Williams em Busca do Dinheiro Perdido

Publicado: 25/01/2011 por Fernando M. em Artigos
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Sede da Williams com seu jardim criativo e bem cuidado. Daí se espera muito para 2011.

Como uma das equipes mais tradicionais do grid pode sacudir os resultados pouco expressivos dos últimos anos e voltar aos momentos de glórias, se juntando novamente ao time dos grandes, lugar que nunca deveria ter saído? Com foco e trabalho, muito trabalho! E um trabalho bem executado é uma junção de diversos fatores – talento, experiência, criatividade, conhecimento, técnica e, fundamentalmente, dinheiro – que devem estar alinhados, coerentes e que tenha definido um final, uma meta, em outras palavras, que se tenha o foco!

Para essa temporada de 2011, as expectativas que a imprensa especializada internacional vem divulgando é que a Williams parece vir com um projeto bastante “agressivo” – como Barrichello gosta de se referir ao novo projeto -, e que algo que possa surpreender vem por aí. Notavelmente, é fácil perceber um reencontro da equipe com a própria auto-estima após as mudanças de regulamento de 2009. Ainda que sejam parcos resultados nos últimos anos no mundial dos construtores (7º em 2009 e 6º em 2010) o que se percebe pelas declarações de dirigentes e pilotos é que aos poucos o projeto vai evoluindo e mostrando que bons novos horizontes se projetam e até Frank Williams parece menos cabisbaixo pelo paddock.

A grande verdade é que, independentemente do entusiasmo que se tem propagado, a Williams tomou novos duros golpes financeiros com a saída de patrocínios e de repente se viu a mercê de abrir mão de um piloto talentoso como Hülkenberg para contratar o venezuelano Pastor Maldonado – vencedor da GP2 ano passado mas que ainda tem muito a mostrar e provar se realmente tem valor -, piloto fortemente apoiado por várias empresas do seu país, além de contar com o apoio maciço também do governo da Venezuela.

Williams em apresentação na Venezuela, já com o patrocínio da PDVSA.

Efetivamente, ainda que seja triste uma equipe com o histórico da Williams atuar dessa forma, serão os petrodólares venezuelanos da PDVSA que irão dar um respiro financeiro para a equipe em sua jornada para recuperar os áureos tempos. Concomitante a esse novo patrocínio, a equipe ainda anunciou a possibilidade de abertura de capital da empresa, o que significa que passaria a comercializar ações na bolsa de valores.

Adam Parr, Presidente da companhia diz:

“…seria correto dizer que a Williams F1 está considerando a cotação em bolsa. Nesta fase, todos nós concluímos é que é a melhor maneira de garantir o futuro da equipe e seus 450 funcionários.”

Ele afirma também que a empresa tem lastro financeiro suficiente para agüentar as flutuações de uma bolsa de valores:

“A empresa vem gerida em sólidos princípios financeiros. Apesar do ambiente econômico nos últimos anos, temos um lucro gerado e fluxo de caixa positivo das atividades operacionais em 2008, 2009 e 2010 e temos um orçamento totalmente coberto para 2011.”

Em cada fala dos dirigentes da Williams se vê a preocupação financeira do grupo e a busca constante em se manter uma equipe independente na F1, mostrando seu apreço e responsabilidade pela categoria e seus fãs, o que é notável em tempos de escassez econômica mundial. Cultura essa imprimida pelo seu fundador, Frank Williams:

“Meu objetivo era estar na F1 como um construtor independente. Esta foi e é minha grande paixão e eu vou continuar correndo tanto tempo quanto eu continuar a ser abençoado com uma boa saúde. É também meu desejo que a equipe esteja em boa forma para continuar competindo por muito tempo após eu não estar mais aqui. Para esse fim, é prudente e necessário planejar uma estrutura que permitirá à Williams continuar a ser um construtor independente, de propriedade e administrado por pessoas comprometidas com a Fórmula Um…”

O que se sobressai de tudo isso é que a apreensão financeira da equipe pode ser um fator altamente negativo para o desenvolvimento do carro, já que em equipes como McLaren, Ferrari, Red Bull e Mercedes a principal preocupação está em construir os bólidos, sem dispender preciosos recursos pensantes em como captar mais dinheiro.

Ainda assim as expectativas são grandes lá em Grove para o lançamento do FW33, em 1º de fevereiro. O diretor de engenharia, Patrick Head, está bastante confiante com o uso do KERS, inteiramente desenvolvido pela equipe e que terá as baterias arranjadas no formato mais adequado à estrutura do carro, facilitando a distribuição do peso para o novo regulamento. Acredita ainda no potencial dos motores Cosworth:

“No início do ano [2010] tivemos problemas de degradação excessiva com a distância, mas isso foi resolvido rapidamente e, com o tempo, o motor tornou-se mais sofisticados em dirigibilidade. No início do ano ele poderia ser considerado um pouco ‘adolescente’, mas agora está mais maduro, sem perder sua agressividade.”

Motor Cosworth: evoluirá suficientemente em 2011 para disputar com os grandes?

A equipe conta muito, além disso, com a experiência de Barrichello, relacionamento que tem se mostrado bastante vantajoso para os comandados de Frank Williams, já que Rubens é reconhecidamente um ótimo acertador de carros e passa feedbacks valiosos aos engenheiros.  Seria um ano fundamental para Nico Hülkenberg, já que, mais adaptado à F1, poderia utilizar seu talento e os bons acertos de Rubinho para conquistar melhores colocações para a equipe. Resta saber se Pastor Maldonado fará bom uso da oportunidade que o governo venezuelano está dando para ele e ajude a Williams a demonstrar mais força nessa temporada, aumentando a atratividade dos espaços publicitários, reencontrando o dinheiro que sumiu no fim de 2010 e fortalecendo sua empreitada de conquistar os títulos de construtores e pilotos nos próximos anos.

comentários
  1. Oq mais me preocupa é o motor Cosworth e o Maldonado!

  2. Will disse:

    Infelizmente falta motor e pilotos.

    Como seria um Williams Mercedes com um Hulkenberg pilotando no seu segundo ano?

    Belo post Fernando.

  3. Allan Wiese disse:

    Belo post Fernando.

    A Williams tem meu carinho. O espírito garagista de Frank continua vivo até hoje. É um sobrevivente e torço para que a equipe sobreviva a essa crise que assola a categoria.
    E, como você disse, tomara que Maldonado saiba aproveitar a chance que ganhou.

  4. Sirlan Pedrosa disse:

    Fernando,

    É difícil fazer uma previsão sobre a Willimas porque o lado racional fica sempre sendo influenciado pelo lado emocional, que tem um grande apreço pelo time e por sua história.

    Mas analisando friamente, eles mantiveram o motor Cosworth, não contrataram nenhum grande nome para a área técnica, perderam patrocinadores e vão ter que engolir um piloto pagante….

    Desejo sinceramente estar errado, mas não espero para 2011nada além do que a Willimas vem fazendo nos últimos anos.

    Um abraço,

    Sirlan Pedrosa

  5. SPLASHSPORTSLINE disse:

    Em minha opinião a Williams teve seu último ano de real competitividade em 2003,quando lutou pelo título de pilotos até a penúltima corrida;depois disso,no fim de 2005,onde ocorreu a saída de seu principal patrocinador,a HP,ela nunca mais lutou por vitórias,de fato.Alternou entre os motores Toyota e Cosworth,de atualmente,mas não ocorreu nada muito relevante em matéria de disputas.De todo modo,é elogiável o profissionalismo e a dedicação da equipe de Grove,que se mantém na categoria top mundial com dignidade.

  6. SPLASHSPORTSLINE disse:

  7. lucas disse:

    Extra: Fernando Alonso e Felipe Massa vão pilotar uma F150 esse ano.

  8. Fernando Kesnault disse:

    Xara otimo texto…mas fico com aquela cocerinha de dizer o seguinte: se uma equipe como a Williams quer voltar a ser grande uma de suas prioridades é contratar piloto experiente vencedor e não um chorão derrotado como o Barrichello, para quê?? Não vai fazer nada diferente, experiencia?? de que?? derrotas?? ficasse com o Hulkenberg e o Maldonado que é novo na categoria e traz a “grana” para um respiro da eqipe.

    • Fernando M. disse:

      Obrigado, xará!

      Pois é, não acho o Barrichello um mega vencedor, mas acho que ele tem muito sim a contribuir… Por isso acho que esse ano seria excelente para o Nico, que poderia aproveitar os acertos do Rubinho para despontar mais ainda.
      Ainda assim espero que a Williams se reencontre, eles fazem falta na turma dos grandes.

  9. Alex-Ctba disse:

    Parabéns pelo texto Fernando, gostei muito. Essa é uma equipe que leva minha torcida e tomara que se adapte bem as novas regras. Como vc bem disse no post, conta com o feedback do longevo Barrica próximo de completar vinte anos ininterruptos na categoria e pilotando muito, como todos puderam comprovar na temporada de 2010, sendo constantemente mais rápido do que o excelente Hulkenberg.

    Com um projeto já bem adaptado aos Cosworth, acredito que a equipe possa dar um passo a frente em relação a temporada passada e isso significaria lutar mais francamente com os cachorros grandes. Tomara!

    Abs

  10. Vitor, o de Recife disse:

    É a equipe que tem minha torcida, aliás, de quase todo mundo. O fato de contar com um piloto pagante não é novidade: eles já fizeram isso com o Nakajima. Pelo menos Maldonado tem um título na GP2, embora conquistado após anos na categoria. Vejamos no que vai dar o “projeto agressivo”.

    Abraços.

    • Fernando M. disse:

      Não é novidade mesmo, Vitor… Acho que o maior problema está no fato de dispensar o Hülkenberg, que evoluiu muito ano passado, para contratar um piloto que fará todo o caminho das pedras novamente. Acho que a equipe perde muito nesse aspecto. Mas…. Como tudo na vista existe uma balança, o dinheiro do Maldonando, nesse momento, pesou mais que o talento e a promeça do Nico…

  11. Marcelo Brum disse:

    Parabéns pelo post, Fernando!

    A Williams é como se fosse o segundo time de todos – é mais ou menos como o Fluminense -, todos guardam alguma simpatia por ela até em respeito à sua história e à lenda viva Frank Williams.
    Acontece que, mesmo com os petrodólares venezuelanos não podemos esperar muito da equipe com esse motor Cosworth. Bom mesmo seria um Renault ou um Mercedes; aí, sim.
    Infelizmente, não tem dinheiro nem para contar com engenheiros de ponta então vai sendo apenas uma sombra do poderoso time do passado.
    Era uma equipe que trazia inovações técnicas – quem não se lembra da suspensão inteligente -, que apostava em jovens talentos e que não economizava esforços para ter os melhores em seu time. Mas, hoje, isso está bem distante.

    Resta ver o que poderão fazer na pista esse ano.

    Abçs!

  12. Daniel disse:

    Espero que a Williams continue evoluindo. A maioria diz que Barrichello deveria sair e dar lugar a outro piloto jovem. Eu não concordo com isso e a própria Williams afirma que sem o feedback do Barrichello, não iriam evoluir da forma que evoluiram durante 2010.

    Claro que o motor Cosworth não é o melhor disponível, mas não acho que seja essa porcaria que vivem falando.

    O que tem faltando para ambas, Williams e Cosworth é só uma coisa: grana a vontade para investimento em pesquisa e desenvolvimento. Ainda mais nos tempos de hoje que testar na pista é proibido. A Williams deve ter um time técnico muito bom, já que acertou “de primeira” a implementação das grandes “novidades” de 2010, F-Duct e o blown diffuser, coisa que nem a Mercedes conseguiu. Sem falar em 2009, quando colocaram o tal difusor double-decker já desde a primeira corrida.

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