Nem tudo é o que parece…

Publicado: 24/11/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
Tags:, , ,

Pastor Maldonado correrá na Williams em 2011. Assim como Sutil e Paul di Resta na Force India. Ou o que dizer da dupla da Toro Rosso, confirmada para 2012? Fatos tidos como certo, não? Bem, no mundo da F1 certo mesmo é que as coisas podem mudar de acordo com os interesses comerciais.

Van der Garde pode ganhar mais do que os 2 milhões de euros...

Definitivamente, Vijay Mallya deve  passar longe dos tribunais. Primeiro, a equipe perdeu a ação movida pelo ex-piloto de testes Roldán Rodriguez,  o que resultou em um rombo de 3 milhões de euros no orçamento da equipe. Depois, veio o caso Aerolab/Lotus: 1.074.730 euros, fora as taxas. Mais tarde, perdeu uma ação movida contra a Etihad Airways e a Aldar por quebra de contrato. E agora, mais um processo movido por um ex-piloto custará à equipe 2 milhões de euros. Quem dá a notícia é a P1 Magazin, revista virtual especializada, em sua 24ª edição. O piloto em questão é o holandês Giedo van der Garde. A ação se refere ao tempo em que a equipe ainda corria sob o nome de Spyker: em 2006, o holandês tinha garantido pelo contrato o direito de percorrer nada menos do que 6000 km em testes. Só que terminou não cumprindo sequer metade disto.

Uma das soluções para a equipe saldar a dívida seria ceder um cockpit para o holandês. Mas não seria no lugar de Vitantonio Liuzzi, como seria de esperar. Joe Saward esclarece:

Adrian Sutil não tem um contrato para 2011. Tonio Liuzzi sim. Paul di Resta, piloto de testes da equipe, também pode ter algumas disposições a favor, mas os detalhes não são claros no momento. Liuzzi está protegido, até certo ponto, pelo Contract Recognition Board,  seu contrato vai ser apresentado com estes termos na Suíça, se houver uma disputa em que possa ter que exercer os seus direitos. Assim, Mallya teria de pagar-lhe provavelmente na íntegra porque apesar das aparências Liuzzi teve um ano decente e a equipe foi culpada por uma série de maus resultados.

Para um melhor entendimento, é necessário compreender o seria o tal Contract Recognition Board:

O Contract Recognition Board (CRB) da FIA é um organismo criado pelas órgão regulador do automobilismo, a FIA, para determinar a legalidade dos contratos de pilotos e para resolver disputas entre equipes da Fórmula 1 em tais contratos. O CRB se reúne em Genebra, Suíça e é composto por juristas independentes, que são considerados como competentes e experientes em leis sobre contratos. Tem como objetivo a resolução dos litígios em poucos dias, ao invés de períodos prolongados que um tribunal tomaria.

O CRB foi formado depois que Michael Schumacher assinou contrato para pilotar pela equipe Benetton em 1991, apesar de ter concordado em discutir um contrato com a equipe Jordan.

Isto explicaria também porque Adrian Sutil não renovou ainda seu contrato; no entanto, outras fontes dizem que ele ainda espera por uma resposta da Renault em relação a Vitaly Petrov.

Liuzzi: as coisas não são tão ruins como parecem...

Sobre van der Garde, o mais provável é que a Force India desenbolse a indenização. Isto porque o holandês passou a ser alvo de uma inesperada especulação: segundo a mesma reportagem da P1 Magazin, van der Garde passou a brigar pelo segundo cockpit da Williams, até então dado como certo para ser preenchido por Pastor Maldonado, conforme noticiou o site Grande Prêmio. De fato, o venezuelano era o preferido a substituir Nico Hülkenberg graças aos seus petrodólares que ajudariam a equipe em um momento que os principais patrocinadores encerraram seus contratos. Mas parece que o piloto da PDVSA encontrou um concorrente à altura.

O empresário [de van de Garde] Jan Paul ten Hoopen, de 25 anos de idade, é também o diretor comercial da marca de moda holandesa McGregor e o sogro do piloto é Marcel Boekhoorn, um dos principais acionistas. Acreditava-se que a McGregor cessaria o seu patrocínio na equipe Williams no final de 2010, mas agora vem sendo reportado na Holanda que o negócio foi prorrogado por três anos. Até agora, Pastor Maldonado parecia estar certo, mas surpreendentemente foi deixado para testar a HRT e Rubens Barrichello pilotou [o carro da Williams] em ambos os dias. Uma forte indicação de que o venezuelano tem sido deixado de lado em favor de Van der Garde.”

P1 Magazin, nº 24.

Enquanto isso, Nico Hülkenberg já admite ser piloto reserva de alguma grande equipe, embora se especule que o jovem alemão estaria negociando com a segunda vaga da Renault ou mesmo na Force India.

Outro nome surpreendentemente posto em dúvida foi o do suíço Sebastien Buemi. Sabe-se que o o contrato do piloto, assim como de seu companheiro Jaime Alguersuari, foi renovado antes do final da temporada, mas bastaram os bons resultados nos testes de novatos em Abu Dhabi do australiano Daniel Ricciardo para começar a pressão por um lugar na F1 para a nova aposta da Red Bull. E se tem alguém na empresa austríaca com talento para fazer polêmica e ao mesmo tempo muito interesse no sucesso de Ricciardo, este seria ninguém menos que Helmut Marko, responsável pelo programa de desenvolvimento de pilotos da companhia austríaca: “Nós tentamos  Bernoldi, Klien, Liuzzi e Speed, sem sucesso”, afirmou o consultor da Red Bull. “Daniel Ricciardo é o próximo talento. Um novo Vettel? Não sei”, acrescenta.

Franz Tost, por sua vez, ressaltou a queda de desempenho de Buemi e, por outro lado, elogiou a ascensão de Alguersuari.

Buemi: em risco na Toro Rosso?

O programa de pilotos da Red Bull realmente revelou muitos talentos, mas quando os pilotos não atingem o sucesso esperado, são desligados sem a menor cerimônia. Os nomes citados por Marko são um exemplo disso. Some-se ainda o apelo comercial: Alguersuari, de fato um piloto que cresceu a olhos vistos, é um espanhol, um país que atualmente é um dos  grandes centros do esporte a motor na Europa, atrás apenas da Alemanha. Buemi, por sua vez, além de não terminar o ano em um momento espetacular não possui atributos comerciais que justifiquem o investimento. Nada está confirmado ainda, mas o fato é que a sombra de Ricciardo já se faz sentir na Toro Rosso.

comentários
  1. Fernando Kesnault disse:

    Pois é…venta prá cá, venta prá lá….mas o aussie Ricciardo é um talento e isso é fato, resta saber se virá prá ficar na f-1, enquanto os torcedores brasileiros tem que aturar Burro Senna e Luca NemdeGraça…hahah

    • Allan Wiese disse:

      Hehehe… Foi legal o trocadilho…

      Mas a F1 não cumpre contratos. A maior prova é Kimi… Como o Vitor disse, se for interessante comercialmente, mantém-se a palavra. Se não, se quebra o acordo. Afinal, é só um contrato né?

    • Matheus disse:

      o Ricciardo testou a RBR não? Ah…será que ele seria um talento pilotando uma Hispania, Virgin, Minardi, Toleman, Osella, Andrea Moda?

      Até quando teremos de aturar quem acredita em conto de fadas? Hoje quem ganha é o carro, e não o piloto…

      • Fernando Kesnault disse:

        Mas tem uns que tem um “braço” melhor que os outros mon ami, acredite e isso é que faz a diferença…..

      • Fernando M. disse:

        Matheus, não é hoje que os carros fazem toda a diferença. Sempre foi assim… O carro melhor sempre tende estar à frente. Isso só muda quando situações adversas ocorrem, como chuva por exemplo. Com a Toleman o Senna chegou lá na frente em Mônaco por causa da chuva. O Vettel ganhou sua primeira corrida por causa da chuva… É que nessa situação o piloto tem oportunidade de demonstrar seu talento porque nivela muito mais os carros.
        A questão não se refere se o piloto consegue ganhar uma corrida com a Lotus, mas o quanto a mais ele extrai do que aquele carro “permitiria”.
        É um exemplo o quanto o Kubica tirou de sua fraca Renault por exemplo.
        O Alonso não fez nada demais na Minardi, nada demais para o campeonato, mas extraiu muito mais do que o carro era capaz de fazer. Isso sempre foi assim na F1 e sempre será.

      • Que diga o Kobayashi. piloto fraco na GP2 e bom na F1.

        Bom, não estupendo, mas pode render com mais experiência e carro bom.

    • Matheus disse:

      Tem…isto é verdade!!! Sempre tem alguém melhor que os outros. Por isto eu torci para o Alonso ganhar o campeonato. O Alonso me faz lembrar bons pilotos. Daqueles que reclamam dos mais lentos, brigam, metem o carro, querem todos o mecânicos trabalhando para ele, não se conformam em perder…

      Lembro-me do Senna dizendo ao seu Milton:

      – Pai, sou o primeiro!
      – Fez a pole?
      – Sim, depois das Williams!

      • Matheus disse:

        Concordo que o melhor carro sempre estará um pouco à frente! Isto é óbvio! Mas a Willians do Mansell era igual a do Piquet em 87. E a de 91 já era melhor que a Mclaren do Senna. As Mclarens de Senna e Prost eram iguais em 88 e 89. As Ferraris de Alonso e Massa eram iguais. E ratifico o que disse sobre o Alonso. A Ferrari estava bem aquém das RBR. E mesmo assim ele soube tirar proveito de sua capacidade e quase ganhar o campeonato. Infelizmente a Ferrari fez a maior cagada com seu jogo de equipe na Alemanha. Desmotivou o Massa que já não é lá grandes coisas e ficou com um carro só para brigar com as RBR e Mclarens

        Mas discordo um pouco Ricardo! Nem sempre é numa situação adversa que o piloto mostra que é bom! O Lotus 97T de 85 do Senna era muito inferior as Mclarens e as Willians. E quantas poles ele fez na temporada? 8 senao me engano!

        Desculpe-em se comento muito do passado. Mas foi a F1 que cresci assistindo. Não consigo imaginar que estes caras aí, exceto o Alonso e o Hamilton, são melhores que Alboretto, Capelli, Nannini, Patrese, Boutsen, Bergher, Alesi e cia!

        E só mais uma coisinha: Numa época com Prost, Senna, Piquet, Mansell em igualdade de condições, o Schumacher chegaria em que posição?

      • Fernando Kesnault disse:

        Matheus, na epoca existia-se motores para treinos e motores para a corrida e a Renault caprichava nas rotações de suas usinas para os treinos…

      • Vitor, o de Recife disse:

        Matheus, para termos uma ideia do quão bom realmente pode ser o Ricciardo temos que ver o que ele fez até aqui. E o currículo não é ruim: um título na F-Renault Européia e outro na prestigiosa F3 Britânica. Este ano foi vice na World Series; mas foi o piloto com maior número de vitórias, o que pode ser um sinal de velocidade, mas com deficiência em constância – não acompanhei o campeonato para saber.

        Mas tem um detalhe que não podemos esquecer: nem sempre um piloto que arrebenta em outras categorias faz o mesmo na F1 e vice-versa. É cedo para apontar o australiano como fenômeno ou um fiasco; mas de fato ele deixou uma boa impressão.

  2. Mari Espada disse:

    Tem um comparativo superficial no portal do uol, mas que ajuda a visualizar todas as vagas em aberto.
    http://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2010/11/24/equipes-pequenas-agitam-especulacoes-para-2011-veja-a-situacao-de-cada-time.jhtm

    Se bem que, como explicou o Vitor no texto, tudo pode mudar de acordo com os interesses comerciais. Então com contrato ou sem contrato, muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte!

    Beijos!

  3. Eduardo De Campos disse:

    E eu achando que o salmo preferido do tio Frank Williams era:
    “Meu piloto é o Pastor, dinheiro não me faltará…”

  4. Fernando Kesnault disse:

    Três ótimas provas neste final de semana: FIGT em Interlagos (penultima prova), V8 Superstars Series (turismo italiano que corrre em várias pistas sendo a ultima prova em Kyalami) e TC2000 (turismo argentino com 7 equipes de fabrica, em San Luis)….duas vias TV com certeza…

    • fernando-ric disse:

      Como? Onde? Quando? Que canal?

      • Fernando Kesnault disse:

        Olá xará, o TC2000 argentino consigo pegar pelo canal treze de buenos aires, geralmente a prova começa às 11h ou 12 hrs., depoois deixo o endereço em htpp. A transmissão das provas da FIAGT acredite, este ano passou sempre no canal bloomberg (canal sobre economia, bolsas e finanças), agora não sei se irão transmitir esta de interlagos mas pelo menos em VT a veremos pelo Speed Channel.

      • Fernando Kesnault disse:

        A TC2000 é ótima temos as equipes da Toyota, Honda, Renault, Peugeot, VW, Fiat, Chevrolet e Ford e a Petrobras patrocina 2 equipes com carros Honda sendo que no ano passado dos 4 primeiros colocados, 3 pilotos eram da equipe Petrobras, dominando, dominando…

    • Vitor, o de Recife disse:

      Tem a final do DTM em Xangai também.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s