A brilhante mente de Adrian Newey.

Publicado: 15/12/2010 por Mari Espada em Artigos, História da F1
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Eu não tenho dúvidas de que a grande responsável pela vitória da equipe austríaca no WCC e no WDC de 2010 foi a brilhante mente do gênio Adrian Newey.

E este reconhecimento, meu e da maioria dos fãs e profissionais do esporte, é merecido e não poderia ter ocorrido em melhor hora, após 3 décadas de uma notável carreira na Fórmula 1. Pois na Williams ele colaborou com os títulos de Nigel Mansell (1992), Alain Prost (1993), Damon Hill (1996) e Jacques Villeneuve (1997), porém sob o comando de Patrick Head. Na McLaren ele criou o carro que deu o bicampeonato a Mika Hakkinen (1998 e 1999), mas o estilo de trabalho da equipe inglesa não permitiu destaques individuais. Então somente agora, na Red Bull, que ele pôde construir tudo à sua maneira, pois quando ingressou na equipe em 2005, a novata ainda era uma folha de papel em branco, e como era de se esperar, Adrian Newey se satisfez ao preencher esse vazio com as suas ideias mais geniais.

“Quando cheguei à Williams ou à McLaren, aquelas equipes já tinham sido bem sucedidas no passado, tinham as suas organizações bem estabelecidas e fui eu que tive de me adaptar à sua forma de trabalhar, mesmo se pouco a pouco consegui funcionar da forma que acho mais produtiva.

Quando cheguei à Red Bull, esta era uma equipe nova e o Christian Horner estava tentando um modus operandi mais eficaz. Como entrei quase na fase de formação da equipe, pude rodear-me das pessoas que acho mais competentes, que me entendem melhor e que dirigem muito bem os seus departamentos. É claro que o Christian é quem tem a responsabilidade máxima, mas no que toca a parte técnica e de gestão em pista, sou o principal responsável. Como nos entendemos muito bem, acabamos por trocar impressões antes de cada decisão importante e tem sido um prazer trabalhar com ele.”

É por isso que a vitória de Sebastian Vettel e da Red Bull (2010) é também uma vitória pessoal desse mestre das pranchetas. E sendo assim esse homem dos bastidores da Fórmula 1 precisa acostumar-se a estar no centro das atenções, inclusive neste artigo produzido pela minha curiosidade…

O homem por trás do mito

Adrian Newey era bastante jovem quando começou a andar nos karts em sua cidade natal Colchester, Inglaterra, e hoje aos 51 anos ainda gosta de pilotar e participa de corridas de clássicos e até nas 24 horas de Le Mans.

Porém sua grande paixão sempre foi a mecânica, que começou quando ele arrumava karts velhos e encontrava maneiras de melhorá-los. Então essa paixão o levou a formar-se em aeronáutica e astronáutica na Universidade de Southampton, onde se graduou com uma tese sobre o efeito solo, atraindo imediatamente olhares das equipes de Fórmula 1.

Com isso, assim que saiu da universidade na década de 80, Adrian Newey foi trabalhar para a March, atuando nas corridas de Fórmula 1, Indy e demais competições nos Estados Unidos. Então nos anos 90 ele foi para a equipe Williams, onde o homem começou a tornar-se mito.

Um mito que conquistou o WCC com três equipes diferentes – Williams (1992 a 1994, 1996 e 1997), McLaren (1998) e Red Bull (2010), igualando-se à Ross Brawn. E que colaborou com a conquista de sete WDC’s, apenas um a menos do que Ross Brawn, sendo que este colecionou títulos com Schumacher desde a Benetton (1994 e 1995), Ferrari (2000 a 2004) e com Button na Brawn (2009).

O início dessa brilhante história

Imediatamente após sua graduação, Adrian Newey iniciou seu trabalho com a equipe Fittipaldi Formula 1, sob comando de Harvey Postlethwaite. Mas no ano seguinte se juntou à equipe March como engenheiro de corrida de Johnny Cecotto na Fórmula 2 Européia, e depois passou à projetista da equipe.

Seu primeiro projeto foi o March GTP, da categoria C da Le Mans, que foi extremamente bem sucedido e venceu a IMSA GTP por dois anos, em 1983 e 1984.

Esse sucesso fez com que Adrian Newey recebesse uma oferta para trabalhar com Bobby Rahal na Indy, e novamente seu projeto provou-se ser bastante competitivo, conquistando 7 vitórias na temporada de 84.

Na Indy Adrian Newey foi engenheiro chefe da equipe Truesports nos anos de 1985 e 1986, onde seu primeiro carro, o modelo 85C, serviu de protótipo para o campeão 86C.

Após essa conquista Adrian Newey foi em busca de novos desafios e deixou a March para retornar à Europa, onde ele foi convidado a trabalhar na equipe Force, se não fosse a saída da equipe da Fórmula 1 ao final de 86. Mas como um bom trabalho, cedo ou tarde, gera bons frutos, a March recontratou Adrian Newey como Engenheiro Chefe em sua equipe de Fórmula 1.

Assim, enquanto as equipes de ponta se preocupavam com a transição dos motores turbo para os motores aspirados, Adrian Newey pôde inovar explorando a aerodinâmica, que ainda era pouco compreendida, mas que estabeleceu padrões que a partir de então foram seguidos pelas demais equipes.

Dessa forma o March 881 conquistou, em uma equipe pequena e com investimentos reduzidos, um certo destaque no campeonato de 88, como o segundo lugar no GP de Portugal e a breve liderança no GP do Japão. Contabilizando mais um sucesso no currículo de Adrian Newey.

O domínio na era pré-Schumacher

Em 1990 a equipe Williams estava em ascensão e o diretor técnico Patrick Head não perdeu tempo em assinar um contrato com o Adrian Newey, que com um orçamento imensamente maior do que o da March, rapidamente realizou um projeto dominante logo no início da temporada.

Então no ano seguinte o projeto atingiu sua excelência com o chassis FW14, e apenas problemas de confiabilidade do motor puderam tirar o título da equipe e de seu piloto Nigel Mansell. Mas na temporada de 92 com o FW14B não haveriam empecilhos, assim como em 93 com o FW15C nas mãos de Alain Prost.

No FW14 e 14B, Adrian Newey se manteve fiel a alguns de seus conceitos trazidos da March, como o bico curvilíneo voltado para baixo terminando em uma asa dianteira mais alta do que nos carros concorrentes, gerando um carro com aparência compacta e harmônica.

O downforce proporcionado por sua fantástica aerodinâmica, somada com a suspensão ativa, em curvas de alta era tão grande que Riccardo Patrese, um dos pilotos da equipe naquele ano, chegou a reclamar do extremo desconforto que o FW14B causava ao atingir altas velocidades.

Em 1994 o ritmo da equipe foi reduzido, Newey e os pilotos lutavam para acompanhar Rory Byrne e a Benetton B194 em desempenho e confiabilidade. E a morte de Ayrton Senna em um FW16 só aumentou a carga dramática na equipe.

No ano seguinte Adrian Newey estava preparado para assumir a direção técnica da Williams, porém com Patrick Head como acionista da equipe, ele encontrou seu caminho bloqueado. Então Adrian Newey cumpriu seu contrato até 96, quando foi convidado a juntar-se à equipe McLaren.

Este vídeo retrata uma mini biografia de Adrian Newey na equipe Williams de F1:

O desenvolvimento na McLaren

Adrian Newey chegou na McLaren em 1997, porém como não era possível influenciar na concepção do carro para aquele ano, ele foi obrigado a melhorar o projeto de Neil Oatley.

Mas na temporada seguinte o seu projeto para o MP4/13 foi o carro a ser batido no grid, com uma excelente adaptação à nova regra dos pneus sulcados, o que garantiu o bicampeonato de Mika Hakkinen em 1998 e 1999 e demonstrou essa faceta do gênio das pranchetas em criar soluções rápidas e eficientes com a realidade que lhe é ofertada.

Assim, no final da década de 90 Adrian Newey estava no auge de sua carreira na equipe de Woking, tendo conquistado 6 dos últimos 10 títulos mundiais de construtores. E de 1992 a 2004 o mundial de pilotos tornou-se uma batalha entre Rory Byrne (com  Schumacher levando 7 títulos) e Adrian Newey (com Mansell, Prost, Hill, Villeneuve e Hakkinen levando 6 títulos).

Em 2001, quando a Ford comprou a Stewart GP, Bobby Rahal tentou persuadir seu amigo Adrian Newey a deixar a McLaren para fazer parte da Jaguar Racing, mas Ron Dennis reconheceu o importante papel de Newey nas vitórias da McLaren, e por isso fez uma proposta irrecusável ao projetista, que permaneceu na equipe.

Porém os problemas de confiabilidade dos motores Mercedes enfrentados nessa época, que em 2005 fizeram Kimi Raikkonen perder o título mesmo com seu veloz MP4/20, fez Adrian Newey perder a paciência e partir em busca de novos desafios.

A glória na Red Bull

Dessa forma, em fevereiro de 2006, Adrian Newey deu seus primeiros passos nessa gloriosa caminhada de desenvolvimento na Red Bull.

Porém ele se juntou à equipe em um momento que não era mais possível influenciar a concepção do carro de 2006, como havia ocorrido quando Newey foi para a McLaren, apresentando fracos resultados nesta temporada.

Mas em 2007 o projeto de Adrian Newey foi impulsionado pelo motor Renault, sendo que o contrato com a Ferrari foi transferido para a equipe secundária Toro Rosso. Assim o carro estava bem rápido, mas com muitos problemas de confiabilidade, fazendo com que cada piloto abandonasse 7 corridas em uma temporada com 17 GPs. No entanto com a desclassificação da McLaren do campeonato de construtores, a Red Bull conquistou a quinta colocação.

O chassis desenvolvido para o ano seguinte foi considerado por Adrian Newey e Geoff Willis o mais complexo de todos os já produzidos na fábrica de Milton Keynes, participando assim de uma bela batalha pelo quarto lugar com a Renault e a Toyota no campeonato de construtores.

Uma característica de seu trabalho na equipe austríaca foi a constante evolução observada em seus projetos e nos resultados nas pistas, dessa forma o carro de 2009 representou um grande avanço na performance da Red Bull, tendo conquistado a segunda colocação no campeonato de construtores, e perdido o título apenas porque a Brawn GP havia tido importantes vitórias no início da temporada, quando todas as demais equipes ainda revezavam pela vice liderança.

Mas o ano de 2010 trouxe a consagração de todos esses anos de trabalho na Red Bull, tendo conquistado com o seu veloz projeto RB6 o campeonato de construtores e de pilotos, com Sebastian Vettel.

Uma mente brilhante e inquieta

Além deste excelente profissional que conhecemos, Adrian Newey também é um ávido colecionador de carros esportivos e piloto amador, sendo que ele participou da clássica corrida Le Mans Legend por alguns anos.

Em 2006 ele competiu com o Ford GT40, tendo destruído o carro em um acidente onde ele saiu ileso, com apenas um corte no dedo. Mais tarde ele destruiu também um Jaguar E-Type na corrida Goodwood Revival Meeting.

Em 2007 ele mudou de categoria para as corridas modernas, tornando-se parte da equipe AF Corse Ferrari F430 nas 24 Horas de Le Mans. Adrian Newey e os demais pilotos Bem Aucott e Joe Macari terminaram em vigésimo segundo e em quarto na sua classe.

Conhecido por seus acidentes espetaculares, em agosto deste ano ele envolveu-se em mais um enquanto participava como piloto convidado da Ginetta G50 Cup, no circuito de Snetterton. Ele rodou em direção a outro carro, sofrendo um forte impacto lateral, observe no vídeo o carro branco #50.

Além dessas performances nas pistas, Adrian Newey também tem utilizado sua genialidade no mundo virtual. O próximo jogo da série Gran Turismo trará um projeto desenvolvido especialmente para o jogo, o protótipo X1, capaz de fazer uma volta em Nurburgring em apenas 65 segundos!

Por isso quem ama automobilismo e velocidade, ama o gênio Adrian Newey. Esse sentimento é inevitável e ninguém consegue resistir por muito tempo…

Para mim bastou sentir a vibração provocada pela velocidade do RB6 na reta oposta de Interlagos. E para você, qual foi (ou será) a flechada certeira do cupido?

Fonte: Wikipedia

comentários
  1. Alex-Ctba disse:

    Belíssimo Post as always Mari. Realmente o Adrian é o Cara! Vamos ver o que ele vai aprontar com o RB7. Vem aí o Bi do Vettel?

    Bjs

    • Mari Espada disse:

      Obrigada Alex! =)

      Sobre o bi-campeonato… só se for do meu Miltinho!!! =D
      Adrian Newey é o cara… mas você sabe que (para mim) Lewis Hamilton é muito mais, né!? =P

      Beijos!!!

  2. Vitor, o de Recife disse:

    Belo post. Fico imaginando se a Red Bull não se arrependeu de ter trocado os motores Ferrari com a filial.

  3. Tomás Motta disse:

    Excelente post, aprendi muito Mari!

    • Mari Espada disse:

      Que bom, Tomás! Fico feliz em contribuir com o conhecimento de todos! =)
      Com certeza, eu também aprendi muito com a pesquisa para fazer esse artigo.

      Beijos!

  4. Mari Espada disse:

    Saiu hoje no autoracing.com:

    WEBBER ACHA QUE NEWEY DEVERIA SER CONDECORADO

    Mark Webber acha que o chefe técnico da Red Bull, Adrian Newey, deveria ser condecorado em reconhecimento aos seus feitos no automobilismo.

    O inglês de 51 anos supervisionou o desenvolvimento de um carro campeão de construtores pela sétima vez em sua carreira em 2010, enquanto Sebastian Vettel garantiu o 14º título de pilotos com um monoposto projetado por Newey.

    Falando à BBC Radio 5 Live, Webber afirmou: “Se alguém deve ser condecorado, e há muitas pessoas especiais por aí, Adrian não estará muito distante eventualmente”.

    “Ele é um gênio. Sua capacidade de entender o que o carro precisa aerodinamicamente é seu ponto forte, e isso é o que faz seus carros serem velozes. É similar a uma pessoa que projeta aviões ou iates. Ele é sensacional no entendimento do que o carro precisa para gerar pressão aerodinâmica, o que cria tempo de volta e vitórias”.

    Webber acredita que não teria sido possível para a Red Bull conquistar ambos os títulos em 2010 sem a ajuda de Newey: “Adrian é um membro extremamente importante de nossa equipe, e seu gênio no projeto de carros de Fórmula 1 é bem conhecido”.

    “Ele tem estatísticas fenomenais e venceu mais de 100 GPs. Conquistou títulos por três equipes diferentes, e as coisas em geral deram certo onde ele trabalhou. Algumas vezes, obviamente leva tempo, você não faz mágica com um carro logo ao chegar. Demorou quatro anos conosco na Red Bull”.

  5. Igor disse:

    Dúvida.
    O X1 faz uma volta em 65 segundo, mas qual o tempo de um F1 em Nurburgring? Pra ter uma referência na hora de comparar.

  6. Luiz disse:

    Um gênio. Admiro-o desde que conheço a F1. Não é à toa, o cara introduziu uma entrada de ar no santantonio e tem feitos espetaculares por toda a carreira. Soube uma vez, inclusive, que ele baixou até as pinças de freio das RBRs para baixar o centro de gravidade. Fantástico. Ótimo post!

    • Mari Espada disse:

      Muito obrigada, Luiz! =D
      Fico feliz em saber que o post agradou. Ainda mais à um fã de Adrian Newey, que o acompanha desde o início da carreira. Isso significa que não escrevi nenhuma besteira, hehehe!

      Beijos! Até mais!

      • Claudio CArdoso disse:

        Por todo historico que vc pos do “homem” ai. So esta faltando no curriculum dele, conhecer Maranello :-)

        Quem sabe daqui uns 2 anos ne :-)

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