Saward: Ferrari voltando ao passado?

Publicado: 26/11/2010 por Allan Wiese em Artigos, Formula1, Notícias
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Corpo técnico da Ferrari em risco? Seria uma péssima ideia.

Joe Saward, famoso insider da F1 e fonte de muitos bons posts por aqui, publicou algo interessante em seu blog ontém (25/11/2010), relacionado à Ferrari e ao tempo em que demissões eram muito comuns na Scuderia.

Segue, em tradução livre, o que Saward fala:

Havia um tempo na Ferrari em que eles costumavam gastar suas vidas sendo jogados de um lado para o outro pela mídia e demitindo pessoas que cometiam erros. Isso foi assim por anos e o resultado é que as pessoas tinham medo de cometer erros e, por consequência, medo de tomar decisões. Isso se tornou uma cultura e levou muito tempo para ser mudado. O fato é que isso mudou principalmente por Jean Todt e sua insistência na sua equipe.

Assim, há uma apreensão sendo criada ao se ler na imprensa italiana que cabeças irão rolar depois  dos erros cometidos em Abu Dhabi. Isso seria uma péssima idéia. OK, um erro foi cometido em Abu Dhabi e Fernando Alonso provavelmente perdeu o título como consequência, mas “jogar o bebê fora junto com a água da banheira” provavelmente não é a melhor resposta. Algo que a Ferrari já deveria saber é que estabilidade gera sucesso – e isso não é fácil. Assim, fazer muitas mudanças não é algo esperto.

O fato é que o campeonato mundial não foi perdido pelo ocorrido em Abu Dhabi mas sim porque o carro não foi rápido ou confiável o suficiente e erros foram feitos no pitwall mas também no cockpit. Assim, é melhor trabalhar junto e olhar pra frente do que voltar aos maus velhos costumes da Ferrari de antigamente.

Um ponto que é mais interessante em alguns aspectos é o fato de a Ferrari não ser mais controlada por Luca di Montezemolo.

Saward, alguém que tem longa experiência cobrindo a categoria, fazendo-o com seriedade, sabe do que está falando. Talvez por orgulho da Scuderia é mais fácil acusar um ou dois estrategistas pela perda do título do que admitir que ele foi perdido não apenas em Abu Dhabi, como destacou Joe. E é interessante notar que a Ferrari, em diversas situações, parece estar  – ou querer estar – acima de tudo e de todos, inclusive do bom senso.

A grande questão é que contratar novas pessoas é começar do zero uma caminhada que estava iniciada anteriormente. A não ser que a equipe seja realmente incompetente – o que seria péssimo, pois mostraria que não souberam contratar adequadamente – essa não é, de fato, a melhor solução. A própria história recente mostra que continuidade gera frutos. Vide o sucesso da era Schumacher. E seria bom para Maranello lembrar-se que, quando Michael chegou à equipe, levou 3 anos para que um título fosse conquistado. Se o objetivo da contratação de Alonso é repetir uma “era Schumacher”, então é bom que a Ferrari mantenha o time como está, para que possa haver cada vez mais entrosamento. Se no primeiro ano eles já chegaram tão perto, então as coisas não estão tão erradas assim.

Quanto ao que Saward falou em relação à saída de Montezemolo, não vi mais nada a respeito em outros lugares.

comentários
  1. Fernando Piccione disse:

    Pessoal ,

    Bem off topic mas achei engracado.
    Nada contra o Massa e seus torcedores, eu pessoalmente penso que esse 2011 sera melhor para ele contra Alonso masss…

    By the way tirei o link do Blog do Fabio ¨Dona Fifi¨Seixas que diz ser a favor da degola em Maranello.

    Abraco

  2. Vitor, o de Recife disse:

    Já deram uma aliviada e colocaram a culpa em um objeto: o túnel de vento. Luca di Montezemolo também adotou um tom conciliador.

    “Chega de falar do que aconteceu. Durante todo o ano vencemos muito e perdemos muito também, juntos. O único que ainda não se recuperou do fracasso fui eu, mas já estamos trabalhando”.

    http://tazio.uol.com.br/f-1/textos/22704/

    Agora colocar o Chris Dyer, engenheiro de sucesso nos tempos de Schumacher e Raikkonen pra fora seria uma burrice monstruosa.

  3. Anselmo Coyote disse:

    Joe disse isso:
    “Algo que a Ferrari já deveria saber é que estabilidade gera sucesso – e isso não é fácil. Assim, fazer muitas mudanças não é algo esperto.”

    Allan disse isso:
    “A grande questão é que contratar novas pessoas é começar do zero uma caminhada que estava iniciada anteriormente. A não ser que a equipe seja realmente incompetente – o que seria péssimo, pois mostraria que não souberam contratar adequadamente – essa não é, de fato, a melhor solução. A própria história recente mostra que continuidade gera frutos. Vide o sucesso da era Schumacher. E seria bom para Maranello lembrar-se que, quando Michael chegou à equipe, levou 3 anos para que um título fosse conquistado. Se o objetivo da contratação de Alonso é repetir uma “era Schumacher”, então é bom que a Ferrari mantenha o time como está, para que possa haver cada vez mais entrosamento. Se no primeiro ano eles já chegaram tão perto, então as coisas não estão tão erradas assim.”

    Bom, essas moedinhas ficarão guardadinhas; serão úteis na hora do troco….rsrs.

    PS.: Eu concordo inteiramente com as duas frases destacadas e as tenho como princípio.

    PS-2.: A questão ter culhões para sustentar em todo tempo e lugar.

    Abs.

  4. Fernando Kesnault disse:

    Engraçado…em 1999 era o ano do Irwine ser campeão com a Ferrari e eles não quiseram..preferiram esperar o chucrute melhorar (acidente em Inglaterra/99) para ser campeões em 2000…esta equipe é tão suja qto. aos grupos organizados do crime da Italia (Mafia, N’Drangheta, etc..) que se espalharam e disseminaram no mundo…

    • Allan Wiese disse:

      A cena do pitstop “fail” do Irwine é ridicula…
      E o mais impressionante nisso tudo Kesnault é que mesmo com todo esse histórico de querer estar acima de tudo e de todos, seus fãs continuam fiéis ao redor do mundo.
      Por mais arriscado que possa ser dizer isso: a marca Ferrari tem clientes “elitizados” e, muitas vezes, o perfil desses clientes faz com que eles não deem a mínima para o que a Ferrari faz em nome da equipe.
      Deixa eu esclarecer algumas coisas, pra não ser mal interpretado pelo que disse acima: sou capitalista e gosto de dinheiro. Tenho uma empresa pra isso. Mas tenho princípios que procuro seguir. E, mesmo que um dia tenha dinheiro suficiente para comprar uma Ferrari, não sei se compraria (por mais que seja um mito do automobilismo, simpatizo mais com Porsches, hehe).

  5. Fernando Kesnault disse:

    FIA GT em Interlagos, teremos Lamborghinis, Maseratis, Corvettes, Nissans, Aston Martins, muitas disputas e preço acessível…se eu estivesse em outra situação taria lá, assistindo…e se os fãs brasileiros de automobilismo fossem mais abertos com relação à cabeça estariam a falar e querer assistir, mas como são gado da Globo, já viu né?? Tudo obtuso e burro…

    • Allan Wiese disse:

      Deve ser lindo ver essa categoria de turismo de verdade correndo e não essas bolhas ambulantes que chamam de Stock car…

      • Roberto Risadinha disse:

        Carros de Turismo e Carros de Stock (Garagem) são coisas completamente diferentes. Categorias diferentes!!!

    • Roberto Risadinha disse:

      Discordo!

      90% dos ingressos para a F-Indy em São Paulo foram vendidos em 3 semanas. A Globo tem asco à F-Indy…

      • Fernando Kesnault disse:

        Roberto, a F-IndyCar é transmitida e parece ter os seus direitos em Brasil destacados à Band que de um modo e de outro é um quase satelite da RGT.
        Quem pegasse os direitos de transmissão da FIAGT e LeMans Series e colocasse um pessoal que entenda de verdade da categoria e se dispusesse a “ismiuça-la” em programas-documentarios seria um “maná” que muito “babão” pela f-1 iria se interessar e ao mesmo tempo ver e ter o senso crítico que a f-1 é só uma parte comercial-propagandista da FIA, e que deixou de ser esportivo faz tempo.

  6. Roberto Risadinha disse:

    Continuo discordando…

    Acompanho a F1 desde meados dos anos 80. Acompanho a Indy desde este período também. A Nascar passei a acompanhar por volta de 95/96. Nunca me interessei em acompanhar em turismo, le mans, etc. Não gosto, não me interesso, não me atrai. Mas sou fã de automolismo! É questão de gosto!

    Que canal vai bancar um evento que nem a própria organização privilegia? Ou você vai me dizer que show do Paulo Ricardo atrai público que gosta de automolismo? Não foi só a F1 que deixou de ser algo para ser tornar lucrativo. Todos as categorias de todos os esportes tomaram esse caminho? Não leu o bonitão acima dizer que quer dinheiro suficiente para comprar um Porsche porque não simpatiza com Ferraris? Comprar uma Ferrari é ser elitista, um porsche não??? O mundo é capitalista e enquanto existirem os porcos capitalistas (e não me venha com o papo de Rede Globo. É o país inteiro) seremos meros reféns!!!

    • Fernando Kesnault disse:

      Entendo o que disse Roberto…seria uma questão de cultura não??

    • Allan Wiese disse:

      Roberto.
      Quando disse acima que prefiro Porsches à Ferraris, foi por gosto/preferência e identificação com a história da empresa. Por isso que ficou entre parêntesis e não na frase principal. Comprar tanto Porsches quanto Ferraris é ser capitalista e elitista. Mas, naquele comentário, o que destaco é que mesmo com a história da Ferrari no automobilismo, recheada de escândalos, seus fãs e clientes continuam fiéis a marca. Atribuí ao fato de, por ser uma marca elitista, talvez seus clientes concordem, mesmo que no inconsciente, com essa postura.
      E mesmo eu tendo afirmado que sou capitalista e gostar de dinheiro, não sei se compraria um bem de tamanho valor – Ferrari ou Porsche.

      Quanto à transmissão ou não dessas categorias, penso que é complicado algum canal de TV aberta bancar isso, como você destaca.
      A F1 ainda é acompanhada no Brasil porque a memória de Senna, Piquet e Emerson ainda está viva na cabeça das pessoas. Mas do jeito que as coisas estão caminhando com os nossos pilotos, em menos de uma década os níveis de audiência da F1 podem se tornar proibitivos para se transmitir.
      A Stock, que seria mais semelhante às categorias de turismo, tem audiências bem menores e é tratada com descanso pela Globo. Assim, é difícil que outra categoria desperte a atenção das emissoras.
      Um certo destaque para a RedeTV!, que tenta mudar isso. Ela transmite corridas do GT Brasil. Mas ali falta o que o Kesnault falou: conhecimento da categoria para despertar atenção do público.

  7. Roberto Risadinha disse:

    Mas é isto aí! Os otários que se preocupem em ganhar dinheiro e comprar seus bens ostentáveis que nós vamos comendo as mulheres deles…

    • Ffigueiredo disse:

      Pô Risadinha, se manca brother.

      Sua opinião aqui é muito importante…como a minha e como a de todo mundo aqui, cara.
      Mas vai mais leve aqui…que a gente é meio “velhinhas inglesas”…a gente gosta de opinião, mas não de baixaria.

      Fernando

  8. Anselmo Coyote disse:

    “Mas é isto aí! Os otários que se preocupem em ganhar dinheiro e comprar seus bens ostentáveis que nós vamos comendo as mulheres deles…”

    Que apelação, Risadinha…. rsrs.
    Você me arrumou uma bela dor de cabeça e me livrou de outra. Primeiro, porque a dor (ou o medo da dor) que eu tinha não é por causa de chifres nascendo, porque eu não sou rico.

    Mas, fiquei com a pulga atrás da orelha. Somente as mulheres de quem gosta de dinheiro traem? E todas traem? Eu estou veramente preocupado, porque eu gosto do vil metal. E só traem com quem não gosta? Tem um cara que mora aqui nos meus arredores, um vizinho xexelento, ai, ai, ai… que não gosta de dinheiro – todos sabem disso, mas dizem que ele é gay. Será que a minha mulher vai querer alguma coisa com um gay só porque ele não gosta de dinheiro e eu gosto – isso se eu ganhar dinheiro, claro?… rsrs!

    E as mulheres que também gostam de dinheiro? Estas estão proibidas de trair então. Ou as que traem gostam de dinheiro mas não gostam de quem gosta? Danou-se, porque dizem que quem gosta de homem é viado, pois as mulheres gostam mesmo é de dinheiro. Neste caso, se elas não gostam de homens vão trair com viados – provavelmente minha mulher vai me trair com o viado xexelento que mora perto da minha casa – tô fu…

    Não avacalhe, Risadinha… explique melhor esse negócio aí pra gente, moço. Complicou demais. Nem o Oswald de Souza, aquele matemático da mega-sena, fecha esse caixa. Tá danado.

    Abs.

    PS. Só vou contar pra minha mulher que gosto de dinheiro quando eu estiver bem velhinho e ela também. Assim vingo, por antecipação, dela e do meu vizinho, viadinho xexelento, atrasando o encontro dos dois.

  9. claudio cardoso disse:

    Boa noite Allan.

    Com todo respeiro a voce, mas o Joe Saward é um que fala uma quantidade de besteira tao grande, que nao levo nada a serio o que ele escreve.

    è so recapitular desde a pre temporada tudo que ele escreveu, e as coisas que aconteceram e tu veras :-)

    Abraços

  10. Laysson disse:

    Interessante essa questão da Ferrari. Bom, o projeto mesmo de ressurgimento, coloco mais na conta do Todt, que quando entrou no início dos anos 90 começou a estruturar a equipe. Um comando mais cosmopolita, sem tantos italianos batendo cabeça entre si. Equipes de projetistas, estrategistas, o piloto Schumacher e junto dele Ross Brawn vindo da Benetton.
    Essa cúpula já saiu quase que completamente da escuderia. A impressão é de que tentam manter o nível de organização que Todt implementou, respeitando seu legado. Mas administrar uma herança é mais difícil que criar e administrar o próprio legado, pois a cúpula atual não pensa como a criadora.
    O nível de investimento e a administração desse legado, ainda permitem a equipe a galgar vitórias e títulos. Mas a equipe precisa construir uma nova cúpula, tal como é feito hoje num programa de jovens pilotos. Eles trouxeram um homem forte da Mclaren (Pat Fry) no meio do ano, e muita gente atribui a melhora no segundo semestre á ele. Pra mim, precisam fazer mais, e tal como era nos tempos de Todt, planejar a médio/longo prazo. Como evidentemente não abandonarão a atual metodologia, que o façam em paralelo, e implementem aos poucos.

    • Allan Wiese disse:

      Perfeito Laysson. É só observar: muitas empresas familiares quebram na segunda geração porque os filhos não conseguem manter a linha de administração dos pais.
      E nas grandes corporações, se há uma ruptura muito abrupta, sem planejamento e acompanhamento daqueles que irão assumir, acontece o mesmo.

      • claudio cardoso disse:

        Viu Allan o que eu disse antes.

        Montezemolo ja veio a publico desmentir o que ele escreveu

  11. Tomás Motta disse:

    Luca di Montezemolo:

    “Mudanças dentro da equipe? Não é nossa filosofia, porque, por anos, adotamos uma política baseada na estabilidade dinâmica. Alguns pequenos ajustes são possíveis, mas nenhuma grande perturbação.”

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