Ladrões!

Publicado: 14/12/2010 por Vitor, o de Recife em Artigos, Formula1
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Barrichello e o belo FW32. Várias marcas que estampam o carro não continuarão em 2011.

Enquanto muitos sofrem para conseguir patrocínio, a Penske humilha a concorrência com anúncios seguidos. Depois da Shell e a Meijer, mais um patrocinador chega para colorir os carros da tradicional equipe: a Izod. Já na F1, a Williams perderá vários patrocinadores de uma vez só ao final da temporada. O que esses acontecimentos, em duas categorias distintas, possuem em comum?

A Izod, companhia de roupas e assessórios, também é patrocinadora oficial da categoria. A empresa será a marca principal a estampar o carro de Ryan Briscoe, aparecendo em menor escala nos carros de Hélio Castro Neves e Will Power. Este foi o segundo patrocinador que a Penske “rouba” da Andretti: a Meijer já foi patrocinadora oficial de Marco Andretti enquanto a Izod coloriu o carro de Ryan Hunter-Reay este ano. Detalhe: no início da temporada, americano estava cotado para correr apenas algumas corridas em 2010, pois não havia um orçamento suficiente para cobrir o quarto carro da equipe por todo o ano. Mas a vitória em Long Beach ajudou Ryan a conseguir financiar o restante da temporada.

Ryan Hunter-Reay e sua Andretti com o patrocínio da Izod.

Esta briga por financiamento reflete nas pistas: as equipes mais fortes tendem a atrair os melhores contratos, como bem observa Christopher Leone, do “Open Wheel America”:

Sem dúvida, as empresas que estão interessadas em marketing através do automobilismo querem estar com as melhores equipes, geralmente utilizando um time menor para molhar os pés antes de pular a escada. Eles estão completamente no seu direito de fazê-lo em um mercado livre.

Mas como é que é bom para o esporte, quando as suas equipes de topo estão simplesmente caçando os patrocinadores das menores, forçando-os a ser os únicos a atrair dinheiro novo? Este é o segundo ex-apoiador Andretti Autosport, sendo a Meijer o primeiro. Isso deixa Michael Andretti com um buraco enorme no orçamento, mesmo ele tendo a terceira melhor equipe no esporte.”

A Sauber de Villeneuve em seu último ano antes da BMW. A Petronas continuou com a equipe até 2009.

Não é um fenômeno novo, nem restrito à Indy. Na F1, a Williams, outrora uma das potências na categoria, é o exemplo mais emblemático. Nos anos 1980, perdeu o patrocínio da Techniques d’Avant Garde – mais conhecida como TAG – para a McLaren de Ron Dennis. A empresa terminou batizando os poderosos motores Porsche que empurraram a equipe de Woking rumo ao bicampeonato de 1984 e 1985. Os longos anos  longe das vitóras fazem com que a equipe perdesse vários patrocínios de uma tacada só e, pior, novamente para rivais. Várias rivais… em 2009, a Williams perdeu novamente um patrocínio para a McLaren: a fabricante chinesa de computadores Lenovo. Em 2011, a companhia aérea Air Asia, de Tony Fernandes, passará a apoiar exclusivamente a Lotus, também de propriedade do empresário malaio. A depender o imbróglio judicial com a Proton, pode até batizar a equipe. Já a Allianz deve ir para a Mercedes, que por sua vez conta com o patrocínio da Petronas, que apoiava a Sauber desde antes da equipe suíça ser adquirida pela BMW. O título de 2009 – quando a equipe ainda se chamava BrawnGP – pesou a favor dos prateados.

Outro caso é o da Force India, a mais surpreendente das “emergentes” da F1. A compra repentina da equipe Spyker por Vijay Mallya fez com que patrocinadores importantes como a Etihad Airways e  a companhia de investimentos Aldar, ambas empresas sediadas em Abu Dhabi, migrassem para o porto seguro da Ferrari. Um caso semelhante ao da Penske: uma equipe de ponta sempre é uma opção de patrocínio mais interessante do que uma boa equipe que, embora pontue com frequência, se restringe ao meio do pelotão. Mallya tentou reverter a situaçãonos tribunais, mas, como sempre, as Cortes não lhe dão sorte

Christijan Albers guia a Spyker: Etihad e Aldar migraram para a Ferrari.

Correto ou não, o fato é que os negócios são assim no automobilismo. Poucas são as equipes capazes de fazer como uma BrawnGP ou a Sauber e correrem com seus carros brancos para fazerem bons resultados que garantam bons patrocínios na temporada seguinte. Mas o exemplo dessas duas equipes escondem um detalhe: ambas doram bancadas pelas montadoras que partiram um ano antes – respectivamente, Honda e BMW. Quem bancará uma Williams ou a Andretti?

comentários
  1. Alex-Ctba disse:

    É Vitor, realmente preocupante a situação da Williams, mas eles já se especializaram em “sobreviver” nesse meio. Pena perder os patrocinadores de peso e ter que apelar pro din din Venezuelano. Gostaria de ver mantida a dupla do ano passado lá em Grove.

    • Vitor, o de Recife disse:

      É Alex, a Williams tem sobrevivido, mas ao mesmo tempo tem pagado um preço muito caro por isso. Vamos ver se esse interesse ventilado pela Volks em relação as novas regras não se concretiza em uma parceria, como os boatos sugerem.

  2. Dizem as boas linguas que…

    O orçamento da Williams para 2011 seria de 240 milhões de dólares, já confirmado.

    Dinheiro vindo dos petrodolares árabes e novos acordos de patrocínios, basta saber se esses linguarudos estão certos, eu espero que sim…

  3. Árabes, dizem que os acordos foram firmados pelo Wolf e Adam Parr antes do fim da temporada.

    E o acordo não é puramente patrocínio, incorreria também em ações da empresa Williams e Flybrid, coisa grande pelo visto.

    Fora isso, ainda tem a briga pela Mastercard, que depois da desistencia da Renault, passando a chamar-se Lotus, fica mais próxima da Williams, já que a referida vai de preto em 2011.

  4. Marcelo Brum disse:

    Esse texto é um belo texto informativo, Vitor.

    A Williams não vem conseguindo bons resultados já faz um bom tempo por conta justamente da dificuldade em atrair e manter bons patrocinadores. Hoje, é apenas uma equipe que tem nome mas que não é competitiva.
    Quanto às diferenças com os norte-americanos acho que a principal explicação é quanto à forma como as marcas são tratadas por lá –

    http://globoesporte.globo.com/platb/voandobaixo/2010/05/21/obsessao-americana/

    Lá todas as categorias são lucrativas. Os carros parecem árvores de natal, todos decorados.
    A F1 parece uma tão surrada em suas formas de merchandising quanto as idéias do senhor Bernnie Ecclestone. Ao mesmo tempo que fecha contratos milionários de locações e transmissões, empobrece cada vez mais o espetáculo tanto para quem o assiste pela tevê quanto para aqueles que ainda pagam ingressos.

    A Red Bull trouxe um novo fôlego à categoria nesse sentido!

    Apenas uma ressalva, Vitor: é Woking e não “Working”.

    Abs!

    • Vitor, de Recife disse:

      Caramba, escrevi minha vida inteira “Working’… HAAHAHAHAHAA!!!

      Valeu Marcelo!

    • Vitor, o de Recife disse:

      Caramba Marcelo! Ia continuar escrevendo Working pelo resto da vida sem perceber, HAHAHAHAHAHA!!!

      Valeu, corrigido.

      • Fernando Kesnault disse:

        Na f-1 já passou da época de se permitir que cada carro da equipe possa ter um patrocinio caso a equipe queira e olha as equipes estão tão na mão do Bernie (e por isso fracas no quesito de exigir) que se quisessem poderiam entrar com um processo na Corte Europeia sobre esta “proibição” que venceriam tranquilamente, mas….tem o rabo preso igual aos falidos clubes de futebol brasileiros atrelados às esquisitices da RGT em questão de horarios e outros pontos absurdos.

        Em muitos pontos o esporte nos USA é saudável por os seus dirigentes sempre se preocupam com o espetáculo que proporcionam ao publico, mudando as regras mesmo durante a constacia de uma temporada como se faz na NASCAR e que passa a ter seguidores cada vez mais.

      • Vitor, o de Recife disse:

        Bem lembrado Kesnault. Já poderiam ter revisto isso em 1999, quando a BAR tentou colocar dois carros com patrocinadores diferentes (na verdade, marcas diferentes, já que era a mesma empresa). Mas não deu e a ideia morreu.

        O mais ridículo é a justificativa de que “confundiria os torcedores”. Definitivamente, os dirigentes da F1 devem achar que os fãs da categoria são uma legião de panacas.

  5. Marcelo Brum disse:

    TP Mazembe!!! (kkkkkkkkkk)

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