O ás canadense, a lenda e o filho…

Publicado: 13/10/2010 por Rodrigo Pedrosa em Artigos, História da F1
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Quando Sirlan sugeriu que eu escrevesse sobre Gilles Villeneuve, de bate pronto veio na minha cabeça um tema que estou pensando já há alguns dias, porém sem resposta. O que faz uma pessoa ter um ídolo que não acompanhou?

Sou fã de Gilles mas quando ele morreu eu tinha apenas 2 anos. O que me fez gostar de Villeneuve? Para dizer a verdade eu não sei, talvez uma serie de fatores e acontecimentos, eu acho que na época de criança quando ouvia as façanhas de Villeneuve minha imaginação voava assim como o bravo canadense. Vindo de um país sem tradição no automobilismo, na minha cabeça ele era um herói tipo o Aquaman, que é meio de fora do eixo de heróis.

Imaginem na cabeça de um garoto de 6, 7 anos ouvir que tinha um piloto que fazia de tudo para vencer, completava uma corrida com a asa dianteira quebrada,  que um dia quebrou a suspensão traseira e  levou o carro ao Box porque queria voltar para a corrida. Que disputava curva lado a lado com os adversários, isso na minha cabeça eles passaram a volta toda um de lado do outro se encarando…

Tem como não ser fã do cara?

A forma trágica e brutal de sua morte…

Mas aí o tempo passa, e com o tempo vem o choque da realidade, na verdade o piloto que eu sou fã não é o super campeão que eu pensava, e analisando friamente os números fica uma sensação estranha, comparando com o futebol eu era um torcedor da Portuguesa, simpática a todos, mas nunca vencedora.

Confuso e ainda tendo como referencia de um piloto vencedor um certo Ayrton Senna, tentei achar outro ídolo. Claro que consegui, pois esse tal de Ayrton Senna parece ser um bom piloto, ele rápido e quase sempre larga na frente.

Mas assim como no futebol e nos relacionamentos a razão é meio que mal vista e quem realmente manda é a emoção e o coração, e por mais que a gente tente se afastar, no fundo a gente sente falta, e essa paixão dura até hoje… Depois da morte de Ayrton fiquei sem referencia por pouco tempo, pois dois anos depois um outro canadense largado, bem rock n’ roll, que tingia os cabelos (quer uma referencia melhor para um adolescente?) apareceu na F1. Novamente tinha por quem torcer.

Eu acho que Jacques Villeneuve fez bem para F1 com seu jeito descontraído, mas fez escolhas erradas e acabou esquecido. Tem nada não eu continuo gostando dele, afinal de contas quando você gosta de um piloto não faz diferença se ele ta andando atrás ou disputando o titulo, a vibração por uma ultrapassagem é a mesma. (tem gente aqui em Recife que torce pelo Náutico.)

Hoje, mais velho e já há alguns anos acompanhando a Formula 1, vi surgir e desaparecer grandes promessas, mas não sei se é saudosismo, eles não enchem tanto meus olhos como estes três citados . Mesmo a torcida por Hamilton, Alonso, Schumacher os grandes nomes da atualidade, pilotos até melhores que Jacques e Gilles, mas não tem aquele encanto.

Enquanto eu estava  escrevendo este texto parei para procurar vídeos para ilustrar a postagem,  passei horas vendo, com aquele sentimento de criança com brinquedo novo.

No começo da postagem eu fiz uma pergunta, cheguei agora ao fim, mas ainda não consigo entender o que leva uma pessoa a ter um ídolo que nunca acompanhou. Sei que não tenho nenhuma história sobre Gilles, algum acontecimento particular para dividir com vocês, mas não tem problema, quem sabe em outra oportunidade eu não conte algo sobre o Senna, que eu fui um privilegiado em acompanhar sua carreira…

Mas isso é outra história…

comentários
  1. Allan Wiese disse:

    Não vi Gilles correr, mas já ouvi diversas histórias. Caras assim fazem falta à categoria…

    Off topic: só na teoria seria possível ver uma volta na Koréia com dois carros lado a lado mesmo…
    http://www.redbull.com/cs/Satellite/en_INT/Video/The-Korean-Grand-Prix-Track-Revealed-021242914451861

  2. Rodrigo…Excelente texto…
    Bem feito e interessante….como poucos…
    parabéns

  3. Anselmo Coyote disse:

    Zico, ex-Flamengo (hexacampeão brasileiro de futebol, atual mico da competição) não foi campeão mundial pela seleção da CBF/SA. E daí? Jogava como ninguém. Está entre os três melhores jogadores brasileiros.

    Por falar em “ninguém”, será que ninguém (menos eu, óbvio) assistiria a um filme sobre o Nelsão Piquet? O que é a mídia, hein! Não rezou na cartilha dela…

    Abs.

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Nelson Piquet é o ultimo romântico da F-1, depois dele tudo passou a ser profissional, daria um otimo filme.

      Zico realmente é um craque, não precisou vencer com a seleção para ter milhares de fãs, mas só é penta campeão brasileiro, hexa é o São Paulo, estive na Ilha hoje, e o trofeu de campeão brasileiro de 1987 esta lá, hehehehe…

  4. Ron Groo disse:

    Gilles era um piloto show, talvez se não tivesse morrido ainda assim nunca seria campeão, pea forma com que pilotava e tudo o mais… Mas era bom vê-lo guiar no estilo win or wall sempre. Como se não tivesse outra corrida nunca mais…

    Agora filho… Deus do céu, que mala, que anta, que braço duro, que trouxa, que babaca, que… A lista vai longe… É de longe o campeão mais apagado e besta da história da categoria…

    • wilson disse:

      eu vi o pai correr. bom demais. de encher os olhos.
      vi outros como ronnie peterson que morreu cedo tambem.
      como a maioria vi airton senna, piquet, mansell, prost, lauda.

      Não eram só os pilotos que faziam diferença, era o regulamento, eram os carros, era a propria formula um.

      Sempre foi business, mas tinha seu lado romântico, tinha um quÊ mais.
      tinha os garagistas, tinha pilotos como piquet que com seu conhecimento mêcanico pÔde fazer diferença com coisas que hoje muitos chamariam de maracutaias ( agua como lastro, depois jogava-se fora, atraves dele tivemos o reabastecimento nas provas, o cobertor eletrico que ele ja usava em categorias anteriores a f1 para poder largar melhor, mandar tirar marcha para poder se classificar melhor, etc. etc. etc.)

      Hoje não pode nada. Hoje só pode fila indiana, pilotos falarem apos conversar com assessor de imprensa que orienta aquilo que deve ser dito, hoje não pode estratégia diferente, hoje não pode ultrapassar colega da frente que tá mais devagar, e assim vai.

      Até pode ser que não valesse muita coisa, mas alguem aí lembra da corrida que nigel mansell na lotus desceu do seu carro para tentar empurrar o bicho? olha agiu no desespero, agiu no instinto, agiu como um ser humano e não como herói que muitos querem ser, ou acham, ou acharam que eram.

      Eu lembro.
      Lembro de corrida na indy com tres pilotos lado a lado, inclusive dois eram brasileiros, raul boesel, gil de ferran e o outro e não lembro.
      Na primeira equipe do gil na indy.

      Essas coisas não voltam mais.
      quem sabe hora que tivermos motores turbo, pirelli com possibilidade compostos de pneus diferentes dos que temos visto. reabastecimento retornando, eliminar mais um pouco da questão da interferência maçiça da aerodinamica, o efeito solo voltando, reduzir um pouco a carga dos freios atualmente e assim deixarmos os pilotos a vontade na pista e mostrarem seu talento.

      • Rodrigo Pedrosa disse:

        Essa imagem do Mansell é famosa, outros tempos…

      • Sari disse:

        Talvez eu até entenda esse saudosismo, Wilson. Agora, dizer que “hoje não pode nada” é um pouco de má vontade com o presente, não? Pode um piloto sair do carro, pegar um extintor e tentar ele mesmo apagar as chamas? Pode, o Kova fez.
        Pode um piloto vencer e dizer pelo rádio “nada mal para um segundo piloto?”. Pode, o Webber fez. Pode ultrapassar o colega que vai devagar à frente? Pergunta pro Alonso, que ele vai dar uma piscadela e dizer “na entrada dos boxes, pode”.
        Enfim, vários outros lances da temporada 2010 estão fazendo da f-1 bem menos asséptica do que seu comentário sugere (que, aliás, tem pontos bem bacanas; não sabia sobre essas “maracutaias” do Piquet. E essa dos três pilotos lado a lado na Indy deve ter sido incrível também)

      • wilson disse:

        sari, foram excessões meu jovem, não a regra, portanto não conta.
        muito pouco.
        weber ter dito que disse não alterou em nada a politica da redbull.
        o kova acionar o extintor foi porque os tontos dos fiscais que estavam vendo tudo juntinho do acontecido eram uns antas, não era para o piloto fazer aquilo. Vacilaram e isso não dá motivação extra pra uma corrida.

        Quanto ao piquet tem mais coisas interessantes. Tá na net. tá em livros.

        Resumindo: tempos tediosos. Nada mais.

      • celso gomes disse:

        Sari

        Até hoje na Indy, o grid de largada é feito com 3 pilotos lado a lado. Onze fileiras totalizando os tradicionais 33 carros. Nunca deixou de ser.

      • Tomás Motta disse:

        “O que você sabe sobre Keke? E sobre Villeneuve filho? Você os viu correr? Conclusão besta? Acorda menino, eu vi, não li na net. Para quem diz ter apenas treze anos você fala demais sobre coisas que não sabe direito o que é.”

        Ah! Então, caríssimo Ron, significa que eu só posso opinar sobre um piloto porque o vi correr?

        Então como você tira suas conclusoes sobre Fangio, Ascari, Moss, Brabham, Hill e cia se você não os viu correr?

        Eu sou o suficientemente inteligente para opinar sobre algo porque nunca vi sim, e não desmerça a internet., afinal ela, se for bem usada, é uma porta de conhecimento incrível.

        E continue me subestimando sò porque eu tenho 14 anos, um dia você aprende.

    • Tomás Motta disse:

      “Agora filho… Deus do céu, que mala, que anta, que braço duro, que trouxa, que babaca, que… A lista vai longe… É de longe o campeão mais apagado e besta da história da categoria…”

      Sinceramente Ron não sei como você pode tirar essas conslusoes tão bestas.

      Ah, e o mais apagado, vamos ver se alguém concorda, foi Keke Rosberg.

      • Sirlan Pedrosa disse:

        Tomás,

        Vi uma entrevista esses dias com o Emerson no Fábio Seixas.

        Em determinado momento o Fábio fala de Alan Jones e Emerson desvia a conversa e fala sobre um teste dele na Indy…

        Era muito fraco o Alan Jones… mas concordo com você que Rosberg era MUITO inferior a Jaques Villeneuve.

        Jaques era um bom piloto.

        Um grande abraço,

        Sirlan Pedrosa

      • Ron Groo disse:

        O que você sabe sobre Keke? E sobre Villeneuve filho? Você os viu correr? Conclusão besta? Acorda menino, eu vi, não li na net.

      • Ron Groo disse:

        O que você sabe sobre Keke? E sobre Villeneuve filho? Você os viu correr? Conclusão besta? Acorda menino, eu vi, não li na net. Para quem diz ter apenas treze anos você fala demais sobre coisas que não sabe direito o que é.

      • Ron, é que se você analisar numeros, vai achar o Keke, fraco, foi campeão com apenas uma vitória, isso deixa o titulo meio sem brilho, é mais ou como Villeneuve, se analisar numeros perde-se o encanto.

        Você quer me dizer que Keke, foi melhor em 1982 do que Jacques em 1997?

        Keke pode ter tido uma carreira melhor que a de Jacques, que eu não acho, mas o titulo de Keke caiu no colo dele.

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Jacques se perdeu no caminho, a temporada de 1996 e 1997 estão aí, quem não vibrou com ele sendo campeão em cima de Schumacher jogando sujo?

      Depois disso só fez escolhas erradas e foi desaparecendo da categoria…

      • Ron Groo disse:

        Rodrigo meu caro, veja de onde veio Keke para ser campeão e em que carros correu, veja a besta quadrada do filho dele e compare.

      • Rodrigo Pedrosa disse:

        Comparar epocas diferentes é muito dificil, quem é melhor Gilmar, Taffarel ou Julio Cesar?

        Os mais velhos vão dizer “Gilmar sem sombra de duvidas”

        O pessoal da minha idade com certeza vai de Taffarel.

        E a galerinha mais nova, vai aparecer com dezenas de videos do youtube, “provando” que Julio Cesar é melhor.

        Quanto aos pilotos eu digo o mesmo, são epocas diferentes, carros diferentes, ambos foram campeões e na minha visão merecem respeito, é só pegar o numero de pilotos que correram na F1 e o numero de campeões.

        Como eu falei anteriormente, na MINHA opinião, gosto mais de Jacques, que confesso que de 1998 até parar, se perdeu feio na categoria, mas os anos de 1996 e 1997, ele foi muito bem sim, o que não quer dizer que Keke Rosberg seja ruim.

      • Ron Groo disse:

        Bem gostar do Jaques é problema seu unicamente, há quem goste de uisque escocês e quem goste do paraguaio.
        Jaques é samba de uma nota só. Keke ao menos correu em carroças e se destacou.

      • Rodrigo Pedrosa disse:

        Por isso que o mundo é assim, é difícil respeitar as opiniões dos outros, e é uma mania de “o meu é bom e o seu é ruim”.

        Mas deixa isso pra lá, Keke Rosberg só não foi DECA-Campeão, por que correu em carroças, pior para ele…

      • Rodrigo Pedrosa disse:

        Desculpe se eu pareci irônico, grosso e arrogante, mas é que eu acho tão simples e facil respeitar a opinião dos outros, sem querer impor a minha ou tentar denegrir a opinião dos outros.

        Tem gente que gosta de Ferrari outros preferem Lamborghini, e por preferências diferentes alguma delas passa a ser ruim, é isso que eu não entendo.

        Pô Alonso, Hamilton, Vettel, são todos bons, só que os torcedores tem mania de puxar o seu para cima e denegrir os outros.

      • Sirlan Pedrosa disse:

        Ron,

        Cada um tem a sua opinião, e no final todos estão certos e errados a depender do que acreditam…

        Eu por exemplo não vejo como comparar Keke Rosberg e Jaques Villeneuve. Acho Jaques muito melhor.

        O mundo não muda nada com isso, nem sequer minha opinião é um PROBLEMA. É apenas a MINHA OPINIÃO.

        Um abraço,

        Sirlan Pedrosa

  5. Mari Espada disse:

    Rodrigo, que belo depoimento!!!!

    Eu também já me fiz essa mesma pergunta… mas no meu caso com Ayrton Senna.
    Acho que você lembra desse meu post, né? https://ultrapassagem.wordpress.com/2010/08/09/feriado-nacional/

    Enfim, sempre achei estranho a minha paixão por esse herói, afinal quando Senna morreu eu nem tinha completado 9 anos! Eu era muito nova e, apesar de assistir F1 com meu pai desde que abri os olhos com alguns meses de vida, sei que eu não compreendia as complexidades desse esporte. Mas não importa, eu já sabia o suficiente para entender que Senna era extraordinário, e isso bastou para este se tornar o meu herói!

    Com você parece ter acontecido algo semelhante, pois esses nossos heróis foram grandes homens e deixaram um legado para toda uma geração de jovens pilotos e torcedores. Então independente de vê-lo correr ou não, Gilles deixou esse sentimento de admiração que perdura até os dias de hoje, e isso foi o sificiente para conquistar o coração desse fã chamado Rodrigo. =)

    Algumas coisas nessa vida não habitam o plano da razão, por isso não tem explicação… simplesmente são o que devem ser!

    Beijos!

    • Anselmo Coyote disse:

      Ah… hummm… a Maria é a musa-gatinha do blog… rsrsrs! Entregou o ouro!

      • Mari Espada disse:

        Que? Não entendi…
        Tá me enchendo por causa da minha idade, é? Vai me chamar de pirralha? Hahaha. =)

      • Anselmo Coyote disse:

        Pirralha????? Que é isso, meu Deus?!! A musa-gatinha do blog … acho que estou escrevendo em grego… rsrsrs!
        Abs.

      • Mari Espada disse:

        Não é grego não, amigo! Só achei engraçado e não entendi de onde você tirou tal idéia! Achei que tivesse algo a ver com a minha idade, já que esse foi o único ouro que entreguei nesse comentário.
        Mas eu esqueci que, tratando-se do bom e velho Coyote, eu não posso procurar explicações normais para os comentário… já que a sua cabeça funciona de um jeito bastante peculiar… hehehe.
        Então só me resta agradecer o elogio. Obrigada!!! =)

        Beijos!

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Valeu Mari!!!

      • Anselmo Coyote disse:

        Flamengo, hexacampeão brasileiro!

      • Tudo bem, tambem acredito em fadas, papai noel e por aí vai, não preciso discutir isso, quando eu tenho alguma duvida sobre os campeões eu vou no site da FIFA, e verifico, nunca vi o flamengo em 1987 por lá, mas se você ta dizendo…

        A Globo é que é de uma credibilidade monstra mesmo, tudo que ela diz é verdade.

    • Sari disse:

      Celso, sobre o “três carros lado a lado” que o Wilson mencionou, eu imaginei que ele estivesse se referindo a um pega sensacional, que durou algumas voltas. Eu assisto a Indy de vez em quando e não lembro de ter visto algo do tipo, com exceção das largadas.

      Wilson, duvido que alguém vai ter coragem de dizer que a f-1 hoje é muito mais emocionante que a de algumas décadas. Agora, que tivemos várias “exceções” neste temporada, tivemos, hein?

      • celso gomes disse:

        Assista mais então, Sari caríssimo.

        Mesmo com a chatice normal dos ovais existem excelentes pegas. Na última corrida em Homestead, por exemplo. Só o pega do Narigão Tony com a Nervosinha Patrick pelo segundo lugar, nas últimas voltas, foi sensacional e de se ficar de pé para ver o desfecho. Ainda há vida e boa na Indy é só ter saco de ficar “toureando” a programação na Band e se acostumar com os horários.

        abç

      • wilson disse:

        não estou falando da largada dos carros, estou falando de momentos de corrida, e de fato aconteceu esse pega, que evidentemente não foi por varias voltas, mas um trecho daquela volta. espetacular.

  6. Sirlan Pedrosa disse:

    Rodrigo,

    Paixão é algo completamente inexplicável. Ainda bem, porque se houvesse explicação perderia toda a graça…

    Nunca gostei de Gilles Vileneuve, você bem sabe disso, afinal já conversamos tanto a respeito dele. Na minha opinião era “no máximo” um Montoya, para citar um piloto mais contemporâneo. Na Ferrari de 82 Pirroni era muito melhor que ele, mas fazer o que ? Minha vó (nossa…) dizia que era melhor “cair em graça” que “ser engraçado”….Gilles definitivamente foi um piloto que caiu nas graças da torcida…

    Senna não tem o que falar, foi o máximo que vi. Nada se compara a Senna. Digo isso com toda a isenção de alguém que jamais torceu por ele. Lembro até de ter comemorado uma saída de pista dele em 89 que acabou levando Thierry Boutsen a uma vitória….

    Para finalizar, Jaques na minha opinião foi MUITO MELHOR que o pai. Além de ser um piloto completamento fora do padrão da categoria, alguém que tinha opiniões fortes e próprias (que muitas vezes beiravam a arrogãncia e prepotência), temos que considerar que foi campeão da Indy e venceu as 500 milhas na época que a categoria americana ameaçava até em rivalizar com a F1.

    Quando estreou na Williams em 1996 foi vice campeão, sendo o melhor estreante da história da F1 até hoje (apesar de muitos acharam que foi o Hamilton em 2007).

    Em 97 foi campeão batendo Shumacher, sendo que a corrida que lhe deu o título em Jerez é para mim uma das grandes exibições de um piloto disputando o título que já assisti. Corajoso e determinado.

    Depois Jaques e a Williams foram perdendo o rumo…no começo juntos…depois separados…mas o fato é que ambos, piloto e equipe, jamais voltaram a velha forma de 1997.

    Hoje quando vejo as tentativas patéticas dele para voltar a F1, lembro-me de como é bom ter o discernimento de saber a hora de se retirar ainda no auge, deixando saudades…

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Nem todos pensam como Pelé, sempre que vejo torço para dar errado já basta as besteiras na Sauber, Renault…

    • Allan Wiese disse:

      Sirlan, bateu uma curiosidade. Fui dar uma olhada na Wikipedia pra comparar os resultados da primeira temporada de Lewis e Jacques. Em 16 provas Jacques fez 11 pódiums contra 12 de Lewis em 17 provas. Ambos empatam em vitórias e segundo lugares e Lewis tem um 3º a mais do que Villeneuve. Olhando por cima, parece que Lewis foi mais regular, mas Jacques teve vários abandonos na temporada. Esses abandonos foram pro problemas mecânicos? E quais outros atributos fizeram dele um grande estreante, a ponto de você dizer que foi o melhor da história (eu não o vi correr e não fui pesquisar, por isso tenho apenas os “dados” de Lewis. É curiosidade mesmo)?

      • Sirlan Pedrosa disse:

        Allan,

        Gostei muito do que você escreveu. Foi confirmar. Isso é muito bom e revela um pouco de onde vem a qualidade dos textos que você faz. Eu sou assim também, não aceito tudo que leio se acho que não procede, e muitas vezes quando tenho dúvidas vou ler sobre o assunto.

        A questão, acredite, é que cerca de 90% do que escrevo (principalmente nos comentários) são informações de cabeça mesmo. Como leio bastante sobre o tema desde de muito novo, tenho uma tendência a “confiar” nas informações que guardo, mesmo sem consultar.

        Lembro que em 2007 quando Hamilton estreou eu me questionei se ele tinha um primeiro ano melhor que Villeneuve e por curiosidade fui reler alguns anuários de 96. Cheguei a conclusão na época que o filho de Gilles foi um estreante melhor que Hamilton e isso é que ficou registrado na minha mente…risos

        Com sua pergunta, fui fazer o dever de casa e pesquisar o porque de eu ter chegado a essa conclusão…Jaques foi pole na estréia numa corrida na Austrália (lembro bem que só não ganhou porque deu uma escapada depois da reta e danificou o cambio, acabou em 2o) e venceu sua quarta corrida. Hamilton venceu e fez a pole na sua sexta prova.

        Eu leio sobre automobilismo com a mesma intensidade que temos aqui no Ultrapassagem desde garoto. Como não existia internet, as informações eram mais profundas nos jornais, então eu lia Folha, Estadão, JB e O Globo…sem contar 4 Rodas, Auto Esporte, Grid e tudo o mais que havia. Quando sobrava uma grana eu comprava a Autosprint italiana, quando não sobrava eu lia na livraria do aeroporto mesmo. Em uma palavra um doido mesmo…risos

        Por isso que eu entendo o Tomás ….risos

        Um abração,

        Sirlan Pedrosa

      • Allan Wiese disse:

        Obrigado Sirlan. Admiro vocês, dinossauros (com todo o respeito) desse blog. Acompanhar F1 em épocas passadas deveria ser bem mais passional e divertido. Em todos os aspectos da vida, quando se consegue as coisas com muita facilidade geralmente não se dá o devido valor à elas. Mas como hoje as coisas estão mais fáceis e acessíveis, pra não escrever bobagens é necessário confirmar mesmo. E obrigado pelo elogio.

        Sim, o fato de Jacques ter feito pole na primeira prova salta aos olhos. E vitória na 4ª prova também.
        Acho que o que “conta a favor” de Hamilton é a sua pouca idade na época da estréia e 9 os pódiums seguidos nas 9 primeiras provas. Uma consistência bastante grande e notável.
        De qualquer modo, dois grandes estreantes. Fiquemos com os dois melhores estreantes da história da categoria, pra não cometer injustiças? Hehehe…

        Abraço.

      • Mari Espada disse:

        Meninos, só queria dizer parabéns pelo nível dos comentários. Tenho muito orgulho desse seleto grupo de comentaristas do Ultrapassagem!

        Quando li essa afirmação do Sirlan também busquei os números de poles, vitórias e podiuns dos dois estreantes e conclui que eles tiveram desempenhos equivalentes.
        Mas com os dados que vocês trouxeram (muito mais completos doque a minha pesquisa) podemos analisar melhor. E se considerarmos a pole de Jacques na primeira corrida, claro que atribuímos à ele o “título” de melhor estreante da história da F1. Porém se considerarmos os 9 podiuns de Lewis em suas 9 primeiras corridas, e também a sua pouca idade no ano de estréia, não podemos negar que ele deve ganhar o “título”.
        Sendo assim, nada mais justo que os dois dividirem esse rótulo… não acham?

        E Sirlan, adorei quando você disse que compreende o Tomás… muito fofo! =)

  7. Tomás Motta disse:

    Rodrigo, texto impecável, sem mais a acrescentar. Forte abraço e parabéns pelos seus posts, que me fazem aprender muito.

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Valeu Tomás!

      • Sari disse:

        Celso, essa corrida de Homestead, felizmente, eu vi. Emocionante mesmo.
        Aquela em que o Hélio saiu ferozmente à caça dos comissários ao fim da prova também foi interessante haha.

        Ano que vem vou tentar ficar mais atento aos dias das corridas, pra não perdê-las.

  8. Rodrigo Pedrosa disse:

    Claudemir, esta imagem de Gilles Villeneuve é mais ou menos o que me vem a cabeça quando penso em Gilles, provavelmente está perdendo decimos preciosos, mas que é uma linda imagem é.

  9. Alex-Ctba disse:

    Belíssimo post Rodrigo. Fico no aguardo de alguma passagem interessante sua em relação ao Senna.

  10. celso gomes disse:

    Postado com o coração Rodrigo, parabéns!

    Acompanhei a curta carreira do Giles e nunca entendi porque o circunspecto Comendatore Ferrari tinha uma paixonite pelo Villeneuve pai. Até porque o cara adorava destruir uma Ferrari. Vái saber, paixão é paixão, né?

    Aquele estilo inconsequente do Giles nunca me encheu os olhos, pelo contrário. Parecia mais um debilóide dirigindo o carro e as disputas com os demais competidores eram travadas de uma forma meio grosseira. Se não rodasse ou destruisse o carro dele e do outro, tudo bem, ia em frente soltando pedaços do carro pela pista, e pondo em risco a segurança de todos os envolvidos. Não estava nem aí. Ousadia desmedida e pouco inteligente.

    Não foi um piloto veloz e nem um grande vencedor.

    Talvez o que tenha ficado nos olhos dos torcedores foi aquela imagem de “machão” por aquelas manobras pirotécnicas que ele realizava. A morte – quase que anunciada devido a sua forma de pilotar – na pista também ajudou a construir parte do mito que ele se tornou.

    O filho foi bastante mais bem sucedido, pelo menos numericamente, mas não conseguiu o destaque do pai por dois motivos básicos; o primeiro deles foi não saber (até hoje!) a hora de parar e o segundo foi por ter ficado à sombra – como da maioria dos pilotos da época dele – de um tal de Alemão (pré 2010), que acabou tornando a vida de seus contemporâneos na F1 um tanto quanto sem brilho.

    abç

  11. Vitor, o de Recife disse:

    Caro Rodrigo, antes de mais nada, saudações rubronegras!

    Gilles Villeneuve pode ser resumido pela foto que ilustra o post. Ele ainda é o caso clássico d piloto-espetáculo, aquele cara que geralmente não ganha títulos, mas garante a emoção das corridas. Raros são aqueles que unem um estilo agressivo, espetacular, com a eficiência necessária para ganhar títulos. Senna e Hamilton parecem ser pilotos capazes de equilibrar esta difícil equação; mas a maioria segue no rastro de Villeneuve-pai, como o Montoya. Nigel Mansell só escapou da segunda lista por dispor de um carro imbatível em 1992, correndo praticamente sozinho, mas se enquadrava perfeitamente como um piloto-espetáculo.

    O Celso afirmou: “nunca entendi porque o circunspecto Comendatore Ferrari tinha uma paixonite pelo Villeneuve pai”.

    Talvez porque ele encarnava um espírito combativo, apaixonante, que combinava bem com a paixão desmedida dos tifosis. Como explicar um monte de fãs da Scuderia enchendo o autódromo de Monza em um período de vacas magérrimas da Ferrari como foi o ano de 1993?

    Eles comemoraram como uma vitória o fato de Alesi ter chegado ao pódio em 93. Aliás, o francês era outro exemplo de piloto espetáculo; por sinal, também era idolatrado pelos tifosis, mesmo não sendo uma Brastemp.

    Enfim, paixão nao se explica. Mas o fato de Villeneuve dirigir de forma não racional por uma equipe completamente passional – hoje bem menos – talvez responda a questão.

    • Saudações Rubro Negras…

      Bem pensado, mas continua sendo dificil entender, principalmente se for para numeros, onde Gilles é fraquissimo…

      O fã é assim, quando se cai na graça, não precisa de muito.

  12. Marcelo Brum disse:

    Rodrigão… Fiquei sem palavras, cara! Produziste um texto de qualidade ímpar, meu velho. Mais do que palavras bonitas, escreveste com a alma. E quando colocamos a alma no que fazemos só pode dar boa coisa. Após todos esses comentários belíssimos e que mais uma vez engrandeceram o nosso espaço, não me resta mais nada a não ser te parabenizar.
    Realmente, o Gilles foi um grande piloto. Se hoje a F1 arrasta verdadeiras legiões de fãs é indubitavelmente por causa dos pilotos, e não das escabrosas maracutaias de equipes como a Ferrari. Se não nos afastamos dessa paixão pela velocidade é porque atuações de luxo, como as de Villeneuve, sedimentam cada vez mais esse amor em nossos corações.
    Entendo um pouco sobre o que você falou. Desde que me conheço por gente, eu sempre fui um fã incondicional do grande Nelson Piquet. Até brigava na escola por causa dele – isso quando o Ayrton Senna estava com a bola toda!
    No auge da carreira do Nelsão, quando alcançou o seu tri campeonato, em 1987, eu tinha apenas 10 anos. O Ayrton começou a brilhar em 1988, com seu primeiro título. E logo a Rede Globo puxou toda a sardinha para o lado dele, relegando o Nelson Piquet a um segundo plano. Acho que devido a seu temperamento, o Nelsão sempre foi mal-amado pela mídia. O fato é que, mesmo com a “onda Senna” que se seguiu nos anos posteriores, minha predileção pelo Piquet nunca arrefeceu em nada.
    E foi para a Indy. E eu fui com ele. E teve acidente sério. Fiquei abalado!
    É meu amigo, há coisas que não podemos mesmo explicar!

    Grande texto! Abraços fraternos, irmão de Blog!

    • Que bom que gostou, eu tambem gosto de Nelson Piquet, muito por Sirlan, que era o piloto que ele torcia, mas Piquet corria por amor ao automobilismo, Senna já estava em outro nivel, já era um profissional das corridas.

      A carinho por Piquet se reflete em Nelsinho, pena ter feito uma burrada daquelas, mas torço para ele se dar bem na Nascar, assim como para Bruno, por causa do Senna, ter uma boa carreira na F-1.

  13. Sari disse:

    Só pra ficar dentro do assunto do post:

    Cito John Ford: “quando a lenda se torna fato, publique-se a lenda”. Eu não vi o Gilles correr e não me importo com os números. Prefiro, tal como o Rodrigo, ficar com a lenda (ou melhor, com o Mito).

  14. Marcelo Brum disse:

    Com a licença do autor do post, se o assunto já se esgotou, vamos descontrair um pouquinho:

    Estava dando uma geral na net e vi esse tema muito interessante – talvez os amigos já tenham visto, mas…

    http://esportes.terra.com.br/automobilismo/formula1/2010/fotos/0,,OI138018-EI14633,00-Site+elege+carros+mais+bizarros+da+historia+da+F+confira.html

    Trata-se de uma eleição do site americano Bleacher Report a qual objetivava elencar os carros mais bizarros de todos os tempos na F1: O Tyrrell P34 ganhou a eleição disparado com seus 6 pneus (4 menores na frente). Cá pra nós: nunca houve nada mais esquisito.
    Ainda bem que foi abandonado rapidinho. (hehehe)

    Abçs.

    • Rodrigo Pedrosa disse:

      Nesta lista tem uma mistura grande, alguns o que ha de bizarro é a pintura outros são os carros:

      Carro bizarro – Tyrrel

      Pintura Bizarra – Honda Mundi

    • Vitor, o de Recife disse:

      Bem, discordências são naturais em tais listas. Mas o que não dá para entender de jeito nenhum é como eles puderam colocar a Renault do Kubica como um carro bizarro. Perto dos dois últimos carros, o de 2010 é lindo! Por sinal, eu gosto da pintura atual, só tiraria o vermelho da Total que destoa do resto.

      • Mari Espada disse:

        As Renaults antigas eram horríveis! E o macacão do piloto parecia roupa de palhaço! Hahaha.
        Mas a Renault atual eu acho linda! Aquele amarelo e preto oferece um excelente contraste com o asfalto da pista. Mas concordo com você, o vermelho da Total poderia ser retirado em pról da estética do carro.

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