Red Bull: A Favorita?

Publicado: 24/01/2011 por Marcelo Brum em Formula1
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Respostas somente a partir de 1o. de fevereiro

Quanto tempo leva para atingir um objetivo? E quando esse objetivo é vivido tão intensamente a ponto de se tornar uma obsessão? E o que fazer após finalmente atingir o objetivo para o qual realizamos um trabalho incansável e árduo durante os últimos anos?

Pois estas são perguntas que certamente passaram pela cabeça de Christian Horner, chefe da equipe Red Bull Racing.

Um pouquinho de História

A trajetória da Red Bull na Fórmula 1 começou pra valer em 2005, mas as origens da equipe remontam ao ano de 1997, com Stewart Grand Prix (SGP), empreitada do tricampeão mundial de Fórmula 1 Jack Stewart – Jack chamou para ajudá-lo a desenvolver o carro nada mais nada menos que o brasileiro Rubens Barrichello. Com a venda para a Ford, o que era SGP tornou-se Jaguar Racing (JR), em 2000. Finalmente, em 2004, a Ford, proprietária da equipe resolve sair de cena. E vende a JR para a Red Bull, de propriedade do magnata austríaco Dietrich Mateschitz. A fabricante de bebidas energéticas começava, então, um ousado plano de marketing investindo pesado no automobilismo, em esportes radicais e até em esportes pouco tradicionais, como a Red Bull Soapbox (uma espécie de corrida de carrinhos de rolimã fantasiados).  A partir de 2005, equipe passou a se chamar Red Bull Racing (RBR).

Rumo às vitórias

As temporadas de 2005 e 2006 serviram de aprendizado para a equipe novata com desempenhos apenas regulares. Contudo, a temporada de 2007 marcaria uma reviravolta nos rumos da equipe. Ocorreram muitas mudanças importantes: o australiano Mark Webber é chamado para fazer dupla com o escocês David Coulthard; os motores passam a ser os da Renault; e a principal alteração, o novo monoposto, RB3, seria o primeiro inteiramente projetado por Adrian Newey – o que se tornaria a regra daí para diante. Ao término da temporada de 2008, após nova campanha regular, a equipe decidiu dar uma oxigenada na dupla de pilotos. Então um jovem alemão, Sebastian Vettel, é promovido da equipe satélite da RBR, a Toro Rosso, então chefiada pelo ex-piloto Gerhard Berger. O cartão de visitas do talento alemão fora um fim-de-semana perfeito no tradicional circuito de Monza com a pole e a vitória. A temporada de 2009 marcou o salto definitivo para que a RBR deixasse de ser uma coadjuvante e se tornasse uma das protagonistas do “circo da Fórmula Um”. O mago dos cálculos aerodinâmicos, Adrian Newey, produziu o seu primeiro grande carro na RBR, o chamado RB5. E com ele a equipe obteve nesta temporada seis vitórias – China, Inglaterra, Alemanha, Japão, Emirados Árabes e Brasil -, com direito à dobradinha em quatro delas – China, Inglaterra, Alemanha e Abu Dhabi. Só perdeu neste ano para o projeto da Brawn GP – campeã com Jenson Button –, mas deu um banho nas poderosas Ferrari e McLaren, fazendo mais pontos do que as duas somadas. Finalmente, a temporada 2010 foi o ápice: Campeã de Construtores; Campeão de Pilotos (Vettel); 9 vitórias; 4 dobradinhas; 10 pole positions apenas com o campeão.

É preciso manter o foco

Tanto esforço para chegar ao topo só faz aumentar a responsabilidade de quem chega lá. Agora a RBR não é mais a desafiante, mas sim a equipe a ser batida. Todas as demais equipes estão trabalhando com um olho em seus projetos e o outro em Milton Keynes para saber qual será o tamanho da artilharia que deverão usar para combater os imponentes touros vermelhos. A dupla de pilotos será mantida, mas agora com a responsabilidade de carregar os números 1-2.

Para Adrian Newey, “é impossível prever” (site autosport) se o esquema vencedor das duas últimas temporadas irá se sobressair em 2011, respeitando a concorrência obviamente. Perguntado se o RB7 poderá ser superior aos já lendários RB5 e RB6 ele preferiu ser cauteloso – “houve muitas mudanças de regras durante o inverno, como a proibição do reabastecimento e o pneu da frente menor, e assim como a maioria das outras equipes nós estávamos desenvolvendo um projeto com um difusor duplo então foi muito difícil prever aonde nós queríamos chegar” (site autosport).

Quanto ao lançamento do RB7, Christian Horner dá indícios de que a intenção é levar o novo protótipo à Valência – “Estamos dentro do cronograma para o primeiro teste. Será extremamente apertado estar lá pronto e a tempo, mas esse é o nosso objetivo.” (site autosport). Em anos anteriores, a RBR optou por aguardar pelo início do campeonato para aperfeiçoar os modelos, mas agora a equipe parece não querer perder tempo e estar pronta para a primeira corrida.

Cenas lamentáveis como esta se repetirão?

Durante entrevista ao Autosport Internacional 2011 – publicada no último dia 14 -, Horner criticou o que ele julgou como um “excesso” de denúncias quanto a possíveis irregularidades no RB6 – “finalmente, nós sabemos que o nosso carro está em conformidade, e nós temos cumprido com as normas e regulamentos”. Foram diversas denúncias contra a RBR: quanto a não obedecer ao Acordo de Restrição de Recursos, estabelecido para 2010; controle de altura e as asas dianteiras. Também criticou as mudanças nos motores que a FIA pretende implementar para 2013

– “A Fórmula 1 é ruído e velocidade. O motor atual é potencialmente obsoleto no mundo moderno, mas é importante que o novo motor satisfaça os critérios que a F1 precisa para manter e aumentar seu apelo ao público”.

Apesar disso, Horner encara com naturalidade a desconfiança – “Para nós, é apenas uma demonstração de que estamos fazendo o nosso trabalho bem e corretamente”, finalizou. Ele ainda referiu, na entrevista,

que gostou das modificações aerodinâmicas para 2011 e que espera que as rusgas entre Vettel e Webber

sejam coisas do passado, ressaltando que os dois já conversaram e esqueceram as diferenças – “eles irão estimular um ao outro e espero que possamos provê-los com um grande carro para correr novamente na frente”.

O certo é que ele virá com mais sede...

Daqui pra frente…

A Red Bull cresceu e se inseriu com personalidade no hall das grandes da F1. Resta saber como ela reagirá nos anos

vindouros. Manterá a fórmula vencedora por algum tempo ou começará a “entrar de salto alto”, como é comum na gíria esportiva. Aliás, se olharmos para a temporada passada, a equipe quase entregou os dois campeonatos por não saber administrar as vaidades internas. Vamos aguardar o começo da temporada de 2011 para começar a responder.

comentários
  1. felipinho disse:

    Opa..

    Se não houver nada que drible o regulamento com aceitação da FIA, cravo na RBR para favorita ao título novamente.

    Ops.. uma pequena correção no seu texto: não é roll é hall.

    Abraços.

  2. Fernando M. disse:

    Acredito no potencial dos touros em lançar mais um carro avassalador, afinal, uma equipe que tem Adrian Newey tem muito mais de meio caminho andado para vencer. Mas, de qualquer forma, não seria uma completa surpresa se isso não ocorresse, afinal, em mudanças de regulamento sempre tem algo que não sai nos conformes… Ainda assim a probabilidade é de um RB6 digitransformado para algo mais potente ainda que 2010.

  3. Anselmo Coyote disse:

    Mesmo com Vettel guiando a Red Bull é virtualmente a favorita. Aquele carro ganha corridas sozinho, bastando apenas que o passageiro não atrapalhe muito.
    ABs.

    • Teo disse:

      So pra cutucar, imagine esse carro na mao do Kobaiashi!rsrsrs…

      • Teo disse:

        Desculpe: Kobayashi!!!

      • Anselmo Coyote disse:

        Aí eu discordo. Com o japinha no comando dessa bagaça o campeonato ficaria como quando o Senna corria com a Mc Laren. Eu nem assistia. Perder meu tempo?….
        Abs.

  4. SPLASHSPORTSLINE disse:

    Embora acredite que a Red Bull irá manter o altíssimo nível com os excelentes projetos do Newey e a equipe como um todo,ela tem de evitar,como escrito no fim do post, incorporar a empáfia,pela vitória nos dois campeonatos,de pilotos e construtores.Um trabalho assim feito por eles no ano passado sem dúvida foi maravilhoso,mas terão de manter o foco,afinal é um trabalho a longo prazo.

  5. SPLASHSPORTSLINE disse:

    E referente a um post anterior,diferentemente do que foi citado,jamais achei o carro da Red Bull feio.Muito pelo contrário,o Adrian Newey projetou uma obra-prima.
    Olhem só as “curvas” dessa bela máquina:

    Não vejo feiúra nenhuma aí.

    • Eu não disse que o RB6 era feio, eu disse que todos são feios, todos….

      Compare com esses aí:

      • Vitor, o de Recife disse:

        Os carros atuais são muito feios, mas também nao gostava dos carros dos últimos anos do regulamento anterior. Aquele excesso de asinhas e penduricalhos eram terríveis.

        Da F1 moderna, dos anos 2000 para cá, acho que os mais bonitos foram do início da década.

  6. SPLASHSPORTSLINE disse:

    Já faz um tempo que foi produzido,mas esse é mais um dos tantos outros excepcionais vídeos com uma fantástica compilação feito por esse finlandês que é um gênio:

    E o Bernie Ecclestone quis processar ele por “uso indevido de imagens exclusivas da FOM”…Só deve estar louco.

  7. SPLASHSPORTSLINE disse:

    Eu entendi,Claudemir,…só que em minha opinião,existem exceções,como o RB6,que,como disse,é uma bela máquina.Mas concordo plenamente com você,inclusive mencionei isso antes,sobre os carros de 2007 e 2008.São horríveis mesmo…rsrs

  8. SPLASHSPORTSLINE disse:

    Porém,eu tenho que fazer uma ressalva:apesar de eu não ter gostado do layout dos carros desses anos que eu mencionei,achei o da McLaren de 2007 até que com um design interessante.Mas quanto ao resto,com exceção do RB6,em minha opinião…são horrorosos mesmo.
    Aliás,creio que você devia ter absolvido da feiúra o carro de 2007 da McLaren…e o de 2008 também…está querendo arranjar discussão com a Mari Espada?Rsrsrs…

  9. Vitor, o de Recife disse:

    É a favorita pela genialidade de Adrian Newey. Mas, assim como a Ferrari, tem problemas de comando; a diferença dos problemas gerenciais da Scuderia são as causas. O que falta à Red Bull é experiência como equipe grande – bem evidenciada na pergnta do Marcelo “o que fazer agora?” (aliás, belo post Marcelo).

    Agora como grande, Red Bull não pode fazer o papelão de não ter comando sobre seus pilotos, como na Turquia. Nao pode passar ridículo como na Inglaterra – até porque Vettel é campeão, ou seja, já é grandinho. E, como grande, tem maior poder de barganha para dar um pito na FIA em decisões que não são favoráveis à ela: política faz parte do esporte, e senti falta de uma posição mais incisiva da Red Bull no caso de Hockenheim. A Mclaren se absteve de uma posição mais firme (por motivos óbvios); fosse em outros tempos, em 2008, por exemplo, ia ser uma briga feia. Com os dois títulos de 2010, a Red Bull tem que se postar como grande.

  10. Ron Groo disse:

    É um ano de muitas mudanças técnicas, logo as coisas ficam um tanto embaralhadas e o que foi bom ano passado pode não ser mais este ano. Mas vamos aguardar. Agora… Carro bonito é Williams.

  11. Mari Espada disse:

    Marcelo,
    Parabéns pela dedicação. Escrever sobre a favorita não é fácil.
    Mas sinceramente, acho que a mudança no regulamento dá oportunidade das outras equipes alcançarem o foguete do Newey… vamos ver…

    Beijos!

  12. […] This post was mentioned on Twitter by ultrapassagemf1, Fabio Lima. Fabio Lima said: Red Bull: A Favorita?: Quanto tempo leva para atingir um objetivo? E quando esse objetivo é vivido tão… http://bit.ly/flEkh4 #F1 #F1Br […]

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