Interlagos: 70 anos de história.

Publicado: 02/11/2010 por Mari Espada em Artigos, Formula1
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Tudo começou na década de 20 com o engenheiro britânico Louis Romero Sanson que, junto ao urbanista francês Alfred Agache, idealizou um novo bairro entre as represas Guarapiranga e Billings, visando atrair as classes mais ricas da sociedade com uma infraestrutura de um resort, contando com uma praia junto à represa, centros de lazer, ginásio poliesportivo, hotéis de luxo e um autódromo.

O plano estava indo bem até estourar a crise de 1929 nos Estados Unidos, e a revolução de 1932 em São Paulo. Com isso o projeto foi parcialmente retomado apenas no meio da década seguinte, graças ao sucesso que o automobilismo passou a atingir em nosso país, além do incentivo de reverter a má reputação após o acidente da piloto francesa Hellé-Nice, que em 1936 perdeu o controle de seu Alfa Romeo, atropelando e matando 5 pessoas e ferindo outras 30, durante a primeira prova internacional recebida em São Paulo, ainda nas ruas da cidade.

Assim aumentou-se a urgência por um autódromo nacional!

Então em 1939 Interlagos já estava em obras, era o nascimento de um circuito de 8.000 metros (sendo um anel externo de alta velocidade com 3.250 metros, e um miolo com 4.750 metros), um dos poucos fora dos Estados Unidos a obedecer ao sentido anti-horário, inspirado nas pistas de Indianápolis nos Estados Unidos, Brooklands na Inglaterra, e Monthony na França.

Inauguração de Interlagos, em 1940.

Dessa forma, na manhã de 12 de maio de 1940, 15 mil pessoas compareceram à abertura do primeiro autódromo brasileiro. Enquanto “o bonde de Santo Amaro partia da estação na região sul de São Paulo sempre às 7h30 em direção ao Largo do Socorro, as rádios Cruzeiro e Cosmos anunciavam a cobertura de provas de automobilismo, o Barão de Teffé revisava sua Maserati para as provas, o piloto Chico Landi requisitava 500 litros do então chamado álcool-motor com a desculpa de prestigiar o produto nacional, proibia-se os treinos nas imediações do autódromo para preservar a segurança dos operários que ainda concluíam as obras, e morria nos primeiros treinos o piloto Joaquim Simões Souza em um acidente com seu Ford de competição.”

Na estreia do circuito o vencedor foi o piloto Artur Nascimento Júnior, que percorreu 25 voltas da prova no tempo de 1 hora, 46 minutos e 44 segundos.

Largada da corrida Grand Prix, em Interlagos, 1947.

Os precursores da Fórmula 1, a prova Internacional de Carros Grand Prix, foi disputada em Interlagos em 1947, nesta prova varias equipes europeias estiveram presentes e seu ganhador foi o piloto italiano Achille Varzi da equipe Alfa-Romeo, com Chico Landi em segundo lugar.

Neste evento ocorreu o primeiro acidente fatal durante uma corrida em Interlagos, quando o piloto italiano Villoresi perdeu o controle de sua Maserari após o estouro de um dos pneus, inclusive ferindo vários espectadores e levando à morte um deles. Este problema do público assistindo as corridas nos barrancos do terreno, ao lado da pista, só seria resolvido na década de 70.

Largada da corrida de 24 horas, em Interlagos, 1951.

Em 1951 Interlagos foi palco da primeira corrida de longa duração, as 24 horas de Interlagos. E em 1956 foi promovida as Mil Milhas Brasileiras, organizada pela dupla Eloy Gagliano e Wilson Fittipaldi, essa corrida tornou-se um marco do automobilismo nacional da época.

Em sua primeira edição, realizada nos dias 24 e 25 de novembro de 1956, 31 carros largaram para o delírio de mais de 30 mil pessoas que assistiam a prova. A vitória foi da dupla Catharino Andreatta e Breno Fornari pilotando um Ford.

Largada das Mil milhas brasileiras, em Interlagos, 1956.

Ao lado das Mil Milhas, outra tradicional corrida sediada pelo autódromo brasileiro foram os 500 km de Interlagos, criada em 1957 e disputada sempre no anel externo do circuito. A sua primeira edição teve por vencedores Celso Lara Barberis e Ruggero Peruzzo, ao volante de um Maserati Corvette.

Largada dos 500 km de Interlagos, em 1973.

Interlagos foi fechado para reformas em 1967, pois desde a sua inauguração as obras estavam incompletas, faltavam arquibancadas, banheiros, instalações elétricas, infraestrutura básica e, o mais importante, áreas de escape: a pista terminava no barranco!

Em 29 de fevereiro de 1970, o autódromo foi reinaugurado para a realização do campeonato internacional de Fórmula Ford, essa corrida foi vencida pelo jovem piloto Emerson Fittipaldi, que estava em início de carreira.

Emerson Fittipaldi, o primeiro campeão de F1 em Interlagos, 1972.

Em 1971, o autódromo de Interlagos passou novamente por reformas para abrigar no ano seguinte, pela primeira vez, um Grande Prêmio de Fórmula 1. O espaço ganhou guias, sarjetas, galerias para águas pluviais, alambrados nas áreas dos boxes, lavadeiras na pista, túnel para acesso ao interior do circuito e um edifício de quatro andares com dependências para rádio, televisão e tribuna de honra.

Então em 1972 a categoria mais badalada do automobilismo chegou a São Paulo com uma prova experimental, onde Emerson Fittipaldi foi o vencedor, com Ronnie Peterson em segundo.

No ano seguinte, Interlagos passou a receber o GP do Brasil oficialmente. Nesta corrida o publico lotou Interlagos torcendo pelos pilotos brasileiros Emerson Fittipaldi na Lotus, Wilson Fittipaldi Jr. na Brabham, Jose Carlos Pacce na Williams e Luiz Pereira Bueno na March, mas a corrida foi ganha pelo argentino Carlos Reutemann guiando um Brabham.

Assim Interlagos foi aprovado e a partir 1973 faria parte do calendário oficial da Fórmula 1, sediando o GP do Brasil de 1973 até 1977, sendo que em 1978 o GP foi disputado em Jacarepaguá, voltando à Interlagos em 1979 e 1980, para retornar à Jacarepaguá porque a prefeitura de São Paulo estava sem verbas para deixar o evento e o autódromo nas condições exigidas pela FIA.

José Carlos Pace, campeão em Interlagos, 1975.

Em 1975, o piloto José Carlos Pace, apelidado de ‘Moco’, que corria pela Brabham, venceu a corrida de Interlagos, com o compatriota Emerson Fittipaldi na segunda colocação. Essa foi a única vitória na categoria do brasileiro, que morreu tragicamente dois anos depois em um acidente de avião na Grande São Paulo, deixando seu nome para o autódromo de Interlagos a partir de 1985.

No final de 1989 a situação entre São Paulo e Rio de Janeiro inverteu-se, a prefeitura carioca não tinha verba para manter o evento da Fórmula 1. Então a prefeitura de São Paulo, sob o comando de Luíza Erundina, e o atual presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) Piero Gancia, uniram esforços e trouxeram o GP do Brasil de volta para a cidade.

Assim o autódromo de Interlagos passou por uma série de reformas, com construção de novos boxes e torre de controle, e o percurso foi encurtado para 4.325 metros, de acordo com a tendência atual de circuitos com no máximo 4.500 metros de extensão.

Ayrton Senna vistoriando as obras do autódromo em 1989.

A reinauguração de Interlagos aconteceu no dia 23 de março de 1990. A corrida foi vencida pelo francês Alain Prost, com o austríaco Gethard Berger em segundo lugar e com o brasileiro Ayrton Senna em terceiro.

Mas no ano seguinte, em 1991, Senna conseguiu assumir o local mais alto do podium de Interlagos, em uma corrida complicada pela forte chuva e por problemas na caixa de câmbio, terminando a prova apenas com a sexta marcha. Assim ele consagrou-se pela primeira vez frente à torcida brasileira.

Reta dos boxes.

A pista voltou a ser reformada em 2007, quando o asfalto foi refeito para retirar desníveis e irregularidades, além da instalação de dutos de drenagem e da nova entrada para os boxes. Na Curva do Mergulho, uma área de escape mais segura foi construída, além de arquibancadas fixas de concreto na Reta dos Boxes, que aumentou a capacidade para 25 mil torcedores, com banheiros e salas multiuso na parte de baixo.

S do Senna.

Em 2008 realizou-se a construção de mais um módulo de arquibancadas fixas para mais 10 mil espectadores, além da cobertura definitiva da área do Paddock e a construção de um novo hospital dentro dos padrões exigidos pela FIA.

Em 2009 foram feitas reformas de infraestrutura, em vários pontos de Interlagos e a alteração do muro na curva do café, visando uma maior segurança aos pilotos.

Mas como sabemos, ainda há muito que melhorar na infraestrutura do autódromo de Interlagos, ou o Brasil correrá o risco de deixar o calendário da Fórmula 1 em 2014, com a chegada de novas pistas.

Mas essa é uma história que ainda está para ser escrita… só espero que tenha um final feliz!

Fonte: Wikipedia

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comentários
  1. Vitor, o de Recife disse:

    Mari, você está se especializando em historiadora dos autódromos…

    Mais um belo post, parabéns.

    • Mari Espada disse:

      Obrigada Vitor!
      Realmente estou amando pesquisar as histórias das pistas…
      E é sempre bom compartilhar com outras pessoas, que também apreciam esse assunto, aqui no Ultrapassagem.

      Beijos!

  2. wilson costa disse:

    hispania após um ano traumático e ainda ser cobrada, mostrada como algo ruim na f1, ao menos está se movimentando para tentar calar seus críticos

    após acordo, acerto/compra espólio antiga toyota, agora produz um acordo com a williams para mudança câmbio seus modelos

    http://autoracing.virgula.uol.com.br/news.php?id=66365&cat=FORMULA%201&tit=Hispania+usar%E1+caixas+de+c%E2mbio+da+Williams+a+partir+de+2011

  3. wilson costa disse:

    você acredita em Felipe Massa no Brasil?

    Sebastian Vettel é o favorito das casas apostas para vencer o GP do Brasil de F1 neste próximo domingo. O alemão da Red Bull paga $3,40 para cada $1,00 apostado nele.

    Logo em seguida vem Mark Webber pagando $3,50 e depois Fernando Alonso, que paga $4,00. Lewis Hamilton da McLaren, que nunca teve uma performance brilhante no Brasil, está pagando $6,00 por cada $1,00 apostado nele neste momento.

    Os apostadores estão colocando pouca fé em Felipe Massa. Mesmo com o brasileiro correndo em casa e com apoio da torcida, os apostadores parecem ter sérias dúvidas que Massa terá apoio da Ferrari para vencer, portanto a cada $1,00 apostado nele, paga-se $15,00 no momento.

    Buton paga $26,00, Kubica $41,00 e Rosberg $81,00. Zebras como Jarno Trulli e Lucas di Grassi pagam $2.001,00 a cada $1 apostado.

    Mas para quem gosta de arriscar mesmo, o negócio é colocar alguma coisa nos pilotos da Hispania, cada um deles pagando $3.001,00 a cada $1 apostado!

  4. Allan Wiese disse:

    Belo texto, bela história Mari.
    Parabéns. Mais uma vez.

  5. Alex-Ctba disse:

    Valeu Mari, mais um texto para a minha apostila, q já está virando um livro. Espero q ano q vem vc continue esse trabalho de pesquisa, contemplando as outras pistas do calendário, já que começamos por Hockenheim aqui no Ultrapassagem.

    E semana que vem teremos então um post especial, já q vc vai cobrir “in loco” a corrida esse ano, certo?

    Bjs

    • Allan Wiese disse:

      É o ultrapassagem e sua cobertura profissional!

    • Mari Espada disse:

      Obrigada Alex! E já te falei que é uma honra fazer parte dessa apostila, né? =)

      Com certeza continuarei esse trabalho em 2011, 2012, 2013… Enquanto vocês me aguentarem “falando de velharia” por aqui! =P
      Pretendo escrever sobre a história das demais pistas do calendário. E para as pistas que eu já tive oportunidade de escrever nesse ano (Monza, Cingapura, Suzuka, Interlagos), pretendo trazer novos fatos, seja de pilotos, de acidentes, de situações inusitadas, de uma corrida espetacular, qualquer coisa que tenha marcado a história da pista.

      Ao longo dos anos teremos material para um livro, realmente.

      Sem contar que pretendo escrever sobre outras pistas, que não fazem mais parte do calendário, mas que merecem a nossa atenção! Assim como sobre a história das equipes… aliás, o texto da Honda está na fila do forno! =)

      E semana que vem farei um texto (ou mais de um) sobre Interlagos, com certeza!
      Quero falar da minha experiência de ver e ouvir os motores da Fórmula 1 ao vivo, da emoção de assistir aos treinos e à corrida, etc. Além de fazer uma cobertura sobre os acontecimentos no autódromo (diretamente da arquibancada G, hehehe).

      Só é uma pena eu não ter internet 3G para passar as informações ao vivo. Mas se me der uns 5 minutos, acesso pelo celular só pra palar um oizinho aqui no Ultra, hehehe. =P

      Beijos!!!!

  6. Juliana Helena disse:

    Mariiiiii,

    Tô amando muitooo tudo isso aqui!!! meuuuu que legal! Você está especialista em jornalismo esportivo…daqui a pouco ligo a TV e você estará lá…nusssss meu parabéns!!!!
    Beijos 1000

    • Mari Espada disse:

      Obrigada torcedora do lorde Button!!!! Adoro o seu otimismo, sabia??? =D

      Prometo que se um dia eu aparecer na TV, falando de arquitetura ou de automobilismo, vou contar pra todo mundo que sou sua amiga! Hehehe. =P

      Beijos!

  7. Sirlan Pedrosa disse:

    Mari,

    Muito bom e oportuno o texto. Aliás, essa idéia de textos históricos sobre os autódromos é muito boa.

    Uma curiosidade é que dos nossos três campeões de F1, apenas Senna não foi formado em Interlagos, sendo que ele jamais disputou uma prova oficial no traçado antigo, e correu a primeira vez em Interlagos no GP do Brasil de 1990.

    Já Emerson e Piquet andaram bastante na pista antiga, pricipalmente Emerson que cresceu acompanhando os pais trabalharem, ou correrem, na pista.

    Tem inclusive um depoimento de Emerson onde ele relembra a primeira vez que viu Fangio pilotando em Interlagos, em 57 ou 58, quando ficou impressionado com a técnica do campeão argentino. O rato diz que foi ali, sentado naquele barranco vendo Fangio pilotar que ele decidiu que queria ser piloto…

    Um abração,

    Sirlan Pedrosa

    • Mari Espada disse:

      Grande mestre Sirlan, obrigada por apreciar meu texto! =)

      Gostei muito dessa informação que você escreveu sobre o Fittipaldi.
      Bem romântica essa idéia de que, ver Fangio correr por Interlagos, o fez ser o campeão que ele é!
      São tantas histórias bonitas que os autódromos guardam com o passar dos anos… Por isso esses textos históricos sobre os autódromos estarão sempre por aqui, no que depender de mim.

      Beijos!

    • Felipinho disse:

      Nada como uma bela história do nosso templo.

      Sirlan, ta aqui o Piquet em Interlagos em 1976 – F-VW:

      • Sirlan Pedrosa disse:

        Felipinho,

        Lindo mesmo. Valeu.

        Mari,

        Você observou a pista de Interlagos antiga ? Veja a diferença de altura entre a retão e a reta oposta, onde eu propus uma freada forte e um S em subida bem fechado. Observe também após a curva 4, em descida, o lugar onde existiria um S de alta ligando com a reta após a curva da descida do lago. Seria um trecho de “descida/subida” em S feito em alta velocidade. Acho que seria uma coisa maravilhosa.

        Um abração,

        Sirlan Pedrosa

    • Felipinho disse:

      Ah…
      Só para os arquivos a raridade da entrevista do “Nelsinho” Piquet depois dessa prova:

  8. wilson disse:

    Sobre o gp do Brasil

    Confiante, Hamilton fala que tem “tudo a ganhar e pouco a perder”
    http://esporte.ig.com.br/grandepremio/formula1/2010/11/02/confiante+hamilton+fala+que+tem+tudo+a+ganhar+e+nao+ha+muito+a+perder+9943119.html

    Perigo a vista, já anunciado mais uma lambança a vista.

  9. wilson disse:

    para quem curte f1 e é de sao paulo/capital

    Nesta quarta-feira, dia 3, a partir das 18h30 na Livraria da Vila no Shopping Cidade Jardim a equipe do Grande Prêmio lança oficialmente, com noite de autógrafos e tudo, o Almanaque Warm Up. É uma coletânea impressa das principais reportagens publicadas nas sete edições da Revista Warm Up, que só “circula” na internet.

    Na festa, vai ter sorteio de um monte de coisas: kits da Lenovo, parceira da McLaren, uma réplica do capacete de Lewis Hamilton em escala 1:2, óculos HB da grife de Tony Kanaan e até um macacão do Augusto Farfus, que defende a BMW no WTCC. Esperamos todos lá!

    http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2010/11/02/premios-para-todos/

  10. wilson disse:

    para quem tem coração forte e gosta de adrenalina

    nada de frescura. é no sangue, é no pé

    Desafio Ford Focus na argentina, vejam ultimas voltas (video pequeno) vale a pena

    Um bom exemplo a se copiado para alicerçar nosso esporte a motor, categorias iniciais
    http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2010/11/02/aprende-cba/

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