A última vitória.

Publicado: 25/11/2010 por Sirlan Pedrosa em Artigos, História da F1
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Piquet, Austrália 1991

A temporada de 1991 era esperada com ansiedade depois dos dois últimos desfechos do mundial de pilotos, com batidas entre Senna e Prost decidindo quem seria o campeão do ano.

Senna continuava na McLaren com Berger a tira colo, mas na Ferrari Alesi substituía o Leão Nigel Mansell, que junto de Prost mostrara-se não mais que um gatinho.

Mansell, aliás, parecia dar passos para trás ao trocar a quase campeã Ferrari pela ainda claudicante Williams/Renault. Até o carro ser apresentado e mostrar toda a genialidade do recém contratado Adrian Newey, ninguém apostava muito as fichas nos já veteranos Mansell e Patrese e nos carros do velho Frank.

A equipe que surgia a época como uma possível desafiante das poderosas Mclaren´s e Ferrari´s era a Benetton.

Nelson Piquet vencera as duas últimas corridas do ano anterior e terminara o campeonato a frente de Mansell e Berger, numa empolgante terceira posição.

O time havia contratado o gênio da época John Barnard, e o B190 projetado por Rory Byrne e modificado pelo inglês fora seguramente o melhor chassi de 1990. Faltava basicamente um pouco mais de potência aos V8 da Ford para fazer frente aos V12 italiano e japonês (em 91 a Honda passaria de um V10 para um V12).

Barnard colocou no B191 todo o seu conhecimento e genialidade. O carro tinha uma aerodinâmica refinada, um fabrico totalmente diferente das partes de fibra de carbono e já tinha previsto o uso de um câmbio semi-automático super compacto (que nunca correu).

A Benetton selou também um acordo com a Pirelli para o fornecimento de pneus sob medida para o projeto de Barnard. A idéia do projetista era inclusive utilizar pneus dianteiros mais estreitos, a fim de diminuir o arrasto aerodinâmico do carro e compensar a menor potência do motor Ford V8.

Era a primeira vez que a Pirelli forneceria para uma equipe de ponta desde sua volta para a F1 pouco tempo antes, e a fábrica italiana estava empolgada com a parceria com a Benetton.

No papel parecia uma combinação perfeita e tendo como piloto um tricampeão super motivado, era de se esperar que esse conjunto fosse capaz até de superar as forças dominantes de então.

Na prática nada disso aconteceu. John Barnard, que era tão genioso quanto genial, não concordou como as coisas estavam sendo geridas no time e saiu a meio da temporada. Os pneus Pirelli jamais foram competitivos e Piquet foi perdendo toda a motivação adquirida em 1990 ao longo de uma temporada decepcionante. Para culminar Roberto Moreno, o amigo e companheiro de equipe de Piquet, foi demitido de forma brusca antes do GP de SPA. No fim do ano Piquet abandonou as pistas aos 39 anos.

Piquet e Moreno, amigos desde a infância.

Mas em meio a tanta desilusão houve um momento de alegria. No GP do Canadá Mansell dominava totalmente a corrida com cerca de 50 segundos de vantagem para Nelson Piquet, que havia galgado essa posição mais devido a abandonos dos outros que a velocidade do carro.

GP do Canadá, 1991, última vitória de Piquet e Pirelli.

Na última volta o Leão, certo da vitória, diminuiu o ritmo e começou a acenar para a torcida. Em uma das curvas ele deixou o giro cair tanto que o gerador parou de funcionar, e como carro de F1 praticamente não tem bateria os sistemas elétricos que comandavam o câmbio semi-automático pararam de funcionar e o cambio da Williams de Mansell ficou preso em sexta marcha, sem possibilidade de troca.

Mansell foi parando…parando…e Piquet passou para vencer sua última corrida da carreira.

A última vitória de um pneu Pirelli na F1.

Piquet se acabando de rir no pódio do GP do Canadá.

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comentários
  1. Vitor, o de Recife disse:

    Parece que a vitória persegue os campeões… mesmo quando esses nem tem condições de persegui-la.

    • Jackson disse:

      Verdade Vitor, igualzinho o Fernando Alonso, vide GP da Korea… Sorte de campeão é sorte de campeão…

      • Vitor, o de Recife disse:

        Com certeza, Jackson, a do Alonso foi muita sorte, mas pareceu mais com aquela vitória do Schumacher em Barcelona, 2001. Mas tem exemplos mais inusitados, que são mais semelhantes ao do Piquet no Canadá: quem imaginaria que Damon Hill ganharia em Spa, com Jordan, em 1998? Essas surpresas é que dão um tempero especial ao automobilismo.

        Tem outras ironias históricas nessa vitória do Piquet: foi no mesmo circuito que ele perdeu o que seria seu primeiro título para Alan Jones, em 1980.

  2. Felipinho disse:

    Lembro dessa corrida, ri muito do Mansell, hahaha, so ele para perder corridas desta forma.

  3. Sirlan Pedrosa disse:

    Claudemir,

    Essa primeira foto que você escolheu está linda. Parabéns !

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

  4. Will disse:

    Ah! Que post legal…

    Obrigado Sirlan!

    • Obrigado Sirlan.

      E galera, isso é que é uma foto linda mesmo.

      Mais uma vez a nostalgia bate a porta, esse negócio de carro com fundo de madeira é coisa de gente chata, rsrs, tinha que ser assim, pra sair faísca mesmo. Se é pra questão de regulamento, que achassem outra forma de regulamentar isso e nos deixassem com essas belas imagens.

      Lembram, claro que lembram, de Senna e Mansell na reta de Barcelona, faiscando e um olhando no olho do outro, aquilo sim era divertido.

  5. Ron Groo disse:

    Ele conta que ao passar por Mansell deu thchauzinho. Ahahahaha

  6. Allan Wiese disse:

    Belíssima imagem desse tubarão faiscante mesmo…

    Sirlan, que outras corridas ganhas já foram perdidas nos instantes finais?

    • Vitor, o de Recife disse:

      O pessoal deve se lembrar de mais, mas uma marcante foi a que citei, do Hakkinen em Barcelona, 2001. Foi na última volta…

      • Não foi na última volta, mas foi doído de ver:

        É bem verdade que Rubens ficou nada menos que nove anos sem completar uma prova no Brasil (entre 1995 e 2003), mas chegou muito, muito perto de vencer em 2003. Naquele ano, Barrichello fez a pole, marcou a melhor volta e liderava com tranquilidade antes do pit stop que colocaria combustível suficiente para que a Ferrari número 2 completasse as 71 voltas do GP Brasil na ponta – a prova acabou sendo interrompida na volta 54 em função de um múltiplo acidente que envolveu, entre outros, Fernando Alonso e Mark Webber, com a vitória sendo dada a Kimi Raikkonen e depois repassada a Giancarlo Fisichella.

        Mas o pit stop de Barrichello não aconteceu e ele ficou parado na volta 46 sem gasolina – algo inacreditável numa equipe eficiente como a Ferrari. Alguns podem falar em conspiração para favorecer Schumacher ou algo do tipo, mas o alemão já havia abandonado a prova depois de rodar na Curva do Sol na volta 26.

        Que coisa menino… Vai na macumba tirar essa urucubaca.

    • Sirlan Pedrosa disse:

      Allan,

      Tem muitas…o próprio Piquet uma vez perdeu uma corrida nos EUA assim na última volta, se não me falha a memória. Quem herdou a vitória foi Michele Alboreto com uma Tyrrel.

      A última vitória da Tyrrel….

      Um abraço,

      Sirlan Pedrosa

      • Belo post Sirlan, muito bom mesmo, mas era claro que o Piquet e sua vitória “engraçada” chamaria a atenção de todos.

        Podemos fazer um post sobre a história da Pirelli na F1.

        E estou quase terminando a Pauta para a pós temporada.

      • Fernando M. disse:

        Eu queria escrever esse texto da história da Pirelli na F1… ou outros! heheheh…

      • Vitor, o de Recife disse:

        Fernando, mande o texto para: equipeultrapassagem@gmail.com

        Seja bem vindo!

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