O gênio que a Ferrari precisa

Publicado: 05/01/2011 por Sirlan Pedrosa em Artigos, Formula1, História da F1, Notícias
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Pegando uma carona no post da Mari sobre a demissão de Chris Dyer.

Acabo de ler no blog do Ico que a Ferrari tentou contratar Adrian Newey no meio da temporada passada. Segundo  Ico, fala-se que a proposta seria composta de um salário duas vezes maior, uma aposentadoria e a possibilidade de continuar trabalhando na Inglaterra. Newey teria recusado a oferta.

No início dos anos 80 John Barnard, diretor técnico da Mclaren, era o grande nome das pranchetas da época.  Seus carros haviam vencido pela primeira vez na história o título mundial de piloto por três anos seguidos, além de vencer o mundial de construtores duas vezes.

Enzo Ferrari via sua equipe afundar cada vez mais na falta de resultados e contratou o brilhante engenheiro no final de 1986. Deu-lhe um salário astronômico e a possibilidade de inteferir no projeto do motor para adequa-lo ao carro. Ainda construiu uma filial da Ferrari em terras inglesas para que seu gênio continuasse a trabalhar “perto de casa”.

Imediatamente a equipe melhorou, e Barnard mesmo sem projetar todo o carro conseguiu modificar o modelo de 1987 a ponto de torná-lo vencedor de GP´s.

Sua grande criação era esperada para 1989. A Ferrari 640 era totalmente diferente de todos os outros carros do grid e trazia uma inovação que 20 anos depois podemos encontrar em muitos carros de passeio : o cambio semi-automático.

Mas Barnard nunca venceu um mundial na Ferrari. A falta de paciência dos italianos com seus projetos de longo prazo, e a total aversão do inglês à politicagem existente na equipe tornaram o divórcio inevitável ainda em 1990.

Depois de passar pela Benneton, Barnard voltou para a equipe Ferrrai em 1994 mas jamais conseguiu novamente um sucesso relevante na F1, a despeito de nunca ter projetado um carro ruim.

Era a estabilidade operacional que Ron Dennis mantinha na Mclaren que permitia ao gênio criativo de John Barnard elaborar e executar as idéias que tornavam seus carros vencedores. Sem esse ambiente favorável e tendo que dispersar sua atenção do foco principal para apagar incêndios políticos, ele nunca conseguiu render tudo que podia.

A tentativa de contratar Newey me remete muito a essa história. Montezemolo parece ter sido poupado pelo próprio Newey de cometer o mesmo erro que o comendador cometeu a 25 anos atrás.

O que a Ferrari dá mostras de sentir falta não é de uma boa equipe de projetistas, porque afinal mesmo não fazendo o melhor carro de grid eles tem se mantido competitivos ao longo dos anos. Alonso perdeu o título na última corrida do ano, e por melhor piloto que o espanhol seja é óbvio que tinha um carro minimamente competitivo nas mãos.

O que falta a Ferrari é um comando forte, que estabilize a equipe e crie um ambiente favorável e harmônico, onde as pessoas possam se sentir confiantes a exercer seus papéis sem medo de errar. Errar é a parte do processo para acertar.

Em 2007  Nigel Stepney sentindo-se injustiçado traiu a equipe, em 2009 Luca Baldisserri foi rebaixado de forma humilhante, ainda em 2009 o campeão de 2007 Kimi Raikkonen teve seu contrato rescindido. Agora um membro da equipe com nove anos de casa e vencedor com Schumacher e Raikkonen é publicamente responsabilizado e punido pela erro na corrida de Abu Dhabi.

Essas não me parecem as formas mais corretas de manter um time unido e motivado.

A cada dia que passa aumenta a minha convicção que o grande gênio por trás da maravilhosa equipe Ferrari do início dos anos 2000 não era alemão, tinha o nariz grande e era bem baixinho …

Não é de um Adrian Newey que a Ferrari precisa, é de um Jean Todt.

comentários
  1. Roberto Risadinha disse:

    Era realmente um gênio (da lâmpada). O Schumacher pedia, ele atendia. Ou ao contrário?

    • Laysson disse:

      Concordo. Agora o problema é onde estaria esse novo Jean Todt. Nesses ultimos tempos, eles tem tentado tirar os talentos de dentro da Formula 1. É hora de procurar em outras categorias.

      Se brincar, à esta altura, com Briatore rondando a categoria, até mesmo seu nome pode passar pelas cabeças vermelhas.

  2. Mari Espada disse:

    Belo texto, Sirlan.
    Adorei a forma com que você linkou os fatos históricos e chegou à sua conclusão! Brilhante!!!

    “Era a estabilidade operacional que Ron Dennis mantinha na Mclarem que permitia ao gênio criativo de John Barnard elaborar e executar as idéias que tornavam seus carros vencedores.”

    Mas eu confesso que, depois dessa frase, o meu coração “prateado com alma papaya-orange” não me deixou pensar em outra coisa a não ser: Grande Ron, grande McLaren!!! Hehehe. =P

    Beijos!

  3. bras disse:

    eu gostava quando jean tord.
    comandava a ferrari.

  4. Vitor, o de Recife disse:

    Incrível como a Ferrari foi perdendo a eficiência quando o “trio de ferro” comandava a equipe. Com a saída de Ross Brawn, perdeu em confiabilidade; com a de Schumacher, a hierarquia – depois dele, a Ferrari teria uma dupla em livres condições de disputa, algo não muito comum na história da equipe. E, por fim, com a saída de Todt, uma série de erros toscos veio à tona.

    Triste… até simpatizo com o estilo light do Domenicali, mas ele não dá mostras de ter forças administrar sob pressão.

  5. Anselmo Coyote (O menino do cabelo verde) disse:

    Uai… precisam do Barrichello e do Briatore, óbvio.
    Um carcamano e um, um, um…
    Abs.

  6. Allan Wiese disse:

    https://ultrapassagem.wordpress.com/2010/11/26/saward-ferrari-voltando-ao-passado/
    É isso que historicamente acontece na Ferrari e ela luta em assumir.
    O trabalho deve ser feito a longo prazo para obter resultados.

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