Velocidade Máxima!

Publicado: 09/09/2010 por Alex-Ctba em Artigos, Formula1
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Entramos na semana do GP de Monza na Itália, o templo sagrado do automobilismo ou ainda, como alguns gostam de descrever: O templo da velocidade! E é,  justamente sobre velocidade absoluta, o tema que vamos abordar nesse  post.

Antes da invasão dos Tilkódromos e dos novos rumos que a F1 tomou em relação a segurança e comprimento dos autódromos, tínhamos três circuitos no calendário, que se destacavam pela velocidade média e máxima em alguns trechos, para o deleite dos apaixonados por speed trap: Silverstone, Hockenheim e Monza. Os dois primeiros foram modificados, restando a Monza, apesar de, também  sofrer algumas alterações,  a pista do calendário onde se atinge as maiores velocidades, média e total, de um F1.

Silverstone sofreu diversas “atualizações”, desde seu traçado original de 1948, até o novíssimo lay out de 2010. O traçado simples e incrivelmente veloz, de 4.718 m que perdurou entre os anos de 1975 e 1986, rivalizava com Monza em velocidade média. Keke Rosberg estabeleceu a incrível média de 259,005 Km/h, com uma volta de 1:05.591 em 1985 a bordo de uma Williams-Honda/Turbo. Marca superada somente em 2002, por Juan Pablo Montoya em Monza com a média de 259,049 Km/h,  também com uma Williams, só que empurrada pelos poderosos motores BMW V10.

Keke Rosberg, 1985

Hockenheim, que teve seu traçado de 6,8 km mutilado pelo AutoCAD  de Hermann Tilke em 2002, foi outra pista que perdeu as características de alta velocidade. Tilke – que remodelou a pista para 4,574m – foi o responsável pelo assassinato das intermináveis retas da Floresta Negra, onde os carros passavam dos 340 Km/h antes das freiadas das curvas,  Jim Clarke na ida e Ayrton Senna na volta.

Restou então a Monza, a missão de testar os limites dos atuais motores V8, que equipam os carros, desde 2006, com  previsão de impulsionar os bólidos até 2012. Na corrida passada, no adorado circuito Belga de Spa-Francorchamps, os carros mal superavam os 320 km . As maiores velocidades foram registradas na Setor 1 da pista, onde Sutil foi o detentor da melhor passagem com 323,7 Km/h a bordo de sua Force India-Mercedes.

Muito distante da maior velocidade já atingida por um F1. Para quem tem curiosidade, o máximo que um F1 atingiu nesses 60 anos de história foi a incrível marca de Juan Pablo Montoya, nos treinos livres do GP de Monza em 2005, pilotando uma McLaren/Mercedes V10: 372,6 Km/h. Em corrida o recorde pertence a Kimi Raikkonen, companheiro de Montoya naquele mesmo ano e, obviamente,  no mesmo GP: 370,1 Km/h.

Montoya largada em Monza 2005

A maior média de uma volta, pertence a Rubens Barrichello, com sua Ferrari-V10 em 2004. O brasileiro estabeleceu a pole com o tempo de 1:20.089 a uma velocidade média de 260,395 Km.  A maior média de corrida, pertence a Schumacher,  que  em 2003 completou as 53 voltas ou os 306.720 Km com uma média de 247,585 Km/h. Barrichello não conseguiu superar o recorde de Schumi a bordo da incrível F2004, porque a corrida naquele ano teve as primeiras voltas disputadas com pista úmida.

Barrichello Monza 2004

A título de comparação, ano passado, Rubens Barrichello que venceu o GP de Monza com a sua Brawn GP, completou a prova em 1:16:21.706 com média de 241 Km/h.  A maior velocidade atingida foi 340,8 Km/h, conseguida por Adrian Sutil com sua Force India. A pole de Hamilton foi de 1:24.066, mas não serve de parâmetro para esse ano, pois até 2009 havia estratégia de combustível. O melhor tempo de 2009, é o de Button no Q2 com 1:22.955. Podemos usar como tempos a serem batidos o da pole de Barrichello de 2004, 1:20.089 e a melhor volta da corrida, também de Barrichello com 1:21.046.

E, surpreendentemente, alguns tempos de 2004 estão sendo superados, pelo fantástico RB6, resultado da “corrida armamentista”  ao qual as equipes se embrenharam para tentar vencer o projeto de Newey, mesmo com os 250HPs a menos dos V8 ante os V10. Os carros não tem mais as velocidades absolutas de outrora, mas compensam com um refino aerodinâmico, um motor elástico nas retomadas de aceleração e os eficientes freios atuais. Não vamos entrar no mérito dos pneus, já que alongaria demais esse tema.

Isso nos leva imaginar, a qual velocidades estariam os carros de F1, se não sofressem ano após ano, limitações técnicas no desenvolvimento aerodinâmico e se não vigorasse o congelamento de potência dos motores.

E para finalizar, para os mais curiosos, a maior velocidade não oficial de um F1, foi estabelecida, por um projeto maluco da Honda, denominado Bonneville 400. Em 2006, os japoneses estavam obcecados por marketing e resolveram romper a barreira do 400 Km/h com um F1 . Para isso, levaram para o deserto de Utah nos EUA, famoso local de testes de velocidade, devido a sua superfície extremamente plana de 11 Km, um F1 denominado 007, motor V10 e sem asa traseira, mas sim uma peça parecida com uma cauda de avião.

Bonneville 400

No Bonneville Speedway o bólido da Honda, pilotado pelo Sul-Africano Alan Van Der Merwe, conseguiu estabelecer a velocidade de 397,360 Km/h na média das duas passagens. A barreira dos 400 Km/h foi superada, já que conseguiram atingir 400,459 Km/h, mas a marca teria que ser superada na ida e na volta para ser homologada. Enquanto isso, Barrichello e Button, realizavam temporada discreta pela Honda nas pistas de verdade.

Agora é aguardar o final de semana, para podermos comparar os tempos atuais com essas marcas acima. Meu palpite é que o tempo da pole de Barrichello de 2004 vai ser superado e teremos ainda uma das corridas mais curta da história, girando em torno de 75 minutos, isso claro, com pista seca.

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comentários
  1. Ron Groo disse:

    Belíssimo texto, mas a primeira foto lá em cima é de Avus, na Alemanha…

    • Fui eu que coloquei Ron, por achar que aquilo é que era ser veloz e como nas curvas da velha Monza oval só achei as baratinhas, preferi colocar essa de Avus com aquele belo bólido.

  2. Will disse:

    Lindo texto Alex. Será que não teríamos médias de acima 400,00 Km/h.

    • Alex-Ctba disse:

      Médias seria um certo exagero, já que não dispomos de muitos Autódromos de alta velocidade, nem ovais na F1. Mas ano após ano, limitam o desenvolvimento, o q de certa forma não está errado, pois na minha opinião, o controle de tração e a suspensão ativa, são dispositivos que nivelam os pilotos. Mas na questão dos motores, do efeito solo, das asas, e dos apêndices aerodinâmicos, acho que deveria ser liberado o desenvolvimento e aí sim, acredito que estaríamos com velocidades médias e máximas muito, mas MUITO superiores às atuais.

      Abs

      • Claudio Cardoso disse:

        Bom dia a todos.

        Eu tb sou a favor do desenvolvimento, porem com limitacoes.

        Vamos fazer um exercicio de imaginacao, qual seria a velocidade hoje dos carros se tivessesmo os V12 ? se do V10 para o V8 super limitiado, ja se perdeu 250 hp. Se colocarmos a mesma proporcao hoje um formula 1 teria no minimo uns 500 cavalos a mais.

        Agora vamos pensar 500 cavalos a mais. Será que esse celula do cockpit aguentaria uma porrada dessas ?

        Ai sim acho que nos entrariamos em pesquisas e gastos para aumentar a segurança dos carros sem objetivo, pois objetivamente para um carro de rua, nao é necessario aguentar uma batida a mais de 200 km/h.

        Acho que poderiamos ter limitacao, ou na quantidade de cilindros, ou na cilindrada, e deixava a turma se virar. Ser liberada a pesquisa em novas formas de ignação, de velas, sem velas, formas alternativas de cilindros, bielas, cabeçotes, valvulas, transmissao, gerenciamento eletronico do motor e coisas do tipo, pois isso sim iria reverter para os carros de rua.

        Abraçoss e bom dia a todos.

      • A questão talvez não seja maiores investimentos em células de sobrevivência. Que deveriam agüentar bólidos a mais de 400 km/h. Penso que a tecnologia de construção e de material das células de sobrevivência suportam isto e muito mais.
        O limite é o próprio corpo humano. Desacelerar nesta velocidade deve ser fatal. Quero dizer com isto que a absorção do impacto pela célula é o menor dos problemas.
        Outra coisa, a potência atual só não é maior porque o desenvolvimento de motores foi congelado. Do contrário, os atuais motores de 2,4 L V8 já estariam com giros caminhando para dos 20.000 para os 30.000 RPM e mais de 1.000 cavalos. Bem acima dos atuais 18.000. Que na verdade foram reduzidos. Pois já tinham batido os 20.000 RPM, quer dizer, a velocidade do som.

      • Claudio Cardoso disse:

        Grande Alexandre.

        Apesar disso tudo, ja vimos coisas nos projetos de hoje em dia que acabaram nao dando certo, como por exemplo as rodas saindo. E fora alguns outros.

        Concordo com as configuracoes de hoje em dia se fosse liberado, ja teria passado dos 1.000 cavalos, mas ai seria so jogar para baixo a cilindrada, e deixava o pessoal correr atras novamente. :-)

      • claudio,
        bem lembrado, a falha na amarração das rodas tem se repetido, apesar de ser um item de segurança fundamental. há pouco tempo, vimos outro morte ocasiando por golpes de rodas saltitantes. e na fórmula um mecânico da williams foi ferido num incidente nos boxes por uma roda de rosberg, salvo engano.
        estes engenhos trabalham no limite, sempre. o necessário e o desnecessário sempre estão na balança. e quem arrisca mais tende a ganhar mais, mesmo com menos segurança.
        gosto da idéia de apenas parametrizar a categoria e deixar a inovação correr solta. algo que você parece sugerir.
        mas isto retoma um tópico que alguns comentadores já trataram alhures, que era a questão da fórmula optar pela diferenciação (laboratório) ou pela padronização (nascarização).
        a meu ver, o atual regulamento técnico está a meio caminho das duas opções e nisto reside as mazelas do esporte e muito da nossa insatisfação.

      • Claudio Cardoso disse:

        Eu novamente Alexandre.

        O grande problema é que hoje o motorizacao é quase padrao. Veja so a Renault foi la alegou que seu propulsor tinha cavalos a menos, pronto pode mexer e ficar junto da turma. A turma nao pode mexer. logo é quase uma padronizacao disfarçada de motores tambem.

        Hoje provavelmente so diferem mesmo na dirigibilidade do motor, como o torque é distruibuido nas faixas de giros, e miseros cavalos de diferença.

        Nao acho legal isso, pois realmente agora sim nao é interessante para as industrias gastar dinheiro para fazer um motor que nao agrega valor comercial de inovacao para os carros de rua :-(

      • claudio,
        concordo. a fórmula um parecia ser mais interessante pra indústria automobilística antes da coibição do desenvolvimento.
        e a indústria aeronáutica nunca vai se interessar pela categoria… ;-)
        sinceramente, prefiro a definição só de parâmetros básicos: dimensões, volumes, pesos e quantidades!
        o resto podia correr solto. câmbios, pneus, motores, suspensões, carrocerias. cada um podendo vir de qualquer fabricante e usar sistemas diferentes.
        mas o pessoal acha que isto estraga o espetáculo. vai entender.

      • Alex-Ctba disse:

        Vamos torcer então Claudio, q se concretize a entrada dos turbos em 2013 e q tenhamos uma nova fase no desenvolvimento dos motores, já q a F1 se tornou excessivamente aerodinâmica nos últimos anos.

    • Fernando Kesnault disse:

      Em Le Mans na antiga reta de Hunnadieres que era (é ainda, porem atualmente com duas chincanes) de 5 kms temos a seguinte respostas do piloto Maurizio Sandro Sala, campeão em 1995 pela Jaguar:

      “Pergunta: Velocidade, qual carro foi o mais veloz que você guiou ?
      Maurizio: Foi em Le Mans em um Mazda 787B. Eu estava a 380 KM/H e um Mercedes(-Benz C291) me passou a 400 KM/H.

      Pergunta: Há 380KM/H, naquela reta de 5 KM ?
      Maurizio: É, ai passou a Mercedes que era do Schumacher e do Karl Wendlinger. Andavam a 400 KM/H. ”

      Até hoje a melhor média da prova é de 1971 com a dupla Helmuth Marko e Gils Van Lennep da Equipe Martini&Rossi, com uma Porsche 917K à média de 222,304 km/h.

      • Fernando Kesnault disse:

        Corrigindo: campeão com uma McLaren F1 GTR da equipe Gulf Racing/GTC juntamente com o ingles Ray Bellm em 1995,, no antigo campeonato “BRP Global GT Series” que estava na época a substituir o tradicional Campeonato Mundial de Marcas(1953-92) extinto pela FIA com forte pressão do Bernie já que contava com várias equipes oficiais de fábrica (Porsche, Mercedes-Benz, Peugeot, Toyota, Nissan e Mazda).

  3. Mauro Vencato disse:

    Penso que a redução de cilindrada (estão falando em 1.6l) mas com turbo será bem vinda. Haverá um novo desenvolvimento para este tipo de motor. O que não pode ocorrer é limitação de cavalos (em torno de 650). Isso é ridículo, daqui a pouco as GP2 estarão mais rápidos que um F1. A velocidade de um F1 tem que girar em torno de 370 km/h. isto sim é velocidade de F1.

  4. Allan Wiese disse:

    Cara, que belo texto Alex!
    Perdi uma boa discussão por aqui, que pena.

    • Alex-Ctba disse:

      Valeu Allan, inclusive adiantamos esse assunto antes das informações da transmissão da Globo. O Reginaldo deu esses nºs de velocidade e o Galvão tb falou da velocidade máxima, mas para variar ele falou errado e superficialmente. Ele quis aproveitar o gancho para fazer propaganda do Cacá Bueno q tentou bater o recorde de velocidade da stock no Bonneville Speedway e disse q o recorde de velocidade de um F1 é 404 Km/h. Falou errado pq é 400,459 Km/h, mas não valeu, conforme explicamos acima.

      Acho q eles leram aqui no ultrapassagem e leram muito rápido :D

      Aproveitando, vou registrar q eu errei nas minhas previsões.

      Não conseguiram bater o tempo da pole do Barrichello de 2004, mas isso eu já tinha adimitido em outro post, discutindo com o Pires. Realmente eu exagerei e quem acertou na mosca foi o Will q chutou 1:21 alto.

      E também não conseguiram fazer a corrida em 75 minutos. O total foi de 1:16:24.572. Não conseguiram superar média de 2009 que foi de 1:16:21.706, comprovando q mesmo os carros de 2010 sendo mais velozes, a estratégia de combustível q vigorava até o ano passado, permitiam aos carros manter um ritmo mais forte.

      O speed trap foi batido em relação ao ano passado:

      Alguersuari 348,7 Km/h na classificação
      Buemi 346,7 na corrida

      • Allan Wiese disse:

        Hehehe… Ultrapassagem mudando a transmissão de F1 no Brasil (ou tentando, mas os responsáveis pela transmissão são dureza, haha).

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