Enfim, a F1 chega à Rússia!

Publicado: 16/10/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Banhada pelo Mar Negro, Sochi sediará uma etapa da F1 em 2014.

 

A realização do Grande Prêmio da Rússia em 2014 foi finalmente fechado depois de anos de especulações. O sonho de Bernie Ecclestone em fazer uma prova de rua em Moscou não se concretizou, mas a corrida não deixará de ser atrativa comercialmente.

Rússia e F1: um balanço histórico

 

Benie e o GP da Rússia: um sonho antigo.

 

As negociações para a realização de uma etapa da F1 na Rússia são bastante antigas e remontam à época da Guerra Fria.O insider Joe Saward publicou em seu blog um interessante histórico das negociações entre Ecclestone e o então Estado Soviético sobre um possível GP da URSS.

As primeiras discussões ocorreram no início de 1980 quando, diz a lenda, Bernie Ecclestone teve reuniões com um número de funcionários soviéticos de alto escalão, incluindo o presidente Leonid Brezhnev. Estes não conseguiram fazer um Grande Prêmio e assim Ecclestone fez um acordo para uma corrida em Budapeste.”

Assim, nascia o modorrento GP da Hungria. O fim da União Soviética em 1991 abriria caminho para novas negociações; no entanto, o turbulento período do governo Boris Yeltsin, recheado de instabilidades políticas e econômicas, impediram o sucesso da empreitada. Com o início do governo de Vladmir Putin em 2000, houve uma nova tentativa, coordenada pelo então chefe da equipe Arrows, Tom Walkinshaw. O projeto, como os anteriores, fracassou.

Alheias ao vai-vém das negociações para sediar um GP, as equipes da Fórmula 1 mantiveram os contatos entre a categoria e a Rússia em promoções paralelas bancadas pelos patrocinadores dos times. Desde 2003 é realizado o Renault Roadshow, que percorre várias cidades, incluindo Moscou. Em 2005, a Jordan promoveu uma exibição na mesma cidade. No final daquela mesma temporada, a equipe foi patrocinada pelos cigarros russos Sobranie. Um ano depois, a Jordan era vendida para o canadense de ascendência russa Alex Schneider, montando a Midland F1 Racing, que pretendia ser a primeira equipe russa na F1. O projeto durou apenas uma temporada e a MF1 foi repassada para a Spyker.

 

MF1, o delírio russo de Alex Schneider.

 

Outro evento periódico na capital russa é o Bavaria City Racing, que promove exibições de carros de F1 em Moscou desde 2008.

 

Jenson Button em exibição com sua McLaren no Bavaria City Racing 2010.

 

Neste ano estreou pela Renault o primeiro piloto russo na F1: Vitaly Petrov.

A chegada do “embaixador” russo na F1

Vitaly Petrov carrega mais do que o título de “primeiro russo na categoria”. Sua presença é carregada de  força política e comercial.  Era a oportunidade perfeita que Bernie Ecclestone esperava para estreitar ainda mais as negociações entre a FOM e a Rússia. Petrov, um piloto que demonstra ter velocidade mas ao mesmo tempo é bastante instável, abriu um canal de novos negócios para a categoria em um mercado muito promissor. O logotipo da montadora russa Lada – subsidiária da Renault – estampado nos carros da equipe é uma demonstração clara de que as portas estão realmente abertas para a hospedagem de uma etapa do calendário da F1 no país. O acordo contou com a intermediação de ninguém menos que o primeiro ministro Vladimir Putin.

 

Vitaly Petrov: a Renault é que precisa brigar por dele.

 

Embora envolvido em especulações sobre sua saída da Renault, Petrov é nome certo nesses tempos de vacas magras; além da Lada, a Renault conseguiu por meio do russo os patrocínios da construtora naval Vyborg Shipyard e da vodca Flagman. No entanto, estes patrocínios estarão vigentes até o final da temporada. O grupo Genii de Gérard Lopez – atuais administradores da Renault – falhou até aqui em conseguir um grande contrato de patrocínio de longa vigência que garanta uma estabilidade para a equipe. Tal fragilidade ficou evidente no papelão envolvendo os boatos sobre o retorno de Kimi Räikkönen, desmentidos pelo próprio piloto. Outro resultado do difícil momento vivido pela equipe teria sido a recente dispensa do diretor técnico Bob Bell; segundo Joe Saward, um dos motivos teria sido o alto salário do dirigente.

Neste cenário, se Petrov parecia ser um piloto interessante do ponto de vista comercial, no momento é um piloto indispensável para a equipe.

Enfim, F1 e Rússia se encontram

Em meados deste ano ecoaram rumores sobre a realização de uma corrida nas ruas de Moscou. Um acordo esteve bem próximo de ser fechado, mas malogrou por razões políticas. Saward explica:

Antes do verão Vladimir Makarov, um aliado próximo do prefeito de Moscou, Yury Luzhkov, disse que Moscou estava preparando planos para uma pista de rua, mas muito dependeria da eleição para prefeito no próximo ano, em que Luzhkov estaria fora do poder depois de 18 anos no controle da cidade. Ele foi atingido por uma série de acusações de corrupção.”

Fracassada as negociações em Moscou, os rumos para a realização do Grande Prêmio se deslocaram para outras direções. A cidade escolhida foi Sochi, cidade da costa do Mar Negro. O circuito será construído na mesma área que a cidade  hospedará os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014.

Adam Cooper exibiu em seu blog um desenho “vazado” pelo site F1news.ru do provável traçado do circuito de Sochi.  Uma óbvia (falta de) inspiração dos trabalhos de Hermann Tilke, o arquiteto de Bernie Ecclestone. A vigência do contrato do Grande Prêmio da Rússia será de 2014 até 2020, com opção de extensão.

 

O traçado do circuito de Sochi, "vazado" pelo F1News.ru: um típico tilkódromo.

 

comentários
  1. Marcelo Brum disse:

    Sóchi é uma bela cidade, onde serão disputados os próximos jogos olímpicos de inverno, em 2014 – claro que na região montanhosa, né? (hehehe) Mas já vale como cartão de visitas. Sóchi é também conhecida como o local onde os russos veraneiam, por ser onde ocorrem as temperaturas mais amenas.
    Belas imagens, Vítor. Mas tenho minhas dúvidas se não se tornará uma nova Xangai, ou seja, como um belíssimo autódromo e pouco público.
    Será que chegaremos às 25 corridas por ano? Na minha modesta opinião, seria um exagero.

    Abçs!

    • Vitor, o de Recife disse:

      Marcelo, creio que não. A Rússia é um país menos “deslocado” da F1 que a Turquia e a China. O meu temor é quanto ao circuito, que pelo desenho não deve oferecer um grande espetáculo.

    • Vitor, o de Recife disse:

      Quanto às 25 corridas, acho muito difícil. Por Bernie, seria razoável por motivos óbvios, mas pelas equipes o limite ficaria em 20. Como ambas opções implicam em custos, a situação fica indefinida.

      Grande abraço.

  2. Mari Espada disse:

    Para mim a Rússia é sinônimo de piração! =P
    Pelo menos na arquitetura, com sua influência bizantina, porém muito mais lúdica doque a original.
    Sempre concluí que isso só pode ser efeito do frio e da vodka no cérebro dos arquitetos russos. Hehehe!

    Agora só espero que o Tilke honre essa cultura maravilhosa e planeje uma pista tão emocionante quanto a arquitetura desse país. Já estou ansiosa para ver…

  3. Allan Wiese disse:

    James Allen falou uma coisa interessante: enquanto outros esportes estão se contraindo, a F1 vai se expandindo… Não deixa de ser verdade.
    Mas o que eu me pergunto é se o espetáculo se mantém no mesmo nível. É como dizem: quantidade não é qualidade, ou, é melhor fazer pouco mas fazer bem feito. Nós adoraríamos ter um calendário cheio de provas. Mas, além do fator financeiro e logístico para as equipes, eu não iria gostar de ver quase metade das provas do calendário serem disputadas em tilkódromos…

    • Vitor, o de Recife disse:

      Também odiaria isso, Allan… aliás, qualquer fã da F1 gostaria da manutenção de circuitos como Spa, Monza, Interlagos, Montreal…

      • Allan Wiese disse:

        Albert Park também sempre traz belos espetáculos…
        São os circuitos tradicionais e antigos que dão espaço para os templos faraônicos construídos ao redor de retas e curvas meio sem sentido, infelizmente…

  4. Anselmo Coyote disse:

    Quem já entrou no metrô de Moscou não vai esquecer jamais.

    • Mari Espada disse:

      Igualzinho ao metrô da Sé às 18hs…
      A arquitetura, as pessoas, a limpeza. Tudo igual!

      Não acham???

      • Anselmo Coyote disse:

        Olha a musa-gatinha do blog… rsrsrs.
        Valeu, Mari.
        Sabemos que isso é só para degustação. O metrô é enorme e todo lindo.. lindo demais. Nem dá pra acreditar. Tenho um slide de lá. Preciso encontrar para lhe mandar e disponibilizar para quem quiser.
        Abs.

      • Vitor, o de Recife disse:

        Que coisa mais linda! Só isso vale uma viagem!

  5. Alex-Ctba disse:

    Belas imagens. Eu gosto muito dessa idéia, agora concretizada, de um GP Russo. E se tiver que tirar corridas do calendário para atender a exigência de 20 corridas, candidatas é o que não falta: Barcelona, Bahrein, Valência, todas estas, pistas tediosas

    Só espero que não sacrifiquem Spa ou Interlagos, já que sempre q se fala em tirar uma pista, Spa sempre é citada, e Interlagos, pelo infraestrutura ultrapassada.

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