Indy já de olho em 2011… e 2012 também!

Publicado: 23/11/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Notícias
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Chevrolet retornará à Indy em 2012.

Com a temporada finalizada já há algum tempo, os bastidores da Indy continuam agitados com as definições sobre os cockpits restantes a serem preenchidos,  anúncios para a temporada de 2011 e até mesmo a de 2012, ano que marcará a estreia dos novos chassis Dallara e o fim do monopólio dos motores Honda. De quebra, mais um capítulo da briga entre as duas empresas que carregam o nome Lotus…

Um futuro de olho no passado

Realmente 2012 promete, pois resgatará alguns dos princípios que fizeram o fim dos anos 80 e os 90 como a fase de ouro da categoria. Naquele tempo, os motores eram turbo e monomarca; as equipes poderiam escolher os chassis de diferentes fabricantes: Lola, Reynard, March ou até mesmo o Penske, fabricados pela tradicional equipe. Este princípio não voltará completamente em 2012 por uma questão de contenção de custos; mas de certa forma, estará presente. Melhor explicando: a Dallara fornecerá uma base do chassi; cada equipe poderá construir em cima desta base um pacote aerodinâmico próprio ou então comprar algum de outro fornecedor, ou mesmo usar o fornecido pela Dallara. É de se esperar que equipes bem estruturadas como a Penske ou a Ganassi façam seus próprios pacotes aerodinâmicos.

A Honda não estará só

Lotus: motores e pacotes aerodinâmicos em 2012.

Entramos então no segundo princípio a ser resgatado em 2012: a diversidade de motores. Desde 2005, com a saída da Toyota, a IRL (depois Indy, com a incorporação da Champcar) é uma categoria monomarca, tendo a Honda como fornecedora única de motores. Em 2012, a montadora nipônica competirá com Chevrolet e, surpreendentemente, Lotus. A participação das duas novas montadoras não se limitarão aos motores: ambas confirmaram que fornecerão também kits aerodinâmicos.

A Ilmor será a responsável pela construção dos Chevrolet. Já a Lotus é um mistério: não se sabe ainda se os malaios construirão os próprios motores ou batizarão as unidades feitas por outra fábrica, como a Cosworth, por exemplo. Esta última alternativa faz muito sentido: a sócia da Lotus Cars na Indy, a KV, é de propriedade de Kevin Kalkhoven, também dono da Cosworth. No entanto, o anúncio da entrada da Lotus como fornecedora de motores foi feita sem nenhuma especificação técnica.

De qualquer forma, a estratégia dos malaios é ambiciosa e respinga na briga entre os grupos de Tony Fernandes, dono da equipe Lotus na F1, e Dany Bahar, representante da Lotus Cars (para entender bem esta briga, confira o excelente artigo do nosso colaborador Sirlan Pedrosa aqui). Fornecer motores e pacotes aerodinâmicos é um recado para Fernandes de que a Lotus Cars possui know how técnico e esportivo, o que a legitimaria como dona da marca Team Lotus, ainda em disputa judicial.

Lotus alinhará dois carros em 2011.

A Lotus Cars patrocinou em 2010 o carro de Takuma Sato em parceria com a KV. Na próxima temporada, dois carros estarão alinhados com a marca; um cockpit deve continuar com Sato, enquanto o segundo ainda será anunciado. Muitos candidatos engrossam a lista, incluindo nomes consagrados da categoria.

Mercado de pilotos continua se movimentando

Justin Wilson, um dos nomes mais especulados para 2011, optou por renovar seu vínculo com a mediana Dreyer & Reinbold. O nome do inglês adquiriu força após duas temporadas brilhantes por equipes de pequeno porte; primeiro em 2009, pela modestíssima Dale Coyne, onde conseguiu uma vitória espetacular em Watkins Glen, a única vitória da história da equipe. Em 2010 ratificou o bom momento em belas apresentações pela Dreyer & Reinbold, em particular nos circuitos mistos, com dois segundos lugares obtidos nos circuitos urbanos de São Petersburgo e Long Beach.

 

Mais um temporada para Justin Wilson na Dreyer & Reinbold.

Se Wilson não está disponível no mercado, dois medalhões ainda continuam sem cockpit: Tony Kanaan e Dan Wheldon, curiosamente dois campeões pela Andretti-Green, ainda não foram confirmados. Kanaan testou pela equipe do compatriota Gil de Ferran, a De Ferran Dragon Racing, mas um acordo entre os dois para 2011 foi rechaçado pelo próprio Gil. O que impede a contratação de Kanaan é o mesmo motivo que prejudica pilotos em todas as categorias do automobilismo: patrocínios. No entanto, seu nome ainda é especulado para preencher o cockpit da De Ferran, que correu em 2010 com o jovem Raphael Matos e espera contar com um piloto mais experiente para desenvolver seu bólido. A permanência de Matos dependeria então da inclusão de um segundo carro. Já Kanaan, que veio ao Brasil em busca de patrocínios, também já foi apontado como candidato à equipes mais tradicionais como o da Newman Haas e Ganassi. Mas uma mudança de categoria não está descartada: o brasileiro foi convidado pelo piloto da Nascar Kyle Bush à correr em sua equipe da Truck Series. No entanto, o plano seria apenas uma alternativa caso as negociações na Indy não tenham progresso.

Kanaan testou pela De Ferran.

As especulações sobre um terceiro carro da Ganassi possui um  candidato certo à vaga: Graham Rahal. O filho do tricampeão da Cart Bobby Rahal conseguiu um considerável aporte financeiro que o habilitaria a conquistar uma vaga permanente em 2011, algo que não foi possível na temporada atual. Em 2010, Rahal foi um verdadeiro nômade: disputou provas pela Fisher, pela Rahal Letterman (Indianápolis e Texas), Dreyer & Reinbold e Newman Haas. Só que o novo carro não seria propriamente uma Ganassi, mas uma equipe satélite. O time principal, que contará novamente com a dupla Dario Franchitti e Scott Dixon enquanto a nova equipe hospedaria Rahal e possivelmente Charlie Kimball, piloto da Indy Lights. Caso se a negociação se concretize, Rahal seria o primeiro norte americano a correr uma temporada completa pela Ganassi desde Jeff Ward, que correu pela equipe na IRL em 2002. Na Cart, o feito coube a Memo Gidley, em 2001.

Já Dan Wheldon não renovará seu vínculo com a Panther. Rumores o ligam ao novo carro da KV, que será patrocinado pela Lotus. Já a atual esquadra da equipe deve anunciar em breve a renovação de Ernesto Viso, venezuelano sustentado pela PDVSA. Já Mário Moraes ainda não foi confirmado e corre risco de sair da equipe.

Tung na GP2.

Nesta semana um novo nome entrou na lista de especulações: o chinês Ho-Pin Tung vem sendo dado como certo em um segundo carro da FAZZT, equipe do canadense Alex Tagliani. Tung é piloto do programa de desenvolvimento da Renault na F1 e possui no currículo um título da F3 alemã e na F-BMW asiática. Em 2010, disputou a GP2 pela DAMS. Sua entrada na Indy abre a perspectiva de um novo mercado para a categoria: é bom lembrar que o circuito de Xangai tem sido ameaçado por Bernie Ecclestone devido ao desinteresse dos chineses pela F1. Com um 2012 abrindo um horizonte animador, não seria de estranhar se a Indy reanimasse o interesse de desbravar novas bandas. Tal qual a boa e velha Cart dos nos 90…

comentários
  1. Ron Groo disse:

    Que carros horrorosos estes protótipos. Tomara que não saiam do papel

    • Vitor, o de Recife disse:

      Vai ser assim mesmo Groo, também entranhei no início, hoje até simpatizo. Mas se você quer ver um protótipo realmente estranho, deve ver o projeto da Delt Wing, felizmente rejeitado.

      Isso sim é um filhote de cruz credo…

      • Matheus disse:

        Referi-me ao primeiro comentário. Este segundo é horroroso. Parecem aqueles carros que existiam nos álbuns de figurinhas 4 rodas de 88/89.

        Com relação ao novo Dallara, para quem não acompanha F-Indy, apesar da categoria ser Open Whells, foi exigido pela IRL às empresas que apresentaram seus protótipos que as rodas traseiras fossem cobertas a fim de impedir que os carros subissem uns nos outros e decolassem, principalmente em ovais.

        Na F1 não tem essa necessidade uma vez que ninguém passa ninguém, ninguém chega perto de ninguém e a corrida que interessa acontece no sábado…E no sábado geralmente o piloto faz a volta com a pista livre…

        É uma questão de gosto, é claro, mas os Indy, graças à Dallara, não possuem os malditos bicos de tubarão horrorosos que a Benetton inventou!

    • Matheus disse:

      Na sua opinião…

  2. Allan Wiese disse:

    Belo apanhado Vitor. É bom saber de outras categorias a partir desses resumões…

    Só um detalhe: “nohall” na realidade é ‘know how”.

  3. Anselmo Coyote disse:

    Eu gostaria de ver a Indy com as regras da F1, principalmente em relação à largada – largar a partir de 0 Kmn/h e não andando – e julgamentos justos, tanto pelos comissários quanto pelas instâncias superiores, evidentemente.

    Com certeza meu ídolo Kobayote seria um sério candidato ao título, porque aquilo é campeonato de pilotos e não de carros.

    Abs.

    PS. Groo, diferentemente de vc, gostei muito do visual do carro da primeira fotografia.

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