A temporada de 1993

Publicado: 06/02/2011 por Mari Espada em Artigos, Formula1
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O ano de 1993 ofereceu uma temporada de encher os olhos para todos os fãs de Fórmula 1, mas principalmente para os admiradores das equipes inglesas Williams e McLaren.

A temporada começou na África do Sul e, por um ato de pura força de vontade, Senna colocou o McLaren na primeira fila do grid de largada – com Prost na pole, é claro. Ayrton não conseguiu deter o francês durante a corridae terminou em 1 minuto e 19,8 segundos atrás. Em termos de F1, isso é mais do que muito tempo; trata-se de uma eternidade.

No Brasil, o problema de Senna em relação aos carros Williams tornou-se apenas mais óbvio. Prost pegou a pole com 1:15,866 à frente de seu companheiro de equipe, Damon Hill, com 1:16,859 – e Senna em seguida com 1:17,697. Isto é, quase 2 segundos atrás, e, se Alain continuasse assim, nas setenta e uma voltas da corrida, ele venceria Ayrton por quase 2,5 minutos.

Prost liderou desde a largada, com Senna o perseguindo, e Hill perseguindo Senna. Isso também enfatizou o problema de Ayrton, porque Hill, certamente um piloto experiente, participava apenas de sua terceira corrida na F1 e, na décima primeira volta, ele o ultrapassou. Hill afirmou posteriormente que “tive a forte impressão de que ele estava me avaliando, vendo do que eu era capaz”. Sem dúvidas Senna, olhando para a frente durante toda a temporada, estava pensando: se Hill tiver alguma fraqueza, irei percebê-la e saberei explorá-la. Será um Williams a menos para eu me preocupar.

Na vigésima quarta volta, Senna parou no Box e recebeu uma penalidade, supostamente por ultrapassar com a bandeira amarela, e aquilo deu o quarto lugar ao jovem Michael Schumacher da Benetton. Três voltas depois, Senna parou no Box novamente para colocar pneus de chuva. Um dilúvio caia sobre o circuito, e os carros rodavam por toda a pista, como se, de repente, estivessem em um carrossel maluco. Prost aquaplanou e parou sobre um carro que já havia batido, e os pilotos restantes seguiam o Safety Car: Hill, Senna e Schumacher na frente da fila.

Quando o Safety Car deixou a pista, Hill tomou a liderança, mas Senna tinha parado no Box uma volta antes (na quadragésima) que Hill para colocar pneus de tempo seco. Quando Hill saiu do Box, Senna tinha ganhado segundos preciosos naquela volta, perseguindo-o – com os pneus ainda levantando água da pista – até cortá-lo pela direita e ultrapassá-lo, numa manobra incisiva executada com firmeza e elegância. Hill colou nele e os dois disputaram as voltas mais rápidas antes de Senna majestosamente abrir distância. Hill concentrou-se prudentemente em salvaguardar o segundo lugar.

Quando Senna cruzou vitorioso a linha de chegada, diminuiu e parou. Alguns torcedores, inebriados pelo momento, foram até a pista e dançaram em delírioem torno do McLaren, ao mesmo tempo que a enorme multidão atrás acenava, aplaudia e gritava. Outros torcedores foram até a área próxima à pista, levando uma gigantesca bandeira do Brasil aberta, como uma copa de árvore sobre eles.

Senna parecia exausto depois da corrida, quase esgotado. “Hoje, eu não tinha um carro rápido o bastante para acompanhar os Williams, mas meu carro correu sem problemas o tempo todo. Por isso foi um grande resultado e”, encolhendo os ombros, “ver a multidão desse jeito é algo que você tem que vivenciar”

Desafiando a lógica, desafiando a tecnologia, e quase desafiando a realidade, Senna, agora, liderava o campeonato mundial com dezesseis pontos – Prost, dez, e Hill, seis.

Trecho do livro “Ayrton Senna – uma lenda a toda velocidade”, de Christofer Hilton.

A disputa foi acirrada até o final da temporada de 1993, que foi vencida por Alan Prost e seu FW15C, que ganhou 7 das 16 corridas do calendário. Mas ele foi seguido de perto por Ayrton Senna e seu MP4-8, que venceu 5 corridas, sendo que as demais foram levadas por Damon Hill ( 3 vitórias pela Williams) e Michael Schumacher (1 pela Benetton).

Para relembrar todas as emoções da luta de Ayrton Senna e da McLaren contra a poderosa Williams, veja os vídeos da série “The Team”, produzida por John Gau para a BBC, onde mostra os bastidores dessa maravilhosa temporada através dos olhos dos pilotos da McLaren – Ayrton Senna, Michael Andretti e o então piloto de testes Mika Hakkinen.

Parte 1 – A man for all seasons

Parte 2 – A man for all seasons

Parte 3 – The Rookie

Parte 4 – The Rookie

Parte 5 – A few good man

Parte 6 – A few good man

Parte 7 – The boy from Brazil

Parte 8 – The boy from Brazil

Parte 9 – Friendly persuasion

Parte 10 – Friendly persuasion

Parte 11 – The rules of the game

Parte 12 – The rules of the game

Parte 13 – Good bye to all that

Parte 14 – Good bye to all that

“Pouco antes da corrida, quando Ayrton Senna estava sentado no carro, ele me chamou como se quisesse que eu verificasse seu cinto de segurança”, conta Jo Ramirez. “Achei aquilo estranho, porque ele sempre tinha um jeito própriode ajeitar o cinto. Pus minha cabeça no cockpit, mas ele não queria que eu apertasse seu cinto de segurança – só não queria me dizer aquilo pelo rádio”

“Ele disse: é estranho para mim pilotar pela última vez pela McLaren. Eu respondi: se é estranho para você, para nós é desolador. Essa é uma das mais importantes corridas da história da McLaren, porque, se você vencer, além de ser sua trigésima quinta vitória pela McLaren na F1, serão cento e quatro vitórias para a equipe (uma a mais do que a Ferrari, o que tornaria a McLaren a escuderia de maior sucesso da história). Se você vencer essa corrida, vou te amar para sempre!

Aquilo era só uma piada, sério, mas olhei nos seus olhos e vi que estavam marejados. Ele estava comovido – ele sempre se comovia. Pensei: ah, diabos! Não devia ter dito isso antes da largada.

Trecho do livro “Ayrton Senna – uma lenda a toda velocidade”, de Christofer Hilton.

E Ayrton Senna venceu em Adelaide – no GP da Austrália, e se despediu da McLaren em grande estilo.

comentários
  1. zxdaniel disse:

    Belo post mari……, me fez voltar ao passado e lembrar das batalhas, vitorias, derrotas, conquistas e decepçoes do passado, acredito que seja por conta deste incrivel piloto que sempre torci pela equipe mclarem, afinal o seu auge se deu com essa equipe, que deu sempre igualdade de condicoes aos seus pilotos.

    mari sem querer ser chato mas vc sabe o que aconteceu com o kubica, parece que sofreu um acidente (no rally), se for verdade é uma pena pois é um grande piloto e 2011 seria melhor com ele na disputa…….

  2. Maurício disse:

    A pesar de não ter levado o título de 1993, está temporada foi a que o talento do Senna se manisfestou como nunca. Falando em piloto talentoso, acabo de lembrar do Kubica, aproveito para lhe desejar melhoras e que seu talendo possa estar fazendo paste da f1 2011 o mais breve possível. Força para superar as dificuldades da mesma forma que faz na pista.

  3. Fernando Kesnault disse:

    Qto. a Kubica infelizmente creio que não mais correrá na f-1 assim como o Lafitte, o Pironi, o Martin Donnely (Jerez/1990, treinos, serio acidente)…no maximo uma categoria de turismo….e olha lá…

  4. Grande temporada essa de 1993! Foi onde o Senna provou que era o melhor de todos!

    • Mari Espada disse:

      Sim Diego, da mesma forma que o Maurício citou acima, apesar de não ter ganho o WDC, em 93 o Senna consolidou sua lenda.
      Foi uma emocionante temporada para os fãs do brasileiro. Sua última na McLaren, e última por completo na Fórmula 1… por isso essa bela homenagem em vídeo feita pela BBC.

      Beijos!

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