Williams fornecerá caixa de câmbio para HRT. E só?

Publicado: 03/11/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Os noticiários e blogs especializados em automobilismo anunciaram um surpreendente acordo de cooperação técnica entre a Williams e Hispania. Surpreendente simplesmente porque a equipe de Bruno Senna luta para cumprir a temporada… mas o suporte técnico da Williams envolve outros interesses para a escuderia de Grove.

Muitos boatos circulam sobre as duas equipes. Um ponto em comum entre as duas são as dúvidas sobre a saúde financeira. Do lado da Hispania, a grande questão é se a equipe sobreviverá em 2011; da Williams, se manterá a curva ascendente ou se retrocederá depois da perda de vários patrocinadores.

HRT: motores Cosworth e câmbio da Williams em 2011. Mas em que carro?

Inúmeros boatos circundam a equipe do milionário José Carabante. Já se disse que o espanhol teria comprado os espólios da Toyota, incluindo os TF110, o que não foi confirmado. Não se sabe como a equipe conseguiria fundos para tal operação, mas todos lembram que a Hispania correu grande risco de não alinhar em 2010 simplesmente porque devia à Dallara, construtora do carro atual. A escuderia loteou descaradamente seus cockipits para nada menos do que quatro pilotos ao longo da temporada: os então titulares – e completamente inexperientes – Bruno Senna e Karun Chandhok, o japonês Sakon Yamamoto e o austríaco Christian Klien. Todos se revezaram ao custo de alguns dólares para sentar no carro e a equipe bancar a empreitada. A Hispania acompanhou ao longo da temporada o distanciamento das duas outras estreantes da temporada: a promissora Lotus e o ousado projeto da Virgin. Se estas duas equipes já participam de uma categoria à parte da F1, a HRT disputa a GP2 e não sabia.

Agora vem o anúncio da aquisição do câmbio da Williams, o que denota uma certeza de futuro à equipe. Todas as estreantes tem sofrido com os câmbios e sistemas hidráulicos fornecidos pela Xtrac; daí a Lotus ter recorrido à Red Bull e a Hispania à Williams. Falta a Virgin se posicionar, mas não seria estranho que a tradicional escuderia britânica recebesse uma nova encomenda. Vale lembrar que a cooperação técnica com outra equipe não é novidade nas bandas de Grove: a equipe auxiliou a Toyota fornecendo justamente o câmbio durante o acordo em que a montadora nipônica cedia seus propulsores à Williams.

Voltemos às implicações do acordo com a HRT para Grove. Como podemos acompanhar nos noticiários, a Williams está envolvida em especulações sobre sua dupla de pilotos para o ano que vem, com os petrodólares de Pastor Maldonado pressionando por uma vaga para 2011. Os dirigentes da equipe não cansam de elogiar sua dupla atual, mas ao mesmo tempo vêem diversos patrocinadores partirem de uma só vez. Claro que o fornecimento de câmbio para outra equipe resulta em um ingresso interessante – se for honrado – mas por si só não garante nada. Mas abre margem para uma negociação interessante; Maldonado poderia assumir um compromisso com a Williams para mais adiante, correndo sua temporada de estreia em uma equipe satélite. Isso já ocorreu inúmeras vezes; para ficar nos casos mais recentes, lembremos de Felipe Massa, um piloto Ferrari correndo na Sauber; ou, um caso mais extremo, a Red Bull, que possui um time de “juniores”: a Toro Rosso. Muito provavelmente Paul di Resta, piloto da Mercedes, deve estrear em 2011 na Force India, equipada com os poderosos motores germânicos. Acontecerá o mesmo entre Williams e Hispania? Difícil afirmar, mas não é uma hipótese tão absurda.

TF110: o carro que nunca correu... até agora.

Ainda sobre a tradicional equipe do persistente Frank Williams, o insider Joe Saward, em um artigo sugestivamente intitulado A lot of talk in Germany, onde discorre sobre os boatos envolvendo a eterna entrada do grupo VW-Porsche na F1, montou um curioso cenário sobre possíveis candidatas para se associarem à montadora. Vale a pena transcrever os comentários do inglês.

Há sugestões de que várias equipes podem terminar trabalhando com a Volkswagen, notavelmente Red Bull e Williams. A McLaren também poderia ser uma candidata, mas uma aliança não faria sentido uma vez que a equipe britânica está competindo com a VW para vender supercarros. O futuro mais provável para a McLaren parece ser a de fabricante de seus próprios motores, como tem feito com o seu carro de rua, o MP4-12C. Se está construindo um motor próprio para carros de passeio, realmente não faz sentido estar usando produtos de corrida criados por um de seus rivais.

Williams tem sido particularmente inteligente, aproximando-se do grupo Porsche, mas também formando tranquilamente alianças no Catar, emirado que acabará possuindo cerca de 17% do grupo resultante da fusão VW-Porsche.

Ao que parece, o horizonte não deve estar tão cinza para os lados de Grove como se dizia…

comentários
  1. Felipinho disse:

    Se entrar muito dinheiro na Williams, nada como em tempo de testes limitados poder testar componentes e peças na equipe B.

  2. wilson disse:

    descartado entrada da vw na f1 seja como equipe ou fornecendo motores.
    Estarão concentrados no WRC (MUNDIAL DE RALLYE) e corridas longa duração (tipo Lemans)

    vejam:

    “… Volkswagen descarta ingresso na Fórmula 1 mas deverá apostar no WRC

    Nas últimas semanas muito se falou acerca da possível entrada da Volkswagen (ou alguma das marcas do grupo) no Mundial de Fórmula 1, em especial aquando do Salão de Paris, momento em que dois dos mais altos responsáveis da Porsche aventaram com a hipótese da marca regressar à F1. No entanto, de acordo com uma notícia avançada pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, a direção da VW negou essa hipótese, mantendo-se fora do Mundial de F1.

    Segundo informações reveladas por aquele jornal, o presidente da VW AG, Ferdinand Piech, não aprovou a entrada da VW na Fórmula 1, mesmo para fornecer motores. Neste campo, de salientar que algumas equipas já haviam contactado a marca alemã no sentido de estabelecerem uma eventual parceria para o fornecimento de propulsores, nomeadamente a Red Bull e a McLaren.

    No entanto, nos planos da marca estará a entrada no Mundial de Ralis (WRC) com a Volkswagen e, também, a continuação nas corridas de resistência, em especial nos casos da Porsche e Audi (esta sendo uma pluri-vencedora das 24 Horas de Le Mans). “

  3. leandro disse:

    O blog é bom mas as letras são quase invisíveis. Não há como melhorar o tamanho da fonte?

    • Mari Espada disse:

      Leandro, também acho muito pequeno, mas o wordpress free nos limita bastante!

      Boss, está na hora de termos uma plataforma paga, não acha?
      Para podermos configurar melhor o layout do site, as letras, os avatares, etc…

      Beijos!

    • Allan Wiese disse:

      Enquanto isso, dar um pouco mais de zoom na página ajuda. Mas a idéia da plataforma paga já foi levantada entre os editores…

      • Mari Espada disse:

        Hehehe, um CTRL + é a melhor solução! =)

      • Já venho pensando nisso há algum tempo, porém o blog ainda é pequeno para arcar com essas despesas.

        Vamos ver depois de uns seis meses de vida como serão as coisas, porque com média de acessos crescedo e o conhecimento de mais pessoas, junto com a nossa aparição no top list do google podem dar a injeção de “ânimo” que precisamos para investir mais alto e melhorar ainda mais nosso blog.

        Tenho algumas idéias na cabeça que podem melhorar ainda mais o blog, mas é uma coisa pra o futuro…

  4. Allan Wiese disse:

    Vitor, ótimo post.

    Como você mesmo levantou no post, em relação à fidelidade de pagamentos por parte da Hispânia, o fato de o time espanhol ter fechado esse acordo com Groove não garante muita entrada no fluxo de caixa. Não passa perto do montante perdido com a saída dos patrocinadores ao fim dessa temporada. Mas não deixa de ser uma boa perspectiva. E também uma prova de que esses equipamentos são bem feitos pela Williams.
    Seria uma pena se a Williams não voltasse ao lugar a que ela pertencia: uma das grandes da F1. Potencial técnico o time tem e provou isso ao longo dessa temporada. Mas como dinheiro é tudo na F1 de hoje, bem mais do que era quando Frank entrou nessa brincadeira, infelizmente ter capacidade técnica não garante nada.

  5. Mari Espada disse:

    Vitor, matéria oportuna! Parabéns!

    Mas me ficou uma dúvida. Se essa parceria entre a Williams e a Hispania, é também uma relação mútua com a Cosworth, aquela história da Williams vir mais forte em 2011, com motores Renault, não passa de boato… é isso mesmo?

    Só espero que esse acordo seja promissor para ambas as equipes, tanto técnica quanto financeiramente!

    Beijos!!!!

    • Vitor, o de Recife disse:

      Mari, as clientes da Cosworth sofreram com os quesitos potência e durabilidade; não chegaram a abrir o bico muitas vezes, mas perdiam potência depois de certa quilometragem. Mas conseguiram resolver isso ao longo da temporada. A Williams, pelo nohall de anos de F1, foi a principal responsável pelo feedback para a companhia inglesa; por isso, as demais clientes – Virgin e Hispania – se beneficiam por tabela. A cooperação técnica entre Williams e HRT abre uma valiosa possibilidade de troca e acumulação de dados, muito importante em tempos de testes restritos.

      Sobre os motores Renault, falava-se em um salto de qualidade por motivos como a vitoriosa parceria dos anos 90 e pelo fato de serem motores com qualidade comprovada; se não os mais potentes – mérito da Mercedes – pelo menos são os mais econômicos. Não sei como os Cosworth estão hoje, mas me lembro que eram apontados como um dos mais beberrões do grid.

  6. wilson disse:

    com toda certeza, nesse momento, pois o sistema de câmbio está baseado no motor cosworth.
    Então para williams, hispania (e quem sabe tambem a virgin não acaba entrando nessa parceria, pois continua usando o cambio da x-trac).

    Williams deve ter deixado para ir atras fornecedor diferente de motor no decorrer desse ano, mas com toda certeza fechamento negocio em 2012 visando temporada de 2013 quando voltará a utilização motor turbo.

    • Vitor, o de Recife disse:

      Wilson, a Cosworth tem uma experiência recente de longos anos fornecendo propulsores turbo para a Cart/Champcar. Podem passar de motores subestimados para favoritos nesta transição.

      • wilson disse:

        sim, isso eu sei vitor, acompanho a indy.
        mas a f1 não tem brindado a cosworth com bons resultados faz tempo.

        falta uma sinergia atualmente entre a cosworth e as equipe que ela costuma equipar. Eles não são os mais velozes, eles não são os mais economicos, apresentando apenas a questão durabilidade. Vamos ver quem acaba ficando com eles.

        Lotus já alterou seu conceito. Hispania por enquanto não se pode vislumbrar nada melhor deles. Virgin tenho sérios pensamentos que não ficarão muito tempo na f1. Até a hispania que damos como mortos está se movimentando, ao passo que a virgin, nada. Na f1 isso é incomcebível. Depois tem que correr atrás (e muito)

        E sinceramente o frank williams só está com cosworth porque é um pão duro desgraçado e está sem dinheiro, caso contrário no mínimo estaria de renault.
        Essa é a verdade da coisa.

  7. wilson disse:

    digo, procurar fornecedor decorrer de 2011, para correr com novo motor ou até a cosworth mesmo, mas ja configurado com turbo para temporada 2013.

    Foram quatro equipes usando cosworth:
    williams
    lotus
    hispania
    virgin

    williams, tem uma estrutura melhor e aproveitou o que foi possivel em termos de resultados do motor cosworth

    a lotus está pensando em passos maiores e está fazendo o que deve ser feito: novas parcerias, novo fornecedor cambio, motor, etc…
    Provavelmente deverá dar um bom salto de qualidade, ainda mais contando que alguma mais acima se não fizer seu projeto vingar adequadamente, acabar declinando, tipo toro rosso, forceindia.

    virgin: pelo que parece é a que vai ser o fundo do pelotão. Não se mexeu em nada por enquanto.

    Hispania: no papel e no planejamento parece ser um salto e tanto. Além de tambem a principio trazer o de la rosa (pode não ser excelente, mas é mais consistente e importante no desenvolvimento do carro, até por sua experiencia nesse momento com novos pneus da pirelli)

    A williams é sempre uma incógnita: estamos sempre torcendo para que cresça, mas tem sempre nos brindado com o contrário. Precisa se abrir financeiramente e em sua politica interna para atrair um grande parceiro, de vida mais longa e então poder manter-se viva, caso contrário seguirá mesmo caminho da Lotus por ex.

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