Memória afetiva por Suzuka.

Publicado: 07/10/2010 por Mari Espada em Formula1, História da F1
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Suzuka foi palco de grandes cenas do automobilismo!

Foi por essas curvas que Alain Prost jogou o carro contra Ayrton Senna em 1989, e também onde este deu o troco em 1990, ambos para garantir seu título mundial.

Sem contar que foi no orgânico traçado de Suzuka que Senna viu se concretizar suas maiores conquistas na Fórmula 1, os três títulos do campeonato mundial de pilotos em 1988, 90 e 91.

Confesso que esse romance de Ayrton com Suzuka a torna uma de minhas pistas preferidas.

Mas o mérito não vai apenas para o herói da minha infância, afinal eu tenho que dar créditos aos videogames, que me mostraram quão árdua Suzuka pode ser, deixando-me impressionada e admirada ao ver os pilotos dominarem seus carros por aquelas curvas.

Suzuka é praticamente impossível! Rápida! Desafiadora! Extraordinariamente técnica!

“É um circuito para verdadeiros pilotos em que é preciso fazer tudo bem, sem margem para erros. As barreiras de pneus estão muito perto da pista, sendo que qualquer erro poderá prejudicar as nossas possibilidades. É um lugar com muita história. É um lugar que se associa a Senna e Prost e à sua rivalidade incrível. Quando andei nessa pista pela primeira vez, sabendo que estava no mesmo local onde dois gigantes deste esporte lutaram, foi uma experiência emocionante”, disse Lewis Hamilton em uma entrevista à Autosport, mostrando-se ansioso para competir no próximo fim de semana.

Um pesadelo virtual para mim, um sonho real para os treinos incansáveis de Ayrton (como podemos ver abaixo, em sua agenda de setembro de 1988) e para a maioria dos pilotos que tem Suzuka como uma das suas pistas favoritas. Suzuka distingue os homens dos meninos!

Mas essa é apenas parte da história desse incrível circuito concebido em 1962 por John Hugenholtz como pista de testes da Honda Motor Company na cidade de Suzuka, a 48 km ao sul de Nagoya (a terceira maior cidade do Japão).

Em 1976 e 77 foram realizados os dois primeiros GPs do Japão de Fórmula 1, porém o palco não foi Suzuka e sim o autódromo de Fuji, a 64 km a oeste de Yokohama, de propriedade da Toyota Motor Corporation.

Após isso o país do sol nascente ficou 10 anos fora do calendário, retornando em 1987 e dessa vez sob o domínio da Honda, em Suzuka, autódromo que recebeu a Fórmula 1 com exclusividade por 20 anos e, neste período, ganhou reputação de ser um dos mais desafiadores do calendário.

Em 2007 e 2008 a rivalidade entre a Honda e a Toyota permaneceu, pois o Grande Prêmio voltou para o redesenhado circuito de Fuji, para em 2009 retornar para Suzuka, que havia sido reformada porém sem alterar o seu traçado original. Afinal tem-se que respeitar as obras de arte!

Com esse “vai e volta” chegaram a existir especulações de que ambos os autódromos sediariam GPs de Fórmula 1. Sendo que um deles assumiria o GP do Japão e o outro o GP do Pacífico, como já havia ocorrido em 1994 e 95, porém nesta época com Suzuka e Okayama, e também similar com o que ocorre atualmente na Espanha, que sedia o GP da Espanha em Barcelona e o GP da Europa em Valência.

Porém em 2009 a Toyota anunciou sua saída por completo da Fórmula 1, tanto com sua equipe quanto com seu autódromo, deixando o GP do Japão inteiramente para Suzuka.

Sorte dos fãs e dos pilotos que admiram este maravilhoso “circuito em 8”, pois assim poderão apreciá-lo todos os anos., sem falta.

Pois Suzuka coleciona admiradores por sua memória afetiva. E principalmente admiradores brasileiros, afinal além das histórias de Senna e Prost, este circuito também marcou o título de Nelson Piquet em 1987, após o abandono de Nigel Mansell nos treinos.

E foram muitas batidas históricas em Suzuka:

1987 – Mansell

1989 – Prost

1990 – Senna

Porém a popularidade do circuito também se fez através do sucesso da Honda como fornecedora de motores para a Williams e McLaren, assim como o sucesso de Satoru Nakajima, o primeiro grande piloto japonês de Fórmula 1.

Outro fato memorável foi a primeira vitória de Michael Schumacher pela Ferrari em 2000, após um lindo duelo com Mika Häkkinen. E também sua superação ao Juan Manuel Fangio, em sua conquista do sexto título mundial em 2003, nas pistas de Suzuka.

Para um circuito com tantas histórias em suas curvas e tanta emoção em nossas lembranças, só me resta perguntar: Será que a temporada de 2010 também fará parte de nossa memória afetiva por Suzuka daqui uns anos???

Vamos ver…

Fonte de pesquisa: Wikipedia

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comentários
  1. Vitor, o de Recife disse:

    Além de Fuji e Suzuka, o Japão ainda teve corridas em um terceiro circutio, por dois anos (mais precisamente 1994 e 1995), rebatizado com o nome de Grande Prêmio do Pacífico. Nunca entendi o interesse comercial que levou Bernie a promover o evento; a Honda oficialmente saíra da competição (a Lotus corria com o motor Mugen-Honda) e só retornaria anos mais tarde, assim como a Toyota, que estrearia já no século XXI.

    Foi em Aida, em 1994, que Rubinho conquistaria seu primeiro pódio. Na corrida seguinte, sofreria um grave acidente, naquele trágico GP de San Marino…

    • Mari Espada disse:

      Grande Vitor!
      Obrigada por lembrar de mais esse detalhe importante para a memória afetiva dos brasileiros por Suzuka.

  2. Allan Wiese disse:

    Uma das grandes pistas da temporada, ou melhor, da história da F1…!

    • Mari Espada disse:

      E que história, não Allan?
      Suzuka transmite uma sensação única, como se todas as lendas do automobilismo estivessem sempre presentes.
      É inspirador para fãs e pilotos!

  3. Tomás Motta disse:

    Belíssimo Mari! Parbéns pelo post!

  4. Não tem como não relacionar Suzuka e Senna, aquela corrida de 1988, quando ele largou mal e caiu para o fim do grid, as batidas com Prost, o GP de Suzuka lembra muito Ayrton Senna.

  5. É uma das melhores pistas, mas por incrível que parece quase não assisto, vou tentar essa de domingo.

    E Mariana Espada, você pode mudar de profissão, essa da agenda do Senna foi muito bem sacada, parabéns.

    • Mari Espada disse:

      Hehehe! Mudar de profissão? Obrigada pelo elogio, Boss! =D
      Eu já encaro o blog como meu segundo emprego mesmo, e levo a sério e me dedico a tudo que faço.
      E eu amo o que faço!!! Tanto na arquitetura quanto aqui, no automobilismo. Acho que isso tem feito a diferença, né?

      E que história é essa de não assistir a pista de Suzuka?
      Compra um despertador bem alto pra te acordar, Boss! E nada de preguiça! =)

      Beijos!

    • Mari Espada disse:

      E você viu que loucura a agenda dele?
      Ele vai e volta várias vezes da Europa (Itália e Portugal) para o Japão, apenas para treinar em Suzuka. Isso mostra como a técnica exigida nessa pista ajuda no desenvolvimento do piloto e do carro, não acha?
      Eu achei impressionante…

  6. celso gomes disse:

    Amigos do graaaande Ultrapassagem.

    Após “longo e tenebroso inverno” cá estou de volta a esse maravilhoso lar (pelo menos por algum tempo). Estou “envolvidíssimo” numa guinada de 180 graus na minha carreira (estamos – “minha” cargo airline – trabalhando num contrato de 1 ano com vôos para o Afganistão, Paquistão e Bagladesh), com direito a meio que morar no Reino Unido (a parte boa da coisa) nesse período e tá difícil de conciliar o lazer com a profissão, mas vamos lá….

    Maricota

    Vá ser boa articulista assim lá no meio do mato. Certeza absoluta que você é também uma Arquiteta “fuori serie”, a Miltinha da Arquitetura ;-)

    Suzuka do Nelson em 1987 (pela cagada do Leão), e do Ayrton em 1988, 1989 e 1990 é um marco inesquecível para todos os brasileiros apaixonados por F1 e principalmente pela beleza da pista em sí. Só malucos conseguem ficar acordados durante as madrugadas desse incrível GP nipônico. Mas as maluquices sempre são recompensadas, no final das contas.

    Esse ano, além da sensacional disputa pelo campeonato, quero ver o que os japas irão torcer pelo japinha (que queria ser comediante) e que, para a nossa sorte, resolveu ser piloto, vai aprontar com a sua limitada Sauber e com direito a arquibancada exclusiva!! Muita fé no futuro desse piloto que é o primeiro a honrar, verdadeiramente, a paixão incondicional dos nipônicos para com a F1. O mais interessante é que foi em Suzuka no ano passado, que os deuses do esporte a motor, proporcionaram uma chance de vermos o nascimento de um futuro campeão da F1, graças a um infortúnio do alemão Glock.

    Abraço fraterno e de coração a todos os queridos e saudosos “Ultrapassistas” juramentados e a você Maricota querida, um bjo.

    • Mari Espada disse:

      Celso, que saudade!!!

      Boa sorte nos novos rumos da sua carreira! Mas não nos abandone, hein.
      Passe por aqui sempre que puder…

      Miltinha da Arquitetura? Hehehe, adorei!!! E muito obrigada pelo carinho de sempre. =)

      Também estou ansiosa para ver o japinha voador com a sua arquibancada exclusiva! Ele merece ter um excelente desempenho nessa prova, e eu vou torcer por isso.

      E como assim só os malucos acordam de madrugada? Então isso aqui é um manicômio! Hehehe. =P
      Afinal, acordar de madrugada para ver corrida é light.
      Mas o que você me diz de acordar de madrugada para ver treino livre e ainda escrever sobre isso para o blog? E depois dessa maratona ainda ter que enfrentar um longo dia de trabalho na sexta. E repetir tudo denovo no treino classificatório. Loucura, não???
      É… eu estou superando os meus limites neste ano! Culpa dessa paixão pelo Ultrapassagem. =)

      Beijos!!!!

  7. Alex-Ctba disse:

    Concordo com todos acima. Mari, seus posts estão cada vez melhor. Vc está escrevendo muito bem. Espero desenvolver minha escrita da mesma forma q vc está fazendo.

    Em relação a Suzuka, td q vc escreveu é verdade. Foram muitos Gps emocionantes e q entraram para história a pra a nossa memória afetiva, porém…Ahhh porém, ano passado eu alimentei uma expectativa muito grande em relação a corrida e me decepcionei. Achei a corrida bem fraca e a pista apesar de desafiante para os pilotos, por ser extremamente seletiva, na questão “pegas” e entretenimento para mim pelo menos, deixou a desejar. Não sei qual memória vcs tem da corrida vencida pelo Vettel ano passado.

    A pista me pareceu ultrapassada ( pouca segurança e muito estreita ) e para os carros de 2009, só um ponto de ultrapassagem, na freiada da 16. Vamos ver como será com os carros de 2010. Pelo menos a pole, pode reservar surpresas, já que braço conta muito nessa pista.

    • Vitor, o de Recife disse:

      Tenho a mesma memória que você Alex. A última corrida emocionante que recordo de Suzuka foi aquela vitória espetacular do Raikkonen em 2005, ultrapassando a Renault de Fisichella no final da corrida para ganhar depois de largar no fundão.

      E finlandês dava show naquela McLaren…

    • Mari Espada disse:

      Muito obrigada, Alex!!! Todos aqui escrevem muito bem, e claro que, quanto mais escrevermos, melhores ficamos. A prática leva à perfeição! =)

      Realmente o GP de Suzuka do ano passado não foi dos melhores. Boa parte da prova foi liderada pelo Safety Car e de uma maneira previsível Vettel levou a pole e a vitória.
      Mas não posso dizer que foi chato. Afinal é Suzuka!!! E o Miltinho estava no podium!!!

      Para este ano eu tenho expectativas de uma excelente corrida… vamos ver!

  8. wilson disse:

    apos esse primeiro treino tambem tenho mais expectativa de otima corrida.

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