Alguém vai sobrar…

Publicado: 06/01/2011 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Sutil, di Resta e Liuzzi: algum destes três vai sobrar.

2011 já começou com praticamente todas as vagas definidas, à exceção de duas equipes: Hispania e a Force India, uma equipe que adquiriu muito prestígio com a boa temporada de 2010. Enquanto os espanhóis lutam para conseguir alinhar seus carros – ou melhor, para terem carros – no GP do Bahrein, o problema da equipe de Vijay Mallya é bem distinto: são muitos pilotos para apenas dois cockpits.

São ao menos quatro sérios pretendentes: os titulares de 2010, Adrian Sutil e Vitantonio Liuzzi; o escocês Paul di Resta, atual campeão na DTM e piloto reserva da equipe no ano passado; e, por fim, a revelação da temporada, Nico Hülkenberg, dispensado pela Williams por motivos econômicos.

Sapatilhas de Liuzzi em Interlagos: o italiano pode mesmo ficar a pé em 2011?

De todos esses, apenas Liuzzi possui contrato assinado com a equipe para 2011 mas, ironicamente, é o único piloto que não interessa à equipe. O italiano fez uma temporada decente, embora longe de espetacular. Conseguiu os melhores resultados quando o companheiro esteve mal, ou seja, no início e no final do campeonato. Mas com a nova versão do VJM03, Adrian Sutil passou a ser constantemente mais rápido que Liuzzi, só caindo de desempenho ao final da  temporada, quando cometeu uma série de erros tolos numa clara demonstração de ansiedade em ascender de equipe.

Liuzzi está na Force India desde 2008, quando entrou como piloto de testes. Ao assinar com a equipe, tinha garantido no contrato uma titularidade de dois anos a partir de 2010. A chance surgiu mais cedo, com a transferência de Giancarlo Fisichella para a Ferrari nas últimas etapas da temporada de 2009;  assim, Liuzzi cumpriu as últimas corridas daquele campeonato. Portanto, 2011 seria seu segundo ano como titular, mas parece que a Force India demonstra possuir outros planos, segundo o jornal suíço Blick, que garante que a equipe manterá Adrian Sutil e promoverá Paul di Resta a titular. Sobre todos os boatos correntes, Liuzzi afirmou:

A equipe não disse nada para mim. Tenho um contrato para pilotar e eu quero pilotar. Minha situação é clara: a Force India não me informou de quaisquer alterações e para mim apenas as palavras da equipe são válidas. Estou bem tranqüilo, porque eu tenho um contrato muito claro com a equipe para a temporada 2011 e, caso decidam tomar outro caminho, eu vou saber sobre isso. “

Assustador acidente com Schumacher foi o último momento do italiano na F1.

Perguntado se a equipe teria oferecido alguma quantia em dinheiro como uma indenização para ceder o cockpit, o italiano negou:

Não me ofereceram nada. Como eu disse, a Force India não falou nada parecido comigo e dizem que toda a conversa que tem surgido não é importante. Dito isto, qualquer coisa pode acontecer na corrida até fevereiro – a Fórmula 1 não me surpreende mais. Por enquanto, porém, não foi oferecido qualquer coisa – dinheiro, ou, como eu li em outro lugar, um lugar na DTM.

O último trecho é revelador. No mínimo, Liuzzi tem consciência de que não é exatamente um piloto com muita preferência dentro da própria equipe. Há opções bem fortes no mercado, o que leva o italiano a demonstrar certa preocupação e, ao mesmo tempo, mostrar suas cartas:

Você nunca pode ter certeza. Eu não vou sentir segurança completa até o primeiro Grande Prêmio em 15 de março, mas eu tenho certeza que tenho um contrato muito bom com eles. Esperei dois anos como terceiro piloto, então é claro que eu quero manter o meu lugar. Se decidir tomar outro caminho, eu certamente não vou dizer ‘boa noite’ e me aposentar.

Tenho um contrato para correr e eu quero correr. Estou 100 por cento ligados à Force India, eu tenho uma situação clara com eles, nunca me disseram o contrário e, na verdade, eles sempre apoiaram a minha posição para a correr em 2011.”

As cartas de Liuzzi foram apontadas antes pelo insider Joe Saward: é o Contract Recognition Board, um dispositivo jurídico criado pela FIA para analisar os litígios sobre contratos. É difícil imaginar que a Force India, que possui já uma experiência considerável e bem negativa com as Cortes, encare mais uma empreitada em um tribunal. Mas como o próprio Liuzzi lembra, na F1 podemos esperar tudo.

Paul di Resta, o piloto da Mercedes.

Ainda mais tendo um piloto com o apoio de ninguém menos que a fornecedora de motores da própria equipe: Paul di Resta. Há uma expectativa muito grande no talentoso escocês e não parece ser por acaso. Com Schumacher mais próximo da aposentadoria, independente de uma recuperação de sua performance em 2011, di Resta é uma grande aposta para o futuro da Mercedes. Um ano adquirindo experiência em uma equipe média como a Force India faz todo o sentido.

Sutil: ansiedade em sair da equipe ficou evidente no mau final de temporada.

Mas e Adrian Sutil? Pesa contra o alemão o mau final de temporada, onde sua afobação em sair da equipe para um cockpit superior era evidente. Depois de muito relutar em permanecer – talvez ainda esperançoso em obter uma vaga na Renault ou Williams – ao final do ano Sutil encarou a realidade e admitiu continuar na equipe. Mas não esperava que um novo concorrente surgisse no mercado.

Hülkenberg: Force India seria uma opção?

Nico Hülkenberg, sensação da temporada após a belíssima e surpreendente pole em Interlagos, ficou a pé depois de ser dispensado pela Williams, por motivos claramente financeiros, ressalte-se. Logo a imprensa apontou a Force India como um destino mais do que provável, seja como titular ou como terceiro piloto, da forma apontada pelo Blick. O mesmo cargo de piloto reserva na Mercedes também havia sido especulado antes. Willy Weber, empresário do piloto, soltou a resposta-padrão “conversamos com várias equipes” e garantiu uma resposta até meados de janeiro.

Mas e a especulação do Blick? Bem, o mau desempenho de Sutil no final de 2010 não é um motivo suficiente para macular toda sua bela obra na equipe e sua manutenção faz todo o sentido: já é um piloto experiente e bem entrosado com o time. Já Paul di Resta, além de suas próprias credenciais como piloto, tem um apoio fortíssimo da Mercedes. James Allen revela algumas das estratégias de convencimento dos prateados:

Acredita-se que o apoio  da Mercedes a di Resta incluiria para Force India um fornecimento de motores gratuitos ou fortemente subsidiados, com o atrativo e leve KERS da Mercedes.

Norbert Haug: trabalhando forte por di Resta.

Mas, com todos os dólares que a Force India andou perdendo nos tribunais em diversas ações – só para lembrar algumas, caso Aerolab, ex-pilotos reservas como Giedo van der Garde e a ação contra ex-patrocinadores Aldar e Etihad Airways – é difícil imaginar a equipe torrando mais alguns milhões para dispensar Luzzi. Caso ocorra, podem ter certeza que uma estrela de três pontas abençoou Mallya…

comentários
  1. Daniel Machado disse:

    Pra mim, di Resta e Sutil serão mesmo os pilotos da FI. Queria muito ver o Hulk correndo ainda, mas vejo que está complicado.

    • Vitor, o de Recife disse:

      Fala-se em um posto de terceiro piloto na FOrce India, ou mesmo na Mercedes. Ele possui apenas 22 anos, ainda dá para se dar ao luxo de um ano sabático. Mas acho que uma ligação com a Mercedes é muito interessante: um jovem e promissor alemão, além de um futuro esportivo empolgante, seria um potencial de marketing e tanto.

  2. Anselmo Coyote disse:

    É… com umas sapatilhas dessas eu nem sei como ele chegou à F…hummm, mas tem o nico, né! Então tá certo.
    Abs.

  3. Will disse:

    Mas o que seria mais em conta, pagar a multa do Liuzzi e ganhar free engines by Mercedes ou pagar os motores e ficar com o Liuzzi?

    Piloto por piloto, eu ficaria com o Di Resta (que além de tudo permite trocadilhos infames) e com o Sutil (que é o clássico dos trocadilhos).

    • Vitor, o de Recife disse:

      Então você quer dizer que com a oferta da Mercedes, pode Restar ao Liuzzi uma dispensa nada Sutil? :p

      É difícil saber o quanto pode custar à Force India uma nova ação. Talvez a Mercedes banque os custos ou esteja mesmo negociando diretamente com os envolvidos. Achei muito curiosa a entrevista do Liuzzi quando ele diz:

      “Por enquanto, porém, não foi oferecido qualquer coisa – dinheiro, ou, como eu li em outro lugar, um lugar na DTM.”

      Não li essa entrevista a que ele se referiu, falando em DTM. Notícias, com e sem fundamento, pipocam aos montes na F1, ainda mais em pré-temporadas. Mas o que se sabe é: a Force India tem estreitas ligações com a Mercedes; a Mercedes quer Paul di Resta na F1; Norbert Haug já fez elogios explícitos a Hulkenberg; Mallya perdeu muita grana em diversas ações no ano passado (pelas minhas contas, foram cinco). Ligando os pontos… dá para especular à beça.

      Abraço.

  4. Anselmo Coyote (O menino do cabelo verde) disse:

    Extra! Extra! Extra!

    Demais, demais!!

    A partir do tempo 9min30s. Nem vou falar o que é.

    Abs.

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