As cenas do próximo capítulo

Publicado: 19/01/2011 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
Tags:, , , , ,

Terá início na próxima semana o julgamento de uma das maiores “novelas” da F1: o absurdo caso das duas Lotus. Ou melhor, do direito de uso do nome da lendária equipe de Colin Chapman por dois contendores malaios. De um lado, Tony Fernandes, dono da Air Asia e da equipe que correu sob o nome de Lotus Racing; do outro, Danny Baha, CEO do Group Lotus (Proton).

Fernandes: até agora, dirigindo a "Team Lotus".

Antes de mais nada, vamos à matéria publicada no site da Autosport:

A batalha legal sobre o uso do nome da Lotus na Fórmula 1 irá para os tribunais mais cedo do que o inicialmente previsto – com a declaração da montadora malaia para um julgamento sumário a ser discutido na próxima semana.

Esperava-se que a batalha jurídica entre o Grupo Lotus e Lotus Team não estaria em julgamento até o início do verão.

Mas o Grupo Lotus está tentando um julgamento sumário sobre as principais questões jurídicas – que a sua rescisão antecipada do seu contrato de licenciamento com o Lotus Racing foi uma violação do contrato e sobre a permissão de uso do nome Team Lotus na Fórmula 1 este ano.

O assunto está previsto para ser discutido no tribunal de Londres em 24 de janeiro.”

Asmat: possibilidade de duas Lotus é real.

A antecipação do julgamento é uma tentativa de resolver um constrangimento tido como certo para o início do ano, uma situação prevista por Riad Asmat, CEO da Team Lotus (leia-se a “Lotus de Fernandes”).

É possível que haja duas equipes Lotus na F1 nesta temporada “, disse ele. “Não vejo nenhum mal nisso e vamos ver como ele se desenvolve como a temporada continua. Parece que o processo judicial não será antes do terceiro trimestre do ano de qualquer maneira.”

Ao que parece, o imbróglio pode ser resolvido antes do esperado por Asmat, mas será a tempo suficiente de se evitar a bizarra situação de duas equipes com o mesmo nome?

Bahar: confusão à vista com o Tobacco Act.

Certo mesmo é que uma nova confusão envolvendo o nome da Lotus – a apoiada pela Proton e Bahar. O Health Canada, departamento de saúde pública daquele país , está atento quanto a uma possível mensagem subliminar contida na bela pintura que a equipe pretende usar em 2011. É que o clássico layout preto e dourado remete não só à Team Lotus que brilhou nas décadas de 1970 e 1980, mas também à marca de cigarros John Player Special. O Tobacco Act, norma legal vigente desde 1997, proíbe a representação, direta ou indireta, de produtos da indústria tabagista. Segundo Joe Saward, o Tobacco Act é levado tão a sério no país norte-americano que a “Imperial Tobacco Canada, que fabrica e comercializa produtos JPS no Canadá, é tão cuidadosa a respeito da lei que sequer mostra os pacotes no seu próprio site.” Mas o mesmo insider argumenta que a empresa não pode ser responsabilizada pela referência aos cigarros John Player Special, pois

Neste caso, porém, a Imperial Tobacco não está diretamente envolvida e por isso não deve ser culpada por um terceiro com uma pintura que foi projetada especificamente para relançar a relação com os carros JPS Lotus.”

No meio de toda essa confusão, a Lotus Renault anunciou recentemente a contratação do terceiro piloto da Lotus Racing , o malaio Fairuz Fauzy, o que não fará a equipe de Fernandes lamentar muito. O que importa, de fato, é a definição a ser dada pelos tribunais em relação ao direito de uso da marca Lotus; enquanto não se chega a um consenso, os fãs da categoria correm o risco de assistir à absurda situação de duas equipes com o mesmo nome. O nonsense desta possível realidade entra em choque com a própria atitude da FIA/FOM com as transmissões do evento. É só relembrar o caso da BAR em 1999.

A equipe, capitaneada pelo campeão de 1997 Jacques Villeneuve e seu empresário Craig Pollock, tentou utilizar dois carros com pinturas diferentes – cada um com uma marca de cigarros da British American Tobacco. No entanto, a idéia malogrou por se chocar com uma disposição da FIA que proíbe que os dois carros de uma equipe possuam pinturas distintas. Motivo: confundiria os telespectadores.

Villeneuve e sua BAR de 1999.

E estes mesmos telespectadores subestimados pela entidade agora correm o risco de ver duas equipes com o mesmo nome. Mas o que é mais estranho no caso Lotus é o silêncio de Bernie Ecclestone. O chefão da FOM, nome certo nas costuras políticas da categoria, tem se mantido distante do caso. Vejamos até quando…

comentários
  1. Fernando Kesnault disse:

    Huuuummm….creio que muitas regras na atual f-1 deveriam ser mudadas e uma delas seria a possibilidade de cada carro da equipe ter uma pintura diferente ou um patrocinador diferente o que ratearia os custos da equipe e indiretamente as manobras de “deixar” o companheiro passar seriam vistas apenas em finais do campeonato o que ee totalmente aceitavel.

    Quanto aa equipes Lotus creio que continuaram a ter as duas, veremos… uma questao: um tribunal ingles nao tem competencia de impor regras para que uma equipe possa correr com um determinado nome que queira em local alhures ao ingles, entao…a competencia no caso ee apenas da FIA de impor ou nao…e mesmo a corte europeia so tem competencia em solo europeu.

    Quanto ao Tabac Act, mostra como o mundo atual esta obtuso, idiota, mercantilista e muito chato, regular algo que ee subjetivo mostra que estamos perto do fim de uma era tantos idiotas e imbecis paranoicos no poder.

  2. Ron Groo disse:

    Grande Vitor, sempre atento e sempre com um grande texto.

    Nesta briga não vai ter ganhadores, só perdedores e o pior, vão enxovalhar o nome Lotus.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s