Sebastian Vettel: o que o novo campeão representa?

Publicado: 15/11/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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O nome do novo campeão todos já sabem: Sebastian Vettel. Mas o que representa este título para a F1?

Já apontei Sebastian Vettel como sinônimo de precocidade. Os números estão aí para confirmar:

  • Piloto mais jovem a estrear em um F1: dezenove anos e cinquenta e três dias de idade. Foi nos treinos livres do Gp turco de 2006.
  • Piloto mais jovem a pontuar na categoria: 19 anos e 349 dias, no GP dos EUA, 2007.
  • Piloto mais jovem a fazer uma pole: 21 anos e 73 dias, em Monza, 2008.
  • Piloto mais jovem a ganhar uma corrida: 21 anos e 74 dias, em Monza, 2008.
  • Vice campeão mais jovem da F1, aos 22 anos.
  • Campeão mais jovem da F1: 23 anos, 4 meses e 11 dias.

Sebastian Vettel correu com três equipes diferentes: BMW, Toro Rosso e Red Bull. Já foi “empurrado” pelo motores BMW, Ferrari e Renault. Enfrentou quatro companheiros de equipe nas pistas: seu compatriota Nick Heidfeld (GP dos EUA, 2007), Vitantonio Liuzzi (Toro Rosso, 2007), Sébastian Bourdais (Toro Rosso, 2008) e Mark Webber (Red Bull, 2009 até aqui).

Disputou 62 grandes prêmios, onde conquistou de 15 pole positions, 10 vitórias, 19 pódios e 6 voltas mais rápidas; abandonou 17 vezes. Das 3.118 voltas que percorreu em sua carreira, liderou 646 delas.

Sebastian Vettel, que já foi apontado como o “Baby Schumi”, é o piloto alemão mais bem sucedido depois do veterano multicampeão, de quem é ídolo declarado. E também a constatação de que a onda de grandes pilotos alemães na F1 não se resumiu a Michael Schumacher, ao contrário dos franceses, que viram um grande número de pilotos entrarem na categoria e apenas um colher todos os títulos: Alain Prost, que curiosamente também foi formado por um programa de pilotos (o da petrolífera Elf).

Em cinco anos, o recorde de campeão mais precoce, que pertenceu a Emerson Fittipaldi por mais de três décadas, já caiu três vezes: primeiro em 2005, com Fernando Alonso; três anos depois, com Lewis Hamilton e agora com Vettel. É um sinal dos últimos tempos: desde a profissionalização intensiva que a categoria sofreu dos anos 80 para cá, os pilotos se preparam cada vez mais cedo, contando com um grande apoio especializado.  O jovem alemão teve na Red Bull o alicerce necessário para desenvolver sua carreira. Vettel representa nada menos do que o sucesso do impressionante programa de formação de pilotos dos touros vermelhos, coordenado por Helmut Marko.

Por fim, o que foi o campeonato de 2010 por ele mesmo, Sebastian Vettel.

Estou sem palavras, para ser honesto, eu não sei o que eu devo dizer neste momento. Foi uma temporada incrivelmente difícil fisicamente e mentalmente, mas nós permanecemos acreditando sempre na equipe e no carro e eu continuei acreditando em mim.

Hoje foi um dia especial em todos os sentidos. Esta manhã me levantei, tentei manter a calma e evitar o contato com as pessoas. Como você disse, nós só lideramos o campeonato uma vez, mas quando foi preciso.

Estou sem palavras, como eu disse, o carro estava fenomenal. Na início, Lewis esteve muito perto e então nós tivemos um pouco de graining, mas o carro estabilizou a partir de então.

Foi bom que Lewis voltou da parada atrás do Kubica que o segurou, para que eu pudesse fazer uma diferença, mas, sim, para ser honesto eu não sabia de nada antes de cruzar a bandeira quadriculada.

Rocky [Guillaume Rocquelin, engenheiro de corrida] estava sempre tentando me dar alguns conselhos, eu estava pensando, ‘Por que esse cara está tão nervoso? Devemos estar em uma posição muito boa gente! ‘

Depois de cruzar a linha, Rocky disse: ‘Está tudo bem, mas temos de esperar e, em seguida, ele veio gritando que havia ganho o Campeonato do Mundo.

Tenho de agradecer a todos os mecânicos, todos os engenheiros … desculpe, eu estou me alongando um pouco! … Todos os caras em Milton Keynes estão trabalharam muito para desfrutar este momento e voltar para a Áustria, todos os caras me apoiaram desde o início.

É inacreditável, eu só posso dizer coisas para todo o pessoal do kart em Kerpen, e minha cidade natal Heppenheim.

Eu não sei quantas vezes nós tivemos um líder diferente neste campeonato. A Ferrari estava lá, a McLaren voltou, Lewis estava liderando o campeonato, Lewis teve um abandono na Hungria, eu mesmo na Austrália e na Coréia, e eu acho que todos nós tivemos altos e baixos.

Uma temporada difícil mentalmente, mas às vezes você só precisa ser capaz de ignorar o que as pessoas estão dizendo e fazer as coisas. Estou muito orgulhoso.”

Para mais dados e estatísticas do campeão de 2010, veja o site F1 Stats, a enciclopédia de todo maníaco por F1.

comentários
  1. Alex-Ctba disse:

    Vou repetir aqui o que eu repliquei para o Coyote no outro Post. Vetttel, teve problema em três corridas que ele venceria fácil ( Bahrein, Austrália e Coréia ) além das cagadas que ele fez.

    Não tenho dúvidas que Alonso e Hamilton são mais pilotos do q Vettel, mas o Vettel em uma flying lap é animal. Claro q o Webber é um parâmetro que deixa margens para dúvidas, mas não esqueça q o australiano sempre foi muito rápido em classificação.

    Nessa fase final o Vettel correu como um Veterano. Em Monza, depois do problema, fez aquela estratégia com pit na última volta e superou o Webber. Em Cingapura não arriscou pra cima do Alonso, e foi muito criticado, mas foram 18 pontos fundamentais. Hamilton arriscou pra cima do Webber e perdeu pontos preciosos, assim como perdeu em Monza.

    Na Coréia, após o estouro do motor, mostrou serenidade e já na corrida seguinte venceu. Pra mim, ele conseguiu aprender com as próprias cagadas dentro da temporada ainda, e se perdesse com esse carro, aí sim, merecia toda malhação.

    É claro que ficou marcado pelas corridas estúpidas de Silverstone, Hungria e Bélgica, mas se redmiu e colocou o wdc no bolso, apesar de todos apostarem em Hamilton, Alonso e Webber praticamente o campeonato inteiro.

    Por isso tudo, o campeonato foi merecido, apesar de eu achar a temporada do Alonso mais forte. E respondendo a pergunta do post: Representa renovação da F1, já q pelo segundo ano consecutivo o título não vai para as poderosas McLaren e Ferrari, que provavelmente virão com tudo ano q vem. Só que quem pode contar com Adrian Newey, são os touros vermelhos. Tomara que as novas regras, continue a embaralhar as forças na F1.

  2. Marcelo Brum disse:

    Grande post, Vitor.

    E grande mensagem esta que o campeão nos deixa para reflexão:

    “…mas às vezes você só precisa ser capaz de ignorar o que as pessoas estão dizendo e fazer as coisas.”

    Este foi, verdadeiramente, um grande ano na F1. E que bom que, ainda que no “apagar das luzes”, aquela cagada (desculpem às mulheres) da Ferrari não vai passar de um deslize que, daqui a algum tempo, nem será lembrada.

    Abs!

    • Mari Espada disse:

      Realmente essa frase do campeão rende uma excelente reflexão sobre o esporte e sobre a vida…
      E tudo bem Marcelo, está desculpado pela “cagada”, hehehe. =P

  3. Anselmo Coyote disse:

    Alex,

    Foi sensacional uma fábrica de bebida energética fazer um carro melhor e ganhar o WDC e o WCC de fábricas de automóveis, correndo contra pilotos campeões. A renovação foi muitíssimo saudável, realmente.

    1. Parabéns, primeiramente, ao Webber, que ensinou à Red Bull que é possível ganhar sem fazer jogo de equipe.
    2. Parabéns à Red Bull por fazer carros melhores que Ferraris, Lotus, Renaul, BMW…
    3. Parabéns ao Vettel (ganhou e não tem discussão).

    Quanto à ignorar o que as pessoas dizem… Bom, para mim era o único caminho a seguir. O que não se deve é querer calar as pessoas, coisa que o Rubinho vive tentando fazer. No mais, temos dois ouvidos: um é entrada, o outro é saída.

    Abs.

  4. Sirlan Pedrosa disse:

    Vitor,

    A vitória de Sebastian Vettel também é a vitória da Red Bull, não só do seu programa de formação de pilotos, mas principalmente do seu envolvimento com a F1.

    Poucas são as empresas que tem um envolvimento tão longo e profissional com o automobilismo quanto a empresa austríaca de energéticos. Acho que só a Marlboro entre os anos 70 e 90 esteve tão presente assim, não só na F1 mas também nas demais categorias.

    Como você tão bem descreveu no post sobre o programa de pilotos da empresa, eles começaram o envolvimento com a F1 em 1995, e de lá para cá sempre se mantiveram fiés e investindo, independentemente dos resultados imediatos serem bons ou não.

    A equipe Red Bull foi formada em 2005 com a compra da Jaguar, e Adrian Newey só passou a integrar o time em 2006. É importante ressaltar que muito se fala da genialidade de Newey, mas o fato é que a equipe deu a ele a estabilidade necessária para projetar os carros e evoluir, sem uma pressão por resultados imediatos.

    A Red Bull é um exemplo para empresas como a BMW, Toyota e Honda, para ficar apenas nas montadoras…

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

    • Fernando Kesnault disse:

      Sirlan não te esqueças que tivemos a petrolifera Elf que fez um grande papel neste sentido nos anos 67/84 que gerou grandes pilotos franceses como Lafitte, Beltoise, Pescarolo, Jaussand, Max, Jarrier, Depallier, Pironi, Tambay, Prost, Coulon, Lafosse, Migualt, etc….

      • Sirlan Pedrosa disse:

        É verdade Fernando, a Elf também investiu muito em automobilismo.

        Um abraço,

        Sirlan Pedrosa

  5. Anselmo Coyote disse:

    Off topic,

    Abs.

  6. Mari Espada disse:

    Excelente texto Vitor! Parabéns!!!

    Agora fiquei curiosa para saber a história de Adrian Newey…
    Afinal o campeonato de Vettel não seria o mesmo sem a obra de arte desse gênio.

    Boss, posso preparar um texto sobre ele??? =D

  7. fernando-ric disse:

    E o Massa Zacarias, hein?

    Valeu alguma coisa ser o funcionário do mês? Além da foto na parede?

    Só pela grana mesmo….

  8. Allan Wiese disse:

    Depois de ter ficado de fora do último final de semana da temporada e só ter ficado sabendo que Vettel foi campeão por SMS, cheguei em casa ontém à noite pra saber dos detalhes…
    E parabéns ao Vettel! Como o Alex disse, Vettel é impressionantemente rápido em flying laps. Fez 10 poles em 19 possíveis – mais da metade! – e quando estava com a cara para o vento nas corridas, era muito difícil tirar a vitória dele.
    Ainda tem muito a aprender, principalmente recuperar-se em provas, mas tem um futuro brilhante pela frente.
    Qualquer um dos 4 que ganhasse seria um campeão merecido, pelo conjunto da obra de cada um e cada um dentro dos seus estilos e com as suas particularidades.
    Foi realmente lindo ver um campeonato terminar com um pódium onde os 3 pilotos eram o atual campeão, o da temporada passada e o da temporada anterior.
    E parabéns à Red Bull, que apesar de ter dado preferências à Vettel em alguns momentos, manteve o discurso e agora pode colher os frutos dessas ações.

    Agora vem a dureza: aguentar até março de 2011…

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