Sebastian Vettel: o poder ultrajovem.

Publicado: 10/11/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Sebastian Vettel é sinônimo de precocidade. Foi o mais jovem piloto a participar de um evento da F1 em 2006; o mais jovem a pontuar e a ganhar uma corrida em 2008; naquele mesmo ano, também foi o mais jovem a ser multado na categoria, por excesso de velocidade nos boxes. A última proeza foi a de mais jovem vice-campeão da história. Se faturar o campeonato deste ano, pode quebrar mais uma marca de precocidade.

A meteórica ascensão

Vettel testando pela BMW, 2006.

Sebastian Vettel estreou na F1 em 2006, aos dezenove anos, durante os treinos livres de sexta-feira do GP da Turquia pela BMW. No GP dos EUA de 2007, também pela BMW, substitui o titular Robert Kubica, que se recuperava do grave acidente da corrida anterior, no Canadá. Vettel, que já impressionava pelos tempos obtidos nos treinos livres, surpreende ao já pontuar em sua corrida de estreia. Ainda correria naquela mesma temporada nas últimas sete etapas  pela Toro Rosso, substituindo o norte-americano Scott Speed, demitido após desentendimentos com a cúpula da equipe. Voltou a dar novas demonstrações de que era um piloto diferenciado no GP do Japão de 2007, disputado sobre forte chuva em Fuji. Vettel, com a modesta Toro, acompanhava o líder, Lewis Hamilton, até bater depois de um “test brake” do inglês.

No ano seguinte, cumprindo toda a temporada como titular da equipe júnior da Red Bull, venceu espetacularmente em Monza, também disputado em piso molhado. Estabelecia-se o fenômeno: de malas prontas para a equipe principal, passou desde já a ser elevado ao posto de favorito ao título em 2009. Só que o que ninguém esperava era que a ex-Honda, rebatizada como BrawnGP, faria um carro tão bom. Equipado com os poderosos motores Mercedes e os controversos difusores duplos, a equipe britânica largou muito à frente da Red Bull, que além de ter que atualizar o seu carro com os recursos da rival, sofreu muito com problemas de confiabilidade. Ainda assim, Vettel conquistou quatro vitórias e o vice-campeonato, ratificando o posto de sucessor legítimo da lenda viva Michael Schumacher.

Vitória em Monza alçou o jovem alemão ao posto de fenômeno.

Agora é pra valer

Então veio 2010 e Vettel, com o projeto de Adrian Newey, era o candidato certo ao título. Só que as coisas não andaram como o planejado: na abertura da temporada, no Bahrein, Vettel liderou a prova como o esperado, mas o fantasma da confiabilidade o fez chegar apenas em 4º. Uma prova complicada pelo clima, na Austrália, embaralhou as cartas. A vitória finalmente se concretizou na Malásia e o clima mais uma vez complicou na China.

Todos esperavam que a lógica se estabelecesse depois do acidente de percurso na previsível corrida de Barcelona, mas aí um novo fator complicador, completamente inesperado, surgiu: Mark Webber, companheiro de Vettel e visto por muitos como um reles segundo piloto, surpreendeu a todos ao superar sistaticamente o companheiro nas três etapas seguinte. E aí o jovem alemão revelou seu ponto fraco: uma forte instabilidade emocional. Não é para menos: em sua curta e meteórica carreira, Sebastian Vettel só conheceu o sucesso, livre de qualquer cobrança mais forte por resultados. Na primeira temporada em que era apontado como favorito absoluto – a exceção da etapa inicial, a Red Bull não apresentou sérios problemas de confiabilidade como em 2009 – Vettel teve que encarar uma inesperada luta interna na equipe.

As coisas tomaram dimensões graves no Grande Prêmio da Turquia. Mais uma vez atrás do companheiro, Vettel tentou uma ultrapassagem arriscada e se chocou com o companheiro. Se o acidente por si só já era catastrófico para a equipe,  a reação de Vettel ao sair do carro inflamou ainda mais a situação: ao sair do carro, o piloto imediatamente jogou a culpa da batida no companheiro.

Mas a reação da Red Bull depois da corrida conseguiu ser ainda pior: ao invés de colocar panos quentes,  Helmut Marko e Christian Horner elegeram Webber como culpado pelo acidente. A opinião pública não engoliu. E Mark Webber enxergou nesta o suporte necessário para iniciar uma guerra psicológica contra o companheiro.

Fragilizado emocionalmente, Vettel ainda viu sua imagem ruir perante o público. Desde que estreou na F1, o alemão criou uma imagem além daquela de talento prodígio. Suas entrevistas despojadas e divertidas vão bem além do padrão frio, inumano e sem personalidade da categoria. Vettel transmitia jovialidade e simpatia, mas essa imagem foi arranhada pela superproteção da equipe.

O acidente de Istambul: shit happens!

Depois das feridas abertas em Istambul, Vettel ensaiou uma reação: conseguiu uma quarta colocação no Canadá – à frente de Webber – e reencontrou a vitória em Valência. Mas a polêmica logo voltou na Inglaterra, com o episódio da asa dianteira. Webber usou o novo desastre da direção da Red Bull para tomar novamente a opinião pública para si. Na corrida, tomo a pole de Vettel logo na largada e venceu a prova, com direito à uma provocação no rádio: “nada mal para um segundo piloto“. Vettel mais uma vez acusou o golpe.

No Grande Prêmio da Alemanha, marcado pela controversa manobra da Ferrari, a Red Bull não teve forças para fazer frente à Scuderia. Vettel consegue a terceira posição, mas a reação é logo interrompida na prova seguinte, em Hungaroring. O fim de semana na Hungria começa bem, com o alemão fazendo uma pole espetacular e liderando o começo da prova. Só que o safety car embaralhou as cartas e Vettel comete mais um erro primário. Ironicamente, a intenção era ajudar a equipe: Webber ainda não havia feito o seu pit stop e Vettel, em segundo após a parada nos boxes,  abriu uma grande distância para o carro do companheiro, no intuito que o australiano conseguisse abrir uma boa margem para fazer sua troca de pneus sem perder a dobradinha da equipe. Resultado: Vettel, punido, chegou em terceiro; Webber ganha e vai para as férias da categoria na liderança do campeonato.

Pressionado pelos maus resultados em comparação com o companheiro, Vettel falhou novamente na classificação de Spa. Webber fez a pole enquanto Seb amargou uma quinta colocação no grid. Na corrida, tentando uma recuperação, bateu em Jenson Button; só que ao contrário da Turquia, há dúvidas quanto à culpa do alemão no acidente. Tudo por causa da discutida asa flexível da Red Bull, aprovada em todos os testes da FIA, mas captada em imagens.

A recuperação

Depois de Spa, a Red Bull ia para Monza na rara condição de não favorita. As longas retas do histórico circuito italiano favoreceu os carros da Ferrari e McLaren. Neste cenário, Vettel, em uma prova discreta, consegue superar o companheiro, chegando em quarto; Webber foi o sexto.

Capacete de Vettel em Cingapura.

Uma reação mais convincente foi nas ruas de Marina Bay, no início do giro asiático da categoria em Cingapura. Apesar de não ter vencido em um território apontado como favorito para a Red Bull, Vettel voltou ao pódio após passar toda a corrida colado no câmbio do vencedor, Fernando Alonso. No entanto, o tão esperado reencontro com a vitória aconteceria em Suzuka, com uma vitória incontestável no Japão em mais uma dobradinha da Red Bull. Na Coreia, Vettel cravou sua nona pole no ano e ratificava sua recuperação na prova até ser parado por uma falha do motor Renault. Ao contrário dos outros fracassos da temporada, saiu do carro sereno, consciente do bom trabalho.

E foi com esta serenidade que o jovem alemão conquistou em Interlagos sua quarta vitória na temporada, igualando o número de triunfos do companheiro. E embora com chances mais remotas de levar o WDC que Webber, conta com o apoio da equipe e estará livre para conquistar sua quinta vitória em 2010 no circuito de Abu Dhabi, onde venceu na temporada passada. Mais do que preferência da Red Bull ou lisura esportiva, a decisão dos touros vermelhos é uma certeza de que Vettel, mesmo não conquistando o título de 2010, será campeão mais cedo ou mais tarde.

Quem duvida?

comentários
  1. Allan Wiese disse:

    CRUJ, CRUJ, CRUJ, tchau! Será que o Vettel assistia a TV CRUJ? “Nós somos ultrajovens e merecemos respeito.” Hahaha…

    A temporada de Vettel foi de altos de baixos. Algumas quebras, alguns erros, alguns acertos… Bastante emoção pra cabeça dele. A minha opinião é que ele não merece ainda (muito disso é torcida pra ele não quebrar o recorde de campeão mais novo do Hamiton, haha), precisa aprender um pouco. Mas tem um futuro promissor, não há dúvidas.
    O mais impressionante em Vettel é sua velocidade com pista limpa, ideal para marcar pole positions. Tem tudo pra chegar perto do recorde de poles de Michael.

    • Vitor, o de Recife disse:

      KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, foi buscar, hein? Na verdade, veio de um texto do Drummond, intitulada o “Poder Ultrajovem”. Leitura deliciosa, vale a pena ler.

  2. Vitor, o de Recife disse:

    Off-topic: notícia do Grande Prêmio, que vem dando tantos furos seguidos que a gente até duvida: a Virgin será assumida pela montadora russa de superespotivos Marussia.

    http://esporte.ig.com.br/grandepremio/formula1/2010/11/10/marussia+assume+controle+da+virgin+e+vai+ajudar+a+promover+gp+da+russia+na+f1+10064076.html

    A montadora em questão tem apenas dois anos de vida. Será que completa um na F1?

    • Allan Wiese disse:

      Orra!
      Quem vai dar pulos de felicidade é o Flávio Gomes, apaixonado pelos russos.

    • Felipinho disse:

      Já confirmado, de quebra querem levar o petrov, o que confirma uma vaga aberta na Renault, mas que deve perder um bocado de grana nos patrocínios….

      Quanto ao Gomes, típico que ele elogie e fique feliz, para quem desce o pau nas “lambos”, a cópia descarada feita onde era antes o antigo centro comunista, será elogiada como a oitava maravilha do mundo.

      • Vitor, o de Recife disse:

        Felipinho, eles confirmam o interesse em Petrov, mas só para depois de 2011. Por isso, o russo deve ficar por lá para a próxima temporada.

  3. Eu acho que Vettel falta aprender a ultrapassar, mas ele é jovem e deve melhorar nisso.

    Dos 4 que disputam titulo, gosto menos de Vettel, mas quem for campeão sai merecido.

    Falei dos 4 pois acho que Hamilton precisa de um milagre, mas se matematicamente é possivel, não podemos descartar.

    • wilson disse:

      só precisa, ele hamilton combinar com os deuses do automobilismo.
      se alonso, vettel e webber abandonarem, quebrarem e lewis for campeão eu passo a acreditar em bruxas, fadas, gnomos, duendes, papai noel, etc.
      mudo até de nome e deixo de participar de blogs de automobiismo

  4. Sirlan Pedrosa disse:

    Vitor,

    Vettel errou algumas vezes esse ano, assim como Alonso, Webber e Hamilton também erraram.

    Num campeonato tão disputado como esse os pilotos estão o tempo tudo muito próximos do limite, e o erro vem. É normal. Mas falando em abandonos sem ser por erro do piloto, nenhum outro teve mais “problemas” com o carro que Vettel. Nisso ele é disparado o campeão de azar do ano.

    Concordo com o Rodrigo quando ele afirma que na hora de fazer ultrapassagens o jovem alemão se atrapalha mais que deveria, mas o tempo joga a favor dele e a tendência é que evolua muito nesse quesito.

    Auto confiança ele tem de sobre, velocidade ele também tem, experiência está adquirindo. Podemos estar assistindo o início de uma era na F1.

    Um abração,

    Sirlan Pedrosa

  5. BARBARA disse:

    I LOVE YOUUUUUUUUUUUUU

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