A “classe C” da F1

Publicado: 21/01/2011 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Force India, Sauber e Toro Rosso: três equipes que, se estavam longe das grandes, pelo menos estavam bem longe do fiasco das três novatas. Esta é a realidade da “classe C” da F1, equipes médias que ainda sonham com pódios ocasionais, já que a vitória é um sonho praticamente impossível. Orçamento apertado, que impede o desenvolvimento de qualquer projeto, por melhor que seja, é um problema que todas elas possuem em comum.

Talvez poderíamos incluir a Williams nesta categoria, mas pela tradição e estrutura, a equipe de Grove ainda se mantém em uma classe “distinta”. Aliás, falando em estrutura, as equipes da “classe C” também possuem recursos tecnológicos distintos. Seguindo a classificação de construtores de 2010 seguiremos pela seguinte ordem: Force India (68 pontos), Sauber (44) e Toro Rosso (13).

A Force India surgiu da compra dos espólios da Spyker, uma das companhias que adquiriram a antiga Jordan, símbolo da equipe média com grandes pretensões. Depois de uma temporada de estréia que não se diferenciou muito das sucessoras do maluco-beleza Eddie Jordan, a Force India surpreendeu em 2009 com um desempenho fabuloso em circuitos de altíssima velocidade, como Spa e Monza. A disputa acirrada pela vitória entre Giancarlo Fisichella e Kimi Räikkönen no circuito belga em 2009 lançou expectativas para a temporada seguinte.

Liuzzi e Sutil guiam o VJM03 em Montreal.

E eis que em 2010 a Force India lança o VJM03, um carro que não chegou a lutar por vitórias, mas teve um desempenho bem mais regular que o de 2009, pontuando com frequência. Mas a equipe sofreu com um problema típico das equipes médias: o orçamento apertado influenciou no desenvolvimento do carro, que foi perdendo em desempenho para a Williams e Sauber.

Não bastasse, a equipe de Vijay Mallya se envolveu em diversos enroscos jurídicos: perdeu a ação movida contra ex-patrocinadores, foi derrotada no caso Aerolab, foi obrigada a ressarcir ex-pilotos de testes. Muitos dólares foram para o ralo e mais podem ir: ninguém sabe qual será o desfecho do caso Liuzzi. Comenta-se que a equipe pretende substituir o italiano por Nico Hülkenberg, mas Liuzzi possui um contrato assinado que o garante para 2011. A rescisão certamente custará bem caro para Mallya.

Paul di Resta, um nome forte para 2011.

Outra dificuldade para a Force India em 2011 foi a debandada de diversos técnicos para a Lotus de Mike Gascoyne. O polêmico engenheiro inglês trabalhou na equipe em seus primeiros tempos e foi peça-chave no processo movido contra a Aerolab.

Por outro lado, a Force India contou (desde seu início) com pilotos experientes e qualificados, fugindo dos pay-drivers , uma solução recorrente a equipes com orçamentos apertados. Para 2011, a receita deve ser a mesma: os nomes cogitados incluem desde a manutenção da dupla atual à inclusão de novos nomes como o campeão da DTM Paul di Resta e o badalado Nico Hülkenberg, ex-Williams. Os motores Mercedes e a cooperação técnica com a McLaren são outros pontos fortes da equipe de Mallya.

Já a Sauber, ao longo de seus 295 GPs,  na década de 2000 desempenhou o papel da Jordan fizera em meados de 90: uma equipe média com fortes aspirações para integrar o seleto time de grandes equipes. A belíssima temporada de 2001 sugeria isso, mas a equipe perdeu o fôlego nos anos seguintes, alternando entre temporadas regulares e boas. No final de 2005, Peter Sauber vendeu sua equipe para a BMW e a escuderia suíça virou mais uma time de fábrica, tendência da época. Em 2008 a BMW Sauber teve a melhor temporada da sua história, com pódios constantes e a primeira vitória, com Robert Kubica. E na temporada seguinte, um inesperado fiasco, que serviu de pretexto para a saída da BMW, na realidade motivada pela crise financeira.

Pedro de La Rosa e Kamui Kobayashi na apresentação do carro para 2010.

E a Sauber retornou às mãos do seu criador. Peter Sauber contou com o apoio da BMW que ainda integrou  o nome oficial da equipe, gerando uma curiosa denominação: BMW Sauber F1 Team, só que com motores Ferrari. O apoio financeiro da BMW foi discreto e praticamente único: os carros da equipe correram ano inteiro praticamente brancos, contando com alguns pequenos patrocínios em algumas corridas. Em uma estratégia semelhante à executada pela Brawn GP em 2009, Peter Sauber apostou em um bom desempenho da equipe ao longo da temporada para chamar a atenção de novos investidores. Contratou pilotos que seguissem a clássica fórmula “experiência x agressividade”: o veterano piloto de testes Pedro de la Rosa e a sensação da temporada, Kamui Kobayashi. Mas os resultados demoram para surgir.

A Sauber teve uma trajetória distinta das equipes da “classe C”:  começou mal a temporada, mas teve uma reação notória ao longo do ano. Como se explica isso, com um orçamento tão apertado? A resposta está na estrutura da equipe: a Sauber dispõe de uma moderníssima fabrica em Hinwil, sua sede na Suíça. São instalações dignas das melhores equipes da F1, com direito a um moderníssimo túnel de vento e um computador de última geração. Com base nesta forte estrutura, a equipe pode somar boa parte dos seus 44 pontos em 2010 a partir da segunda metade da temporada.

A moderna fábrica da Sauber em Hinwil: estrutura foi o segredo do desenvolvimento.

É por isso que para 2011 espera-se uma temporada ainda melhor para a equipe. Com o acordo firmado com a gigante mexiana de telecomunicações Telmex, a Sauber espera adquirir um lastro financeiro que cubra as despesas com desenvolvimento de seus carros. A equipe continuará com os motores Ferrari e o talentoso Kobayashi, que terá a companhia do jovem mexicano Sergio Pérez, ainda uma icógnita.

Buemi e Alguersuari: ano difícil em uma equipe que precisa caminhar com as próprias pernas.

Por fim, falemos da Toro Rosso. O “time B” da Red Bull, oriunda da Minardi, teve um desempenho bem inferior ao dos últimos anos. Explica-se: foi a primeira temporada sem o auxílio de Adrian Newey, embora o carro continuasse parecendo, externamente, uma cópia da “irmã rica”. Outro fator determinante foi a infeliz idéia de juntar dois pilotos inexperientes para guiarem seus carros. Faltou feedback necessário para guiar os engenheiros no desenvolvimento do carro. Fora isso, volta e meia retornam os rumores de que Dietrich Mateschitz pretende se livrar da equipe para focar seus investimentos na vitoriosa Red Bull.

Quanto aos pilotos, houve uma clara evolução do jovem espanhol Jaime Alguersuari, alçado prematuramente à condição de titular ao longo da temporada de 2009. Já o desempenho de Sébastien Buemi declinou em relação à 2009, onde ofuscou o multicampeão da Champcar, Sébastien Bourdais. Os dois jovens pilotos, confirmados para 2011, terão a sombra da nova aposta da Red Bull: o australiano Daniel Ricciardo,  terceiro piloto da equipe para este ano. Ricciardo foi constantemente elogiado por Helmut Marko, consultor da Red Bull no programa de desenvolvimento de novos talentos da equipe. Tecnicamente, não há muito o que esperar da Toro Rosso em 2011: continuam com os motores Ferrari e à própria sorte no desenvolvimento dos seus carros.

Esta é a situação das equipes da “classe C”: entre o céu e o inferno. Com a esperada subida de desempenho da Lotus, a lista pode ser engrossada em 2011. Já a Sauber possui mais condições técnicas e mesmo financeiras para ascender de classe. Em quem você apostaria para subir e descer?

comentários
  1. Mari Espada disse:

    Vitor, belo texto! Você foi além das previsões para essa temporada que se aproxima, e nos trouxe um pouco da história dessas pequenas notáveis. Parabéns!

    Sem dúvida, como você disse são “três equipes que, se estavam longe das grandes, pelo menos estavam bem longe do fiasco das três novatas”… e isso mostra o comprometimento delas com o esporte, apesar dos custos reduzidos no orçamento.

    Só por esse motivo essas três merecem respeito!

    Mas confesso que, dentre essas equipes, sempre tive mais apreço pela Sauber, não sei explicar porque… talvez seja devido aos pilotos que por ela passaram: o baixinho do Heidfeld, o narigudo do Kubica, e aquele que conquistou de vez a minha atenção, o sushimaker Kobayashi… ou talvez seja por causa da bela pintura branca e preta dessa última temporada… ou talvez seja por causa da história do Sr. Peter Sauber, pois eu sempre me encanto com equipes que possuem a paixão de uma pessoa envolvida.

    Enfim, seja qual for o motivo, eu aposto na Sauber para subir de classe social no grid da Fórmula 1… principalmente se o japinha voador continuar pilotando na equipe! =)

    Beijos!

  2. Marcelo (Cascavel) disse:

    Eu aposto também na Sauber, simpatizo com esta equipe e estou torcendo pro Koba. Sem dúvida é o melhor japa que já passou por esta categoria.

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Fórmula 1 Brasil, Gabriel Felipe. Gabriel Felipe said: RT @f1brasil: A “classe C” da Fórmula 1 http://migre.me/3J2pN #f1 […]

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