

  4. […] Rodriguez,  o que resultou em um rombo de 3 milhões de euros no orçamento da equipe. Depois, veio o caso Aerolab/Lotus: 1.074.730 euros, fora as taxas. Mais tarde, perdeu uma ação movida contra a Etihad Airways e a Aldar por quebra de contrato. E […]

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