Uma história de voltas e voltas.

Publicado: 06/12/2010 por Claudemir Freire em Artigos, História da F1
Tags:,

A bela Brabham calçada com pneus Pirelli.

Por: Fernando M.

Após 20 anos longe dos bólidos da F1, a Pirelli retorna para assumir uma difícil missão de substituir os pneus Bridgestone e trazer mais emoção às pistas nas próximas temporadas. Um objetivo nada simples, tendo em vista que a Bridgestone dominou a F1 durante os anos da vitoriosa equipe Ferrari/Schumacher e ainda conseguiu se tornar a partir de 2007 a fornecedora exclusiva de pneus para os monopostos, tal qual já vinha fazendo e ainda faz na MotoGP desde 2002.

Mas a centenária empresa Pirelli tem um histórico vencedor no automobilismo, embora em menor grau na F1, o que dá a ela um know-how no mínimo interessante para essa empreitada que se segue.

Fundada em 1872 pelo engenheiro Giovanni Battista Pirelli, a empresa italiana Pirelli especializou-se no trabalho com borracha, especificamente cabos e pneus, e desde 1897 se envolve nas primeiras corridas de moto. Em 1907 a empresa vence sua primeira corrida após percorrer 17.000km com apenas 4 jogos de pneus no percurso entre Paris-Pequim. Um caminho longo e difícil fornecendo pneus para as mais diversas e adversas condições em uma época que a quantidade de informações que se tinha a respeito dos compostos eram basicamente acidentes de laboratório e observações empíricas.

Mas essas primeiras corridas forneceram dados suficientes para que a Pirelli investisse mais e mais no automobilismo e despontasse como uma empresa de qualidade e tecnologia na década de 20 apoiando fortemente a equipe Alfa Romeo e dominar as competições do Grand Prix daquela época.

Interessante notar a visão empreendedora de seu fundador quando já naquela época fazia questão de patrocinar eventos automotor expondo sua marca e atrelando qualidade às exigências dos primeiros desbravadores do sempre perigoso esporte de automóveis.

Nos anos 50, mais precisamente entre 1950 e 1958, a Pirelli já tinha histórico vencedor nas corridas pelo mundo e se envolveu com a recém criada F1, levando 5 títulos com Ferrari e Alfa Romeo.

Após muitos anos afastada da F1, mas nunca do automobilismo (na década de 70 marcou sua participação em altíssimo nível nos ralis e que se mantém até hoje, conquistando mais de 150 títulos), a Pirelli retorna à principal categoria da FIA entre os anos de 1981 e 1986 e nesse período desenvolveu um marco na história dos pneus, o famoso e até hoje reverenciado pneu radial P7 e sua durabilidade surpreendente para uma pegada mais esportiva. Equipando equipes como Osella, Arrows, Fittipaldi, Minardi, Lotus e Brabham, conquista nessa última uma vitória espetacular na França, sob o comando de Nelson Piquet, embaixo de muito calor em que a borracha americana Goodyear não agüentou o tranco.

Em 1989 retorna às pistas, mas não conquista nada expressivo e vence sua última corrida também com Nelson Piquet em 1991, ano de retirada de ambos do mundo da F1.

Os 5 títulos mundiais e as 42 vitórias na categoria não são expressivos como os 11 títulos e 175 vitórias da Bridgestone, mas sua história no automobilismo nos dá esperanças de seriedade e comprometimento com todos nós fãs.

O desafio agora é, como pela primeira vez na história fornecedora única de pneus na categoria, substituir a vencedora japonesa Bridgestone desenvolvendo pneus que, ironicamente, sejam menos resistentes e mais competitivos para a F1, mantendo aquilo que é lema e slogan dessa centenária empresa: “Potência não é nada sem controle”.

Anúncios
comentários
  1. Fernando Kesnault disse:

    Substituir a vencedora??? Só ela (Brigdestone) competia, tinha monopolio então teria que ser vencedora mesmo e olha, qdo. competia com a Michelin tomava banho….

    • Fernando M. disse:

      Concordo com sua visão, Fernando, mas ainda assim depende do ponto de vista. A Bridgestone é sim vencedora porque conseguiu sobreviver (ainda que não por causa apenas de sua competência) à Goodyear e à Michelin na F1, desenvolver compostos confiáveis e se tornar a segunda maior empresa de pneus do mundo. Os anos de F1 unido a um marketing expressivo da companhia japonesa elevou esse status ao patamar que conhecemos hoje.
      Então por mais que tenha havido um grande monopolio e jogos de interesse, dá para se dizer que a Bridgestone é hoje uma empresa muito mais conhecida e reconhecida por causa de sua passagem na F1…
      Mas que realmente faz falta outras empresas na disputa, ah, isso faz…

      • Fernando Kesnault disse:

        Xará, comm todo o respeito mas a GoodYear se desinteressou da f-1 e foi se dedicar à NASCAR e também com monopolio se bem que a Pirelli está a tentar entrar na categoria. O que acontece hoje é que tirando algumas categorias como a ALMS, a FIAGT e a GrandAm (que em seu regulamento estimulam a entrada de qtas. fabricas quiserem), todas as outras estão sendo desenvolvidas apenas por uma unica marca de pneus, o que é triste para quem é aficcionado por automobilismo e não vem me dizer que é para cortar custos, pois isso é conversa fiada para justificar os gastos sem sofrer concorrencia.
        Em todo o caso valeu pelo “post” e continues assim.
        Um abraço

  2. Alex-Ctba disse:

    Parábens pelo débute aqui no Ultrapassagem Fernando M, muito bom o post!

    Claro que eu também prefiro uma “guerra de pneus”, mas a realidade da F1 é esta. Mal dá para ter uma fábrica, quanto mais uma competição de borracha.

    Que a Pirelli faça um bom trabalho.

  3. A banalização do amor…

    Olá! Vim deixar meu oi e convidá-los a dar um pulinho no #ManualdasEncalhadas Beijoooos…

  4. Mari Espada disse:

    Pára tudoooo!!! Parabéns pela estreia Fernando M., seja bem vindoooo!!!!
    Agora é entrar de cabeça nesse lance de “jornalista automobilístico” porque isso aqui vicia! =D

    E sobre o retorno da Pirelli, só tenho uma coisa para acrescentar…
    Os novos pneus serão muito melhores para o Massa, e não digo quanto ao problema de aquecimento de pneus não, estou falando da publicidade que ele fazia para a Bridgestone, porque era deprimente ele falar o nome da marca com aquela língua presa, hahaha!!! Agora pronunciar Pirelli é simples, não tem erro, alguém discorda que será bem melhor pro Massa??? =P

    Beijos!

    PS. Mari online novamente!!!!! =D

    • claudio cardoso disse:

      E ai Mari, ja desarmou as trincheiras (caixas) ?

      So vc com essa criativida mesmo. Parabens por pensar ja la na frente, no comercial da Pirelli e por relacionar com o Massa. :-)

      Boa semana a todos

  5. Vitor, o de Recife disse:

    Fernando, começou muito bem. Espero que este seja o primeiro de muitos.

    Grande abraço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s