Em busca da curva perfeita.

Publicado: 17/09/2010 por Mari Espada em Artigos
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Uma corrida começa de verdade na sua primeira curva.

A largada é um momento emocionante, sem dúvida, mas é a curva que traz o drama para a cena, quando muitos carros disputam o momento de freada e o traçado ideal, ao mesmo tempo que tentam ultrapassar sem serem ultrapassados.

As curvas fazem história e são batizadas. Eau Rouge, Becketts, Blanchimont, Estoril, Laranjinha, Tamburello, Spoon. Afinal qualquer um anda rápido nas retas, são as curvas que fazem a diferença!

E para entender o processo de execução de uma curva perfeita, vou destrinchar os detalhes que tornam os pilotos verdadeiros super-heróis ao conseguir realizar tudo com grande precisão, mesmo em momentos de tensão absoluta.

Para iniciar vamos esclarecer que cada curva é realizada em três partes: a entrada, o ápice e a saída. E que o objetivo ao realizar-se uma curva é ter a maior velocidade possível na saída da curva, ou da última curva de uma série. Portanto a saída da última curva antes da reta é o momento mais importante, pois irá determinar a velocidade durante e no final da reta.

O traçado ideal de uma curva, em geral, é o caminho que permite o maior raio, ou seja, o caminho mais reto possível, pois assim o carro poderá manter uma velocidade maior enquanto vence a mudança de direção. Com isso não se deixe enganar, o caminho mais curto raramente é o mais rápido.

Para entender claramente esse conceito basta avaliar a curva à 90° da ilustração abaixo, onde a linha pontilhada segue o caminho normal de uma estrada, e a linha sólida indica um caminho que maximiza o raio da curva, tornando-a mais reta. Como pode-se observar, a entrada e saída da curva ocorrem do lado externo da pista, já o ápice ocorre do lado interno da pista.

Esse traçado é vantajoso pois possibilita atrasar o momento da freada e adiantar o momento da aceleração. Sendo que se o piloto entra tarde (ou cedo) na curva, ele precisa ter a sensibilidade de corrigir o ápice para poder sair sem prejudicar a aceleração no início da reta.

Para garantir a entrada correta na curva, é necessário realizar a frenagem quando o carro ainda está em linha reta, e somente após atingir a velocidade ideal iniciar a mudança de direção no ponto de entrada da curva. Faz-se isso, pois em caso de frear e virar simultaneamente, o grip (atrito dos pneus com a pista) diminui por ficar dividido entre as duas forças.

Da mesma forma que a frenagem, a aceleração na saída da curva não combina bem com mudança de direção. Então se acelera apenas quando o carro está direcionado para a reta, mantendo a eficiência do grip.

Contudo a forma mais usual de traçado nas curvas, observada nas corridas de Fórmula 1, é ainda mais ousada. Para isso utiliza-se de um ápice tardio, aumentando as chances de ultrapassagem por possibilitar mais velocidade na saída da curva, apesar de necessitar de uma freada mais brusca em sua entrada.

Pode-se notar este conceito na ilustração ao lado, onde a linha pontilhada segue o caminho anteriormente explicado, e a linha sólida colorida mostra o caminho conhecido como late apex (ápice tardio).

Com uma entrada tardia na curva (freada atrasada), surge a possibilidade de avançar o ápice, permitindo que o carro trace um caminho mais reto, aumentando a velocidade de saída e, consequentemente, a velocidade máxima atingida no final da reta.

Porém existe mais uma preocupação no momento de executar esses movimentos, a distribuição do peso e sua influência direta no equilíbrio do carro.

Um peso perfeitamente equilibrado só ocorre com o carro totalmente parado, quando 50% do peso do carro apoiam-se sobre as rodas dianteiras e 50% sobre as rodas traseiras.

No momento da aceleração, o peso do carro transfere-se para trás, pelo princípio da inércia, garantindo uma aceleração mais rápida e eficiente no caso dos carros de Fórmula 1, que possuem tração traseira. Porém essa dinâmica pode ocasionar um oversteer (escape da traseira na curva), devido à suspensão do nariz do carro.

O efeito oposto pode ser observado durante as frenagens bruscas, quando a tendência é levantar a traseira do carro, com a transferência do peso para frente. Neste caso pode ocorrer um understeer (escape da frente na curva), caso a velocidade de entrada esteja incompatível com a curva.

Sendo assim, a regra geral para a conquista da curva perfeita é simples: Entre devagar e saia rápido!

Você acha que conseguiria manter-se no controle?

Fonte: Turn Fast e Forza Guide

comentários
  1. Andy disse:

    Quando eu vou ultrapassar nos simuladores (Forza, Gran Turismo etc.) antes de uma curva, eu meto o pé no acelerador e deixo pra freiar no finalzinho da curva, o que me faz sair várias vezes da pista. Acho que o Hamilton também prefere entrar rápido na curva e sair lento, com tentativas bem-sucedidas (em cima do Kimi em Monza/07) e fracassadas (contra o próprio Raikkonen em Japão/08).
    Pena que ainda não tenho o Xbox 360 e o PS3. O Forza eu ainda jogo no Xbox caixa preta ainda. É um excelente simulador.

    • Daniel Scarpim disse:

      Entrar rápido e sair lento funciona bem em ultrapassagens porque você acaba obrigando o outro carro a sair do traçado ideal. Você acaba perdendo um pouco de tempo na curva, mas se correr tudo bem, o adversário perde ainda mais e você consegue passar.

      • Mari Espada disse:

        Olha só que tá aqui!
        É só falar de videogame que ele aparece… =)

  2. Eduardo De Campos disse:

    Isso me fez lembrar a Adriana, casada com meu cunhado Junio.
    Pasmem, ela acelera antes e no meio da curva e com isso acelera também os corações de todos que estão em seu Uno Mille…

  3. Eduardo De Campos disse:

    Eu diria pelo amor de Deus!, Mari…

  4. Ron Groo disse:

    Uma vez perguntaram a Gilles Vileneuve sobre a curva perfeita e ele respondeu: “-É aquela em que saímos rápidos e vivos…”
    Vai dizer que ele não tinha razão?

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