Talento x dinheiro.

Publicado: 04/12/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos
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Milka Duno: símbolo máximo do pay-driver nos EUA.

Pay-drivers: todo fã de qualquer categoria do automobilismo os detesta. Mas eles estão em toda parte, sempre estiveram, e com o avanço tecnológico do esporte vem o aumento dos custos. Resultado: quem tem mais dinheiro para bancar uma vaga, ocupa o lugar que poderia ser deu um talento menos afortunado.

Randy Bernard: medidas duras pela qualidade.

Nesta semana, uma notícia vinda dos EUA surpreendeu os noticiários especializados: Randy Bernard, CEO da Indycar, anunciou que em 2011, apenas os 22 carros melhores colocados na classificação final da categoria receberão os fundos oriundos do TEAM (Team Enhancement & Allocation Fund Matrix).

Mas que diabos é o TEAM? Desde a reunificação da categoria em 2008, a Indy premiava os 24 carros melhores classificados no campeonato com uma bagatela de 1,3 milhões dólares cada. É algo semelhante à premiação dada pela FOM às 10 mehores equipes no Mundial de Construtores da F1, só que esta é feita de forma proporcional à colocação dos times. Na Indy, cada carro recebe a mesma quantia.

O que implica a decisão anunciada por Bernard? Significa simplesmente que as equipes menos estruturadas que recorrem a pilotos pagantes de qualidade no mínimo questionável, devem rever seus métodos. Vamos aos argumentos de Bernard, que são bem claros:

Nossos fãs querem credibilidade e ridicularizam um par de nossos pilotos por não serem bons o suficiente para que essas pessoas ainda continuem competindo, a Indycar não vai pagar por eles.”

Traduzindo: a Conquest, que alugou seus cockpits ao longo do ano tal qual a Hispania na F1, ou ainda a Dale Coyne com a Milka Duno, que dispensa maiores apresentações, podem perder uma importante fonte de recursos se persistirem no mesmo caminho.

Bernard está certo. A Indy sempre foi famosa por possuir “pilotos” correndo com pilotos. Tais competidores eram garantia de bandeiras amarelas que movimentavam as provas, como Hiro Matsushita ou Dennis Vitolo. Mas aquela época era um período de bonança, com muitos patrocinadores e vários carros na pista, o que  tornava tais corredores figuras folclóricas que engordavam um grid de bons pilotos. Com a crise econômica e escassez de patrocinadores, observamos grandes nomes da categoria como Tony Kanaan e Dan Wheldon lutando por um espaço ou uma equipe tradicional como a Newman Haas vende seus cockpits.

Mario Romancini, um dos inúmeros pilotos da Conquest em 2010.

Vale a pena repassar a análise de Christopher Leone, do excelente blog Open Wheel America:

[Milka] Duno atraiu a ira dos concorrentes pelo seu rítmo constantemente lento, desde que ela ingressou na categoria. Enquanto isso, Bachelart [dono da Conquest] trouxe o até então desconhecido Francesco Dracone, que não era muito mais rápido em seu breve teste com a equipe, e seguiu-o com Tomas Scheckter e Roger Yasukawa.

Entendendo que pilotos como estes não estavam ajudando IndyCar em seu intento de se legitimar em relação à NASCAR, Randy Bernard e Brian Barnhart tinha que agir rapidamente. Eles começaram por colocar Duno em observação durante o verão e ameaçou não renovar sua licença para 2011; ela não deve estar de volta. Agora, os parâmetros da TEAM foram ajustados para punir os dois proprietários [Dale Coyne e Eric Bachelart] culpados de empregar pilotos desqualificados na temporada passada.

É cedo dizer se as medidas darão certo, mas certamente é uma reação à decadência técnica que tem sido observada em várias categorias. É triste ver talentos incontestáveis como Nico Hülkenberg não ter um espaço decente para competir simplesmente por não ter dinheiro para comprar um cockpit. Em um desabafo, o alemão resumiu o mesmo sentimento dos aficcionados em automobilismo: o talento deveria estar na frente do dinheiro.

comentários
  1. Anselmo Coyote disse:

    “É triste ver talentos incontestáveis como Nico Hülkenberg não ter um espaço decente …”

    Ver Webber e Vettel na Red Bull, Massa na Cosa Nostra, Kubica na Renault e….. Kobayote na Sauber… Jesus. Isso é o poste mijando no cachorro.

    Abs.

    PS. O Vettel pelo menos teve o mérito de acordar e tirar o pé do freio, permitindo que o carro o levasse ao título. Não tem talento, mas, depois de muito apanhar, teve bom senso. Então, por isso, e só por isso, retiro-o da relação acima.

  2. Andy disse:

    Essa Mika é uma gatinha, hein? Pena que não dirige nada.

  3. Fernando Kesnault disse:

    Pode não ter uma talento acima da média mas ela já venceu provas e foi campeão na categoria em que participou em 2001 da ALMS e sendo assim pelos criterios que falam tem mais “capacidade” que o Bruno Senna por exemplo e além de tudo é muito LINDA, UMA GATA DE 1ª Qualidade e merece tá lá sim.

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