Preview do Grande Prêmio do Japão.

Publicado: 07/10/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Imagem aérea de Suzuka: território da Red Bull?

A F1 segue na reta final do campeonato a partir desta quinta-feira, com os treinos livres para 16ª etapa do calendário, o Grande Prêmio do Japão. Nas duas últimas corridas, vimos o renascimento da Ferrari de Fernando Alonso; no circuito de Suzuka, há uma expectativa geral de uma resposta da Red Bull.

Há um consenso de que o carro de Adrian Newey deve correr muito bem em Suzuka; muitos garantem que o bólido dos touros vermelhos foi feito sob medida para as curvas velozes do circuito japonês. E verdade seja dita: Suzuka vem em uma excelente hora para a Red Bull, que ligou o sinal amarelo com a surpreendente aproximação de Fernando Alonso.

Os dois melhores colocados do WDC.

Um bom desempenho de Ferrari e McLaren era esperado em Monza, mas não em Cingapura. Mesmo com um carro superior em Marina Bay, a Red Bull falhou em ampliar sua vantagem para os rivais. Vettel comboiou o espanhol durante toda a prova; já Webber conseguiu minimizar os danos em um fim de semana que ficou muito longe de seu companheiro.

A questão é: qual a forma que a Ferrari demonstrará em Suzuka? Na pior das hipóteses, inverterá o papel de Cingapura: marcará de perto os touros vermelhos, sendo a melhor colocada após os carros de Newey, com uma ordem pré-estabelecida entre seus pilotos; Alonso e Massa. O brasileiro já convocado por ninguém menos que o presidente da Ferrari Luca di Montezemolo, para tirar pontos dos rivais.

O chamado de Montezemolo é uma clara tentativa de reanimar o brasileiro, que não esconde sua insatisfação pela preferência da equipe pelo companheiro, que estreou na Ferrari neste ano. O polêmico jornal alemão Sport Bild publicou uma suposta declaração de Felipe Massa, em que o brasileiro teria afirmado que não é o segundo Barrichello na Ferrari e que pararia de correr se fizesse este papel. Logo depois, Massa desmentiu a publicação. Montezemolo, por sua vez, rapidamente colocou panos quentes, elogiando o piloto e, ao mesmo tempo, exigindo empenho para a missão nesta reta final do campeonato.

Eu espero performances de um piloto número um dele [Massa] – nas quatro corridas seguintes e, com pneus diferentes, no próximo ano. Elas serão cruciais para nos trazer vitórias na próxima temporada e pegar importantes pontos de nossos oponentes na batalha deste campeonato mundial.

Não se espera que Massa desobedeça ordens de equipe; a questão é se ele terá ânimo para ter um desempenho próximo do companheiro, efetivamente ajudando o espanhol a tirar pontos dos rivais. O que se tem visto nesta temporada é um Felipe muito longe do piloto combativo de 2008. Mas não será por falta de um bom carro.

"Não sou segundo piloto".

Há boas expectativas quanto ao desempenho do F10, que correu bem tanto em Monza quanto em Marina Bay, duas pistas bastante distintas. A questão é quão próximo estão os carros da Scuderia dos RB6 da Red Bull. Teria a diferença tirada dos bólidos da Ferrari para os azuis em Cingapura sido eliminada pelo talento de Alonso ou o desempenho equalizado pelas atualizações no F10? A resposta para esta questão será dada na pista; mas o circuito de Suzuka é reconhecido por premiar pilotos diferenciados e a grande fase do espanhol pode render mais um bom resultado.

Falando em fases, a McLaren precisa urgentemente reagir. A equipe perdeu a mão com as últimas atualizações do MP4-25; ainda assim, Jenson Button conseguiu bons resultados, dentro do possível, mantendo vivas as esperanças do bicampeonato. A preocupação recaiu sobre os inesperados abandonos de Lewis Hamilton nas duas últimas etapas. De líder do campeonato depois da bela vitória em Spa, o campeão de 2008 amarga a terceira posição na tabela, perdendo a posição para Webber e Alonso e apenas 1 ponto à frente de Sebastian Vettel; para o companheiro Button, a diferença é de 4 pontos. A equipe no momento já é tida como a terceira força do campeonato. Os números são claros: nas últimascinco corridas a McLaren fez 80 pontos, enquanto a Red Bull  conseguiu 136 e a Ferrari 153.

No entanto, em entrevista à Autosport, o diretor da equipe, Jonathan Neale, garante que os resultados de Cingapura não refletiram a real forma da equipe:

Da última vez nós estávamos em um circuito com estas características, fomos 1,7-1,8 segundos fora do ritmo. Nosso ritmo de corrida [no Brasil] não foi ruim, na verdade.

Acho que o safety car agrupou demais o pelotão, o que nos fez ter que correr mais com uma opção de pneu que não nos agradava. Nós certamente vimos um maior grau de degradação sobre esses pneus, que foi um pouco anômala em relação ao resto da corrida. Depois, analisando o caso, entendemos o ocorrido. “

Sobre o pacote para Suzuka, Neale afirma que somente será decidido após testes nos treinos livres.

O que temos é um grande pacote de testes para sexta-feira.

Nós estaremos em melhor posição para dizer com o que vamos correr [depois do treino]. Certamente, nós estamos levando tudo o que levamos para Cingapura, e um pouco mais para o Japão”.

Hamilton e McLaren: hora de reagir.

Enquanto a McLaren joga as suas últimas cartas para manter sua ambição de permanecer na briga pelo título, uma luta interessante ocorre no segundo pelotão do mundial de construtores. De um lado, uma descendente Mercedes; do outro, a renascida Renault. A diferença de desempenho das duas equipes é facilmente explicada pelos investimentos em 2010 e planos para 2011. Ross Brawn deixou claro que o foco da Mercedes está voltado para a próxima temporada e para acalmar os investidores e afastar a boataria sobre mudanças na cúpula da equipe baseadas naqueda de rendimento dos carros de Rosberg e Schumacher. O dirigente inglês admitiu até perder a quarta colocação nos construtores em prol do campeonato de 2011:

Não há dúvida de que estaríamos todos muito decepcionados se fossemos ultrapassados pela Renault, mas temos um programa para sermos muito mais fortes no ano que vem – e se você me disser que você quer ser muito mais forte no ano que vem e esquecer Renault este ano, então eu diria que sim.

Brawn aposta no caminho que seguiu com a Honda, que de sinônimo de fracasso em 2008, investiu desde aquela temporada no projeto de 2009, resultando no título do ano passado com Jenson Button. Nesta temporada, a Mercedes ocupa atualmente a 4ª colocação, com 168 pontos; a Renault vem logo atrás, com 133.

A equipe “francesa” caiu muito de rendimento no meio da temporada; os escassos recursos fazem com que as atualizações do bom R30 sejam feitas de forma mais lenta que os rivais e a equipe perdeu terreno. No entanto,  novo pacote que inclui o duto de ar, novidade há tempos implementada em outras equipes, enfim chegou na corrida de Spa e a Renault reencontrou bons resultados. Enquanto a rival se foca em 2011, a equipe de Robert Kubica busca uma excelente quarta colocação, visando chamar a atenção de novos investidores. Essa necessidade é tão grande que a Renault chegou a promover uma bizarra campanha na tentativa de arrancar mais fundos do russo Vitaly Petrov, o que culminou no pronunciamento do sempre avesso à imprensa Kimi Räikkönen, que, irritado, negou a boataria que envolvia seu nome em uma possível contratação pela equipe.

Rosberg à frente de Kubica: até quando?

O terceiro pelotão também está envolvido em uma acirrada disputa. Este pelotão compreende Force India (59 pts.), Williams (57 pts.) e, mais longe em pontos, mas não muito em desempenho, Sauber (27 pontos). Na briga pelos construtores, a vantagem é da equipe de Grove, que estreou muito bem o último pacote de atualizações em Cingapura. Já os carros de Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi sofrem com a falta de recursos para o desenvolvimento de seus bólidos; ambos os pilotos estão mais preocupados com o futuro. Sutil deve permanecer por falta de vagas melhores; já Liuzzi deve dar lugar a Paul di Resta.

A Sauber espera por 2011, onde contará com o apoio da Telmex de Carlos Slim. Nick Heidfeld continuará sua angústia por um cockipit para a próxima temporada, já que dará o espaço para Sergio Pérez no próximo ano. Resta ao alemão andar próximo de Kobayashi para voltar a se valorizar no mercado. O japonês correrá em casa e espera fazer bonito.

Cogitada a receber o investimento adquirido pela Sauber, a Toro Rosso, cuja dupla de pilotos está confirmada para 2011, tem seu futuro em dúvida. A Red Bull não deseja mais dispender dinheiro com a equipe, focando completamente na matriz. Sebastian Buemi e o ascendente Jaime Alguersuari precisam mostrar serviço ainda nesta temporada, pois o irregular carro de 2010 promete piorar bastante em 2011.

Por fim, a categoria a parte: as novatas. Aqui também há uma grande disputa entre Lotus e Virgin. Deixando as polêmicas sobre o direito de uso do nome “Team Lotus” de lado, os malaios surpreenderam com um novo anúncio para 2011: usarão a caixa de câmbio e o sistema hidráulico da Red Bull e não da Renault, que por sua vez deve fornecer os motores.

Lucas di Grassi: melhor colocação obtida pela Virgin é dele.

Mas enquanto o salto de qualidade previsto para a próxima temporada não vem, a Lotus vem sendo pressionada pela Virgin, que espera por uma corrida caótica para superar a rival pela 10ª colocação na tabela de construtores. Explica-se: sem pontos, a posição dos contrutores é definida pelo conjunto de melhores colocaçães. Neste sentido, os malaios estão na frente, tendo como melhor colocação um 13º posto de Heikki Kovalainen no acidentado GP de Melbourne.

Surpreendentemente, a Virgin é a última colocada, atrás até mesmo da Hispania, que teve sua melhor colocação com Karun Chandhok, que sequer corre mais. O indiano conseguiu terminar em 14º por duas vezes, também em corridas acidentadas, Austrália e Mônaco, com um detalhe: em Monte Carlo, não concluiu a prova, mas como completou 90% do número de voltas, teve o resultado computado. A melhor colocação da equipe de Richard Branson até aqui também foi um 14º, com Lucas di Grassi na Malásia; portanto, apenas uma corrida de sobrevivência, com muitos abandonos, pode ajudar a Virgin a ser a 10ª melhor equipe de 2010. Uma chuva pode embaralhar todas as cartas…

CLIQUE NA IMAGEM E VEJA O MAPA ANIMADO DO CIRCUITO.

Confira a programação do 36º Grande Prêmio do Japão.

Quinta-feira: 22h, 1º Treino livre
Sexta-feira: 2h, 2º Treino livre
Sábado: 23h, 3º Treino livre; 2h: Treino de Classificação
Domingo: 3h, corrida

comentários
  1. fernando-ric disse:

    Espero que o Alonso e o Webber enrosquem na largada.

  2. wilson disse:

    quem vai se enroscar e´ weber e hamilton como de costume esse ano.

  3. wilson disse:

    Apesar da expectativa de chuva para o fim de semana, no primeiro treino livre ela não apareceu. Deu-se o treino em pista seca.

    Primeira metade do treino um certo tédio. Mas na segunda metade do treino aceleraram de vez os motores, o primeiro para a antepenúltima corrida da temporada.

    Usaram pneus duros e testando os ajustes nos carros, que foram montados diretamente em Suzuka, a primeira metade da sessão desta quinta-feira foi, no mínimo, sonolenta. Vettel foi o primeiro dos candidatos ao título a dar uma volta rápida no circuito, e seu tempo, de 1min33s157, foi o mais rápido da bateria por quase meia hora.

    O hamilton esteve entre os mais rápidos do início do treino e tinha a segunda marca mais baixa – 1min33s643 – mas como tem sido sua sina nas ultimas corridas, desta vez ate nos treinos ele bateu, e forte contra o muro. Saiu ileso, mas seu carro bem danificado.
    Mas precisamente a suspensão, tirando Hamilton da sessão e podendo comprometer todo o restante do final de semana.

    Ai mari e torcedores do hamilton…
    já tinha falado antes deste fim de semana que o guri aprontava de novo, de repente essa batida lhe custe caro mais uma vez (he he he)

    Alonso e Button brigaram com seus monopostos ( Button bateu no final do treino, no mesmo setor em que Hamilton parou), os carros da Red Bull sobraram na pista, mais uma vez. Além de Vettel abaixar ainda mais seu tempo, Mark Webber também se lançou em voltas rápidas com eficácia, garantindo a dobradinha da equipe a partir da terceira e última parte do treino. A dupla foi a única a correr abaixo de 1min33s, com 1min32s585 de Vettel e 1min32s633 de Webber.

    Rubens Barrichello, da Williams, começou entre os mais rápidos e conseguiu uma clara evolução ao longo das voltas, assegurando a sexta melhor marca do treino (1min33s677)

    O segundo treino livre acontece na madrugada desta sexta-feira, às 2h (horário de Brasília). O treino oficial começará às 2h de sábado, e o GP do Japão acontece às 3h de domingo.

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