Os 10 melhores de 2010.

Publicado: 01/12/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Ah, as listas… fontes inesgotáveis de polêmicas. Não fugirei da difícil missão de apontar que foi o melhor na minha opinião, mas restringirei o período: a escolha aqui se refere apenas à temporada de 2010. Reitero que esta é, obviamente, uma lista completamente subjetiva.

Comecemos de baixo para cima; afinal, uma temporada decidida na última prova deve manter a curiosidade do resultado final até o último momento.

10. Nico Hülkenberg

Havia uma boa expectativa sobre o jovem alemão, devido ao seu currículo, que conta com títulos na F-BMW, F3 (Européia e Master) e GP2, em 2009. Ainda por cima, é bem acessorado: seu empresário é ninguém menos que Willi Weber, que trabalhou durante anos com o multicampeão Michael Schumacher. No entanto, seu início na F1 foi claudicante: além da Williams contar com um carro bastante difícil no começo da temporada, a limitação dos testes impôs uma dura condição aos novatos. Mas com o decorrer do campeonato, Hülkenberg conseguiu se firmar, andando no mesmo ritmo do experiente companheiro Rubens Barrichello e tendo como ápice a magistral pole position em Interlagos. É, sem dúvidas, um grande nome para o futuro da categoria.

9. Rubens Barrichello

Em 2011, Barrichello disputará sua 18ª temporada. Ninguém permanece tanto tempo por acaso; deve, no mínimo permanecer competitivo. E competitividade não faltou ao veterano piloto em 2010, que se encaixou como uma luva na tradicional escuderia britânica. É sabido que a Williams passa por um momento de vacas magras e a experiência e motivação do brasileiro foram muito importantes para a boa temporada da equipe em 2010. Inúmeras vezes o brasileiro levou o carro no braço à improváveis classificações no Q3 e conquistou pontos importantes que levaram a equipe à 6ª colocação no mundial de construtores. A dura disputa com o desafeto Michael Schumacher em Hungaroring prova que Barrichello ainda tem lenha para queimar em 2011 ou quem sabe até mais adiante…

8. Nico Rosberg

Rosberg sempre foi um piloto subestimado (inclusive por mim). Impressionou em seu ano de estreia na F1, com a volta mais rápida no Bahrein, mas sempre alternou entre bons e maus momentos. Com o anúncio de Michael Schumacher como companheiro de equipe na Mercedes em 2010, muitos olharam sua chance de finalmente mostrar talento em uma equipe competitiva enterrada. Ledo engano: Rosberg contrariou todos os prognósticos negativos correndo com competência e constância e bateu com facilidade o estelar companheiro. É bem verdade que Schumacher estava enferrujado, mas Rosberg consegiu ser melhor nos bons e maus momentos da equipe em 2010. A briga entre o jovem alemão e a lenda germânica em Suzuka foi mais do que uma luta por posições: foi um prenúncio de que em 2011, Rosberg vai lutar para que seu status na equipe permaneça, mesmo com uma esperada melhora de Schumacher.

7. Mark Webber

“O quê??? Webber em 7º??? Está louco!!” Talvez esta seja a reação de muitos ao colocar um dos contendores do título apenas na sétima colocação. De fato, Mark Webber mostrou uma surpreendente constância e velocidade que o credenciariam a um justo título nesta temporada, tão legítimo como o de qualquer um dos demais postulantes. Só que justo no momento mais decisivo, quando precisava mostrar algo mais, se deparou com suas próprias limitações. Outro motivo que desabona suas qualidades em relação aos que estão à sua frente é o fato de possuir o melhor carro de toda a temporada e, diga-se de passagem, muito melhor que a concorrência em vários momentos. A Red Bull tinha tudo para promover um domínio maçante não fosse a inconstância de seus pilotos, em especial Webber, que ora brilhava, ora sumia por completo.

Mas o australiano teve seus momentos. Em determinadas corridas, correu como os grandes: Monte Carlo, uma prova complicada que poderia ser perdida pelo safety car e Webber venceu com facilidade; Hungaroring, onde converteu um revés em relação ao companheiro em vitória; ou mesmo na Turquia, onde sobreviveu ao ataque de um emocionalmente instável Vettel. Mas sem dúvidas, a corrida de Silverstone, onde sua vitória teve um sabor de justiça pela desastrada decisão da Red Bull na polêmica das asas dianteiras, foi o ápice da trajetória de Webber em 2010.

6. Robert Kubica

Há quem ainda duvide do talento deste piloto polonês, provavelmente por influência dos constantes e exagerados elogios do desagradável narrador da detentora dos direitos de transmissão no Brasil (ela não me paga para pronunciar seu nome). Mas em em um carro de qualidade inferior às principais equipes, Kubica conseguiu desempenhos notáveis em vários momentos: pódios na Austrália e Mônaco, a brilhante prova que resultou na terceira colocação em Spa, fora inúmeras classificações além do limite do carro. Mas sem dúvida foram as ultrapassagens em pistas difíceis de passar como Cingapura e Abu Dhabi que ficaram na memória dos fãs da categoria (sugiro assistir o vídeo sem som).

5. Jenson Button

Quando Button surpreendeu a todos ao trocar um porto seguro na Brawn – adquirida pela Mercedes – pela McLaren, muitos consideraram uma aposta arriscada. Não sem motivos: Lewis Hamilton sempre foi uma cria de Working e tinha muito mais familiaridade com a equipe que Button, um recém chegado ainda com uma longa fase de adaptação pela frente. Que nada! O campeão de 2009 ignorou o status de recém chegado e logo emplacou uma bela vitória na segunda prova do ano, correndo com sua reconhecida inteligência e para provar que não foi puro golpe de sorte, repetiu o feito em outra prova complicada:  o GP da China. De modo geral, em condições de corrida Button conseguiu ser tão eficiente quanto Hamilton, mesmo possuindo estilo completamente oposto ao companheiro. Button teve algumas complicações durante o ano: sofreu nas classificações, o que lhe obrigava a realizar provas de recuperação, por sinal, com muita competência. Ainda teve azar com o bizarro abandono em Monte Carlo ou o acidente com Vettel em Spa. Por outro lado, demonstrou extrema competência em Monza, onde claramente ofuscou Hamilton e ressurgiu no campeonato, quando muitos os colocavam como carta fora do baralho. Isso sem falar da polêmica na Turquia…

4. Kamui Kobayashi

Quem diria que a F1 correu o risco de não ter seu piloto mais espetacular em 2010? Pois Kobayashi garantiu sua vaga no início do ano e provou que a fez por merecer. O início do ano foi difícil para a Sauber, que chegava perto dos pontos, mas só perto. Justo em um ano crucial para a equipe, que correu praticamente sem patrocinadores e precisava de um bom 2010 para bancar a temporada seguinte. Mas a partir do GP da Turquia as coisas melhoraram e o veloz japonês passou a pontuar com certa regularidade. Na verdade, fez melhor que isso: ninguém promoveu tantos espetáculos como Kobayashi, que com suas ousadas ultrapassagens angariou uma legião de fãs sedentos por lances mais audazes em uma F1 que, por regulamentos técnicos mal planejados, transformou as brigas por posições em artigos de luxo. Mas o japonês parece ignorar tudo isso…

3. Lewis Hamilton

Falar da ousadia de Lewis Hamilton é chover no molhado. O inglês é sinônimo de agressividade e espetáculo e este seu instinto o fazem ser tão espetacular… e ao mesmo tempo, o levam a pagar um preço caro, como acabar com suas chances de vencer o campeonato. Mas em uma temporada em que o carro dominante era a Red Bull, Hamilton conseguiu brilhar, levando sua McLaren à três vitórias, sendo a mais espetacular delas a de Spa. Mas suas chances foram minadas logo a seguir por momentos de afobação em Monza e Cingapura. Nada que tire o brilho das melhores atuações de um dos pilotos mais talentosos da geração atual.

2. Fernando Alonso

Falem mal, mas reconheçam: pouquíssimos pilotos teriam a capacidade de fazer um quarto final de temporada que Fernando Alonso fez. O polêmico espanhol pode ser o demônio encarnado fora das pistas, mas dentro delas é um piloto com P maiúsculo. E, curiosamente, sem utilizar recursos sujos – ao meu ver, aquela polêmica criada na China é uma chorumela sem sentido. Perdeu o Mundial na última prova, em uma tática desastrosa da Ferrari e uma reclamação patética para Petrov, o que contribuiu para manchar mais ainda sua imagem. Mas provou que, com um carro minimamente competitivo, é capaz de fazer a diferença.

1. Sebastian Vettel

Em um mundial onde todos os postulantes erraram bastante, Vettel conseguiu ser o melhor justamente quando tinha que ser o melhor. Não falta talento ao alemão; o mesmo piloto que “não sabe ultrapassar” é o mesmo que quase garantiu o título a Felipe Massa em Interlagos, 2008, ao passar Hamilton nas últimas voltas. Na mesma pista, em 2009, fez uma bela prova de recuperação. Mas em 2010 ficou a imagem de “crash kid“, o maldoso apelido dado por Whitmarsh após a desastrosa tentativa de ultrapassagem feita em Jenson Button. Vettel sentiu o peso da obrigação de conquistar o título, uma vez que era o favorito absoluto com o carro que tinha em mãos. Só que o alemão não contava com o “despertar” de Mark Webber, aquele australiano que ninguém dava bola.

Mas bastou estabilizar os nervos e Vettel foi imbatível. Apenas uma falha mecânica na Coreia parou o jovem alemão, impedindo-o de emplacar quatro vitórias consecutivas no final da temporada. Isto significa que se Adrian Newey acertar o próximo carro como fez em 2010, poderemos ter um mundial bem tedioso em 2011…

Agora podem descer a lenha e fazer sua lista dos melhores de 2010.

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comentários
  1. Fernando M. disse:

    Sua lista é coerente, embora eu ache que Webber não deveria estar atrás do Kubica por exemplo, embora tenha errado em um momento um pouco dramático demais… NO resto acho que é mais ou menos isso mesmo, algumas inversões de posições mas os 10 mais pra mim são esses mesmos…

    a propósito, mandei o texto da Pirelli lá no gmail! valeu!

    • Anselmo Coyote disse:

      Que é isso, rapaz…
      O Kubica é o cara. Não acredita? Vc vai ver então o dia em que ele tiver o melhor carro da temporada, a equipe toda centrada nele e um Felipe Massa como segundo piloto. Ele vai arrebentar e mostrar todo o seu talentosíssimo talento.
      Abs.

  2. Allan Wiese disse:

    Ficou boa a sua lista. Eu só trocaria o Kobayashi pelo Rubinho (brincadeira Coyote, haha).
    É mais ou menos isso aí mesmo. Minha opinião teria uma ordem um pouco diferente, mas não fugiria desses pilotos.

  3. Fernando Kesnault disse:

    Que realidade “dureeezzzaaaa”, tem muito cabeça de bagre atualmente na f-1, mas fazer o quê??? Tem que torcer em outras categorias como faço.

  4. Anselmo Coyote disse:

    Melhor lista: Kobayashi + 9 (se for pra por um certo piloto na lista, então a melhor será Koba + 8, sem o dito cujo, naturalmente). Abs.

  5. fernando-ric disse:

    Hehe o Massa tá morto e enterrado mesmo….

    RIP

    • Vitor, o de Recife disse:

      Bem Fernando, a temporada do Massa em 2010 foi tão ruim que ele estaria apenas em uma lista dos piores. Mas acho prematuro enterrar um cara que tantas vezes foi dado como “morto” e deu a volta por cima. Mas concordo que nas circunstâncias atuais, com Alonso já tomando a equipe para si, uma improvável mudança de escuderia seria ideal para dar uma chacoalhada na carreira do brasileiro.

      • Anselmo Coyote disse:

        Meu caro Vítor,

        Só mesmo vc e seu grande coração para achar que o Massa seria contratado por uma equipe que lhe desse condições de competir pelo título. O diagnóstico da situação do Massa é simples: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

        Ele pode:
        1. Correr sem perspectiva – condição (horrível) que ele tem na Ferrari.
        ou
        2. Correr sem perspectiva – condição em alguma equipe que o aceite.

        Ele não tem dinheiro para comprar um cockpit, não tem título e não tem carisma. Além disso é baixinho, vesgo, tem a língua presa, apelido de Zacarias e um outdoor pregado nas costas com a palavra LOSER estampada.
        Quem vai querer? Talvez a Hispânia, a Virgin ou a Lótus dêem a ele um desconto no valor da vaga, pela experiência.

        O negócio é, realmente, ficar na Ferrari, receber os caraminguás que pingarem, por uma almofadinha nos fundilhos para amortecer o choque e esperar o pé-na-bunda, torcendo para que demore acontecer.

        Abs.

      • Vitor, o de Recife disse:

        Meu caro e ácido Coyote;

        Não precisaria ser uma equipe que dispute o título; apenas minimamente competitiva. Algo do nível de uma Force India já estaria de bom tamanho. O importante seria recomeçar.

        Mas a situação é realmente difícil e, pior, ele não parece ter coragem para arriscar. É triste, mas é a realidade.

        Abraços.

  6. Marcelo Brum disse:

    Fala, Vitor!!!

    A tua lista está de bom tamanho e o texto está muito bom. Por que será que o Massa não tem aparecido em nenhuma lista dos melhores da temporada, hein? (hehehehe)

    Eu só acho que, o melhor piloto – pilantragens à parte -, foi o Choronso. Pô, até a metade do campeonato, a Ferrari não conseguia brigar na pista nem com as Renault e com as Mercedes. A partir da gana do espanhol – que mostrou que não estava pra brincadeiras no fatídico GP da Alemanha -, a “scuderia rosso” teve um crescimento espantoso.

    No mais, tudo bem.

    Abraço à galera deste blog demais!!!

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