O longo caminho de volta.

Publicado: 16/09/2010 por Alex-Ctba em Artigos, Formula1
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Williams Grand Prix Engineering Limited, ou simplesmente Williams, é a equipe fundada em 1977 por Frank Williams e Patrick Head e que rapidamente chegou ao topo da categoria.  Sua estréia na F1 deu-se em 1978, no GP da Argentina com o piloto australiano Alan Jones. A equipe disputou o campeonato somente com Jones a bordo do FW06 Ford-Cosworth V8, e terminou em 9º lugar com 11 pontos, temporada que contou com dezenove equipes inscritas. No ano seguinte com o FW06 e FW07, contava com a dupla, Jones e Regazzoni e obteve o vice- campeonato de construtores. Já era o prenúncio de um título iminente, que veio no ano de 1980.

Com o nome de Albilad Williams Racing Team e com o argentino Carlos Reutmann como companheiro de Jones,  conquista o título de pilotos com o aussie e construtores com o FW07B,  equipado ainda com propulsores Ford-Cosworth V8,  parceria que acompanhou a equipe até meados da temporada de 1983, quando finalmente  renderam-se ao turbo da Honda para permanecerem no topo.

Em 1981, conquistaram o campeonato de construtores e protagonizaram um episódio que lembra muito os dias atuais e  outro  australiano em evidência só que de forma inversa. Jones tinha status de primeiro piloto e além de ser o atual campeão mundial, havia vencido a primeira corrida da temporada nos EUA. No GP  do Brasil, segunda prova da temporada, o argentino Reutemann liderava com Jones em segundo. Frank Williams deu ordens para o argentino deixar o australiano passar. Reutemann ignorou o jogo de equipe e venceu a corrida. Revoltado,  Jones se recusou  subir ao pódio, para receber a taça de segundo colocado. Tudo isso na SEGUNDA prova do calendário. Não é por acaso então, que Frank Williams apoia o jogo de equipe.


Ayrton Senna testanto um Williams.

A Williams dominou amplamente a temporada, vencendo o mundial com 34 pontos de vantagem sobre a segunda colocada Brabham, do brasileiro Nelson Piquet, que venceu seu primeiro campeonato, aproveitando-se dos desentendimentos da dupla de Grove. Piquet totalizou 50 pontos contra 49 do argentino Reutemann. Nessa época a vitória valia nove pontos e vigorava o sistema de descartes dos quatro piores resultados.

Em 1982, a equipe se chamava TAG Williams Racing Team e disputou o campeonato com os FW07C, FW07D e o FW08. Foi uma temporada conturbada e triste e a Williams conseguiu fazer Keke Rosberg conquistar o título com apenas uma vitória na temporada. O FW08 era um excelente carro, porém o motor Ford Cosworth V8 não tinha mais fôlego para enfrentar os poderosos motores turbos. Ferrari, McLaren e Renault, valiam-se da força dos seus propulsores e só não fizeram o campeão de pilotos, porque os turbos quebravam muito na época e Rosberg fez da consistência uma arma poderosa, vencendo pilotos talentosos como Prost da Renault, Lauda da McLaren, além de contar com a sorte, já que o favorito ao título, o francês Didier Pironi da Ferrari,  se acidentou gravemente a cinco etapas do término da temporada.

Nelson Piquet

Após assistir ao domínio de Ferrari e McLaren no mundial de construtores e de Piquet, Lauda e Prost nos anos de 83, 84 e 85 a Williams voltou a dominar a F1 em 1986, agora com o nome de Canon Williams Honda. A parceria com a Canon estendeu-se  até 1993 e eternizou a imagem da equipe nos famosos carros azuis e amarelos.  O acordo comercial com a Canon durou até 1993, mas os motores Honda permaneceram somente até 1987, quando migraram para a McLaren no ano seguinte. Após um ano vacilante com os motores Judd em 1988, a equipe realizou seu casamento mais famoso em 1989, com os propulsores franceses da Renault. Em 1994 a equipe,  agora azul e branca, se chamava Rothmans Williams Renault e essa parceria comercial durou até 1997, ano que marcou o fim da época de ouro da Williams.

Esses  anos dourados da equipe de Frank Williams,  todos sabem em detalhes, e são episódios como o incrível título de pilotos perdido em 1986 para Prost que se aproveitou da guerra entre Piquet e Mansell. Do magistral título de Piquet em 1987. Do sensacional FW14B que fez o “leão” dominar a temporada de 1992. Do FW15B que deu o tetra-campeonato ao “professor”. Do FW16 que fez uma nação inteira chorar a perda de um herói e redirecionou os rumos da F1 no quesito segurança. E das FW18 e FW19 que fizeram dois campeões até hoje muito contestados, Hill e Villeneuve.

Villeneuve 1997

A Williams fez o suficiente para se manter no nível intermediário nos anos de 1998 e 1999 e ao anunciar a parceria com a BMW em 2000, à expectativa era que o caminho das vitórias e títulos voltaria. O casamento com a fábrica alemã durou até 2005 e nesses seis anos, a Williams conquistou apenas dois vice-campeonatos e 10 vitórias, sendo 6 com Ralf Schumacher e 4 com Juan Pablo Montoya. Uma desses vitórias do colombiano, a do GP do Brasil de 2004, foi a última na categoria, o que a faz viver um jejum de seis anos.

Em 2006 após o divórcio com a BMW a Williams pediu socorro novamente para a Cosworth, e esta é uma temporada para se esquecer. A equipe marcou apenas 11 pontos e terminou em 8º lugar entre 11 equipes que disputaram a temporada.

Em 2007, a Williams contratou os motores  Toyota e comercialmente, passou a se chamar AT&T Williams Toyota.  Durante os três anos de utilização dos propulsores japoneses, a equipe não conseguiu o objetivo de voltar a ser grande e ainda teve que aceitar no pacote da Toyota, o fraco piloto da terra do Sol nascente, Kazuki Nakajima, filho do folclórico Satoru Nakajima.

De positivo, a equipe desenvolveu o talento dos dois Nicos.  Rosberg, que este ano confirma o excelente piloto que é, colocando o grande Michael Schumacher no bolso e Hulkenberg, candidato a estreante do ano, e que era piloto de testes da equipe desde 2008.

O FW32, carro com que a Williams disputa o mundial na temporada 2010, é um projeto muito bom, assim como era o FW31 de 2009. Acredito que o carro é até melhor do que seu antecessor, porém ao adaptá-lo novamente aos motores Cosworth, que retornaram ao circuito esse ano, a equipe claramente saiu em desvantagem em relação aos seus adversários.


Fábrica da Williams em Grove.

Iniciaram o campeonato apenas como a sétima força, atrás de Force India, Renault, Mercedes, McLaren, Ferrari e Red Bull, porém, desde o GP da Europa, quando estreou seu EBD e o F-Duct,  mostraram uma clara evolução e o Q3 passou a ser freqüentado por seus dois pilotos constantemente.

A dinâmica do campeonato posiciona as equipes atualmente com um top 3, no qual pertencem:  Red Bull, McLaren e Ferrari, com a Renault depois de estrear seu F-Duct querendo transformar o G3 em G4.  Mercedes e Force India disputam com a Williams a posição de quinta força e, enquanto as  duas primeiras contam com os potentes motores Mercedes,  o time de Grove, trabalha duro nas atualizações do FW32.

A equipe ainda está em sétimo lugar no mundial de construtores, onze pontos atrás da Force India e poderá chegar ao máximo na sexta posição nesta temporada. Mercedes e Renault conquistaram pontos consistentes enquanto a Williams lutava no desenvolvimento do carro.  Mas o importante é que,  atualmente a equipe trava uma boa disputa para ver quem é a quinta, ou até mesmo a quarta força, independente da posição na tabela e esse fato encoraja Adam Parr, o novo diretor executivo, a buscar parceiros comerciais, para fazer o time do velho Frank – agora um expectador de luxo – retomar o seu lugar entre as grandes equipes da F1.

Já são 103 GPs desde a última vitória,  muita coisa para uma equipe do tamanho da Williams e, para voltar ao lugar mais alto do pódio, o time de Grove conta com a experiência e o feedback que o veterano, porém ainda muito veloz, Rubens Barrichello passa aos engenheiros. Seu trabalho vem sendo destacado por todos dentro da equipe, que creditam ao brasileiro grande parte da responsabilidade pela boa evolução desde o início da fase européia até o presente momento.

Os mais céticos gostam de dizer que,  quem desenvolve carro é engenheiro e não piloto, mas uma coisa que conta muito, é o entusiasmo e a motivação em buscar os melhores resultados quando se trabalha em equipe,  e nesse ponto, podemos dizer que Barrichello esbanja tais características, contagiando a todos dentro do time.

Parr tem a difícil missão de fazer com que a Williams não siga o exemplo da Lotus, que de time campeão, agonizou em resultados pífios até retirar-se do circo,  retornando esse ano como um empreendimento malaio. O caminho é longo, mas a fé da imensa legião de fãs, nessa carismática equipe, faz com que os profissionais envolvidos, trabalhem de forma redobrada.

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comentários
  1. Fernando Kesnault disse:

    Grande texto histórico Alex mon ami.
    E pensar que no inicio da década do Tio Frank andava com modelos um ano mais velho dos Marchs para Pescarolo e Pace e depois em 1973 foi de Iso-Rivolta com vários pilotos: Ganley, Gally, Pretorius, Merzário, etc. Em 74 continuo com esta, em 75 foi de carro proprio com Merzário e pilotos pagantes. Em 76 todo de negro foi de Ickx, Leclere, Amon, etc. Em 77 começou com o Walter Wolf que largou logo no inicio da temporada e fundou reabriu sua Williams numa March patrocinada pela cervejaria belga Belle Vue com Patrick Neve a pilotar. Ufa, como este sujeito lutou para chegar no topo e agora…dependendo do Barrrichello…mon Dieu…

    • Alex-Ctba disse:

      Grande adendo Kesnault, como sempre! Com a competitividade desse ano, a Williams me surpreende nesse momento lutando pra ser a quarta equipe, contra Renault, Mercedes e Force India. Espero que continuem no caminho certo.

  2. Will disse:

    E o famoso ‘S’ continua no bico…

  3. Fernando M. disse:

    Curioso na história da Willians é que na fase menos mecânica e mais aerodinâmica foi justamente o período em que amargou resultados mais inexpressívos na categoria. E quando a FIA mandou “tosar” os carros para deixá-los mais limpos a Willians voltou a produzir bom bólidos, ainda que com motores fracos.

    Ainda que haja evolução na questão aerodinâmica, a Willians sempre acaba largando atrás das principais concorrentes. Espero que com as mudanças do ano que vem a Willians venha ainda mais forte….

    • Alex-Ctba disse:

      Exatamente Fernando, e depois de amargar com a pouca potência dos Toyotas, agora tem todo esse trabalho de desenvolvimento com a Cosworth novamente. Mas o GP de Monza, mostrou q os propulsores Ingleses não são tão fracos assim e a Williams de fato, vem conseguindo construir bons carros.

  4. fernando-ric disse:

    Esse negócio que “Barrichello contagia todos dentro do time”, pra mim, é papo de Galvão Bueno.

    • Alex-Ctba disse:

      Não sou eu nem que fala isso. O pessoal que trabalha com o Barrica é que declara. Estão todos felizes com o veterano com entusiasmo de menino.

      O Galvão…o GB tb fala realmente rsrs

  5. Sari disse:

    Bem bacana o texto.

    Engraçado, eu nunca torci pra Williams, mas sempre jogava com um carro da equipe no videogame ou pc, sei lá por qual motivo. Ano passado comecei a simpatizar bastante pelo time. Hoje não jogo mais game, em compensação, torço pra Williams. Que coisa, né?

    Eu aposto que o Hulk vai ser grande. E não vai demorar muito.

    • Alex-Ctba disse:

      Tb acho Sari, q o Hulk tem um grande potencial, e quando chegaram as pistas européias q ele conhece da GP2, começou a andar próximo do Barrichello e até colocou tempo no veterano em algumas oportunidades. Não tem pq mudar a dupla de pilotos para o ano q vem. Tirando o Koba, q não podemos considerar rookie, acho q o Hulkenberg é o melhor dos novatos de 2010.

  6. Will disse:

    O Petrov tem 3 pontos a mais que o Hulk, mas na comparação com o teamate realmente o Nico está mais equilibrado no ano. Ele deve levar o rookie do ano certamente.

  7. Mari Espada disse:

    Querido Alex, desculpe-me o atraso… sabe como é a falta de tempo, né?

    Lindo esse seu texto!!!

    Muito emocionante acompanhar a história dessa equipe nascida da paixão de um homem pelo automobilismo. Você sabe que eu valorizo esse lado romântico da F1, apesar de ser meio lenda nos dias atuais, né?

    Sabe… sempre que eu vejo o Sr. Williams presente no paddock, é inevitável não pensar em como seria se o Sr. McLaren ainda estivesse vivo…

    Só é uma pena que, apesar da equipe ter recebido diferentes influências de cada novo parceiro ao longo dos anos, e ter mudado seu nome diversas vezes, tem uma coisa que nunca muda… a opinião do Frank referente ao jogo de equipe.
    Que velhote cabeça dura! =P

    Mas aposto que com o Bruce seria diferente! =)

    • Alex-Ctba disse:

      Obrigado Mari, mas agora com Adam Parr, aquele q aparece feliz em destaque no race edit da Hungria qdo o Barrica ultrapassa o Schumi, o velho Frank manda cada vez menos na equipe.

      Mas a Williams é uma equipe q eu torço para voltar aos dias de glória e disputar vitórias e títulos mundiais. A Red Bull está tomando o lugar deles, já q Ferrari, McLaren e Renault vem se mantendo no topo.

      De qualquer forma, qto mais equipes fortes, melhor para o espetáculo.

  8. Vitor, o de Recife disse:

    Frank Williams, o último garagista… espero que ele não confunda teimosia com persistência e sua equipe volte ao topo.

    Lindo texto, Alex.

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