O último confronto.

Publicado: 01/10/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos
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Dario Franchitti e Will Power: carreiras bastante distintas.

Será na noite deste sábado a decisão da segunda categoria mais importante de monopostos do mundo: a Fórmula Indy. O palco da definição do título, disputado entre o líder do campeonato Will Power (Penske) e o duas vezes campeão Dario Franchitti (Ganassi) é o circuito oval de Homestead, Miami, que participará pela última vez do calendário da categoria.

O palco da decisão: Homestead sedia pela última vez uma corrida da Indy.

Horários

As primeiras movimentações para a decisão já ocorrerão nesta sexta-feira. Os treinos livres começarão a partir das 14h30, no horário de Brasília, e a classificação para o grid de largada será às 17h45, com duração de uma hora e quinze minutos. As atividades se encerram com um último treino livre, às 20h45.

Já no sábado, às 20h, começa a corrida, disputada em 200 voltas. O Grande Prêmio de Homestead é a terceira corrida noturna da temporada; as outras duas foram os ovais do Texas e Chicago.

Os contendores

Apenas 12 pontos separam o líder do campeonato, o australiano Will Power, de Dario Franchitti. Dois talentosos pilotos que vivem situações bem distintas. Power disputa pela primeira vez um título da categoria, justo na sua primeira temporada completa; já Franchitti possui um belo currículo na Indy, com dois títulos e duas vitórias nas tradicionais 500 milhas de Indianápolis.  Vamos observar com mais detalhes a trajetórias dos dois pilotos.

Will Power: uma improvável escalada rumo à glória

Estreia na Champcar, em 2005, pela Team Australia.

William Steven Power não possui uma carreira de encher os olhos nas divisões de base. Correndo de 1999 a 2002 em seu país, conquistou os seus únicos títulos: o Queensland Formula Ford (2000) e o Australian Drivers’ Champ (2002). Em 2003, partiu para Europa para disputar duas temporadas da tradicional Formula 3 britânica (onde também correu, no mesmo período, Nelsinho Piquet). No primeiro ano, apenas um pódio e a 14ª colocação no campeonato; em 2004, consegue 5 pódios e a nona colocação. Os pobres resultados aliados à falta de recursos financeiros quase determinaram o fim da carreira do australiano, que só pode seguir em frente com o apoio de um ilustre compatriota: Mark Webber.

Com o auxílio do piloto da F1, Power buscou novos ares em 2005 , disputando a World Series by Renault, onde correu com nomes como Robert Kubica (campeão daquele ano), Markus Winkelhok (hoje correndo pela Audi no DTM; breve passagem pela Spyker na F1) e Pastor Maldonado (atual campeão da GP2). Nesta categoria, o australiano reencontrou o lugar mais alto do pódio, terminando a temporada com duas poles e duas vitórias, o que lhe garantiram a sétima colocação do campeonato com um detalhe: não participou da última etapa em Monza para iniciar sua carreira nos EUA.

O fato é que os modestos resultados na Europa afastaram qualquer possibilidade de chegar perto da F1; restou ao australiano tentar a sorte nos EUA. No final de 2005 surgiu o convite para disputar a prova de Surfer’s Paradise da Champcar (ex-Cart) pela Team Australia (ex-Walker). Will Power se classificou em 11º e não completou a prova, vencida pelo campeão Sebastian Bourdais. Disputou ainda a corrida seguinte, a última etapa do calendário, no circuito Hermanos Rodriguez, no México, terminando em 10º.

Em Edmonton, 2009: corridas esporádicas na Penske impressionam.

Disputou mais duas temporadas completas na Champcar, sempre pela Team Australia, sendo o rookie de 2006 e tendo em 2007 seu melhor ano com cinco poles e duas vitórias que lhe garantiram a quarta colocação do campeonato. Em 2008 ocorreu a unificação entre a Champcar e a IRL: duas provas foram disputadas simultaneamente, marcando a despedida da ex-Cart em Long Beach, enquanto a IRL correu em Motegi, Japão. Will Power venceu a corrida derradeira da Champcar e terminou o ano em12º no campeonato da reunificada Indycar.

Em 2009, Power assinou com a tradicional equipe Penske para substituir Hélio Castro Neves, envolvido em um imbróglio com o fisco norte-americano. Disputou apenas uma corrida como substituto do brasileiro, conquistando uma boa sexta colocação em São Petersburgo; o bom resultado garantiu um terceiro carro para disputar a corrida de Long Beach, já que Hélio, absolvido pela justica norte-americana, voltava à competição. Power não decepcionou: conseguiu uma impressionante segunda colocação. Contudo, não cumpriu toda a temporada pela falta de patrocínios para bancar um terceiro carro, mas mesmo assim Roger Penske conseguiu disponibilizar um terceiro monoposto por mais cinco vezes. Nestas oportunidades, Power conseguiu o melhor e o mais triste fato em sua carreira na Indy: uma vitória em Edmonton e um terrível acidente em Sonoma.

2010: primeira temporada completa e cinco vitórias.

Recuperado dos traumas sofridos, Power retorna à equipe Penske em um terceiro carro da equipe, só que com um detalhe: disputaria toda a temporada de 2010. E mais uma vez, não decepcionou: venceu logo na primeira etapa, na corrida de rua disputada nas ruas de São Paulo. Seria a primeira de cinco vitórias, todas conquistadas em circuitos mistos, incluindo o GP de Sonoma, onde sofreu o mais grave acidente de sua carreira. As conquistas lhe garantiram o título Mario Andretti, uma premiação dada pela Indycar para o vencedor do maior número de corridas em circuitos mistos.

Apesar do desempenho discreto em ovais, Power já realizou boas corridas como o pódio conquistado em Motegi e a boa participação em Chicago, onde terminou fora da disputa pela vitória por um erro de estratégia da Penske. Para garantir o mais importante título de sua carreira, o australiano deve repetir a boa atuação do oval japonês em um território muito mais familiar ao adversário, mas a determinação e o talento demonstrado em Chicago, onde só não disputou a vitória até o fim por causa da estratégia equivocada da Penske colocam Power como um fortíssimo candidato a confirmar a liderança da tabela de classificação.

Dario Franchitti: mostrando quem manda…

Franchitti no ITC, atual DTM.

O escocês George Dario Marino Franchitti teve uma carreira clássica dos pilotos europeus nas categorias de base. Três anos de Fórmula Vauxhall, um ano de F3 britânica, duas temporadas na International Touring Car Series (como se chamaria o DTM por dois anos), onde correria em 1995 e 1996, mas sob a sombra de Bernd Schneider.  Curiosamente, seu primo Paul di Resta disputa a mesma categoria atualmente, tembém pela Mercedes.

A carreira de Franchitti ganharia mais destaque quando o escocês decidiu migrar para os EUA no ano seguinte, disputando a Cart. Em sua segunda temporada, correndo pela Team Green, conseguiu três vitórias e cinco poles; no ano seguinte, disputou o título com o colombiano Juan Pablo Montoya (Ganassi), ficando com o vice campeonato. Venceria mais duas corridas na Cart entre 2001 e 2002 até se mudar com sua equipe para a IRL.

Em 2003, a Green acertaria uma parceria com o piloto Michael Andretti, formando a Andretti-Green Racing, uma equipe de muito sucesso: abocanharia dois títulos consecutivos: 2004 (Tony Kanaan) e 2005 (Dan Wheldon). No entanto, para Franchitti o início de carreira foi complicado: devido a um acidente de moto, perdeu quase toda a temporada de 2003.

Pit stop em Indiaápolis, 2007: este seria o ano do escocês.

Depois de quatro anos na sombra de seus companheiros, Franchitti brilharia, com sobras, em 2007. Quatro vitórias, incluindo  um triunfo nas 500 milhas de Indianápolis, garantiram, enfim, o primeiro título nos EUA. No ano seguinte, ousou iniciar uma carreira na NASCAR, sem sucesso.

Em 2009, Franchitti retornou à Indy pela Ganassi, substituindo Dan Wheldon, sendo o companheiro do rival de 2007, Scott Dixon. Um retorno em grande estilo: cinco vitórias e o segundo título da categoria.

Nesta temporada, o escocês contabilizou três triunfos: a primeira, nada menos do que a sua segunda vitória em Indianápolis; a segunda em Mid-Ohio, juntando-se a Hélio Castro Neves, Ryan Hunter-Reay e Scott Dixon como os únicos pilotos superarem Will Power nos mistos. A última vitória foi em Chicago, onde contando com o infortúnio de Power, encostou na liderança.

Contando com o bom retrospecto da Ganassi em ovais, contrastante com o desempenho do rival, Franchitti aposta em sua experiência como fator diferenciador na disputa. Por outro lado, Will Power, apesar de não ter triunfado fora dos mistos, vem de um bom resultado: obteve um pódio em Motegi.

Franchitti triunfando em Indianápolis pela segunda vez: 2010 será o ano dele novamente?

E aí? Em quem vocês apostam?

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comentários
  1. Vitor, o de Recife disse:

    Fim do primeiro treino. Power na frente.

    Pos Driver Team Time Gap
    1. Will Power Penske 25.0824s
    2. Scott Dixon Ganassi 25.0966s + 0.0142s
    3. Ryan Briscoe Penske 25.1060s + 0.0236s
    4. Dario Franchitti Ganassi 25.1237s + 0.0413s
    5. Helio Castroneves Penske 25.2491s + 0.1667s
    6. Dan Wheldon Panther 25.2632s + 0.1808s
    7. Marco Andretti Andretti 25.2675s + 0.1851s
    8. Alex Tagliani FAZZT 25.2989s + 0.2165s
    9. Vitor Meira Foyt 25.3105s + 0.2281s
    10. Tony Kanaan Andretti 25.3367s + 0.2543s
    11. Hideki Mutoh Newman/Haas 25.3681s + 0.2857s
    12. Ed Carpenter Panther/Vision 25.3764s + 0.2940s
    13. Graham Rahal Newman/Haas 25.3779s + 0.2955s
    14. Justin Wilson Dreyer & Reinbold 25.3829s + 0.3005s
    15. Takuma Sato KV 25.3904s + 0.3080s
    16. Danica Patrick Andretti 25.3928s + 0.3104s
    17. Ana Beatriz Dreyer & Reinbold 25.4316s + 0.3492s
    18. Sarah Fisher Sarah Fisher 25.4753s + 0.3929s
    19. Ryan Hunter-Reay Andretti 25.4794s + 0.3970s
    20. EJ Viso KV 25.4879s + 0.4055s
    21. Simona de Silvestro HVM 25.5292s + 0.4468s
    22. Raphael Matos De Ferran Dragon 25.5371s + 0.4547s
    23. Bertrand Baguette Conquest 25.5376s + 0.4552s
    24. Alex Lloyd Dale Coyne 25.5589s + 0.4765s
    25. Sebastian Saavedra Conquest 25.5771s + 0.4947s
    26. Mario Moraes KV 25.6567s + 0.5743s
    27. Milka Duno Dale Coyne 25.6595s + 0.5771s

  2. Sirlan Pedrosa disse:

    Vitor,

    Você deu uma panorâmica bem interessante e deixou a par da disputa mesmo aqueles que não assistem a categoria.

    Eu particularmente gosto muito, inclusive das corridas em ovais. Basta não querer comparar com a F1 e entender que é uma categoria diferente com proposta diferente.

    Como palpite acho que dificilmente Will Power perde esse título.

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

    • Vitor, o de Recife disse:

      Valeu Sirlan. Também curto muito a Indy e estou ansioso para ver a temporada de 2012, com os novos chassis Dallara.

      Abraço.

  3. Gostava da Indy quando tinham 2 chassis pelo menos, Lola e Reynard e os carros pareciam bolidos de corrida. Hoje não parecem nada, a tecnologia é inexistente.

    A única coisa que gosto de lá são as regras, simples e claras, sem o monte de babaquices da F1.

    Sobre a disputa desse fim de semana, torço pra Penske ganhar, é o único time com estrutura de F1 naquele oasis de amadorismo.

    • Vitor, o de Recife disse:

      Ledo engano Claudemir. A Ganassi é tão ou mais estruturada quanto a Penske. Agora se formos falar de tradição, aí sim, ninguém supera a Penske.

  4. Alex-Ctba disse:

    É Vítor, acho q a australia leva os wdc da F1 e da Indy esse ano. Belo Post como sempre.

    Confesso q não gosto de Indy. Tento as vezes assistir, mas me entedio no meio da corrida. Não tem jeito. Na época q o Mansell foi pra Indy eu acompanhava mais, curioso para ver o desempenho de uim campeão de F1, nos ovais americanos.

    De qualquer forma, muito importante esse tipo de post, já q temos leitores no blog q gostam de outras categorias q não seja a F1.

    Abs

  5. wilson disse:

    o power realmente tem tido um bom ano. Mas o franchiti é mais consistente nos ovais.
    só perde se tiver problemas. A ganassi ultimamente, nos ultimos anos tem tido melhor acerto e tática nos ovais tais como esse de miami.
    Em condições normais Leva o título franchiti.
    Costumo assistir as corridas da categoria.
    Tal como na formula um está para mudar bastante coisa por lá nos proximos dois anos.

    Categoria com conceitos, regras e atuação bem diferente da formula um.
    Geralmente só se sabe o vitorioso no fim da corrida, nas ultlimas ou ultima volta.
    Soh os ovais é que tiram de por ex. nós torcedores brasileiros um pouco da graça do esporte em si.

  6. Mari Espada disse:

    Eu acho a Fórmula Indy uma zona. E tenho a impressão que os amantes dessa categoria não torcem pelos pilotos, mas sim pelas batidas! Hehehe.

    Não acompanho o campeonato, mas assisto as corridas sempre que dá, assim como faço com a MotoGP, só para passar o tempo vendo alguma coisa legal, sabe?

    E foi por isso amei esse seu post, Vitor. Assim consegui me atualizar das informações da categoria. Excelente!

  7. wilson disse:

    a formula indy pra mim é mais coesa e precisa do que a formula um por ex.
    La não dá rolo quando entra safety car. Fecha os boxes, abrem os boxes pessoal troca pneus, poe combustivel e manda ver de novo.
    Na formula um ainda tão aprendendo a organizar entrada safety car e fechamento abertura boxes. Vide esse ano que ainda tão fazendo caca quando precisam acionar o safety car.

    Na indy equipes pequenas tem chance se não do título mas de no minimo disputarem vitorias em corridas, que eh o que o pessoal aqui dos blogs na formula um vive pedindo.
    Eles tem menos tecnologia? sim, com certeza. A coisa fica mais parelha e a gente vê quem realmente é bom piloto.
    Questão de preferencia pessoal aliado a entender o regulamento, os principios, a cultura do povo do lado de lá.

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