A tão esperada estréia dos cigarros Black Death em Ímola 1994…

Publicado: 21/08/2010 por Claudemir Freire em História da F1
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Morte Negra e embalada

Por: Fernando Kesnault.

Em um fim de semana com tragédias como aquela do GP San Marino de 1994 temos atado a isso uma ironia sem precedentes e sem dúvida nenhuma história tão macabra e intrigante. Duas equipes haviam estreado nesta temporada a Pacific e a Simtek e como todos nós sabemos o automobilismo é feito de dinheiro, gastos, etc. e a F1 é o “top” destas gastanças e assim as novas equipes sempre estão à procura de patrocinadores para concretizarem os seus objetivos.

A Pacific havia arrumado um bom patrocinador, embora um tanto inusitado, a companhia holandesa que fabrica os cigarros….BLACK DEATH. As negociações para a entrada deste patrocinador estavam um tanto atrasadas, desde o GP Pacífico em Aida e foram concretizadas na semana antecedente ao GP de Imola.

Embora um tanto “encucados” com relação ao nome e sua compatibilidade com os perigos advindos da competição em si, os diretores da Pacific não tinham como desprezar tal patrocínio que não aparece todo dia, principalmente em uma equipe pequena e nova e ainda já se passavam 12 anos sem uma morte no circo da F1. As etiquetas do “sponsor” chegaram no sábado de manhã para serem colocados nos caminhões, nos carros, equipamentos e nos macacões, mas a cúpula da equipe planejou colocá-los na noite de sábado para o domingo para que na corrida tivessem um bom visual e fossem bastante assediados pelos fotógrafos e equipes de TV e mesmo curiosos a tudo registrar.

Após o acidente de Rubens Barrichello na sexta e de Roland Ratzenberger no sábado, não havia nenhuma chance de a equipe estampar o bendito patrocínio e seria malvisto por todo o mundo e assim foi lograda uma salvação para a sobrevivência desta equipe que resistiu só por mais uma temporada.

A morbidade continuaria…

Notícia da época.

“PATROCÍNIO DE MAU GOSTO – A equipe Pacific, a mais pobre da F1 este ano, acertou na sexta-feira anterior ao GP de San Marino um contrato de patrocínio com a marca de cigarros Death (morte, em inglês), que resolveu entrar na F 1 ao constatar que nos oito anos anteriores a categoria não havia registrado nenhuma ocorrência fatal nas pistas. Numa ‘brilhante’ estratégia de marketing, os dirigentes da Pacific pretendiam esperar o dia da corrida para colocar os logotipos do cigarro nos carros de Bertrand Gachot e Paul Belmondo, mas o acidente que matou o austríaco Roland Ratzenberger nos treinos de sábado fez a equipe sumir com os adesivos. A morte de Ayrton Senna durante o GP deixou a história ainda mais vulgar. Mas o castigo pela brincadeira de mau gosto veio rápido. Quando voltava para a Inglaterra, o caminhão da Pacific se incendiou na França, devido a um superaquecimento no sistema de freios. Várias peças de reposição foram perdidas, mas ninguém se feriu e os carros escaparam inteiros.”

comentários
  1. Mari Espada disse:

    Mas que história macabra!!!
    E quando a gente pensa que não dá para piorar a situação… o caminhão da Pacific vira churrasquinho.

    Fernando, parabéns pelo “post-roteiro” de filme de terror! =)

  2. Ron Groo disse:

    O lance das mortes em Imola (que saudades da Tamburello, curva para homens) não passava e não passa de uma triste coincidência com o nome da chupeta de burros Death.

    Mas, levando em consideração tudo que acontece ao organismo de quem faz uso de tal produto, pode-se dizer que não há nome melhor para um cigarro do que este: Death.
    E nas versões Black (fumo forte) Red (com traços jamaicanos) White (sem filtro) e o Green (mentolado).
    Isto sim que é anti marketing…

    • Red (com traços jamaicanos)…

      Então, Fábrica holandesa + traços jamaicanos = maconha.

      Essa Holanda, vou te contar, depois daquele lutador de karate de Jong, acredito em tudo.

  3. Vitor, o de Recife disse:

    Putz, que história surreal…

  4. Felipinho disse:

    Sinistro.. imagina se fecham o patrocínio na quinta…

  5. Alex-Ctba disse:

    Desconhecia esta passagem Fernando. Realmente uma curiosidade mórbida. Bem interessante. Eu tinha certeza que sairiam muitas estórias interessantes desse baú rsrsrs

    Valeu por mais uma!

    Abs

  6. celso gomes disse:

    É Fernando K, e os cigarros Death ajudaram a matar bastante fumantes britânicos entre 1991 a 1999, tempo em que a marca sobreviveu no Reino Unido.

    Ô marquinha agourenta, sô! Ratzemberger e Senna, de uma maneira muito triste, fizeram-nos o favor de poupar ver tamanho mau gosto.

    abç

  7. Eduardo De Campos disse:

    Nesse mesmo ano aconteceu um outro caso curioso e não menos mórbido.
    O nosso “Zé do Caixão”, posou para uma foto em Interlagos justamente ao lado da Simtek do Ratzemberger.Semanas depois, sabemos o que aconteceu…

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