Kanaan e de Ferran juntam forças.

Publicado: 26/12/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos
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Acabou a angústia: Tony Kanaan pilotará para a equipe de Gil de Ferran em 2011. É uma união que tem tudo para dar certo e não digo isso por pachequismo; há na junção das duas partes qualidades que se encaixam perfeitamente.

Antes, vamos às declarações, começando por de Ferran:

Esta é uma grande contratação e uma grande aquisição para a de Ferran Dragon Racing. Ele [Kanaan] é um campeão comprovado e traz com ele uma grande história de sucesso na pista. Tony tem sistematicamente se colocado na frente nas competições por mais de uma década e não mostra sinais de diminuir o ritmo.

Tenho certeza que sua contribuição para a equipe, tanto em termos de velocidade e experiência, será de valor inestimável para o nosso desenvolvimento e sucesso no futuro.”

Kanaan em sua última vitória, em Iowa.

Agora, Tony Kanaan:

Eu não quero o chamar de “Gil Noel”, mas este é realmente um grande presente de Natal para mim! Estou muito animado em trabalhar com a de Ferran Dragon Racing. Eu tenho um grande respeito para (os co-proprietários da equipe) Steve Luczo, Jay Penske e, claro, Gil, que conheço há muitos anos, como piloto e agora como dono de equipe.

Não há dúvida de que temos muito trabalho à nossa frente, mas a energia que eu senti dessa equipe para se tornar um time de ponta e ganhar me convenceram de que esta é uma equipe onde eu possa realmente contribuir e fazer a diferença através dos meus anos de experiência. Uma coisa é certa: 2011 vai ser uma grande jornada para todos nós “.

Claro que são declarações que não fogem ao comum desse tipo de entrevista coletiva, mas mesmo não havendo nada de aparentemente extraordinário, os argumentos dos dois lados estão certos. Em seus quatro anos de existência – sendo apenas dois cumprindo a temporada completa – a de Ferran Dragon Racing – antes, Luczo Dragon – construiu bons resultados para uma estreante tendo como melhores resultados com o também inexperiente Raphael Matos, de quem falaremos mais adiante. Como administrador, Gil de Ferran chegou à Indy com um currículo que inclui uma passagem na F1 – pela desorganizada equipe Honda – e uma trajetória de sucesso na American Le Man Series, onde conquistou o vice campeonato em 2009 já no segundo ano da equipe.

de Ferran acelera seu Honda Acura ARX-02A em um teste em Road Atlanta, 2009.

Por sua vez, Kanaan é um dos pilotos mais bem sucedidos da Indy. Se houve uma queda de rendimento nos últimos anos, se deveu ao mau gerenciamento da Andretti, que definitivamente não comportava mais os quatro carros com que a equipe costumava alinhar desde os seus primeiros anos. A dificuldade da equipe em assegurar bons patrocínios para os três pilotos que correrão em 2011 comprova a tese. De qualquer forma, Kanaan manteve-se competitivo ao longo dos anos e sua experiência se encaixa como uma luva para uma equipe nova com grandes pretensões como a de Ferran Dragon.

Estreia da equipe na categoria: Ryan Briscoe, Indianápolis, 2007.

Em seu início,a Luczo Dragon foi dando pequenos passos. A equipe estreou em 2007,  nas 500 milhas de Indianápolis daquele ano, com o australiano Ryan Briscoe, hoje na Penske. Aliás, Roger Penske forneceu suporte ara a equipe, que tem em sua administração o seu filho, Jay Penske, em sociedade com Stephen J. Luczo. No ano seguinte, a equipe contou com os serviços do sul-africano Tomas Scheckter, competindo em seis provas e tendo como melhor resultado um 21º lugar em Detroit.

Tomas Scheckter, piloto da equipe em 2008.

Em 2009, ano em que a equipe faz sua primeira temporada completa, o cockpit é preenchido pelo campeão da Indy Lights de 2008, Raphael Matos. A Luczo Dragon conhece seus melhores resultados com o brasileiro, terminando por várias vezes entre os 10 primeiros e tendo como melhor colocação um 6º lugar em Milwalkee. Matos conclui o ano como o Rookie of the Year (o melhor estreante da temporada).

Em 2010, Gil de Ferran junta suas forças com Luczo e Jay Penske: é o começo da de Ferran Luczo Dragon Racing, que terminaria o ano apenas como de Ferran Dragon Racing antes de Indianápolis, pois o nome anterior “era muito longo”, segundo Luczo. Em sua segunda temporada completa, a equipe contaria mais uma vez com Raphael Matos. Um segundo carro competiria ocasionalmente, com o experiente americano Davey Hamilton (mais especificamente, em Indianápolis e Chicago). Hamilton acumulava o papel de “professor” em ovais para Matos, uma vez que este tipo de pista é o ponto fraco do brasileiro. Apesar de Raphael conquistar mais uma vez o melhor resultado na curta história da equipe – duas quartas colocações, em São Paulo e Watkins Glenn – a de Ferrran Dragon teve um ano mais difícil: apenas em quatro oportunidades conseguiu se colocar entre as dez primeiras. Tendo que caminhar sem o suporte da Penske – que ainda em 2009, dava uma discreta ajuda à equipe – a de Ferran Dragon sentiu pela primeira vez as reais dificuldades de uma equipe novata.

Raphael Matos: experiência pesou a favor de Kanaan.

Assim, podemos perceber que a escolha de Kanaan em detrimento de Matos – um piloto, sem dúvidas, talentoso – é a escolha mais sensata. Kanaan possui um nome estabelecido na categoria; é vencedor, carrega o lastro de um título e conhece o caminho das vitórias. A continuidade de Matos depende de patrocinadores para bancar um segundo carro, hipótese cogitada pela equipe, segundo Gil:

Agora, Tony não tem um companheiro. Há um monte de coisas acontecendo em paralelo. O lado comercial do time nunca pára, ele persiste em uma base contínua. O trabalho continua para tentar levantar o dinheiro para que ele possa ter um companheiro. [Kanaan] tem pilotado estes carros quando eles são bons e quando eles são ruins, então isso ajuda a saber em que direção seguir, mas um segundo carro ajudaria ainda mais. “

Até agora, o único patrocinador conhecido da de Ferran Dragon é a Hewlett-Packard, que já apoiava a equipe. Outros anúncios devem ser feitos em breve.

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comentários
  1. Sirlan Pedrosa disse:

    Vitor,

    Sem dúvida a contratação de Kanaan pode mudar de patamar a de Ferran Dragon, principalmente numa categoria monomarca como é a Indy, afinal o carro que ele conduzia na Andretti Green é essecialmente o mesmo que ele vai pilotar na nova equipe.

    Outro fator que conta a favor de um nome como Tony são as mudanças que a categoria vai atravessar a curto prazo. Um piloto experiente e vencedor tem maiores condições de ajudar a equipe a desvendar os caminhos para acertar um novo equipamento, que será estranho a todos no grid.

    Logo a curto e médio prazo a de Ferran só tem a ganhar.

    Para Tony, sem dúvida uma equipe mais estruturada seria menos trabalhoso e garantia de bons resultados mais rapidamente, mas parece que a coisa não estava tão fácil para ele. Devemos lembrar que nos EUA os efeitos do vendaval econômico de 2008 ainda são muito sentidos.

    Vamos torcer para Gil e Tony, que além de tudo que fazem nas pistas parecem ser gente muito boa fora delas…

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

  2. Anselmo Coyote disse:

    Sem essa coisa destrutiva de pachequismo, desejo sorte aos dois.

  3. Daniel Lima disse:

    Não estou muito otimista,

    Já na Andretti Green,o Kanaan andou tomando umas porradinhas da Danica.E agora na Ferran Dragon Racing,que é menos estruturada,a coisa tende a piorar.

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